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Project Cars Project Cars #290

Project Cars #290: a história da Ford Ranger V6 turbo de Rafael Paschoalin

Fala, galera! Meu nome é Rafa Paschoalin e é um prazer escrever aqui e contar um pouco sobre a minha Ranger V6 americana. Antes de entrar no mérito e explicar o motivo pelo qual escolhi esse carro é preciso voltar um pouco e contar como cheguei até aqui.

Nasci com seis meses e meio e pesava pouco mais de um quilo. Por conta disso, minha mãe fez uma promessa para Nsa. Sra. Aparecida: se eu sobrevivesse, ela colocaria Aparecido como nome do meio. Bom, cá estou eu, mas o prematuro acima não diz respeito apenas à forma como nasci. Guiei sozinho pela primeira vez aos oito anos de idade e, nessa época, já fazia dois anos que eu pilotava motocicletas. Lembro como se fosse ontem: eu enxergava entre o painel e o arco do volante do Gol CL 1.6. No banco do passageiro estava o meu pai, dando algumas coordenadas, e atrás a minha madrasta, com o meu irmão recém-nascido. Meu pai sempre me emprestou o carro e eu tenho sorte de ter vivido os últimos anos em que não era um crime hediondo um moleque de 16 anos ir até a padaria com o carro do pai.

Por outro lado, minha mãe não confiava muito em deixar seu automóvel sob os meus cuidados. Por conta disso, eu roubava o carro dela nas madrugadas com apenas 12 anos. Eu morava em um prédio e, na companhia de alguns amigos, passávamos horas anotando e fazendo as marcações de como o carro estava estacionado para depois deixar na mesma posição. Claro que esse cuidado todo durou apenas algumas vezes e depois disso cheguei ao cúmulo de estacionar em casa poucos minutos antes de minha mãe levantar para trabalhar. Ela nunca percebeu que ligava o carro com o ponteiro da temperatura marcando 90ºC. Ah, o nosso destino era sempre o mesmo: Rua Augusta.

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Esse é meu pai e a gente acha que ele tem 14 anos de idade mental. Sério, não poderia ser melhor!

Bom, o tempo passou e, embora eu tenha competido de kart durante a minha adolescência, voltei para o mundo das motocicletas. Hoje eu trabalho com motos. Quando não estou correndo sobre elas, na terra ou no asfalto, estou consertando, preparando e fazendo a manutenção nessas máquinas que tanto amo. Me tornei o primeiro brasileiro na prova mais perigosa do planeta, o TT Isle of Man, e vocês podem saber mais sobre isso aqui. Por conta disso, minhas “válvulas de escape” sempre foram os carros. O que gosto de fazer quando tenho um pouco de tempo é conversar e aprender sobre automóveis. Foi assim que conheci muita gente bacana, entre eles, o pessoal da EBTech, uma empresa especializada em colocar rodas na imaginação de pessoas do nosso naipe.

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Esse aí sou eu no TT desse ano, sexta marcha, 270 km/h e uma descida chamada BrayHill pela frente. Sério: apesar de amar automóveis, não conheço outra coisa que pode dar o mesmo frio na barriga

A ideia de ter um projeto se tornou mais forte quando eu fiquei mais próximo do meu amigo Juliano Barata e de seu Dart Games, há alguns anos. Desde então, eu já tive e desejei alguns carros, mas infelizmente nunca ultrapassei a barreira dos 50% de concretização com qualquer um deles. Entre os meus devaneios, eu quis fazer um Ecosport 4×4, um Celta com motor central e tração traseira para subir Pikes Peak (por culpa dos patrocinadores, o projeto ficou no papel) e um Opala quatro-cilindros turbo (esse eu tive que vender para angariar grana para o TT Isle of Man do ano passado). O que todos esses carros tinham em comum era o propósito de serem mais rápidos que a banheira do nosso amigo que comanda esse site!

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Era exatamente assim que o Celta Pikes Peak aparecia nos meus sonhos, uma obra prima desenhada pelo Leonardo Castilho, da Cast Design.

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Com o Opala a ideia era recriar o layout dos Opalas que corriam por aqui na década de 1970 e turbinar o quatro-cilindros.

Apesar da simplicidade e das pequenas modificações, um dos carros que tive e que mais me fez rir atrás do volante foi justamente uma picape, uma S10 2.4, ano e modelo 2001, com escape, filtro e chip de desbloqueio que mudou da água para o vinho com um acerto de suspensão feito pela Impacto Especiais, de Interlagos, SP. Por conta do diferencial TracLock e da pouca rolagem da carroceria, bastava uma chuva para que esquinas e rotatórias fossem contornadas sempre de lado.

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Era um barato andar com esses pneus slick. Quando estavam frios, a S10 girava no eixo mesmo com o apático 2.4. O ponto negativo de ter um off-set tão ignorante com pneus largos era a maneira com que as rodas seguiam as depressões do asfalto

Pensando na simplicidade da S10 e no quanto ela trouxe de diversão, e também pelo motivo óbvio de eu ter que usar uma picape quase todos os dias, encontrei na primeira geração da Ranger que veio para o Brasil o meu projeto definitivo. Claro que tive um empurrãozinho do pessoal do Jalop Friends, no Facebook, que publicou essa Ranger aí de baixo, que serve de inspiração para o meu carro em alguns aspectos.

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Essa é uma 2.3 turbo feita no Canadá. Para chegar nessa altura, as suspensões receberam componentes especiais, sem contar que as ruas por lá são bem melhores que as nossas aqui!

Diferentemente de alguns PCs aqui do FlatOut, meus projetos sempre seguiram uma premissa radical. A Ranger não será exceção: rollcage, bancos concha rígidos, volante com cubo quickrelease, cinto de cinco pontos, alívio de peso e abolição de itens como vidro elétrico, ar-condicionado, sistema de som etc. Gosto da ideia de ter que fazer um contorcionismo toda a vez que for preciso entrar ou sair, ou então ligar botões em sequência como: chave-geral, bomba de combustível e start. Sem contar o espanto das pessoas quando é a minha namorada que está usando a Ranger: geral não entende nada!

A meta desse projeto é chegar nos 350 cv, ante os 160 cv originais, e 55 kgfm de torque, quase o dobro da cifra standard. Inicialmente eu ainda pensei em fazer isso sem apelar para o caracol. No entanto, lendo alguns fóruns nos EUA, percebi que daria um trabalho enorme, principalmente pela falta de fluxo do cabeçote, e o torque jamais chegaria no número desejado. Meu lado preguiçoso resolveu então que é melhor colocar uma, ou, quem sabe, duas turbinas (o que vocês acham? Gostaria de ouvir a opinião de vocês)!

Também está previsto comando mais bravo com números maiores de duração e levante. O cabeçote vai passar por um retrabalho e uma Pro Tune PR 440 vai cuidar de todo o gerenciamento de combustível e ponto.

A expectativa é ter uma picape divertida de guiar sem gastar um caminhão de dinheiro. No próximo post vou contar para vocês como foram os primeiros meses com a Ranger e as primeiras alterações de rodas, pneus e suspensão. Até mais!

Por Rafael Paschoalin, Project Cars #290

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