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Project Cars Project Cars #29

Project Cars #29: finalizando a funilaria do meu Dodge Charger R/T 1975

Amigos da confraria Project Cars, é chegado o momento! (Como passa rápido o tempo, o texto dois foi escrito em novembro do ano passado!) O nosso Dodjão foi para a funilaria e começou a fase de reconstrução do carro. Como todos sabem, até este momento tudo o que aconteceu foram atos de desconstrução, desmonta, lixa, raspa, pinta, arranca, “jateia”, passa removedor… etc e tal!

Como diria o poeta, toda ordem é precedida pelo caos, e acredito que muitos PC`s passaram por esta etapa, onde o ânimo é retomado, a vontade de terminar é revitalizada e já aparece na cabeça a ideia de um novo projeto! E este nem mesmo chegou próximo do fim… minha esposa fica maluca com isso…

Eu estava aqui contemplando o esqueleto do Charger 75 e analisando sua estrutura e pensando quais seriam os novos “segredos” que ele ainda tinha para me contar. Digo isso sobre “segredos”, pois no momento da compra pensei que se tratava de um raro exemplar em ótimas condições de lataria. No entanto após o jato-de-areia, que é o soro da verdade da lata de um carro antigo, pude perceber o tamanho da mão-de-obra que teria para deixar o carro com uma lata digna de um Project Cars.

A parte de jateamento foi mais reveladora do que supunha minha vã capacidade de observação. Veja bem, ao se decidir por comprar um clássico ou carro antigo, faça o teste do ima na lataria. Esse teste compreende em revestir um simples ima em uma flanela, e passa-lo nos locais que você julgue suspeitos. Caso o imã se solte, e sinal de muita massa no local.

E assim o nosso Dodge foi nos contando seus segredos mais inconfessáveis e alguns bem maneiros, como a sua estrutura em excelente estado!

Não adianta nos enganarmos com os jargões que povoam o vocabulário de quem vende carro antigo, do tipo: “único dono, apenas x km, pintura original…” Se você comprar um carro da década de 70, prepare-se ele estará com podres em vários locais de sua carroceria. Pois todos nós sabemos que as estampas de chapa da época em questão não passavam por um tratamento anticorrosivo decente, quando passavam.

Veja o caso da tampa traseira do meu Charger, parecia uma peça íntegra, mais após o jato de areia a chapa parecia uma peneira de tanto furo proporcionados pela ferrugem, veja as fotos:

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Perceba que ela parecia até bem alinhada, no entanto, se mostrou uma peneira, e o ponto grave era o buraco do miolo de chave do porta malas.

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Qual a solução? Trocar a folha externa da tampa. Fácil, porém, só se você tem a lata da tampa.

Então lembrei-me do senhor Adelar e suas peças de Dodge, liguei para ele e o questionei se ainda teria uma tampa traseira, graças a Deus a resposta foi sim!

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Combinei então de no sábado seguinte ir buscá-la de estivesse com a parte que me interessa em bom estado.

Seu Adelar mora em uma cidade a 180 quilômetros da minha, no sentido de quem vai para o estado do Pará, lá chegando fui bem recebido pelo nosso amável anfitrião, sempre simpático. Depois de um bate-papo, fomos ver a tampa traseira, no trajeto ele lembrou que esqueceu do local onde estava a peça. Demorou um tempinho para ele lembrar aonde ela estava, até que lembrou e soltou um retumbante: “Já sei! ”

Examinei a peça e gostei do que vi, principalmente pelo buraco da fechadura que estava íntegro, perguntei o preço, e ele na sua malandragem matuta, me fez a seguinte proposta:

“-Má home, leve a tampa, mais duas portas, uma hélice, e um painel de instrumentos (Dart) por 500 conto!”

Eu me fiz de desinteressado e fiz uma contraproposta de 200 pratas só na tampa, ele insistiu e melhorou sua oferta, “então leva essas duas rodas originais também”, disse ele. Eu respondi: fechou!

Segundo o dono anterior o nosso Dodge foi “restaurado” em 2009, devido essa informação pensei que era um simples trabalho de preparação e pintura, qual nada!

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Com o carro ainda pintado, ao analisar a lata, todos os funileiros que eu chamei para me orçarem o serviço tinham a impressão que que se tratava de uma primorosa, com poucas ferrugens. E foi até mesmo por esse motivo que eu comprei o carro, gostei da lata (e principalmente do motor já devidamente preparado com um veneninho de leve…).

Essa funilaria/pintura de 2009 eu a considero como o serviço mais seboso da história dos serviços sebosos! Você acredita que um buraco da caixa de roda foi coberto com um pedaço de lata de Kaiser e emborrachamento?! Ainda se fosse de uma lata de Budweiser!

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Após cerca de 70 dias na funilaria temos prontas as caixas de ar e a parte traseira está nos “finalmentes”.

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Um dos segredos desagradáveis cochichado ao pé de ouvido pelo Charger após algumas sessões de lixadeiras, foram o estado das rabetas do teto que ficam na parte traseira. Após um corte para reparo ali, foi descoberto um foco de ferrugem do tamanho de um big block! Local este que parecia de estado razoável de conservação.

Foi necessária a remoção das rabetas e troca da chapa acima das para-lamas.

A etapa de funilaria é mais chata mesmo, é preciso ter a paciência de Jó, para que se chegue até o final com o sucesso desejado.

Estou priorizando a primazia dos serviços executados, todas as peças de lataria estou trocando e instalando as da Mopar Restoration compradas em nossos parceiros da America Parts, como podemos conferir nas fotos a seguir:

Mais um daqueles causo que só acontece com nós, esses homens destemidos e suas máquinas fabulosas. Eu comprei um par de lanternas do Charger 71 nacional, (Dart 69 U.S.A) na loja que o Juliano Barata me ensinou o caminho, a Classic Industries. Como o frete era na faixa, também inclui no pedido os emblemas Charger R/T. Não me liguei no detalhe dos 500 dólares como limite para que o pedido chegue até você de forma direta. Da forma como totalizou em 673 Obamas, quando a mercadoria chegou ao Brasil em dezembro de 2014, foi necessário fazer a nacionalização da mercadoria.

Lá vai eu arrumar um despachante aduaneiro. Depois me informei melhor e optei pelo importa fácil dos Correios. Após longas e contestadas explicações, você acredita que me perguntaram o que eu faria com duas lanternas achando que uma seria para vender, me enviaram o valor da operação. O governo queria na parte dele o dobro do valor que eu paguei nas peças! Contestei o montante, lembrei sobre ser 60% do valor da nota os impostos de importação, e nada. Deixei quieto. Estava durango kid no momento.

Eis que hoje, “somente” oito meses depois, chegou até a minha casa o aviso de retirada com o valor correto de 60% do valor das peças. Agora estamos todos juntos e felizes esperando o momento de instalar as meninas no Charger 75!

Assim que chegar na pintura nos falamos! Um abraço a todos!

Por Irineu Siqueira Neto, Project Cars #29

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