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FlatOut!
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Project Cars Project Cars #314

Project Cars #314: retomando a preparação da picapinha Chevy 500

Buenas flatouters! Estou de volta para contar se eu consegui ou não buscar minha Chevy 500. Depois da primeira tentativa de buscá-la, meu primo ficou tomando conta dela e arrumando o que verificamos que seria necessário para viajar, eu já fui comprando passagens e agilizando as coisas para voltar lá e trazê-la.

 

E agora, vai?

Sexta-feira à tarde parti com meu parceiro Ique Feldens, do PC #118, e por volta de 00h30min de sexta para sábado já estávamos em Bagé, meu primo foi nos buscar, enquanto a Chevy nos aguardava no pátio da casa dele, debaixo de um frio em torno de 5°C.

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Após um pouco de conversa, por volta das 2h da madruga, partimos para pegar 30 km de estrada até a chácara de minha mãe, porém, após uns 5 km de estrada, vejo o ponteiro da temperatura subindo rapidamente e entrando na zona vermelha. Parei imediatamente, o motor estava fervendo e o reservatório seco, esperamos dar uma esfriada, coloquei 1 litro de fluido de arrefecimento e só, pois era o único líquido que tínhamos a bordo. Então demos meia volta, bem na manha, para não esquentar novamente.

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Meu primo nos encontrou em um posto na entrada da cidade, completamos a água, analisamos a situação, testamos se a temperatura continuava subindo, e decidimos voltar a casa dele para arrancar a válvula termostática fora. Chegamos lá, desmontamos tudo, e surpresa: já não havia válvula termostática. Aproveitamos para dar uma lavada no radiador, demos uma revisada nas mangueiras e bomba d’água, não encontramos mais problemas e montamos tudo. Demos uma volta mais longa para testar, parecia que não iria mais aquecer tanto. Então, quase 5h da matina, eu e o Ique resolvemos partir.

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Pegamos a estrada e o motor começou a esquentar, tive que manter 60 km/h para controlar um pouco a temperatura, na metade do caminho paramos em um estacionamento de caminhões junto de um posto da PRF. Esperamos esfriar um pouco com os 3°C que faziam, completamos a água e colocamos uma sacola na tampa do reservatório, pois verificamos que estava vazando muita água pela tampa, original, que estava ali provavelmente desde 1989. Continuamos até o destino a 60 km/h pela BR deserta, chegamos ao amanhecer, já era 6h.

Por volta das 9h do sábado nos levantamos, tomamos um café, e fomos ver o que fazer para solucionar o problema do aquecimento. Fomos com meu padrasto até Bagé, compramos uma tampa do reservatório e a mangueira que vai do bloco ao radiador, voltamos, trocamos as peças, já era hora do almoço e saímos para testar. Após andar um pouco na estrada continuava aquecendo, voltamos para almoçar e continuamos a investigar o problema. Após desmontar o radiador mais uma vez, com a ajuda do meu padrasto verificamos que havia dutos entupidos no radiador, e então decidimos colocar um radiador novo no lugar do velho radiador de Chevette Tubarão que estava ali. Também desistimos do plano inicial, de sair depois do almoço, passar por Pelotas a tarde e ir dormir em Novo Hamburgo na casa do Kelvin, sim, o Kelvin do Opala PC #302.

Fomos pra Bagé novamente com meu padrasto, pegamos meu primo, e fomos à busca do radiador, pois já era sábado à tarde, e as autopeças já estavam quase todas fechadas. Após umas 2 horas de buscas, indo de indicação em indicação percorrendo a cidade inteira, conseguimos um radiador novo. Voltamos para a chácara de minha mãe e montamos o radiador, já era umas 18h e saímos para ir até Bagé acertar as coisas para partirmos a noite para dormir em Pelotas. Saímos, andamos uns 50 metros e a Chevy morreu e não ligou mais. Após tentarmos achar o problema, chamei meu primo que foi com o pai dele, descobrimos que a bobina parou de funcionar, colocamos uma nova que eles carregavam e o problema foi resolvido. Na espera pela ajuda, anoitecemos ali na beira da estrada, com a frustração de não saber se levaríamos a Chevy para Curitiba.

Com a bobina nova, já por volta das 20h, partimos até Bagé com os planos de partir pra Pelotas por volta das 23h. Na ida, pela primeira vez a senti funcionando como deveria, pude fazer umas ultrapassagens e colocar ela pra andar a 110 km/h para sentir como ela estava para encarar mais de 1000 km nesse ritmo. Ficamos felizes e senti que agora ela iria, e depois de passar no meu primo para agradecer toda a ajuda fomos até o meu pai para conversarmos um pouco e pegar umas peças dela que ainda estavam lá. Tudo certo para partir, já era umas 22h, era hora de passar no posto para abastecer e calibrar os pneus. Enquanto estava abastecendo, resolvi descer, e ao me virar para fechar a porta vejo uma fumaça saindo debaixo do painel, que logo em seguida se transformou em uma chama. Após uma gritaria e correria, a frentista parar de abastecer, o extintor falhar com o Ique por conta do gatilho de plástico, ele me jogar o extintor e eu resolver o problema do gatilho, apaguei o fogo.

Foi aí que entendemos o recado, a Chevy não queria ir naquele momento, e não iria adiantar insistir, então desistimos e resolvemos voltar de ônibus na manhã seguinte. Chamei meu primo mais uma vez para rebocar a Chevy até o meu pai, e o que nos restou foi rir da situação e comprar umas cervejas ali no posto e relaxar para encarar a volta de ônibus no dia seguinte. Não foi desta vez…

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Agora vai!

Dez dias depois, lá estava eu novamente para tentar finalmente colocar a Chevy na estrada. Quinta-feira cheguei e fui buscá-la, já era noite e peguei aqueles 30 km de estrada até a casa de minha mãe para dormir lá. Estava tudo certo, mas como havia tempo, resolvi arrumar algo que estava me incomodando. O pequeno cardã que entra no diferencial estava solto, batendo e raspando na carcaça de proteção às vezes, principalmente nas trocas de marchas. Naquela sexta de tempo ruim, compramos o calço e a bucha que fazem o apoio deste cardãzinho, e no final do dia começamos a trocar.

Após um pouco de trabalho, no início da noite as peças já estavam trocadas e mais 30 km de estrada para testar se estava tudo certo. O sábado foi um dia tranquilo de descanso (desta vez deu tempo pra isso), para se preparar para pegar a estrada no domingo.

Chegou o grande dia, era domingo, levantei cedo, arrumei a carga, e pouco depois das 9h parti. Primeiro 30 km para buscar meu primo, após um pouco de enrolação, já era umas 11h quando saímos de Bagé. Logo após a saída já começamos a encontrar chuva pelo caminho, e fomos seguindo mantendo em torno de 100 km/h sem problemas. No primeiro trecho, até Pelotas, já tivemos os primeiros problemas, uma parada devido ao carburador entupido, e outra na chegada de Pelotas para apertar uns parafusos do coletor de escapamento e fixar melhor a carcaça do filtro de ar com fita hellerman. Após uma parada para almoçar na casa da mãe do Ique para pegar uma caixa de câmbio para o TL dele, saímos de Pelotas já mais confiantes após vencer o primeiro trecho e passar pelo local onde poderíamos deixar a Chevy guardada em caso de problemas mais sérios. No meio do caminho até Porto Alegre, outra vez o carburador entupiu, e por sorte foi a última vez. Continuamos, passamos Porto Alegre, pegamos a Freeway, a chuva não cessava, mas continuávamos firmes conseguindo manter a velocidade entre 110 e 120 km/h.

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Anoiteceu, e após entrar em Santa Catarina a confiança aumentou, parecia então que seria só tocar até o fim da viagem sem ter mais problemas. Foi quando apareceu um pouco de azar, chegando à cidade de Tubarão pouco depois da chuva cessar, um pneu furou. Colocamos o estepe, que não tinha condições de seguir o restante da viagem. Comecei uma procura por uma borracharia, já passava das 23 horas de domingo. Parei em Tubarão, fui parando em postos de combustível, perguntando de lugar em lugar e nada.

Peguei a estrada de volta e continuei a procurar, parei em mais alguns lugares, peguei telefones e liguei, e nada, já havia passado da meia noite. Voltei para a estrada e mais alguns quilômetros à frente encontramos uma pequena borracharia que estava aberta consertando o pneu de uma carreta. Cheguei a passar da entrada e voltei de ré pelo acostamento, não podia esperar aparecer outra borracharia aberta. Na borracharia descobri que não foi tanto azar e não tinha furado um pneu novo, o pneu estava montado com câmara porque o aro tinha um pequeno furo, e de tanto a câmara esfregar no aro ela furou. Conserto realizado, continuamos nossa viagem.

Sem mais surpresas pelo caminho, apenas percebemos que o motor estava afogando toda vez que parávamos, e assim continuamos. Chegamos por volta das 5 e meia da manhã de segunda-feira em Curitiba, após percorrer 1.287 km em um único dia, com um carro que ficou 14 anos parado e desmontado, após 6 meses de trabalho, acompanhando a distância e estando presente apenas alguns dias destes 6 meses. Mas agora eu podia dizer que a Chevy estava comigo, se tornaria meu daily, e a partir de agora poderia tocar com as minhas próprias mãos a continuidade da reforma. O motor afogando, a continuidade da reforma, e a convivência diária serão as cenas dos próximos capítulos.

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Abraços a todos!

Por Marco Antônio Guterres, Project Cars #314

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