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Project Cars Project Cars #274

Project Cars #274: novas rodas e um novo motor para meu Chevette Tubarão 1975 “Old School”

Bom, galera, demorei mais tempo pra escrever desta vez mas estou  retornando com novidades interessantes nesta penúltima parte do Project Cars #274. Em tempos, a parte estética do Chevette Tubarão 1975 Old School já está digamos uns 70% concluída até aqui, eu pensava que já seria a definitiva mas alguns acontecimentos mudaram um pouco o rumo da história.

Resumindo os capítulos anteriores, a idéia inicial era um Chevette surrado para uso diário. Pretendia apenas deixar a mecânica em dia, pneus novos, o interior descente e nada além disso. Teria que ser um Chevette Tubarão bem despojado para pegar sol, chuva , andar em estrada ruim e não atrair atenção dos ladrões. Mas felizmente (ou infelizmente) uma coisa vai levando a outra, surgem oportunidades inesperadas e um simples objetivo acaba virando em um projeto mais ousado.

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O primeiro acessório que me fez despertar estas idéias e mudar o rumo foram as clássicas (e raras) rodas do Chevette GP 76’ que me foram oferecidas pelo amigo Marcelo Belelo de São Luiz Gonzaga – RS. Depois surgiu o anuncio de um raro e original volante do GP II 77’ em Passo Fundo – RS, me falaram dos bancos, do painel de instrumentos e por fim do espelho retrovisor do GP II 77 que veio do Distrito Federal.

Estava consumado o projeto Old-School 75’. O mais interessante e intrigante nisso tudo é que eu não procurei nenhum destes itens. Todos eles surgiram ao acaso (quase que por milagre) na tela do meu computador por pessoas que nem trabalham no ramo de vendas. Todos itens de particulares, exceto os bancos que estavam em uma loja de acessório perto da minha casa.

 

Como se já não bastasse os eventos anteriores que transformaram o meu Chevette esteticamente outro acontecimento (grave) mudaria ainda mais o rumo das coisas. Até então eu não tinha nenhum plano ambicioso para a mecânica, exceto um câmbio de cinco marchas pois na a primeira viagem que fiz, sofri pela limitação do mesmo. Já tinha até providenciado este câmbio mas neste meio tempo um visinho meu sofreu um grave acidente de carro ficando duas semanas hospitalizado , como se já não bastasse, quando ele já se recuperava em casa a Chevy 500 94 do pai dele foi furtada na frente do nosso prédio e encontrada uns dias depois(totalmente depenada). Quando foi encontrada pela polícia ele já havia se recuperado e tinha voltado a trabalhar.

Como tenho três Chevettes, a primeira coisa que ele pensou quando recuperou a Chevy 500 foi me oferecer os restos mortais dela por meros R$ 1.500. Isso incluiria o casco (sem vidros, nem capô e nem para-lamas esquerdo). Além disso faltavam sinaleiras, bancos, assoalho da caçamba etc. A única coisa que ficou foi motor, caixa, diferencial e o volante. Até os acessórios como alternador, carburador, ignição e afins foram usurpados pelos bandidos. A Chevy 94 dele era simplesmente zerada, foi triste ver ela naquele estado.

No princípio eu levei a Chevy para casa de um amigo. Pensei em montar ela aos poucos, pensei em revender, pensei em desmontar a mecânica e vender em peças até que enfim um conhecido me procurou dizendo que estava restaurando um Chevette Tubarão 77 que ele havia comprado recentemente e estava com motor de Opala 4 mas queria deixar ele o mais original possível, portanto ele estava a procura de um motor 1.4 e um câmbio de quatro marchas. Parece inacreditável né? Mas foi exatamente assim que tudo aconteceu. Parece que todas estas peças, de diversos Chevettes diferentes estavam procurando um corpo novo para voltar brilhar. Este tipo de coisa me surpreende e me encanta ao mesmo tempo.

Aí você pensa, “poxa vida, que sequência de acontecimentos estranha, tudo parece coincidir. Este cara só pode estar inventando esta história” certo? Mas tem mais…Um conhecido meu que tem uma oficina mecânica me ligou dizendo que ficou sabendo da minha Chevy e queria compra-la, eu pedi o pra ele o que realmente o interessava nela e ele imediatamente respondeu: “o casco, a mecânica eu já tenho”. Eu respondi: “Feito, ela está neste endereço, pague uma plataforma para recolher e levar até a sua oficina, me entregue motor, caixa, diferencial, setor de direção e agregado desmontados e o casco da Chevy é todo seu como pagamento pelo de serviço”.

Uma coisa levou a outra numa sequência ideal de eventos que se combinaram de forma quase surreal. Então vamos lá. Motor 1.6/S levado para o meu mecânico aonde foi revisado(troca de juntas e selos, assentamento de válvulas, foi dado um passe no cabeçote) e pintado na cor azul Matisse da linha GM 96. Comprei uma polia regulável de alumínio anodizado na cor azul, cabos de vela de silicone, carburador Brosol 2E do Chevette 92 a gasolina, uma boina Bosh do Gol Mi, radiador novo, um reservatório selado pra melhorar a refrigeração do motor, correia de comando e correia de acessórios novas etc.

O câmbio foi apenas revisado e pintado. Trata-se de um cambio da marca Clark, fabricante americana, mesma que fornecia para linha Dodge no Brasil. O diferencial acabei não usando porque não havia real necessidade já que não precisaria que ele tivesse relação tão longa. O diferencial infelizmente não era o Dana e sim um Braseixo.

Tudo revisado e instalado e o pacato Chevettinho 1.4 agora passava a ter mais atitude e valentia. Não que tenha se transformado em um esportivo, mas quem conhece sabe que o Chevette não precisa de muita potência pra se tornar arisco e divertido. A mecânica agora condizia com o visual mais invocado que os acessórios de GP proporcionavam a ele. Sobre o desempenho, gravei até um vídeo andando na chuva(morro acima, trecho de serra). Como não tinha comprado o suporte pra Go Pro acabei filmando na mão mesmo.

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Vídeo em HD. Andando na chuva morro acima:

Um tempo depois, acreditando estar com o meu projeto praticamente concluído, mais uma vez surgiu no meu grupo do Face um anúncio que me chamaria atenção. Um jogo de rodas “Cruz-de-Malta”. Acreditem, eu já achei estas rodas extremamente cafonas no passado, jamais pensei que usaria elas algum dia mas quando vi aquela anuncio com uma foto das rodas surradas, pintadas grosseiramente de spray prata não sei o que me deu, tive uma vontade compulsiva de compra-las, foi algo até meio automático e sem pensar porque elas estava muito feias, mas eu tive um visão de que elas ficariam lindas na mão de um especialista. O resultado vocês podem conferir nas fotos a seguir.

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Após as rodas ficarem prontas fiquei simplesmente extasiado. Era exatamente aquilo que eu imaginava e que eu queria. Nem pareciam as mesmas rodas que eu havia comprado uns dias antes, achei que elas mereciam uns pneus mais legais. Na falta de uns BF Goodrich 205/50 R13 com escritas brancas eu comprei uns de medida 185/60 R13 que já ficaram bem interessantes.

No fim deu tudo certo, o novo visual foi aprovado pela maioria. As rodas são mais leves que as de aço e isso da um “up” no desempenho e na economia. Acho que por hoje era isso. No ultimo capítulo vou falar de mais alguns acontecimentos (alguns não tão bons) e mais uns detalhes mudados no acabamento, mais fotos e mais vídeos. Se quiserem algo em especial a hora de pedir é agora. Aqui vai uma sequência de fotos com as novas rodas:

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Por Guto Moraes, Project Cars #274

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