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Project Cars Project Cars #25

Project Cars #25: a história do Civic VTi 1997 de Flávio “Zaca” Diniz

Fala, pessoal! Vamos começar um pouquinho diferente do padrão dos meus amigos de Project Cars. Eu nunca fui um gearhead de verdade. Admito. Não curtia carros, os enxergava unicamente como um meio de te levar do ponto A para o ponto B o mais rápido possível (moro em Brasília, então aqui este raciocínio “ainda” é válido) e, durante muitos anos, nunca tive pretensões automobilísticas. Curtia Fórmula 1, jogava bastante Gran Turismo em todas as gerações do PlayStation, mas ficava por aí.

Até que a vida de adulto chegou. Trabalho, faculdade, casamento… deixar de usar o carro do meu pai exclusivamente para me locomover se tornou uma realidade, e ter que comprar o meu próprio carro se tornou uma necessidade. Aí, meu filho… essa é a hora que você descobre que quando o dinheiro sai do seu bolso a coisa muda de figura. Durante algum tempo — especialmente enquanto ainda tinha apenas um carro — o foco era apenas o mínimo de conforto e economia. Foi assim com Corsa, Celta, Fit e Civic Sedan. Até que chegou a hora de comprar um segundo carro.

O ano era 2011. A locomoção estava começando a apertar e cheguei à conclusão que de ônibus não dava mais. Tinha uma verbinha guardada e decidi que aquela era a hora. Procura daqui, pensa dali, estuda marca, estuda modelo, e me toquei que tinha ficado bem satisfeito com os Honda que tive. Mas a grana era curta demais para qualquer Honda que não fosse algum PT de leilão. Ao menos era o que eu pensava. Até que me lembrei de um amigo (valeu, Steven!) que tinha comprado um Civic Coupe EJ.  Pensei: “Hum… Aquele do Velozes e Furiosos… será que um cidadão de bem e pai de família como eu deveria ter um carro de playboy como esse? Bom, no Gran Turismo estes Hondinhas velhos eram legais… vamos olhar!

Procura daqui, procura dali, até que o Steven me disse: “Olha, tem um Hatch 1994 Si ali, vamos olhar?”

Chegando lá, parecia que algum sentimento infantil adormecido e esquecido tinha despertado. Fiquei cego! Eu pre-ci-so deste carro!

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A pintura estava bem pior do que parece

Essa “necessidade” no entanto sofreu um pouco naquela hora que provavelmente todo mundo aqui já enfrentou: conversar com a família.

“Trouxa”! “Dinheiro não nasce em árvore”! “Coisa de idiota”! “Compra um Gol”! “Carro velho não presta”! “Se alguma coisa quebrar você está lascado”! Bom, não preciso continuar, todo mundo já entendeu o que passei. Mas resolvi apostar na emoção e fui lá e comprei o carro sem pensar. E como não me arrependo! Tinha coisas pra fazer, não estava perfeito, era um caso de uso comum, mas o fato de ter sido de um tal de Duda, mecânico aqui do DF que só mexia com Honda (falo mais sobre ele no futuro), me tranquilizou.

Sei lá o que foi aquilo! Comecei a ter prazer em fazer eu mesmo as coisas no carro! Comecei a adorar esticar o giro até o corte (sem se preocupar desesperadamente com o consumo)! Comecei a curtir fóruns, sites, marcas… Pronto! Quando me dei conta, tinha sido contaminado pelo vírus do gearheadismo, e pelo sub-vírus do Hondeirismo (YO!). Contaminado? Isso, contaminado. Hoje, aos 30, nem “preciso” mais do segundo carro. Mas não largo, porque ter uma porcariazinha dessas pra chamar de minha é praticamente uma obrigação!

Mas a história é sobre o meu Project Cars, então vamos seguindo. Hoje eu entendo que o processo de reconstruir o carro me chama tanto a atenção quanto guiá-lo, e foi neste Si que eu comecei a entender isso. Vai aero Spoon Style, vai rodas de VTi, vai detailing, vai interior, vai mecânica zerada, e quando me dei conta, alguns meses depois, este era o estado:

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Antes das brincadeirinhas: Não, não roubaram o carro aí…

 

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Jogo dos sete erros: O que tem de errado nesta foto?

Continuava a saga, tinha mais alguns planos para o carro. Só que um dia recebi uma proposta simplesmente incrível pra pegar um New Civic e a paixão levou um tapa da razão. Lá foi o Si para os classificados de venda e em menos de uma semana ele já estava com seu novo dono. Aí tanto a paixão quanto a razão levaram tapas: a proposta desapareceu e fiquei com o dinheiro na mão, mas sem meu xodó. Vida que segue, voltei à caça. Tinha que ser um Honda.  E tinha que ser um Hatch.

Foi quando eu encontrei um raríssimo Civic Hatch LX AT aqui em Brasília. Preço? Check. Bom estado? Check. Pronto! Na garagem. Mas ser AT e manco daquele jeito me desanimava. A solução? Vai virar projeto! Queria deixá-lo esteticamente como um EK9 (Civic Type R). Pensava em um projeto turbo apra depois e, obviamente, o swap de câmbio.

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Lá fui eu procurar o Duda, que já estava com a oficina KingzAuto aberta e funcionando a todo vapor. Vamos colocar um terceiro pedal neste carro! O processo foi bastante trabalhoso, em especial a caçada das peças. Em umas duas semanas, fui aos ferros-velhos daqui do DF atrás de peças no mínimo umas vinte vezes. Mas o resultado valeu muito a pena. Virou outro carro! É impressionante como só a mudança de tipo de transmissão pareceu fazer o carro ganhar uns 30 cv no mínimo. E não parei por aí. Algumas modificações mecânicas e estéticas foram surgindo, até eu estar minimamente satisfeito.

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Ali tinha um stick de AT…

Foi aí que do nada apareceu proposta muito boa pra pegar um VTi Milano Red. Uau… B16 de verdade… Taca-lhe pau nesse carrinho! No rolo foi o LX mais uma volta e pronto, estava finalmente com um EK4 de verdade. O primeiro VTEC a gente nunca esquece!

O engraçado é que um pouco antes de eu comprar o LX eu fui dar uma olhada neste carro, que estava à venda. Fiquei abismado com o excelente estado e algo me dizia que um dia ainda o compraria. Mas enfim, o dinheiro não dava e resolvi não fazer loucuras. E o mundo deu voltas!

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Só que o carro era muito novo de mecânica. Não tinha muito que fazer além de revisar, trocar peças de manutenção comum e usar. Dava dó só de pensar em preparar. Mas já era, não tinha como ficar mais de facho quieto. Todo carro tinha que virar projeto. Como várias das peças do projeto EK9 para o LX permaneceram comigo, fui cuidando da estética do meu bichinho. Aero do EK9, volante do S2000, lanternas Red Clear, faróis de neblina quadradinhos, molas H&R, painel do EK9 e por aí vai. Acabei montando um EK4 bem exclusivo, sem compromisso com estilo nenhum (ao meu gosto, minha principal regra), mas com um “quê” de JDM.

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O mais próximo que eu já cheguei de um Honda S2000…

Mas sabe como é…. as oportunidades surgem e algumas vezes não tem como fugir. Sair de um Civic 1998 pra pegar um New Civic Si 07? O VTi chamava tanta atenção que acabou aparecendo uma proposta de troca. E porque não?

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Faróis do Si americano casam muito bem com os New Civic…

Continuei hondeiro, mas agora vtecando de K20 e com sensação de carro novo. E aí eu fui ficando cada vez mais perto do universo JDM. E toca mais um projeto: Fazer o Si ficar o mais próximo possível de um Type R. Fui começando aos poucos algumas ideias, em especial no âmbito estético. Só que na vida existem prioridade e como o projeto de vida tinha passado a ser “fazer a família crescer”, a dona razão falou mais alto que a emoção mais uma vez. E assim o Si virou um CRV para a dona patroa. Mas tudo a um preço: o Civic Sedan que ela usava de daily tinha que virar ao menos um VTi par amim. E foi assim que chegamos a este Project Car.

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É um VTi EK4 1997 Adriatic Blue. Como sempre, o projeto é o meu próprio gosto, mas as inspirações são o os SIR-II japoneses (que na verdade são praticamente o mesmo VTi vendidos aqui no Brasil) e o universo JDM. Penso em uma preparação aspirada (especialmente por conta do som: quem já babou com seu VTEC sabe do que eu tô falando), mas que seja reversível no futuro. Sei que todas essas trocas de carros em tão pouco tempo tiram todo o meu crédito, mas o projeto é com este ficar tempo o suficiente pra mostrar pros filhos.

No próximo post vou falar das alterações estéticas do VTi (já está bem diferente desta foto) e de como pretendo conduzir o projeto aspro. Valeu, galera, e até a próxima!

Por Flávio “Zaca” Diniz, Project Cars #42

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