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Project Cars Project Cars #302

Project Cars #302: a história do meu Opala V8

Eaí FlatOutlers, vamos as apresentações! Vou tentar falar mais com imagens que com palavras, mas eu escrevo demais mesmo, acostumem-se. Meu nome é Kelvin Maicol Spier, tenho 20 anos e gosto de qualquer coisa que queime pneu ou combustível. Desde pequeno sou fanático por velocidade, de carrinhos de controle remoto à andar no colo do pai na S10 1996 dele, mas vou deixar a dedicatória aos meus pais pro final deste project cars, ou melhor, para o final desta série de posts pois um projeto como o meu nunca acaba.

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As primeiras experiências começaram na bike, fui campeão gaúcho de bicicross aos oito anos o que me rendeu a primeira moto também. Já fiz bicicross, motocross, downhill de bike e skate downhill, aliás, já desci a ladeira mais rápida do mundo e sem dúvida essa foi uma das melhores sensações que já tive – adrenalina, medo e muita velocidade em cima de uma táboa, tem como dar errado? – mas vamos ao que interessa, minha história com meu carro.

Sempre sonhei com inúmeros carros – por isso digo que gosto de qualquer coisa que queime combustível – mas uma paixão em especial surgiu nos Opalas de primeira geração. Juntei as economias da vida, quebrei os cofrinhos, arranjei uma grana da poupança, contabilizei alguns trocados e fui à caça, objetivo era um Opala 1973 ou 1974, coupé, com câmbio original em baixo com quatro marchas, que não custasse mais que R$ 7.500,00. Quem conhece sabe que esse ano de Opala é o mais desejado então é óbvio que eu custei a achar. Na época meu meio de locomoção era a bike e eu me virava como dava, cheguei a ir ver carro em Porto Alegre pegando o trem e pedalando, subi até uma cidade vizinha na serra (esse dia foi ruim), enfim pedalei pra caramba atrás do meu sonho!

Certo dia navegando no Bomnegócio achei um Opala como eu queria na cidade ao lado, aquele que eu sempre sonhei. Tratei de falar com o dono e fui ver na manhã seguinte, acordei cedo, disse aos meus pais que ia pra aula e peguei o rumo para chegar lá antes que ele fosse para o trabalho. Não vou nem tentar explicar minha reação ao ver o carro, era o Opala que eu sempre sonhei ali, na minha frente. O “furioso” motor 4 cilindros rugia aos meus pés  que chegava a balançar a carroceria, o câmbio 4 marchas no assoalho com a ré pra trás ainda original rangia as velhas engrenagens ao engatar as marchas, o volante já possuía “férias”, o platinado estava lá cansado mas produzindo fagulha para as pré-históricas velas em ordem, os largos pneus 195 perfil 70 goodyear granprix mais velhos que eu calçavam a idosa lataria de pintura judiada mas lisa aos olhos do novato garoto. Convenci meus pais a olharem o carro no sábado e segunda fui buscá-lo com meu pai, até hoje passo pelo posto de gasolina onde abasteci ele a primeira vez e lembro quando o vi o meu carro sendo meu pela primeira vez e dando despesa em posto de gasolina pra variar.

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Primeiro dia em casa

Vou apresentar o carro em si pra vocês, trata-se de um Opala Coupé 1973 versão especial com conta-giros e câmbio 4M de fábrica, de opcionais tem desembaçador traseiro e se funciona é outra história. Tem bancos altos e não os sem encosto originais, não sei se são opcionais de fábrica ou eram aftermarket da época mas combinam muito bem com o carro e seguram legal nas curvas.

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Interior

Esse é o mais antigo dos motores 4 cil, ele tem mais curso que os motores 4 cil pós-1974 pois possui um virabrequim diferente o que dá um r/l bem alto – em resumo vibra o carro inteiro esse motor de trator – e o cabeçote possui dutos siameses (um duto de admissão para os cilindros 1 e 2 e outro para os cilindros 3 e 4) o que resulta em muita turbulência nos dutos, péssimo rendimento e muito consumo mas, a melhor parte, MUITO TORQUE EM BAIXA-MÉDIA ROTAÇÃO! Notem a diferença nas rotações onde se encontram torque e potência máxima na ficha técnica dos motores antigos (1974) com relação aos mais novos (1977) na tabela abaixo.

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Ficha técnica

Com o carro nas minhas mãos tratei de fazer algumas coisas simples mas que me agradaram muito, logo de cara procurei as rodas e calotas originais aproveitando os trocados que sobraram, comprei os retrovisores de metal (réplicas), pintei a grade que estava muito desbotada, tirei aquele adesivo preto que matava a traseira dele, consegui os piscas bianco savino originais do opala SS que eram laranjas em peças antigas de estoque e troquei a máscara do painel por uma de Opala SS também que é incrivelmente mais bonito – até lembra um pouco esses painéis retrôs novos – além de instalar o carpete inteiro dele e instalar um som bem básico pra poder curtir meu Pink Floyd (obrigado de novo pai).

Mudanças no visual

Acho que já me estendi bastante para um primeiro post e já pude apresentar a mim e ao meu carro, no próximo post vou falar um pouco mais sobre as adaptações que serão feitas para abrigar o novo motor e as minhas intenções para o futuro com ele. Até lá deixo vocês lascivando com algumas fotos dele.

Por Kelvin Spier, Project Cars #302

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