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Project Cars Project Cars #258

Project Cars #258: um acidente com o Tobias, meu Fusca 1300 1981

Olá, meus amigos gearheads. Tudo bem? É o Bruno novamente trazendo notícias do Tobias, meu jovem idoso companheiro de luta. Infelizmente o episódio de hoje não condiz com passarinhos de contos de fadas ou potes de ouro no final de arco-íris. Hoje o assunto é meio gótico e tristonho, e sobre como eu detesto a Lei de Murphy.

 

A calmaria antes da tempestade

No nosso último encontro por aqui eu estava contando para vocês como o Tobias estava se comportando bem, ele foi e voltou de um encontro pegando marginal sem pestanejar todo alegre e saltitante, socializou com outros aircooleds e antigos, além disso, meu aniversário estava chegando e aproveitaria a verba dos familiares para comprar um escapamento novo e alinhar a altura da dianteira com a traseira (a diferença de altura da roda para o paralama do eixo dianteiro para o traseiro é de quase cinco centímetros).

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Brace yourselves, tragedy is coming

Para comemorar o bom andamento do projeto, combinei uma sessão de fotos com um amigo no Beco do Batman, ponto turístico de São Paulo conhecido pelos grafites artísticos para realçar a beleza do Smurf Móvel e ter uma material legal para colocar aqui no Flatout.

 

A Sessão de Fotos

Dia 27 de setembro, manhãzinha, o sol brilhando contente, os passarinhos cantarolando, um último brilho nos cromados e lá vamos nós para o Beco do Batman. Ah, um detalhe sobre Fuscas, aliás, pelo menos sobre o meu: O velocímetro é bem impreciso, tanto que ele aponta 60 quando o carro está nos 50km/h. Entendeu agora porque os tiozinhos são tão lerdos quando dirigem aircooleds? Culpa da Volkswagen, mas dos males o menor, pelo menos o Tobias não tá envolvido no dieselgate.

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Até a mulher grafitada do muro ficou admirando o Tobias

Chegando lá, tudo tranquilo, câmera pronta e fotos nas mais diferentes poses, aliás, nosso velhinho chamou tanta atenção que até pediram pra tirar foto dele com uma moça que estava lá fazendo um book. Pois é camaradas, inclusive os pais da garota ficaram conversando comigo lembrando do Fusca que eles tinham nos velhos tempos, sim, todo mundo tem uma história com os besouros. Inclusive, o carro chamou a atenção de dois policiais que estavam passando no local e que elogiaram a boa forma do bichinho.

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That ass

As fotos ficaram fantásticas, mas depois de um liga e desliga constante para arrumar as posições ou para deixar outros carros passarem (o que atrapalhou demais, tenho de dizer), o Tobias começou a demonstrar cansaço. Era hora de ir embora, virei a chave e nada: ele estava com dificuldade pra ligar. Nessa hora conseguimos apoio de turistas japoneses que estavam por lá visitando o beco, e eles ajudaram a empurrar o carro para dar partida na base do famigerado “tranco”. Nada como um intercâmbio cultural né?

Carro funcionando, pé na tábua pra voltar pra zona leste. E foi no caminho entre o beco e a radial leste que percebi que o motor estava falhando, volta e meia ele perdia força… mas que porcaria estava acontecendo? Plena Radial Leste, carro nos 50km/h em cima de um viaduto e do nada o carro perde força… Ué? Será que ele não tá com força o suficiente pra quarta marcha? Reduzo para a terceira e o motor continua perdendo força mesmo com o pé embaixo. Segunda marcha, mesma coisa (imaginem meu desespero). Vou indo pra faixa da direita e já ligo o pisca alerta, na última faixa o carro para e morre mesmo com o pé na embreagem. Que porcaria!!!

No acesso do viaduto vinha uma viatura da CET, e meu amigo Rodrigo (dono de um Pug 106) vai lá pedir ajuda para os caras enquanto eu fico no carro tentando entender o que estava acontecendo. Os marronzinhos então entram atrás do Tobias e vão escoltando enquanto controlo a direção e meu brother gearhead vai empurrando o besouro até entrarmos em um acesso com espaço pra estacionar sem atrapalhar o trânsito.

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O Tobias adora fazer novos amigos

Naquele dia conheci o agente de trânsito mais legal que já vi. Além de ajudar a levar o carro para um lugar seguro, o cara ainda se propôs a olhar o motor para ver se ele conseguia resolver o problema. Pegamos a caixa de ferramentas que sempre levo no carro e fomos ver qual era o problema. O marronzinho soltou a tampa do distribuidor e constatou: Não estava chegando corrente. Será que era a bateria nova? 300 pilas jogadas no lixo?

Enfim, como não podiam ajudar em mais nada, os agentes da CET foram embora, mas deixo aqui meu agradecimento aos dois pelo apoio que eles deram. O problema agora era, como conseguir socorro em um domingo de manhã se o carro não tem seguro… As oficinas de confiança não estavam abertas e somente um autosocorro atendeu o telefone: 200 reais para basicamente andar uns 7 quilômetros no máximo.

Foi aí que cometi o maior erro da minha história com o carro. Querendo economizar a grana com o guincho, peguei o metrô e fui buscar o Celta em casa, busquei uma corda naval (sim, a cagada já começa por aí) e voltei para aonde o Fusca estava. O Chevroletzinho não tem gancho na traseira… amarra no eixo traseiro, e o Fusca não tem towhook, mas no lugar de também prender no eixo, prendi a roda na garra do parachoque. Cenário pronto para tragédia.

Meu amigo no volante do Fusca, e eu dirigindo o Celta, saímos no ponto onde estávamos e começamos a subir a rua… semáforo fecha. Na hora de sair com o carro no farol verde só escuto o barulho de metal se retorcendo. Sabia o que me esperava quando olhei para o retrovisor com um aperto no peito: O parachoque do Tobias retorcido e preso por apenas uma das garras, os dois paralamas arranhados, um deles levemente entortado e a pestana do farol caída no chão com a força do arranque.

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A cara de triste que ele ficou é de partir o coração

Pois é, podem me odiar, eu também me odiei naquele dia, só com aquele nó na garganta de quando seu dia vai de muito legal para uma droga. Liguei para o guincho, que só foi chegar três horas depois, ou seja, o carro parou as 11 horas e só foi subir na plataforma do guincho as 17. O curioso é que o motor voltou a funcionar na hora de subir no caminhão… se eu já estava bolado, agora eu estava possesso, quer dizer que aquele estrupício voltaria a funcionar se eu tivesse esperado quieto.

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Nada como um aprazível passeio de guincho não é?

Saldo do dia: despesa com guincho, mão sangrando de ter mexido no parachoque, problema mecânico misterioso e um conserto da frente que eu não fazia ideia de quanto ia custar… Mas as fotos ficaram boas. Uhul!!! Nisso, a grana que eu estava guardando para ajustar a suspensão e comprar um escapamento novo foram pelo ralo, ser pobre é complicado.

No dia seguinte joguei uns tapetes de borracha no chão da garagem, peguei chave 13, 14mm e um alicate para tirar os restos mortais do velho parachoque. Minha dica para quem for fazer esse procedimento é a seguinte: Vire a roda para o sentido em que for soltar a garra, abrindo espaço para colocar o braço e girar a chave que for usar.

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Garras soltas e o parachoque parecendo um macarrão

Alguns dias depois comprei parachoque e garras novas e fiz o mesmo procedimento para tirar, só que ao contrário. Até um tapado consegue fazer, basta ter toda a profusão de parafusos, porcas e roscas que precisam ser utilizadas, além de obviamente, as ferramentas mais básicas que existem. Só não dá pra amarrar com barbante como em um bom Apzaum, mas é quase isso.

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Garra possicionada, porcas colocadas e apertadas. Good to Go!

Infelizmente, só na brincadeira de guincho e partes de reposição foram quase 300 reais de prejuízo. Não é muito dinheiro para a maioria dos Project Cars por aqui, mas para um Fusca de universitário é verba de escapamento. Então o jeito tá sendo economizar para continuar avançando no projeto. Mas com meu aniversário percebi uma coisa muito legal: O Tobias passou a fazer parte da minha personalidade e do modo como as pessoas me veem, tanto que grande parte dos meus presentes foram relacionados com o besouro azulão.

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Desenhos, canecas personalizadas, porta-retrato e sim: milhas

Hell Yeah gentlemen! Tobias ganhará um toque de esportividade com faróis auxiliares. Mas antes disso ele terá que resolver seu problema “mecânico”, que na verdade é um problema elétrico: A bobina está esquentando, o que significa que ou o cofre está muito quente, ou que tem um curto circuito na elétrica ou que a bendita bobina está subdimensionada para a o carro. De qualquer maneira, ultimamente só ando com ele na vizinhança de casa e sempre com um paninho acompanhado de água. Então basicamente esse é o resumo do que aconteceu com o Tobias nos últimos tempos, só queria mantê-los atualizados e não ficar muito tempo sem mandar notícias, mas quem sabe com o final do ano não apareçam mais avanços pertinentes.

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Curiosidade: É verdade, onde tem um Fusca, tem outro

Até a próxima!

Por Bruno Pelegrine, Project Cars #258

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