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Project Cars Project Cars #411

Project Cars #279: reconstruindo um Suzuki Swift GTi para track days

Olá amigos! Estou de volta com mais um Project Car. Obrigado mais uma vez a todos que votaram no meu projeto. Para quem não me conhece, sou o Lucas Ribeiro, moro em Brasília e sou dono do Project Cars 279, aquele Fit com rodas de Fórmula 3. Depois que finalizei o PC dele, prometi que iria inscrever meu Swift GTi, e fiquei muito surpreso com os 74 votos.  Então postarei aqui toda a trajetória dele desde a compra até chegar nas pistas. É mais um carro 1300 para moer sem dó nas pistas.

Não sei como aconteceu esta coincidência de ter dois carros 1300, mas me identifico muito com este Swift GTi, pois tem tudo que eu procuro num carro. Para muitos, um carrinho feio, 1.3, sem torque, fraco, desajeitado, bomba, etc. Para mim, um pequeno monstro, que chegou sem humildade nenhuma com Gol GTI, Kadett GSI, Escort XR3, Uno 1.6R, etc.

 

Eventos recentes

Como já contei minha história com carros no PC 279, vou falar aqui apenas como foram os eventos recentes que participei com meu outro carro.

Este ano foi bem interessante. Participei de hot laps, time trial, track day, e andei em 3 pistas diferentes. No final do outro PC, não deu tempo eu falar do desempenho dele no Track Day em Goiânia, e vou contar aqui a decepção com ele.

No período de uns 4 meses aguardando o evento, arrumei toda a suspensão do Fit, fiz carteirinha de piloto de track day da CBA, e chegando o dia, saí de Brasília pra Goiânia umas 4:00 da manhã, carregado de pneus. Não corri logo cedo, pois não deu tempo montar tudo no carro, e entrei na pista já quase meio dia, com um calor que eu nunca tinha sentido antes. Fui com um piloto no carona me ensinando o traçado.  Foi totalmente diferente do que eu vi em vídeos. São outras dimensões, tem elevações, e não dá para ver todo o traçado à frente. Na quarta volta o motor quebrou, nem deu tempo eu correr para virar tempo. Só deu tempo eu rodar e errar marcha uma vez.

Estava no meio da maior reta marcando uns 160km/h e o carro deu uma amarrada, encheu o interior de fumaça, então joguei o carro na grama achando que estava pegando fogo, e resgataram ele para o box. Ainda estava funcionando, mas apenas 3 cilindros e jogando muito óleo pelo suspiro.

Fiquei bem triste na hora, pois já tinha gastado uns 6 mil para fazer o motor dele no início do ano. E mais triste ainda porque tem uma galera que deseja muito ver o mal com os outros. Ver eles por perto sorrindo na maldade, foi uma das coisas que mais me desanimou, e ainda mais eu 250km longe de casa, final de domingo, os guinchos cobrando perto de mil reais para levar para Brasília. Depois em casa, eu parei para pensar que aqui em Brasília deve ter milhões de habitantes, e não tem 50 pessoas com coragem de colocar um carro num track day, e eu sou um destes loucos no meio deste pequeno grupo de pessoas. Então eu tive que levantar a cabeça e esquecer estes pensamentos negativos das pessoas em volta, que torcem para o pior.

Quando eu ainda sem saber o que fazer, ao invés de só ficar vendo mendigos de carona de track day rindo ao lado do meu carro, apareceram as pessoas que gostam de mim. Tenho muito a agradecer as pessoas de Goiânia. Receptividade sem igual, ótimas pessoas. Outros me ofereceram carona, para eu não perder viagem, um amigo lá que apenas me conhecia pelo nome, ofereceu uma garagem da sua casa num condomínio do lado do autódromo.

fit_goiania

Chamei um guincho para deixar o carro lá, e 3 dias depois o mesmo guincho trouxe pra Brasília. Na outra semana já arrumei. Derreteu um pistão. Acredito que deu falta por causa de uma Podium estranha que coloquei lá, combinado com um bico entupido, um intake direto enorme que alinhei na frente do carro, e pistões xing ling. Meu motor já viu 12 pistões diferentes este ano.

pistao guincho

 

Depois de toda a decepção de eu não ter virado tempo em Goiânia, chegou a hora do último hot lap aqui em Brasília. Como prometi para a mulher que não ia correr mais por agora no Fit, eu tinha que achar alguma forma de não passar em branco neste último hot lap do ano. Eu e um amigo tivemos uma ideia insana. Que tal colocar as rodas de Fórmula 3 num UP! TSi todo original? Dito e feito. Testamos um dia antes, e no dia da corrida alguns se assustaram. O resultado foi o que eu esperava, ficou em 3/15 na categoria FWD. Ficou atrás apenas de um 106 já consagrado e um Civic Si de slick na frente.

up_tsi tempos

 

A escolha do Swift

Depois de eu não conseguir tirar mais peso do Fit, vi que eu precisava de um carro bem leve, e que eu pudesse fazer de tudo nele. Já sonhava com este carro, sabia dos detalhes e história dele. Um carro produzido com mais de uma dezena de nomes ou fabricantes, é a prova do sucesso: Holden Barina, Suzuki Swift, Chevrolet Sprint, Suzuki Cultus, Suzuki Forsa, Geo Metro / Chevrolet Metro, Pontiac Firefly, Maruti 1000, Chevrolet Swift, Maruti Esteem, Subaru Justy, Changan Suzuki Lingyang.

Ele chegou no Brasil em 1991, com muita tecnologia, e bem avançado em comparação com os esportivos nacionais da época. Ele contava com o impressionante motor 1.3 G13B Twin Cam 16 válvulas, com duplo comando no cabeçote, já em alumínio, ignição com mapeamento eletrônico, injeção multiponto, retrovisores elétricos, ar-condicionado. O motor tinha 100cv e muito girador. O Corte era em 7500RPM. Também tinha suspensão independente nas quatro rodas, freio à disco nas quatro também, entre outras tecnologias bem inovadoras na época.

E seu maior trunfo, o peso. Inacreditáveis 790kg. E ele nem é tão pequeno assim como imaginam. Segundo informações do blog do fotógrafo Rafael Brüner, o Swift GTi foi pioneiro no Brasil a vir com componentes reduzidos, como compressor do ar condicionado, alternador, motor de partida, vidros mais finos, etc. Este tipo de redução de tamanho das peças só veio a aparecer muito tempo depois no Honda Fit.

swift_fit

Motor de 3 cilindros é a moda hoje? No início dos anos 90 já tinha uma versão do Swift com motor 1.0 3 cilindros. São tantas qualidades que eu ficaria aqui o dia todo descrevendo-as. Mas não vou deixar de lembrar também dos bancos esportivos de verdade, acabamento primoroso, pedais do freio e acelerador projetados para facilitar punta tacco, bom coeficiente aerodinâmico para a época, perdia para o Kadett GSi, mas ganhava do Gol GTi, que era pior que o da Kombi. É bom parar por aqui, sobre as qualidades do Swift. Vamos para o próximo tópico.

 

A compra do Swift

Procurei muito este carro, e nunca achava pelo preço que eu poderia pagar. Quase cometi o erro de comprar um Alfa 145 Twin Spark com problemas no câmbio e com muitas multas. Tenho este problema de ir atrás de carro com 8 velas, ou 1.3 litros. Num certo dia pela manhã apareceu este GTi num site. Comecei a negociar com o cara, e ele não baixava nada no preço, o carro bem inteiro e barato, por sinal.

Fiquei insistindo até que ele baixaria o preço, se ele ficasse com as rodas de Gol GTS ou Parati GLS que estavam nele. Como eu tinha outras rodas em casa, resolvi levar as minhas para voltar com elas no carro. Chamei um amigo experiente neste tipo de negócio, e chegando lá, de cara já gostei da placa do carro ser GTA. De lata estava zero, sem massa, sem amassados, não faltava nenhum acabamento, só muito encardido. Já estava certo de pagar o valor, mas quando abri o capô, a surpresa: Tinha um carburador no motor.

motor_limpo

Aí pedi para renegociar o valor. Ele me deu um bom desconto e ainda me deu as rodas que estavam nele. Fomos no cartório, preenchemos o documento, e 15 dias depois, já estava no meu nome, e pronto para eu mexer nele. Na volta lá da cidade para a minha casa, meu amigo veio dirigindo ele. Muita dificuldade para pegar, pois aparentemente o ponto estava travado, ou algo do tipo. Só rende em alta. Na volta, levei uma baita surra do Swift carburado, eu no Fit. Depois vi em casa que o painel dele é os números maiores são MPH, e já fiquei preocupado por causa dos pardais que passamos.

painel_mph

Andei nele por uns tempos, mas do jeito que estava, todo feio, pipocando, eu nem podia passar perto de colégios. Sempre a garotada rachava de rir dele. Olhavam torto, achando que era um carro insignificante. E quando tinha que parar na faixa e controlar o acelerador para não apagar, o vexame ainda ficava pior.

 

O projeto

Nessa primeira parte não deu para colocar o conteúdo mais técnico ou falar das modificações detalhadamente, mas já estou com o material para o segundo post, falando apenas da preparação e restauração. Desde já peço desculpas.

Deixei o carro com um amigo, para fazer as modificações. Já arrancou o carburador, comprei um coletor de admissão, que já não tinha mais, colocamos homocinéticas novas, já está feita a adaptação dos cubos, das medidas originais 4×114, para 4×100 para entrar as rodas de Fórmula 3.

roda_f3_swift

Os amortecedores foram recalibrados, agora estão bem duros. O motor foi revisado e está todo ok, apenas vamos colocar juntas novas. Arranquei o ar condicionado e alguns outros itens. A direção dele já é mecânica e bem direta. Na parte de buchas, arrancamos tudo e mandamos fazer tudo em poliuretano. No segundo post colocarei as fotos completas, de todas as buchas.

buchas_pu

Na embreagem, também mandamos fazer o disco de cerâmica. Só a parte de alimentação ainda não está no lugar. A injeção é uma Pandoo Pro Inject com Fast Logger, bicos Bosch Green Giant 42 lb/s. Vamos adaptar uma roda fônica e ainda escolher as bobinas individuais. Já agora em Janeiro, vou arrumar uns rachados que tem no painel, e começar o alívio de peso mais avançado.

velocimetro rachados

Já deixei um lugar aqui em casa para guardar todos os acabamentos. Vou arrancar todos os forros e carpete, vai ficar só na lata. Vou manter o painel, apenas as tubulações de ar e as saídas serão removidas. Som, relógio, já retirei. Nas portas estou pensando se deixo acabamento ou não. Bancos, só os da frente. O Objetivo é chegar nos 700kg ou menos.

Me inspiro neste Swift do vídeo abaixo. Claro que não conseguirei chegar nem perto disso, pois este o cara conseguiu chegar nos 620kg, e deu pingos de solda no monobloco todo.

Os vidros eu ia deixar os dele mesmo, pois já são bem finos. Mas aconteceu um imprevisto no natal. Alguém quebrou um vidro lateral traseiro, aí vou colocar os dois de policarbonato. Comprei mais trêss rodas de magnésio aro 13×8, com muitos pneus de Fórmula 3. Agora tenho sete rodas e mais de 10 pneus slicks da Fórmula 3 mais antiga.

novas_rodas

Então é isso, pessoal. Já expliquei mais ou menos o meu objetivo, o que já fiz e o que falta. No próximo post começo a mostrar muitas fotos do processo, detalhamento, e valor de cada alteração. Até mais, pessoal!

Por Lucas Ribeiro, Project Cars #411

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