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Project Cars Project Cars #317

Project Cars #317: a história do meu Ford Focus Mk2 turbo com GNV

Salve, galera do FlatOut! Em primeiro lugar, quero agradecer muito pelos votos no PC do meu Focus Turbo com GNV! Tinha o desejo de inscrevê-lo há algum tempo, mas sempre hesitava por falta de tempo e por saber que vou ter de terminar o quanto antes. Desta vez após a ultima chamada meus amigos e esposa me motivaram a candidatar o projeto, e aqui estou como um dos eleitos!

 

Meu nome é Wyldwagner Neris de Souza, tenho 26 anos e sou analista de sistemas e desde que me entendo por gente sou aficionado por motores, digamos que sou a ovelha negra da família pois sou o único que gosta de ficar fedendo gasolina e usar roupas de marca “de graxa”. Acho que tudo começou quando aluguei esse filme pela primeira vez:

Assisti mais de 50 vezes

Na época não se tinha internet como hoje e muito menos youtube então ficava fascinado pelo ronco dos motores e fumaça dos pneus, lembro como se fosse hoje que vi a frase “Minha EsposasimMeu cachorrotalvezMeu DodgeNunca!”.

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Quando criança desmontava minhas bicicletas e carrinho de rolimã — fosse para arrumar, personalizar ou fazer andar mais.

Então quando não estava estudando estava eu jogando games no PC como Street Rod, e outros jogos de corrida no simulador de SNES no PC, passei boa parte da minha infância customizando aqueles carros e tentando entender porque determinada peça não encaixava em determinado motor, e em vez de comprar um carro zero, decidi comprar um usado para poder customizar ao meu gosto.

Sei que querem saber do carro mas não tem como falar dele e das modificações sem antes falar de como começou essa minha paixão. Voltando aos games, veio o Need For Speed Underground. Não preciso nem falar que a outra metade da minha infância foi debruçado no teclado no PC customizando aqueles carros entre eles o tal do Peugeot 206 e o Focus Mk1.

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Nesse meio nos mudamos para outra casa, onde a mesma ficava em uma rápida, erá só escutar o ronco de um carro diferente que saia me quebrando pela casa para ver o que era, tinha Fusca AP, Fusca Turbo, Gol Turbo, Chevette e até um PT Cruiser Turbo. Nessa época ganhei uma Mobilete e acho que ali a coisa tomou um rumo sem volta, passava a semana toda preparando ela para poder apostar corrida com meus amigos que acontecia na rua de casa,  naquela época as modificações vinham com escape, carburador arrombado, virabrequim bolachão entre outras coisas para garantir que não iria fazer feio. Com dezesseis anos acabei comprando uma CG 82, pense em um garoto feliz, porem até chegar em casa pois meu pai falou que ou eu dava um fim na moto ou tinha de ir embora com ela.

Nisso acabei fazendo uma Katia Capeta (motor de CG + Berço do Motor de CG Quadro de Garelli + Rodas de Jog).  O resultado é algo parecido com o vídeo abaixo.

Meu projeto era um mais simples porém com o mesmo princípio. Lembrando que na época não tinha celular com câmera e nem internet como conhecemos hoje, então não tinha muito com o que me inspirar para fazer esse projeto. Resumindo essa era minha Katia.

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Nessa época conheci minha esposa, onde ia visitar ela com a tal da Katia, fui motivo da chacota da família dela pois vivia cheio de graxa e óleo, seria engraçado se não fosse trágico. Justamente nessa época tive a oportunidade de andar em um Gol turbo do meu vizinho. Foi uma sensação inexplicável, e sabia que queria aquilo para mim. Com 17 anos comprei meu primeiro carro, um Fusca 72 verde abacate, estava encostado na casa um amigo que me ajudava na mobilete e após uma conversa comprei o dito por R$600. Após uma limpeza no carburador e gasolina em uma garrafa pet estava levando o carro pra casa, porém como não poderia dirigir sem carteira, tive de aguentar por uns oito meses com o carro na garagem de casa onde fiz um trabalho de funilaria no mesmo e após tirar carteira troquei por um Fusca 79 bem mais inteiro. Nele pude fazer algumas modificações como escape 4×1, carburação dupla e cabeçote rebaixado. Porem após quebrar três motores parti para um motor AP e aí tem história para mais de metro.

Depois tive alguns carros carros com o tal do GNV:

Fusca 79 1500 (GNV), Fusca 79 AP (GNV), 206 1.0 2001 (GNV), 206 1.4 Feline (GNV)

Um grande dos grandes problemas do GNV é que os mecânicos acertam o carro para tirar o máximo de economia deixando a mistura muito pobre, e como a mistura fica pobre sobre aquece a câmara de combustão e ai acaba trincando o cabeçote, mas falaremos mais sobre isso nos próximos posts.

Sai 206 e vem o Focus, ah o Focus…. Na época trabalhava em uma grande empresa como Analista de TI e já acompanhava o Jalopnik diariamente aguardando ansioso por uma nova matéria e projetos como do João Pensa.

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Após alguns meses entre negociação com minha esposa conseguimos comprar o carro e foi justo em Dezembro, foi quase que presente de aniversario;

Disse para mim mesmo que nesse não iria passar por modificações por um bom tempo, porem a carne é fraca meus amigos, coisa de 15 dias já estava com escapamento todo livre e filtro InFlow instalado e assim começou;

Mas falando do carro ele é um Focus 2.0 versão Ghia que por sorte é equipada com o Cambio MTX (Mesmo cambio que equipa o Focus RS), bancos de couro, teto solar, ar digital, acabamento interno diferenciado, freio a disco nas quatro rodas e o motor Duratec 2.0.

 

Não me limitava muito em buscar o corte de giro, seja para avisar que cheguei ou para fazer graça como minha esposa fala, sabia que o motor era com corrente de comando e que tem um ótimo r/l então buscava com certa frequência a linha vermelha do RPM.

Mas cavalo que anda bebe, e o Focus não fazia muito mais de 6,5km/l e como em todos meus outros carros acabei instalando GNV no Focus, acabei optando por instalar um kit de 3º geração onde o mesmo tem o bendito mesclador, que acaba restringindo a passagem de ar na TBI para gerar turbulência  e misturar o AR com o GNV o que reduz e muito a potência do carro.

 

Aceleração no GNV

Como tem que usar o mesclador ou partir para um utilizar o kit de 5º Geração (injetado) e porem o bolso não permitia. Assim tive que bolar uma alternativa  para poder dar minhas aceleradas e continuar com o kit de 3º geração.

A solução foi colocar um Y na TBI.

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A ideia inicial era que ficasse parecido com isso, consegui ter o mesclador em uma das bocas do Y para andar no modo civil e quando quisesse andar era só tirar a tampa do outro Y e assim na gasolina o carro andava de maneira satisfatória, no vídeo abaixo pode se observar a diferença de acelerar com a outra boca aberta…..

Aceleração com as duas bocas do Y aberta

Como já tinha devorado quase todo material dos fóruns como Ford HP, Focus Club e Hot Campinas, assim fui montando em minha mente como deveria ser o projeto, porem a duvidar persistia entre um kit turbo, um kit de NOS ou um projeto aspirado (Comando Crower Stage 1 + Coletor 4x2x1 + Coletor de Admissão).

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Sabia que nem tudo eram flores, o motor tem fama de girador porem se fosse para fazer o motor girar acima de 8000RPM teria que trocar a bomba de óleo, um projeto aspirado me renderia uns 45CV e me custaria uns R$7.500 isso em mundo perfeito e sem imprevistos.

Nesse meio tempo acabei conhecendo o pessoal do Ford Friends, onde havia uma rapaziada que tinha uns projetos mais diferenciados como o Ka 1.0T do Alexandre, Panda com o Fiesta 1.6T, Ghilherme Rocha com um Ka 1.6 aspirado, João com o Focus Aspirado (Bala de Prata).

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Entre conversas sobre o que fazer ou não tive a oportunidade de participar do meu primeiro track day.

Tudo isso acontecendo em 2013 minha esposa teve parte importante nisso também pois me deu apoio para colocar o nosso carro de uso diário na pista, para mim era tudo novidade e bastou um único contato com a pista e bastou para que ficasse viciado nisso.

Primeiro Track Day – Primeiro de muitos.

Como podem ver o carro mesmo com GNV se tornava muito divertido por ter o Y instalado na TBI.

Meu objetivo nunca foi ter o carro mais rápido do evento e sim ter um carro confiável para ir e voltar todos os dias do trabalho e de quebra acelerar no Autódromo de Curitiba.

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Após alguns eventos percebi que o carro tinha alguns pontos que prejudicavam demais seus desempenho na pista e que um fôlego a mais não faria nada mal ao carro…

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Por Wyldwagner de Souza, Project Cars #06

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