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Project Cars

Project Cars #252: a primeira etapa da restauração, um teste nas pistas e… a quebra do motor do meu Gol CLi

E aí, pessoal, tudo certo? Vamos agora para a segunda parte da minha saga com o Lego. Como eu havia dito no primeiro post, o carro tinha muita coisa a fazer, tanto de mecânica como esteticamente, mas minha prioridade sempre foi a parte mecânica — até porque a parte de estética só fui mexer de 2014 pra cá. Então esse post vai ter muita conversa e vou detalhar o máximo possível do histórico de manutenção do carro por conta das poucas fotos que tenho dessa época.

Lembro que a primeira coisa que comprei para o carro foram as borrachas dos pedais pois o da embreagem já estava no ferro, uma chave de seta original Kostal pois o botão do alerta já não acendia, e os emblemas VW pois o dianteiro já estava preto de tão velho, e o traseiro tinha caído. Também comprei lanternas novas modelo GTI fumê, pois no lugar da lanterna esquerda estava um saco plástico colado com fita adesiva. Acabei trocando também a maçaneta do lado do motorista que só funcionava quando queria.

 

Primeira compra

Comprei também o botão original dos faróis de neblina, pois quando meu pai os instalou, ele simplesmente colocou um interruptor universal parafusado na tampa da caixa de fusíveis. Foi minha primeira aventura no DIY. Isso porque minha intenção era somente a troca o botão, mas quanto mais eu mexia na gambiarra deixada pelo eletricista que instalou os faróis, mais eu desanimava. Acabei descobrindo que o cara havia ligado o relé de acionamento fazendo uma ponte com o fusível de acionamento do ventilador do motor. Ali foi a gota d’água.

Decidi refazer tudo, pois a qualidade dos fios era horrível. Retirei o para-choque dianteiro, refiz todos os conectores e passei a nova fiação, mais grossa, e aterrei tudo dentro do carro nos pontos de aterramento originais — e não mais no primeiro parafuso encontrado na frente do carro. Aproveitei e fiz também um chicote para a parte traseira do carro para ligar a luz de neblina traseira. A ligação que estava no carro acendia aquela lâmpada junto com as luzes de freio. Ou seja: eu tinha duas brake lights: uma no spoiler e outra no para-choque.

Tratei de tirar mais essa gambiarra e o acionamento passou a funcionar no botão original, já que ele tem dois estágios — primeiro aciona os neblinas dianteiros e o segundo aciona a luz traseira. Infelizmente não tenho nada documentado dessa época, mas vou detalhando o máximo possível. Se alguém precisar de ajuda, estou disponível para tirar dúvidas.

Nessa época também fui fazendo pequenos reparos ainda pagando por alguns serviços que hoje em dia já faço em casa. Troquei a junta da tampa de válvulas que estava vazando — resolvi meses depois trocando a tampa e adotando a junta de borracha original dos motores mais novos, sendo necessário somente a troca dos prisioneiros para esse tipo de junta. Troquei também os cabos de velas e as velas — e aqui veio a primeira canseira por não conhecer bem meu carro.

bobina mi

Bobina do Mi

Meu carro é monoponto (um injetor no topo da admissão) então a bobina para é de um modelo diferente, e por isso o cabo que vai dela para o distribuidor tem o encaixe diferente dos modelos seguintes com motores AP multiponto. Quando pedi os cabos para ano e modelo do meu carro não consegui encaixá-lo na bobina — meu pai havia trocado por uma Bosch para motores Mi em uma tentativa de melhorar o consumo. Uma tentativa de mexânico, diga-se de passagem, pois o cara não sabia o verdadeiro problema do consumo do carro. Não importava quantos cabos eu pedisse, sempre esbarrava no cabo da bobina, então acabei levando mesmo o jogo errado e mantive o cabo usado, pois não se vende apenas esse cabo da bobina para o distribuidor separado, e se eu levasse o jogo de cabos para Mi, eles simplesmente não funcionariam por serem menores.

Bobina monoponto

Bobina do monoponto

Efetuei também a primeira troca de correia dentada que me deu pena do mecânico, pois ele teve que tirar até o pára-choque para remover o coxim frontal para dar acesso à troca. Aproveitei e troquei as buchas do trambulador, serviço simples e barato, e que dá uma bela diferença na troca das marchas tirando aquela moleza do seletor de marchas.

reparo trabulador

Até ai tudo certo. Ignição, correia e filtros trocados. O carro ia ficar show no consumo.

Só que não foi assim. Houve uma leve melhora no consumo, acredito eu por conta da troca das velas e cabo, mas nada que me deixasse satisfeito. O carro passou dos 5 km/l para 6 km/l, no máximo, então percebi que ali tinha coisa. O painel dos carros dessa época não possui luz de falha da injeção, então o módulo pode pegar fogo o módulo que o motorista só vai descobrir pela fumaça.

É por isso que nenhum mexânico havia encontrado o problema. Eles não achavam que era problema de injeção. Levei a uma oficina especializada e o mecânico logo falou ao abrir o capô: “Viiixe, FIC EEC-IV monoponto, né ? Essa injeção é osso! Mistureba de Ford com VW”. Com a agenda cheia ele me indicou outra oficina, no outro lado da cidade. Esperei pouco mais de uma hora e o técnico também não fez uma cara legal ao ver que era monoponto. Pelo menos ele não me mandou para outra oficina.

Em vez disso ele ligou o carro no scanner e foi fazendo os testes. Em pouco tempo localizou o problema: a sonda estava travada e com isso a central estava em modo de emergência — a injeção assume um mapa padrão com mistura bem gorda para impedir falha por falta de combustível. Troquei a sonda e o carro mudou da água para o vinho. As respostas demoradas e o carro “bobão” deram lugar a respostas bem mais rápidas. Paguei o serviço com gosto. Após três tanques cheios me veio a grata surpresa: carro estava fazendo entre 8 e 9 km/l na cidade.

Painel original

Depois disso, olhei para o painel original e notei como ele era muito simples. Marcava apenas combustível, velocidade e temperatura do motor. Então comecei a procurar um painel com conta-giros e o encontrei em uma sucata de Parati 16v da polícia. Dela também tirei o sensor de velocidade, pois o novo painel funciona com o sinal que vem do módulo de injeção e não por cabo. Instalei o painel sozinho em casa mesmo, trocando o sensor de velocidade antigo pelo novo, e o conector do chicote do carro para encaixar no sensor novo. Tudo perfeito, painel no local, luzes funcionando, velocímetro idem. Mas as rpm? Nada!

segundo painel 1

Painel da Parati 16v

Comecei a pesquisar e descobri que nos Gol mais antigos o conta-giros usa um fio do distribuidor, mas ficaria muito feio no meu carro. Então recorri a um profissional de painéis. Ele puxou o sinal direto da injeção, aferiu a velocidade do novo painel e colocou a mesma quilometragem do painel antigo a meu pedido. Mais tarde peguei um do Gol GLi/TSi e fiz o mesmo procedimento.

painel atual 2

Painel do Gol GLi/TSi

 

Som na caixa

Antes de me vender o carro, meu pai tirou o som que estava instalado. Era tipo trio elétrico: dois woofers, corneta e twitters na tampa da mala. Agradeci por ter tirado aquilo e me entregado a tampa original bem conservada para colocar no lugar. Só precisava de um aparelho de som e altos-falantes novos.

Como meu pai comprou um DVD retrátil, fiquei com o aparelho antigo, com leitor de mp3 em CD, e comprei um jogo de alto-falantes Sony para colocar nas portas. Senti falta de um grave melhor, então instalei um subwoofer Bravox de 12 polegadas e um amplificador para melhorar a qualidade do som. Gosto de som somente para dentro do carro, então ainda desejo melhorar a qualidade com a adoção de kits duas vias e módulo e sub melhores.

 

A estrutura do Gol

Após um tempo comecei a focar na parte de segurança do carro, mais exatamente depois que percebi que o alinhamento nunca ficava perfeito. Pesquisando melhor vi que se devia a uma trinca no túnel do carro. A carroceria perdeu rigidez e decidi resolver isso do jeito mais correto possível. O problema foi achar quem fizesse, pois todas as funilarias  pesquisando vi que se devia a trinca do túnel e por isso a carroceria ficava muito frágil, fiz então um empréstimo na empresa que trabalhava na época e resolvi resolver isso da forma mais correta possível, pois ao pesquisar em funilarias pequenas todos queria efetuar a solda do túnel com o motor no lugar e com solda elétrica que esta longe de ser segura.

Após vários orçamentos só encontrei um local que fazia o serviço da forma correta que é removendo a mecânica e colocando a carroceria em mesa alinhadora e efetuada a solda com solda do tipo MIG que coincidentemente foi a mesma oficina que fez a pintura geral do meu carro, uma das mais conceituadas aqui no estado. Feito o serviço o carro já pegava alinhamento corretamente sem mais puxar para qualquer lado.

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Rachaduras no túnel, problema que foi herdado do Gol quadrado e que ainda acontece até os G4 por utilizaram praticamente a mesma plataforma AB9, resolvido apenas no G5 que utiliza a mesma plataforma do Fox/Polo a PQ24

Na mesma época efetuei a troca de discos, pastilhas, flexíveis e fluido de freio e dei uma geral na suspensão pois, como havia comentado no primeiro post, a suspensão está em estado crítico. Foi efetuada a troca dos dois amortecedores dianteiros, coxins dianteiros, os quatro batedores, buchas de agregado, buchas da barra estabilizadora, rolamentos de roda dianteiros e traseiros, pois estavam “roncando” muito e etc, foi retirado também um vazamento de água (que ainda foi minha cruz durante muito tempo).

Depois de realizado esses reparos mais uma vez me senti em outro carro. Por ser habilitado há pouco tempo e ter dirigido somente o Gol diariamente, pensava que fosse normal o carro “espalhar” tanto em curvas e a carroceria ser quase como os carros do GTA de tão molenga. É que os amortecedores estavam sem reação alguma.

Depoisi efetuei a troca de todo o escape, inclusive o caríssimo catalisador que me custou, na época, R$400. Queria deixar o Gol o mais original possível, mas admito que se fosse hoje em dia com o dinheiro que gastei nessa troca eu teria era colocado um 4X1 e colocado um escape menos restritivo e um silenciador mais esportivo… os pensamentos e metas mudam com o tempo.

 

O primeiro ano

Em maio de 2011 completei um ano como dono do Gol. Já tinha gastado mais grana em manutenção que meu pai em todos os anos com o carro. Quem via ainda falava que não tinha visto nada diferente. Me dava uma raiva…

Então tentei dar uma melhorada no visual e comprei faróis de neblinas novos, pois os anteriores já estavam trincados e descascando. Só isso já deu outra cara para o carro. O capô dele, desde quando peguei, tinha a pintura queimada e com o tempo aumentou muito e começou a me incomodar.

porta amassada (Large)

Além disso, bem na ponta da porta do motorista tinha um amassado que foi causado ainda com meu pai, que tentou colocar o carro para pegar no tranco de ré e a porta aberta pegou em uma árvore. Para desgosto de muitos eu envelopei o capô e as colunas da porta de preto fosca para tentar mascarar o queimado do capô e o amassado da porta, o Lego acabou ficando menos feio.

capo envelopado 2 (Large)

Outra coisa que me preocupava era o fato da dificuldade que tinha da troca de marcha de 2ª para 3ª e a ré que “escapava” sempre que utilizada. Esse problema piorava a cada dia, então decidi mandar o câmbio para a manutenção e com isso já matei mais três problemas: a troca dos selos de motor, que já estavam minando água por conta da ferrugem no sistema, a troca do retentor de volante que estava vazando óleo, e a troca da embreagem por uma original LUK, com rolamento também LUK, pois a anterior já estava querendo deslizar e aproveitei a mão-de-obra.

Comprei o óleo especificado Castrol e efetuamos também a troca das coifas das homocinéticas de roda e das juntas deslizantes (trocadas posteriormente porque estavam deslizando demais). Com esse serviço realizado mais uma vez tive aquela sensação de carro novo. O pedal de embreagem parecia uma pena e não tive mais problema com a troca de marchas.

Arrefecimento limpo (Large)

Arrefecimento limpo

Nisso também fiz uma manutenção no sistema de arrefecimento pois quando peguei o Gol a água já não era água, e sim ferrugem pura. Fiz a limpeza, efetuei a troca de todas as mangueiras, canos de água, conexões e abraçadeiras, bomba d’água, reservatório e tampa e já sabendo que em algum momento poderia ter que trocar o radiador por conta de vazamento. Após serviço realizado o aspecto do motor mudou muito. Aquelas mangueiras novas, reservatório limpinho com o aditivo azul visível era lindo a meu ver.

 

Um teste na pista

Nessa época comecei a freqüentar os rachas no autódromo do meu estado e num momento de insatisfação ao ver carros andando muito devagar resolvi colocar meu carro à prova.

Naquele momento a sensação era muito boa, com um carro totalmente original e com motor com seus 18 anos de bom uso levando carros mais novos e até mais potentes.

O capô estava sem envelopamento e com essa mancha horrível preta porque dias antes um incidente em um lava jato amassou o capo, retirei então o adesivo e pintei de preto dias depois.

O próximo racha seria noturno e já queria pôr o carro na pista novamente. Porém na semana anterior o carro começou a dar umas engasgadas e pensando ser problema de injeção levei à oficina. Trocaram as velas e rotor do distribuidor. No dia do racha noturno o carro estava andando melhor que no diurno, mas somente de alta, na marcha lenta o carro voltou a engasgar,  mas como já estava lá continuei na brincadeira.

No meu canal tem mais alguns vídeos dos rachas.

Brinquei até o fim do racha e fui pra casa tranqüilo, apenas com os trancos em lenta, no dia seguinte tentei ligar o carro pra ir trabalhar e… nada. A partida estava pesada, abri o capô vi se tinha algum problema elétrico no motor de partida, mas tudo ok. A última coisa que fiz foi abrir a tampa de abastecimento de óleo e o que vejo? Café com leite!

No próximo post detalho o processo de retífica de motor e os primeiros upgrades na estética, até lá!

 

Por Rodrigo Lourenço, Project Cars #252

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