A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Project Cars Project Cars #287

Project Cars #287: construindo um sleeper Lexus com motor turbo do Toyota Supra – parte 2

Oba! Segundo post do Killer Barge, mas atendendo a pedidos, vou compartilhar um pouco mais sobre a minha história com carros antes de seguirmos com as atualizações do Killer Barge, assim deixo todos um pouco mais ansiosos (não me agridam!).

Minha história com essas máquinas de quatro rodas começou muito cedo, meu pai sempre gostou de carros e praticamente chegou a ser sócio de um amigo em uma oficina, infelizmente (ou felizmente, vai saber) não deu certo. Meu pai conta que ficou receoso de entrar na sociedade pois seu amigo passava por alguns problemas de saúde na época, e o medo bateu em meu coroa que imaginou o pior cenário possível e isto o afastou da sociedade, enfim, talvez tenha sido uma decisão assertiva, não dá para saber.

Antes, durante e depois desta proposta meu coroa sempre visitava seu amigo na oficina, inclusive para levar seus bólidos para manutenção, e eu, o pentelho mor da época sempre me jogava no rolê do véio sem ser convidado, claro (hoje imagino como devo ter sido um mala sem alça). Meu pai percebendo que eu tinha afinidade por carros sempre me levava para fazer as manutenções básicas do carro dele, como troca de velas, pastilhas de freio, coisinhas simples que ele mesmo fazia, dirigia até um parque perto da casa dele, parava em um sombrinha, pegava a caixinha de ferramentas e começa a se organizar antes de fazer algo, bem sistemático, começava a desmontar o carro parte a parte, me explicando as coisas com a maior paciência do mundo, um barato total.

Daí iniciou o gosto pela graxa, Gasolina, Mão machucada e afins. Não foi estranho o meu Pai incentivar, mas o mais engraçado foi minha mãe, reclamava muito, tentou por várias vezes desviar-me desse caminho, lembro claramente de sua frase marcante: “Filho, esquece isso, seu Pai fica te levando para nesse muquifo, eu é que não vou ficar lavando roupa de mecânico imundo aqui em casa, se decidir por esta profissão vai se virar sozinho”.

E adivinhem quem foi que mais apoiou o menino cabaço aos seus 13 anos de idade quando tentou ingressar no SENAI?  Sim, a mãe — vá entender… – entrando em contato com o Senai, pegando informações de como ingressar, ajudando na coleta dos documentos, ligando para um, para outro até que o dia da prova chegou e entrei na budega e depois de quatro anos lá estava eu formado pelo Senai louco para enfiar a mão na graxa (amo vocês, mãe e pai).

Formei-me em época difícil de arrumar emprego – alistamento militar – e como muitos aqui devem ter passado por isso, em todo lugar que eu ia barganhar uma vaguinha a primeira pergunta: “Sua idade?”, e na sequência a resposta: “Volte quando acabar com a fase do quartel.”

Enquanto não conseguia um emprego, meu pai vivia me pedindo para fazer as coisas no carro dele — tenho certeza que era com o único intuito de motivação —, então lá ia eu mexer na Marajó 84 do coroa que ele havia comprado zero-quilômetro, fiz de tudo naquele carro, de troca de lâmpada a abertura do câmbio para reparos, removia o câmbio na rua, levava para dentro do apartamento dos meus pais, pegava duas cadeiras na sala, colocava uma placa de madeira em cima das duas cadeiras e usava de bancada dentro do meu quarto, imaginem a cena, aquele cheiro maldito e horrível de óleo de câmbio, aquela sujeira dentro do meu quarto, minha mãe sofreu coitada, e meu pai tentava remediar a situação, época boa.

MARAJO 1 MARAJO 2

Difícil mas não impossível, entrei em uma oficina perto da casa dos meus pais na Lapa em SP, onde iniciei como ajudante de mecânico, lindo né? Lavava banheiro, lavava peça, lavava carro, lavava chão, lavava peça, lavava pano, lavava peça e acho que já entenderam né?

Claro que a oportunidade aparece, e fui arrojado e a abracei, o dono da oficina na época jogou uns carros na minha mão como quem diz: “quero ver se você dá conta mesmo do recado” (isto depois de virar faxineiro nível avançado, claro!).

Foi então que iniciei a profissão de mecânico. Trabalhei nesta oficina do sr. Miguel por seis meses, saí em busca de outras possibilidades e acabei voltando para o sr. Miguel, onde trabalhei por mais um ano (eu acho). Depois mudei de ramo, trabalhei como conferente em uma loja de um shopping, emprego este por indicação de um amigo irmãozasso meu, o Othon, fiquei nesta labuta por seis meses apenas, quando fui convidado a trabalhar em uma concessionária da Suzuki Automóveis como mecânico, lembram do primeiro post né?

Trabalhei por quatro ou cinco anos nesta concessionária e depois ingressei na faculdade, que aliás guarda um história muito engraçada. No final de semana em que eu fui fazer o processo seletivo da FEI —  ele é divido em duas etapas, sendo uma prova no sábado e a outra no domingo — eu tinha uma Ranger V6 cabine estendida. Fui no sábado, fiz a prova em São Bernardo do Campo e estava no caminho de volta para a casa dos meus pais. Porém no meio do caminho a bendita embreagem se esvaiu e eu fiquei parado no cruzamento da Avenida Pompéia com a Avenida Guaicurus. Imaginem, o carro era financiado, eu ganhava pouco na concessionária, não tinha grana para quase nada, portanto chamar um guincho para rebocar a Ranger sem chance, não tinha condições alguma da Marajó do coroa conseguir puxar a Ranger, então recorri a um grande amigo da época (em memória) que veio me socorrer com uma Blazer da Polícia Civil (ele era investigador).

O sem-noção estava em um evento da Polícia Cívil com um Gol e queria vir rebocar a Ranger com ele. Eu disse que se ele fizesse isso ficaríamos os dois na rua sem carro, então ele conseguiu lá na hora uma Blazer e veio com ela, por sorte eu tinha um cambão emprestado de um amigo, ele passou na casa dos meus pais, pegou o cambão e veio ao meu encontro. Prendemos a Ranger na Blazer, passei todas as orientações de como rebocar um carro pois ele nunca havia feito aquilo na vida dele, inclusive lembro-me muito bem de dizer: “Vai devagar”.

Por sorte o motor da Ranger funcionava então fui com ele ligado, e com isto o freio funcionava normalmente. Ok, tudo certo, sai o Tsoy no piloto da Blazer e eu atrás na Ranger. Tudo parecia bem até que ele entrou na Avenida Guaicurus, ela estava relativamente livre, ele mete o pé na Blazer, liga a sirene e me reboca a 100 Km/h pela avenida Guaicurus, me lembro de sentir que estava vivenciando aquela piada do cara da Ferrari rebocando um Fiat 147, nunca xinguei tanto uma pessoa na minha vida como naquele dia.

Pensam que acabou a desgraça do dia né? De jeito nenhum, na época meu irmão mais velho usava o carro do pai, pois ele não tinha carro fazendo reservas de dinheiro para o casório, e eu cheguei em casa com a adrelina a mil (graças ao reboque maluco) e pensei: “e agora, como ir até SBC amanhã? Fácil, vou com a Marajó.”. Liguei para o meu irmão, expliquei a situação e ele me respondeu que eu não poderia usar o carro, pois tinha compromisso. Então peguei carona com um amigo, comprei o kit de embreagem em suaves prestações no cartão de crédito e às 14:00 do sábado iniciei a desmontagem do câmbio da Ranger para a troca do kit, assim poderia ir fazer a segunda prova no dia seguinte.

Porém, eu só tinha em casa um daqueles macaco jacaré portátil, e claro que ele não dava conta de levantar a Ranger, solução: Desmontar o carro na rua na altura original mesmo – necessidade maldita – recrutei um amigo que trabalhava comigo na concessionária e começamos a desmontar, tudo parecia lindo, maravilhoso até que chegou a hora de desmontar o escapamento, e quem disse que ele saía sem levantar o carro? Tomamos uma surra surreal, mas tiramos, achei que o pior havia passado e quando fui remover o cardã, quem disse que ele saía do lugar também (com o eixo na posição normal de trabalho o cardã fica quase que prensado entre o câmbio e o diferencial traseiro)?

Minha paciência neste momento já estava saturada, soltamos o coxim central do cardã, parecíamos o Cirque du Soleil embaixo daquela Ranger tentando tirar o cardã. Lembro que o meu repertório de palavrões se tornou escasso, mas saiu. Show, agora o câmbio poderia sair, sim ele saiu, dá um desconto vai. Troquei a embreagem, acertando o furo do disco de embreagem com o furo do rolamento do eixo piloto no olho (eu tinha uma caixa de ferramentas, mas nada nível hard assim, então quem disse que eu tinha o guia do disco?) e claro que depois de tudo isso eu consegui deixar o disco um pouco fora e o câmbio não encaixava.

Decidi que eu não iria sofrer mais, peguei um cabo de vassoura e fiz um guia com ele usando o disco velho para talhar as estrias, enfim, o câmbio subiu e encaixou lindamente no lugar. Show né? Sei, aham….  quando acabamos de montar o suporte do câmbio, começou a chover — sim, chover, parecia um dilúvio — o carro ao ar livre, parado em uma ladeira (onde foi possível deixar em razão do reboque), a água correndo solta pela rua e dando um banho delicioso no Carlão e em mim. Os parafusos estavam no chão em cima de um papel, a enxurrada levou alguns embora, tive que sair debaixo do carro em uma verdadeira caça ao parafuso perdido, e isto já eram 22:00 (sim, isso mesmo: escapamento + cardã + fabricar guia do disco = adeus tempo).

Noite, frio, chuva, ódio, cansaço e uma prova me esperando no dia seguinte às sete da manhã, que sucesso absoluto. Enfim, continuamos a montagem. Resumindo: às 04:00 (sim quatro horas da manhã) eu consegui finalizar a Ranger, fui para casa, entrei no banho mais sujo que um piloto de motocross em pista molhada, demorei nada menos do que uma hora para conseguir me sentir menos sujo, fui dormir. Acordei às 06:00 e bora para São Bernardo. Fiz a prova e voltei para casa para montar os acabamentos interno do carro que eu havia deixado de lado, afinal eu precisava do carro funcional, e no final o mais engraçado disso tudo é que eu passei no vestibular e entrei na FEI. Juro que não é mentira.

Depois disso tudo optei em me desligar da concessionária e ingressar na indústria já buscando algo dentro da nova profissão que estava almejando, a de Engenheiro. Trabalhei em Indústria de Conformação, onde criei boas raízes atuando por quase nove anos, passei por muitos departamentos dentro dessa empresa, depois fui trabalhar na GM na planta de São Caetano do Sul, fiquei lá por apenas 15 dias (houve um tremendo mau entendido durante o processo seletivo, onde o cargo que me foi apresentado durante o processo seletivo era perfeito e na vida real era o purgatório), diante disto optei em sair e aceitei uma proposta em uma Indústria Química em Diadema/SP. Trabalhei lá por um ano quando então fui convidado a trabalhar na Toyota do Brasil, depois disso recebi um convite para assumir um cargo de gerência em uma indústria fabricante de chassis e longarinas para caminhões e ônibus, aceitei pelo desafio, quase dois anos depois abri mão do mundo corporativo e fundei a WDC junto com os meus dois sócios.

 

Durante o final da minha adolescência até hoje fui proprietário de alguns carros que vou listar abaixo, nesta minha jornada no mundo dos bólidos passei por vários carros até me encontrar com o Subaru:

01 – Fusca 1981 verde metálico 1600 carburação dupla

02 – Omega 1993 2.0 GLS álcool (original) preto ônix

03 – Ranger STX 1995 cabine estendida prata com GNV

04 – Strada 2002 cabine estendida amarelo

05 – Corsa Hatch 2002 quatro portas Millenium pelado cinza chumbo (comprei zero)

06 – Astra Belga 1995 vinho

07 – Monza SL/E 1987 02 portas Bege (com manual do proprietário)

08 – Escort RS 1998 – preto – show de carro! (problemas com suspensão, embreagem e freio)

09 – Chevette SL 1988 com motor Opala quatro-cilindros – peguei esse projetinho pronto

10 – Corsa SS 2006 vermelho (Comprei zero)

11 – Corsa Sedan Classic 2004 1.0 VHC bege

12 – Civic LX 2000 cinza A/T (carro muito novo)

13 – Tracker 2009 2.0 Gasolina (comprei zero)

14 – Subaru Impreza Hatch 2.0R 2009 (comprei zero)

15 – Subaru Impreza SW WRX 2006 Preta – meu carro atual

16 – Subaru Impreza GC6 1994 Prata

17 – Nissan Tiida Sedan 2012 (comprei zero)

18 – Subaru Forester XT 2008 Prata – outro carro atual

19 – Lexus GS300 1993 Azul – meu project car

Acho que está bom sobre parte da minha história, agora voltemos ao Killer Barge e sobre as atualizações que ocorreram desde o primeiro post.

No dia 26/08/2015 recebemos o kit de freios Brembo que compramos de um cliente, os mesmos eram novos quando este cliente comprou e foram usados por muito pouco tempo, arrematamos o kit e iniciamos os trabalhos de verificação de montagem.

BREMBO 3 BREMBO 2 BREMBO 1

No dia 03/09/2015 no final da tarde, o nosso amigo André passou pela WDC e nos entregou as primeiras peças encomendadas para o 2JZ, se tratam do kit de Bronzinas para Mancal e Biela da King Race.

BRONZINAS 1 - FOTO 6

As demais peças acabaram atrasando mais do que o planejado em razão da greve dos auditores da receita federal, então no dia 15/09/2015 em conversa com o André Carvalho o mesmo nos deu uma ótima notícia informando que a greve havia terminado e que as peças começariam a ser trazidas dos EUA para o Brasil.

Após esta notícia, resolvemos iniciar a desmontagem da Barca para agora sim dar o inicio ao projeto propriamente dito, a greve e o atraso nas peças nos ajudou a conseguir livrar uma vaguinha da WDC para o Killer Barge, então no dia 16/09/2015 iniciamos a desmontagem do GS.

FOTO 8 - GS NOS CAVALETES 2

Iniciamos a desmontagem após o nosso expediente normal, e foram necessárias 3:30 horas para que a Suspensão Traseira estivesse totalmente desmontada, iniciaríamos a desmontagem da Dianteira, mas seria imprescindível remover a estrela do projeto – o 2JZ – do lugar em razão do quadro dianteiro, então optamos em deixar o trabalho para o dia seguinte.

No dia seguinte removemos o maravilhoso 2JZ do lugar, esse levou um pouco mais de tempo em razão da complexidade e do espaço apertado, mas nada que uma bela motivação como combustível.

Após removermos o motor, focamos um pouco na suspensão, mas já passava das 23:00 da quinta-feira, e como no dia seguinte a agenda estava com bastante folga optamos em irmos descançar para continuar o desmonte no dia seguinte, aproveitando as brechinhas da agenda para aplicar no 2 JZ.

Sexta-Feira, um sol de rachar, um calor absurdo, folga na agenda, chave para cima do GS, conseguimos remover a suspensão dianteira completa um pouco antes do almoço. No horário do almoço meu Sócio Cocão saiu para comprar alguns materiais para a WDC e aproveitou para comprar parafusos, arruelas e uns calços para conseguirmos colocar o 2JZ no cavalete, aproveitei minha hora do almoço e desmontei completamente a suspensão dianteira, neste momento o GS estava oficialmente com o desmonte completo, faltando apenas abrir o motor.

No mesmo dia recebemos um carro de um amigo no final do dia, e nosso expediente acabou avançando até as 20:40 horas, após a liberação do WRX, fechamos a oficina, meu sócio estava finalizando a montagem de um motor de uma Forester Turbo de um amigo nosso, pediu a ele duas Originais bem geladas, optei em ficar até mais tarde e abrir de uma vez o 2JZ.

FOTO 19 - 2JZ NO CAVALETE

Iniciei a abertura do monstro por volta das 21:00, e as 23:00 estava aberto por completo, faltando apenas o dimensionamento completo das partes internas, receber as peças dos EUA e encaminhar tudo para a retífica com o nosso relatório de serviços que devem ser executados.

Com isto declaramos que o desmonte total do GS está completo, partiremos para a fabricação das buchas de PU, estamos pensando em pintar os subframes de outra cor que não preto (estamos avaliando a cor ainda) e também pintar alguns dos componentes da suspensão (também estamos avaliando a cor), queremos fazer algo bruto, mas também estético.

Deixaremos para o próximo post o dimensionamento completo do motor, além dos demais itens.

Valeu, galera! Até lá.  Abraços.

Por Osvaldo “Dinho” Copiano, Project Cars #287

0pcdisclaimer2

Matérias relacionadas

Project Cars #348: a Kombi Food truck ganha sua cara nova

Leonardo Contesini

Project Cars #297: a preparação do meu BMW 328i E36

Leonardo Contesini

Project Cars #249: as evoluções da restauração/preparação do meu Fiat Coupé

Leonardo Contesini