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Project Cars Project Cars #315

Project Cars #315: mais potência e desempenho para meu Audi A3 Sport 2.0 turbo

Olha quem resolveu retornar (I’m back) para apresentar mais um Project Cars para os leitores mais assíduos do universo automotivo! Desta vez, prometo que será algo rápido e menos hardcore que os outros Projects (será?), mas que continue me fazendo feliz, e me servindo para todos os fins.

Assim sendo, apresento meu novo veículo, um Audi A3 que me apareceu como uma oportunidade possível ao me desfazer do Project Car #211, o Hantaro.

 

A compra

Ao entregar o Hantaro ao novo dono, e no mesmo fim de semana do nascimento de meu herdeiro, sabia que precisaria de um veículo novo para continuar meu legado de modificações, bem como um meio de transporte mais confortável para o dia-a-dia. Assim, comecei a procurar um carro familiar, como tem que ser. Uma perua, com quatro portas… e um boxer 2.5 turbo de 230cv e tração integral (ei, isso é um WRX!), mas me assustei com o consumo, e por mais novos que os bichinhos estivessem, ainda assim não me passavam a confiança necessária para comprá-los e mantê-los.

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Assim sendo, os amigos começaram a apresentar as mais diversas opções de veículos, até que um deles, que tem muitos conhecidos que trabalham com veículos, me ofereceu um repasse de um Audi A3 Sport ano 2011, de única dona e de baixa km. Até o momento, nunca pensaria que um importado alemão caberia em meu orçamento, que era menor, por ter quitado o antigo veículo para vender, mas me interessei e firmei minha cabeça. Queria aquele carro!

Papo vai, papo vem, a primeira negociação não deu certo, mas não desisti. Continuei procurando até encontrar um outro espécie, de ano 2012, com bancos em couro e central multimídia, que eram vendidos como acessórios à época, e com uma quilometragem ainda mais baixa que o 2011, bem como de único dono. Não tive dúvidas, arrematando-o no dia seguinte.

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História

Vamos a uma breve história sobre o carro, suas variações e versões, afinal, como um bom apaixonado por franceses que ainda sou, precisei pesquisar um bocado para aprender sobre o alemão que habitaria minha garagem.

Audi-A3.1

O A3 é um hatch médio da marca de Ingolstadt, que neste ano faz seu 20o aniversario, e foi um dos precursores dos “hatches Premium” quando lançado. Utilizando-se da mesma plataforma do VW/Golf, compartilhou várias peças por suas três gerações vendidas no Brasil (8L, de 1997-2006; 8P, de 2007-2012; e 8V, de 2013 até a atualidade). Esta nomenclatura, inclusive, vem dos dígitos do chassi do veículo, que indicam o modelo do mesmo.

Seu visual pode ser notado como uma evolução, mantendo uma identidade ao longo deste prazo, principalmente na carroceria de três portas, onde suas semelhanças podem ser melhor notadas.

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Em sua primeira geração, fora disponibilizado em carroceria de três ou cinco portas. Estes tinham possibilidade de tração nas quatro rodas, vendidos em países que necessitam deste aparato, e tal sistema fora disponibilizado, também, em sua versão esportiva, chamada de S3, que vinha, acompanhando a tração extra, com rodas mais largas e maiores, pára-lamas alargados, para choques diferenciados, um motor mais potente e itens de acabamento diferenciados.

Quando passado à segunda geração, foram mantidas as linhas parecidas com a geração anterior na carroceria de três portas, batizada de Sport, mas fora alongada e diferenciada na carroceria de cinco portas, chamada de Sportback. A versão esportiva, S3, fora disponibilizada para ambas as carrocerias ao redor do mundo, e fora criada a versão RS3, ainda mais potente que esta, “criando” uma divisão über dos Hatches Premium, acompanhados, mais tarde, pela BMW e Mercedes Benz. No Brasil, tranto a versão esportiva quanto a über só fora disponibilizada na versão Sportback.

A terceira geração, vendida atualmente, acompanha a mesma receita da segunda, mas com plataforma mais leve (MQB) e motores menores e mais eficientes energeticamente.

 

O carro

Meu veículo é um A3 de segunda geração, em seu último facelift (8P3), na carroceria Sport. Originalmente, ele conta com um motor 2.0 TFSi de 200cv e 28,5kgfm de torque, da geração EA888, acoplado a uma caixa automatizada de seis velocidades de dupla embreagem multi-disco banhada em óleo lubrificante (DSG).

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A versão Sport, vendida em nosso país, veio como uma opção “barata” ao Sportback, tendo alguns confortos retirados para baratear custos. Ele vem com os seis air bags, controles eletrônicos de tração e estabilidade, com diferencial de deslizamento limitado eletrônico, faróis em bi-xenon com DRL em LED, dentre outros itens, mas peca em não ter sensores de chuva, luminosidade, estacionamento ou som de alta fidelidade (o original já é muito bom, incluindo subwoofer embutido). Como meu foco é sempre voltado à performance, não me incomodei!

 

O projeto

Quando decidi pela compra, tracei algumas metas iniciais, pois já tinha lido o suficiente sobre o carro. Rodas maiores e mais largas, freios grandes, upgrades de motor e chão, além de alguns mimos, como grades diferenciadas, referentes à linha S3 três-portas européia e mudanças no sistema de som do carro. Com uma idéia na cabeça, o carro em mãos e o juízo perdido, começamos as alterações.

Motor

Por já ter feito o suficiente no antigo Project Car a ponto de saber que tudo tem um limite, me restringi a chegar, em se tratando de motor, e em um primeiro momento, no “kit padaria”, composto pela troca do início do escapamento com catalisador, por uma peça em inox, de 3”, totalmente livre, vendida pela americana Relentless, com sistema de flange para arrancar todo o sistema de escapamento em evento, andando com o carro “no toco” em eventos de pista; troca do filtro de ar original e todo seu sistema por um intake específico da K&N, modelo Typhoon, exatamente na área de ram air intake; e pelo remapeamento na central eletrônica, feito via porta OBD2 flash, realizado, como sempre, pelos parceiros londrinenses da Atomic Motorsport, onde foram alterados parâmetros de ponto de injeção, afinação da mistura de combustível e aumento da pressão de turbina.

K&N Typhoon

Num momento posterior, vocês verão que o “kit padaria” e seus “300cv felizes” não foram suficientes, e partimos para algo mais… “divertido”.

turbo

 

Chão

Já no tangente à suspensão, sempre utilizei molas esportivas, e sempre gostei muito deste setup, mas, no caso deste veículo, li em fóruns diversas reclamações acerca da rigidez excessiva delas, sendo quase que mandatário um kit de amortecedores para completar o conjunto. Ao pesquisar os preços do kit molas + amortecedores, quase morri. A soma de ambos ultrapassava os R$ 6.000. Assim sendo, recorri a uma solução mais em conta, mas tão boa quanto esta. Levei o veículo a um dos preparadores de suspensão dos veículos de pista de Londrina, e expliquei minha situação. Em dois dias, ele havia resolvido o problema, deixando o veículo como eu desejava, tanto no quesito de altura, quanto nos de rigidez de compressão e retorno dos amortecedores.

antes-depois

Para a passagem para o chão, comecei pesquisando rodas do RS3, que utilizam uma largura de 9” em suas 19” de diâmetro, mas descobri que, tirando as rodas que vêm originalmente nos RS3, as vendidas no Brasil são todas réplicas. Assim sendo, consegui visualizar todos os modelos vendidos atualmente, até o dia que um amigo para com seu Audi TT, blindado, e com um jogo de rodas muito diferenciado. Elas são de 17”, com sete raios duplos, uma concavidade interessantíssima próximo ao centro e, para minha alegria, com 8,5” de tala.

Por sorte, ao fazer uma busca por aquele “baú da felicidade” das compras e vendas nacionais, encontrei tal jogo sendo liquidado por apenas três dígitos, vestindo, assim, nosso A3, e ainda utilizando-se dos pneus originais, de medidas 225/45, por ora.

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Freios

Quanto aos freios, eu sabia que queria freios maiores, mas ainda não tinha outra idéia a não ser que não poderia gastar muito e que deveriam caber nas rodas 17”. Assim sendo, comecei a pesquisar e descobri que os freios do S3 8P é o mesmo do Passat alemão de 6o geração, quando equipado com motor de seis cilindros, e suas pinças de um pistão (mas sem aquela plaqueta decorativa com o logo “S”) abraçam freios de 345mm de pista por 30mm de espessura, gigantesco!

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Cheguei a encontrar as pinças, cotar os discos e pastilhas, dando um valor bem razoável mas, ao acordar um dia pela manhã, e fazer uma rápida busca no MercadoLivre antes de ir trabalhar (quem nunca!?), encontrei um jogo de pinças porsche, de seis pistões, para rodas a partir de 17”, compatível com discos de 330mm por 30mm, a medida padrão dos kits Brembo GT, a preço de banana. Quando me dei conta, já estavam em minha casa, juntamente com os discos com as medidas supracitadas, esperando para serem adaptadas.

 

Estética + Som

Neste subtítulo, minha idéia é deixar o veículo mais “europeu” e esportivo, dando a ele o kit S-Line (nome dado aos carros comuns com os kit aerodinâmicos dos esportivos da marca das quatro argolas), composto por grade colméia, para choques mais envolventes, spoiler lateral e splitter traseiro. Ainda dependo do nosso lindo governo se estabilizar e baixar o preço da moeda estrangeira para começar esta parte do projeto.

S3

Já no som, o carro vem originalmente equipado com um sistema de som composto por 8 auto-falantes, mais um subwoofer selado de 4”, todos eles ligados em um amplificador, que é comandado, em meu caso, por uma central Clarion. Como som demais é excesso de peso, e porta malas é artigo de luxo, este ficou o setup do carro, sobrando para mim mudar, posteriormente, a central por uma mais moderna e menos lenta, para facilitar o manuseio.

 

Próximos capítulos

Para frente, mostrarei os gráficos de potência e torque do carro, tanto no original, quanto nos estágios 1, 2 e 3, explicando pormenorizadamente cada um deles, além do processo de adaptação para instalação dos freios no veículo.

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Até a próxima!

Por Luiz Fernando Lopes, Project Cars #315

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