A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #264

Project Cars #264: o big block Dart ficou pronto – mas os swaps não param por aqui

Voltando para a última parte do Big Block Dart, outra coisa que eu quis fazer nele foi dar uma aparência distinta no interior. O tabelier do painel estava com uns rachadinhos e eu queria algo fora do normal, do comum. Desmontei tudo, fechei os furos e alisei os rebaixos e pintei o painel da mesma cor do carro. No meu gosto, ficou bem legalzinho.

E assim como que num passe de mágica, sem muitas aceleradas, sem muita bagunça quase 15 anos se passaram. Quinze longos e preguiçosos anos.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.17.49

Recentemente com a vontade de usar mais eles, acabei levando não só o amarelo bem como os outros dois Dodges juntos a uma oficina de um bom amigo em sobradinho, desmontei e jateei os três Dodges por baixo, repintamos os três carros, especialmente os subframe connectors que tinha feito para eles, e como o Dart estava com a pintura bem cansada, acabei repintando ele todo.

Foi a mesma coisa da Caravan: ver o carro reformado, lindão, brilhando dá um ânimo todo especial e a gente acaba se motivando ainda mais a tratar deles cada vez com mais carinho. Pequenos detalhes como fazer uma forração nova para por entre o vidro traseiro e o encosto traseiro são peqeuenos detalhes que fazem uma enorme diferença no carrinho.

A oportunidade de levar carros que a gente curte, ver eles serem desmontados, limpos, reparados pontos de ferrugem que a gente nem sabia que existiam, ver um bom profissional tratando de nossos objetos de sonhos e desejos, e pegar eles de volta muito melhor que antes, reparados, mais legais, mais bonitos, mais acertados é algo emocionante para quem curte carro.

E aí, do mesmo modo que na Caravan, um novo começo, uma nova paixão, um novo futuro pro velho guerreiro. Na casa nova, numa garagem mais ampla e mais equipada num local mais afastado, ele volta a ter uso, volta a acelerar, mais belo que antes, mais acertado com o eixo mais longo, uma nova fase.

Esta foi a história do meu big block Dart. Um carro que foi relativamente árduo, caro e trabalhoso de ser feito, a ponto de eu ter prometido não me meter a fazer outro. Sendo bem sincero, acho que este foi o swap mais legal e que me proporcionou mais alegria e diversão que os outros — ainda que de longe seja o menos usado de todos, apesar de também sem nenhuma dúvida ter sido o mais trabalhoso.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.18.02

Mas é assim, promessas são feitas para não serem cumpridas. Há alguns uns anos, do nada, caiu outro Dart Sedan, um 1970, aqui na garagem. Desta feita, não seria outro 383. Desde a época que fiz o 383, tinha um segundo 413 sobrando na garagem. Com o tempo, numa sucessão de lances inacreditáveis, até pistões KB novos de 383, permitindo abrir ele para 426, caíram do céu aqui, junto com um par de coletores tipo Fenderwell com banho de cerâmica. Acabaram vindo para cá, e então, como que num surto de amnésia, o 70, que era quatro portas está virando um sedan duas portas, não há um small block embaixo do capô, já tem uma capa seca Lakewood 1970 vintage esperando por ele junto com um câmbio 260F de F100o já modificado e pronto para ele.

Aqui eu tenho que dizer que nem tudo isso que acontece é culpa única e exclusiva minha. Vários outros indivíduos tem muita culpa neste cartório. Quem seiram estes? Os importadores de peças, o Fernando Demarco, da Americaparts, Marco Muller, da Veloparts, Flavio Beria da Stroker sul, e mais alguns vários outros menos conhecidos, mas igualmente importantes que sempre que a gente precisa vem em nosso socorro. E sempre que pinta alguma coisa legal que sabem que nos interessa, que pode ajudar nossos tão malucos projetos nos ligam oferecendo.

Eu meio na brincadeira costumo dizer que tem coisas que acontecem independentemente de nossas ações ou desejos. Acontecem porque são do destino. É Deus quem quer, entendem?

Este outro Dart 1970 eu conheci logo que cheguei em Brasília lá no ano 2000. Na época até quis pegar ele, mas estava meio carinho, era ainda um carro para ser reformado e eu tinha já um quatro portas, outro seria meio demais. O 413 já sobrava na garagem, tinha do nada aparecido outro 383, este ainda no meu tempo no Rio de Janeiro, mas faltava tanta coisa que eu nem me liguei muito e acabou passando. Uns sete ou oito depois, um amigo local que me comprava muita coisa de mecânica, especialmente de chevy V8, veio e me ofereceu o carro como parte de pagamento de um 454. Ok, desta vez eu nem me fiz de difícil, aceitei logo de cara e começou a bagunça. Mas como tinham duas portas de Dart sobrando e duas laterais de coupe que eu por acaso tinha comprado, já pensando em fazer um Dart sedan duas portas que nunca tivemos no Brasil, tudo ficou tão claro e óbvio que nem precisou fazer força para ver tudo se concretizando.

Na verdade mesmo eu tinha visto uma foto de um Dart sedan duas portas norte-americano, que por acaso era o carro do Steve Magnante, da Hot Rod.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.18.10

 

Esta visão, do carro com o teto alto, só com duas portas, super simples, me deixou seriamente perturbado. Nesta perturbação, eu comecei a achar que deveria mesmo fazer um igual para meu uso. E o processo de me antecipar, ir catando tudo o que precisava, já sabendo que o motor estava mesmo garantido é que fez tudo isso acontecer.

O legal também é que muita coisa perdida acaba caindo do céu na hora certa, ou quase. Notou a grade do 1967 gringo acima? É diferente dos nossos cara de lata dos primeiros anos — e as lanternas traseiras também. Claro que alguém do nada comprou no ebay e depois acabou me oferecendo tudo, que eu nem tinha jamais pensado em ter, mas como resistir? O plano inicial era pôr uma grade nacional de Charger/Gran Coupe nele. Era. Depois da compra vai ficar com carinha de Dart 67 made in USA.

Abaixo fotos do processo de montagem dos bigblocks, os extras, já aqui em Brasilia. O segundo 383 e o 413 virado 426.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.18.20Captura de Tela 2016-01-17 às 00.18.45 Captura de Tela 2016-01-17 às 00.18.36

Nas fotos, o 70 na oficina, e uma foto épica, claro que para manter os bons costumes, quem leva motor de Dodge para a retífica tem que ser outro veículo Dodge. Nada de levar de qualquer jeito, no oba oba. Na foto quando eu levei o motor 383 que vai ser instalado na Plymouth Belvedere 68, o 413 que virou 426 que vai pro Dart 70 e um outro 440 Magnum, que era de um Challenger 70 de um grande amigo, e que foram os três retificados juntos, na mesma oportunidade. A foto prova do crime, com uma biela com pistão de cada um dos três motores, todos juntos.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.19.06 Captura de Tela 2016-01-17 às 00.19.14 Captura de Tela 2016-01-17 às 00.19.22

Aí, neste ponto eu paro e fico pensando, relembrando de outras épocas, de outras façanhas e fanfarras, dos tempos difíceis de importações proibidas, de dificuldades inauditas de comunicação com o primeiro mundo, da inexistência de cartão de crédito internacional, de não haver internet, nem fax, nem onde conseguir qualquer coisa fora do nosso padrão normal era apenas impossível. Até revistas importadas como a Hot Rod eram caríssimas e raras.

Fico lembrando disso tudo e ao ver estas fotos, relembrar diversos lances legais (pelo menos para meus valores é tudo muito seriamente legal) e ter a certeza que na juventude, em outras épocas seria impossível sequer pensar em poder ter qualquer dessas coisas, lembrando muito bem de que quando comprei o Dart 76 até um mero e reles carburador quádruplo mais coletor de admissão para um simples Dart 318 era algo inatingível a nós, meros e reles mortais brazucas.

Mas voltando ao PC, o que é isso, outro bigblock Dart? Sim, mas isso é uma outra história, lá pro PC 426. Aguardem mais um pouquinho que por enquanto estou curtindo muito mexer nos velhos Dodge de novo. Numa boa, sem pressa, sem estresse, como era lá nos anos 90, quando eu mexia neles sempre e sem muitas dificuldades. Volto de novo a uma outra era, só que aqui a máquina do tempo não é um DMC.

Para fechar com chave de ouro, fotos de uma arrumação que fiz com a mudança para a nova garagem e um monte de peças de dodge, parte delas pro Dart 70, tunnel ram, a capa seca Lakewood pintada de vermelho, os escapes Fenderwell com banho de cerâmica, tudo bem amontoado na caçamba da Ram. Ou seja, aparentemente o outro bigblock Dart vai ser um pouco, só um pouquinho mais engraçado que o primeiro!

E para que nenhum boquirroto chame meu Dart sedan 2 de horroroso, vou pintar ele de azul Lorrain da GM. Pirei? Claro que não, porque o azul Lorrain é exatamente igual ao plum crazy do Dodge 70, sendo possível retorcar um com o outro, só que custa muito menos na hora de mandar fazer na casa de tintas. Uma vez automobum mendigomobilista, mendigomobilista para todo e sempre! E assim, sem muita fanfarra, dois bigblock darts devem permanecer juntos na garagem mais sem vergonha do planalto central.

Captura de Tela 2016-01-17 às 00.19.49 Captura de Tela 2016-01-17 às 00.19.41

Espero sinceramente não ter enchido muito a paciência de todos com este monte de memorias distantes que me são tão preciosas! Até o próximo PC!

Por Alexandre Garcia, Project Cars #264

0pcdisclaimer2

Uma mensagem do FlatOut!

Alexandre, mais uma aula incrível esse seu Project Cars. Fazer um Dart big block na raça, sem as facilidades de hoje é coisa para verdadeiros mestres — e o do it yourself mais verdadeiro que há. Bela preparação. Grande aula. Parabéns e esperamos pelos próximos!

Matérias relacionadas

Project Cars #161: a história do meu Chevette DL 1992

Leonardo Contesini

Project Cars #134: um trato no interior do meu Lada Samara e os planos para o motor 1.5

Leonardo Contesini

Project Cars #191: a história do meu Peugeot 306 S16 – e os primeiros passos da restauração

Leonardo Contesini