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Project Cars Project Cars #375

Project Cars #375: um Citroën C4 VTR para as ruas e pistas

Que honra poder contar um pouco do meu projeto. Confesso que quando fui selecionado fiquei bastante emocionado, pois durante muito tempo li os demais Project Cars aqui do Flatout e ansiei o dia em que tivesse meu próprio projeto se materializando. Pois bem, isso aconteceu muito antes do que eu esperava e se essa história servir de motivação para alguém, assim como várias aqui serviram para mim, tudo isso já valeu muito a pena.

Meu nome é Guilherme Cavalli, tenho 22 anos e minha paixão por carros e automobilismo vem desde onde consigo me lembrar. Das infinitas brincadeiras com carrinhos em miniatura até as tentativas em estabelecer uma carreira como piloto de kart, fui colecionando sonhos, colhendo algumas frustrações e arquitetando novos planos sempre tendo os carros como protagonista. Devido a essa paixão e motivado pelo sonho em trabalhar com automobilismo, decidi cursar Engenharia Mecânica e essa escolha acabou acarretando em uma oportunidade de estudar nos EUA por um ano e foi lá onde tudo começou.

Coloquei na cabeça que quando retornasse para o Brasil não esperaria mais e voltaria de maneira definitiva para o automobilismo. O caminho seriam os Track Days. O primeiro passo foi comprar meu capacete, no dia 27 de agosto de 2014, meu aniversário de 20 anos e dia em que me presenteei com um Capacete da Bell, modelo Sport Series, para Auto Racing. Pode parecer bobo, mas aquele foi o primeiro passo para que tudo se concretizasse em seguida. Terminei meu período de estudos nos EUA, fiz um estágio por mais dois meses na terra do Uncle Sam e consegui guardar uma quantia legal nesse período todo. Desembarquei de volta ao Brasil em Agosto de 2015 com uma mala adicional de 32 kg em ferramentas automotivas para que eu mesmo pudesse fazer as manutenções no meu futuro Project Car, que ainda era incerto naquele momento.

 

Por que um C4 VTR?

Com o orçamento bastante limitado, precisava de um carro que me levasse para a faculdade, fosse seguro para eventuais viagens e que tivesse potencial para fazer bonito nos Track Days. Meu irmão tinha um C4 VTR e sempre foi apaixonado pelo carro que devido a grande desvalorização se tornou uma opção que se encaixaria muito bem para o que eu precisava. Através do VTR Clube, consegui achar alguns exemplares à venda e o que mais me chamou a atenção estava em Belo Horizonte – MG a exatos 1500 km de Pato Branco, no Paraná, cidade onde moro. Eu estava disposto a viajar e buscar o carro na capital mineira, então conversei com um amigo que reside em BH e pedi para que ele fosse ver o carro e levasse o mesmo em uma oficina de confiança.

Foi então que lembrei que a High Torque, oficina do ADG que faz vídeos sobre manutenção automotiva no YouTube, ficava em BH e na hora puxei o telefone para ligar para a oficina. Horário marcado na High Torque onde meu amigo encontraria com o proprietário do VTR e de lá me diria se eu poderia viajar tranquilo sem medo de encontrar um carro destruído.

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Quase tendo uma crise de ansiedade, meu amigo Breno me liga e fala: “Tem alguém aqui querendo falar com você” e de repente o Alexandre (ADG) pega o telefone e começa a falar sobre o carro, dando o seu parecer e me dizendo que eu poderia pegar o avião para buscar o carro, pois estava num nível de conservação muito bom. Na mesma hora comprei a passagem para o dia seguinte. Resumindo a história, efetuei a compra do VTR e de quebra conheci Belo Horizonte. Foram 1.500 km de volta para casa sem nenhum resquício de cansaço. Estava totalmente anestesiado com o novo carro.  

 

O Projeto

Com o carro já em solo paranaense não demorei em ir atrás dos upgrades. Até então o VTR era quase todo original, com apenas 51 mil km rodados e com as rodas Resolfen aro 17 que eram um opcional oferecido pela Citroen na época. Outro detalhe é que já adquiri o carro com o envelopamento em branco brilhante. Comecei a minha assinatura no carro pela suspensão onde optei por molas esportivas crendo ser o meio mais harmônico de ter um rendimento aceitável nos autódromos aliado ao mínimo de déficit no conforto. Por sorte do destino encontrei um raro jogo de molas H&R Sport, consideradas o segundo estágio da H&R para uma proposta semi pista, não poderia ser mais adequado ao que eu buscava.

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A instalação das molas H&R foi um marco. Reuni alguns amigos e munidos com o manual de manutenção do C4 VTR fomos nos aventurar no processo. Demorou muito para ficar pronto, mas fizemos o serviço de maneira muito profissional, seguindo os torques de cada parafuso conforme o manual. Todo o processo ficou ainda mais divertido com um churrasquinho feito no tonel e uma cervejinha de leve rolando em paralelo. Acho que essa foi uma grande realização pessoal, primeiro serviço no carro, com aquelas ferramentas que trouxe na mala, dando o ponta pé no primeiro Project Car e na companhia de grandes amigos curtindo a mesma vibe!

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Depois da suspensão, o projeto foi se moldando com o passar dos dias e foi aí que o primeiro medo bateu na porta. Eu tinha uma quantia legal para investir no carro, disposição para efetuar os upgrades e quase tudo que é necessário para que um Project Car saia do papel, menos um carro com disponibilidade de material, peças de performance e histórico de preparação. Nessa hora bateu um princípio de arrependimento de ter sido conservador na escolha do carro, mas logo decidi aceitar o desafio de tentar a preparação aspirada no motor EW10A.

O resultado desse processo pra lá de artesanal, os paradigmas e a participação no primeiro Track Day vocês acompanham no próximo post. Abraços a todos!

Por Guilherme Cavalli, Project Cars #375

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