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Project Cars Project Cars #311

Project Cars #311: a história do meu Peugeot 306 Rallye

Caros leitores do Flatout, agradeço todos os votos recebidos, mas vou começar esta história com uma confissão: no meio dos Peugeot 306, o meu carro está longe de ser o mais rápido, muito longe de ser o mais conservado e a galáxias de distâncias de ser o mais bonito, mas, se eu tenho certeza de uma coisa é que o meu é o mais azarado. Então apertem o cinto e respirem fundo, pois a viagem será penosa.

 

Começando pelo começo

Meu nome é Ricardo Sanches (ou só Sanches, para os chegados), tenho 23 anos, moro em São Paulo/SP e, desde que me conheço por gente, curto carros mais do que qualquer outra coisa que meninos são ensinados a gostar. O problema disso é que meus pais, familiares próximos e amigos nunca gostaram muito de carros, então acabei fazendo disso uma coisa só minha. Não ter com quem conversar muito a respeito acabou influenciando na escolha do meu primeiro carro: um Celta 1.0 Spirit VHC 2008, pelado e quatro portas. Uma escolha bastante pautada na manutenção barata e fácil – uma decisão racional – mas que, no fim, terminou por me divertir horrores.

FOTO CELTA

Minha namorada, agora noiva e parceira de malandragens automotivas, dizia que aquela cor (cinza bluet) parecia um azul vindo de marte e, por este motivo o batizamos de Marciano – dando início à saga de nomes horríveis para carros. Passei um ano de muitas alegrias com o Marciano e acabei decidindo por cedê-lo à minha mãe, para que ela pudesse vender o carro dela – outro Celta – e comprar um sítio no meio do mato.

Como qualquer pessoa que paga a sua própria faculdade, eu vivia sem grana e, com as parcelas do Celta para ainda por pagar, acabei ficando quase um ano andando de ônibus. Mas com o tempo a situação foi melhorando; quitei as parcelas restantes do Marciano e comecei a procurar um carro que coubesse no meu orçamento e que tivesse a minha cara: seguro, confortável e potente.

Em uma das minhas pesquisas, acabei conhecendo um fórum chamado 306 Brasil, onde fiz amizade com caras que são tão ou mais apaixonados por carros quanto eu, e conforme as amizades cresciam, o gearhead adormecido dentro de mim começava a dar as caras e o que era pra ser uma busca de carro de uso diário rapidamente foi se transformando em uma busca por um projeto de uso diário.

FOTO 306 BRASIL

Encontro de cinco anos do fórum 306brasil.com.br. O vermelhinho da foto é o Project Cars #190. Foto: Jader Zanotti

E é claro que a escolha deste PSA senhor de idade foi bastante influenciada pela ajuda do pessoal do fórum, assim como, a boa disponibilidade de peças, preços manutenção comparável a carros de categoria semelhante (acreditem se quiser), baixo índice de roubos e o alto índice de desvalorização – o que era muito bom para o meu propósito, afinal eu podia encontrar carros conservados a bons preços.

FOTO COMPRA LEON

Saí à caça de alguns carros, cheguei a ver um ou outro, mas estava com dificuldades para encontrar o que eu queria, até que, depois de um mês de procura, encontrei um Rallye 1.8 16v 2001/2001 (último ano de importação do carro para o Brasil) prata, com todas as notas fiscais de manutenção em oficina autorizada conhecida em São Paulo e 131 mil rodados; tinha acabado de encontrar uma jabiraca pra chamar de minha. Léon foi como o chamei – eu disse que os nomes eram ruins.

 

Primeiros dias, primeiros problemas

Os dois primeiros dias com o carro foram maravilhosos: Eu rodei cerca de 100 quilômetros de sorriso no rosto antes de encostá-lo para fazer aquela revisão inicial mandatória pós-aquisição. Para minha surpresa, mesmo depois de não identificar nenhum sinal de vazamento durante a minha inspeção de compra, cheguei à mecânica com o carro praticamente sem óleo – este foi o momento em que eu percebi que conhecimento teórico de fóruns e sites automotivos não é suficiente para te fazer um expert em avaliação de carros e que eu ainda tinha muito que aprender sobre essa jabiraca (e ainda tenho).

No fim das contas o problema nem era tão grave, mas acabei investindo muito mais dinheiro do que eu imaginava que eu precisaria – e mais importante do que isso, mais dinheiro do que eu podia gastar. Foram trocados: Bandejas, pastilhas e discos dianteiros e traseiros, retentores dos comandos de válvulas, kit da correia dentada e sensores de temperatura.

 

Primeiros meses, primeiras mudanças

Passado o susto inicial, uns bons meses correram sem que eu tivesse problemas e, com a entrada de uma graninha, decidi trocar as rodas do carro; os pneus já estavam desgastados, e sabem como é:

“Ah, já que vou gastar com pneus, porque não trocar as rodas também?” – clássico gearhead dando desculpa para upgrades.

Os borrachudos de marca duvidosa e medidas 185/65 que calçavam as rodas Ilea possibilitavam frenagens de alta velocidade deveras emocionantes, se é que vocês me entendem. Então, com o surgimento de uma oportunidade, enviada por um parceiro do clube – valeu Yuri – acabei conseguindo um bom negócio em um jogo de rodas Ouragan 16” x 6,5” que originalmente calçavam o Peugeot 206 CC e, para calça-los, comprei um jogo de pneus Yokohama S-Drive 195/40.

RODA

Os pneus de alta qualidade, aliados a rodas maiores, mudaram completamente a capacidade de contornar curvas e de frear do carro. Mas, como devem imaginar, este perfil é muito fino para um carro de rua de uso diário com média de rodagem anual de 20.000 km, principalmente considerando que o asfalto de São Paulo parece uma réplica do solo lunar.

FACEPALM

O problema foi que eu nunca tinha tido um carro com rodas alteradas e, novamente, meu conhecimento técnico se resumia ao que eu lia na internet, alie isto à ansiedade de colocar logo as rodas no carro e pronto, cagada consumada; em pouco tempo eu detonei as rodas, recém reformadas e pintadas, os pneus, os amortecedores e, pra terminar, por conta de um bendito grampo de radiador quebrado e com a ponta afiada, acabei furando o radiador do carro (que ainda era original). A partir deste momento, a coisa degringolou — para o bem e para o mal.

Mas o resto da história e o início das maldades ficam para o próximo texto. Espero que tenham gostado e peço que comentem o texto com dúvidas ou curiosidades que tenham que eu prometo tentar saná-las ao longo dos próximos textos. Até lá!

Por Ricardo Sanches, Project Cars #311

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