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Project Cars #383

Project Cars #383: o início da preparação do meu Volkswagen Gol GL aspro

Olá a todos. Em primeiro lugar agradeço os elogios e críticas construtivas ao meu Project Car. Após a primeira parte, vi que vários colegas esperavam um pouco mais de informações sobre o projeto, mas a verdade é que durante os quatro primeiros anos o carro pouco evoluiu, o que viria a mudar drasticamente a partir de 2006, ano em que me mudei pra Campinas, e comecei a ter contato com maior frequência com os preparadores e preparados.

Outra questão levantada foi sobre o fato de eu trabalhar em uma fábrica de turbocompressores e montar um projeto aspirado. Quando trabalhei na usinagem CNC de carcaças centrais e peças para Formula Truck e Pick up Racing, o então responsável pelos motores da Fórmula Truck se prontificou a ajudar na montagem de um turbo adequado a proposta de uso do carro, porém a vontade de montar algo diferente e com um visual mais clean foi mais forte e acabei optando pelo aspro. Nas horas de folga ajudava-o na oficina onde era montados os motores de corrida e alguns projetos de rua, o que me deu uma boa base quando optei pelas modificações a serem realizadas.

 

Novos ares

Durante o período em que morei em Campinas, sempre frequentava o postinho do distrito de Barão Geraldo, onde quarta-feira era dia de acelero. O pessoal se reunia lá a partir das 21:00 e com frequência iam esticar as “pernas” no famoso tapetão ou na Rodovia dos Bandeirantes. Iam desde carros originais com pequenos ups, carro preparados de rua, carros de arrancada, motos esportivas e superesportivos.

Conheci preparadores de renome e carros dos sonhos, sempre tentando extrair o máximo possível de informações e dicas a respeito de como melhorar a performance do meu GL, que a essa altura era usado apenas nos finais de semana pois ficava guardado na casa dos meu pais no interior. Foi quando surgiu a oportunidade de adquirir uma Weber 40 com coletor e um comando de válvulas de 288 graus. Na hora abracei, mesmo sem muitas informações complementares e parti em busca de um coletor tubular para fechar o conjunto.

Encaminhei o carro a um “preparador” indicado por um colega e combinei de levar o carro pra instalação e acertos e foi aí que aprendi da pior forma…

 

Pedras no caminho

Quando voltei pra pegar o carro, o preparador me disse que meu motor tinha “virado bronzina de mancal” (???!!!???) e que precisaria de uma retifica completa. Pronto, meu sonho mal começou e já virou pesadelo, não sabia qual era a extensão do prejuízo ou danos, o carro estava longe de casa. O que fazer?

Já que estava naquele ponto, então que fizesse a coisa certa. Retirei o carro de lá, busquei um preparador idôneo e acompanhei de perto as modificações. Consultei um sem número de profissionais afim de montar um conjunto totalmente confiável, capaz de andar longos trechos sem aquecer ou perder pressão de óleo, ter uma boa retomada e enfrentar trechos de serra sempre na mão e acima de tudo uma potência utilizável, nada de exageros que só trazem dor de cabeça.

Após a retifica total do bloco, partimos para a instalação de uma bomba de óleo original com retrabalho no by-pass, bronzinas novas, retrabalho nos furos do vira para maior eficiência de lubrificação, filtro de óleo dos Audi com maior capacidade, balanceamento estático das bielas, instalação de pistões box que geraram 1875cc aproximados, ou o famoso milinove, cilindrada essa que tem a característica de força em baixas rotações e altos giros.

No cabeçote foram adotadas válvulas de maior diâmetro com ângulos internos e externo retrabalhados, copos de válvula também retrabalhados e em primeiro momento um comando de 292 graus simétrico com lobe center de 110graus e levante de 12,5mm e válvulas para até 9.000rpm. Na alimentação, a Weber 40 foi enviada ao Giba carburadores para ser totalmente refeita, desde o banho para álcool, troca de borboletas, confecção de difusores cônicos, e demais peças internas trocadas. O coletor recebeu um plate de aquecimento para evitar a condensação da mistura. O distribuidor sofreu um retrabalho em sua curva de avanço para otimizar a performance.

 

O volante do motor foi aliviado em três quilos para melhorar a subida de giros e a embreagem utilizada é uma clássica receita de platô de 2.0 e disco de Kombi Diesel, simples porém muito eficiente. No câmbio o longo PS de fábrica foi trocado por um PV, que melhor se casou com a nova configuração para tiros rápidos. Garantindo a alimentação de Álcool, uma bomba de Monza com dosadora pequena.

Essa configuração rendeu no dino durante acertos a potência de [email protected] com uma velocidade final acima de 220km/h no gps. Sem dúvida um conjunto muito divertido.

 

Forma e função

Gol 44

Sempre gostei do visual clássico pros Quadradinhos, quando acompanhava as arrancadas noturnas em Interlagos, ficava fascinado com os Gols da equipe Kalil, na minha opinião os mais belos que participaram na época de ouro na arrancada Paulista. Tentei conciliar a nova proposta de potência ao visual clássico então realizei algumas modificações estéticas.

Gol 91

Consegui lanternas traseiras totalmente vermelhas, instalei frisos brancos nos para-choques e borrachões, removi o logo VW da grade dianteira, instalei as maçanetas do Santana 2003 nas portas e alisei a tampa traseira, sem dúvida um visual muito harmônico para a época, que hoje talvez não soe tão harmônico assim. Durante a evolução natural do projeto retirei o film, troquei as lanternas Xuning por itens Arteb/GTI, voltando a um visual mais sóbrio.

Gol 93

Na parte interna nada além de maçanetas internas cromadas, alavanca de câmbio com short shifter e um sistema básico de som com o eterno toca CD dos “golfinhos” e uma tela/quebra-sol para o DVD player que ficava dentro do porta-luvas.

 

A cereja do bolo

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Conheci outro apaixonado por VW´s e principalmente pela cultura GermanLook, meu grande amigo Pitoco, que tinha incríveis contatos na Europa e EUA, foi então que surgiu a ideia de trazer acessórios dos Golf MK2, mais precisamente do GTI 16V que foi vendido por dois anos nos EUA.

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Do modelo 1988 vieram o painel de instrumentos, com marcação de velocidade em milhas, conta giros com escala até 8.000rpm e um computador de bordo, junto veio o parte do chicote elétrico do carro doador, com um usuário do fórum Vortex VW consegui o esquema elétrico do Golf e parti para a instalação e configuração. Trouxemos também o volante de direção, que apesar de parecer nosso clássico quatro-bolas, ostenta o logo GTI em seu aplique central.

 

Usando como se deve

Realmente ficou um conjunto muito gostoso de se usar, comecei a utilizá-lo para ir trabalhar no início da semana e retornar na sexta-feira, em um trecho de 120kms de pistas dupla, muito divertido andar por longos trechos de “shift aceso” com total segurança, andar na bota de Audi T vermelho, Ram 2500, Stilo Abarth e outros brinquedos, nessa altura substitui os já usados 195/50/15 por um conjunto 195/45/15 e adição de Militek ao óleo do motor, além de um manômetro de óleo ligado a saída do cabeçote para pegar a medição da última passagem de óleo, garantindo que o motor estaria totalmente lubrificado, e um hallmeter para saber a quantas andava a mistura.

Assim o carro andou por mais quatro anos aproximadamente, quando tive uma série de problemas pessoais e financeiros que acabaram em minha separação, onde voltei a morar com meus pais e me fizeram dar uma pausa na sequência de modificações que vinha realizando no carro. Entre elas estava buscando informações sobre Wiretuck, a técnica de se esconder fios e periféricos do cofre do motor.

Gol 98

O Gol permaneceu por mais de um ano parado na garagem, funcionando eventualmente enquanto eu tentava me reerguer.

 

Hora de recomeçar

Numerei as prioridades naquele momento e comecei a cuidar de uma a uma, enquanto o Gol aguardava. É sempre cansativo e estressante essa fase de pôr as coisas em ordem, estava trabalhando sem descanso para que tudo voltasse ao normal. Eu fiquei esgotado e procurei um Neurologista com quem tinha mais contato para me consultar, o diagnóstico? crise de estresse. A solução na palavras dele era procurar uma válvula de escape para distrair a cabeça. Enfim chegou a hora de mexer no esquecido Gol…

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E esse será o tema da terceira parte do Project Cars, onde começam as modificações mais sérias.

Por Fernando Gorks, Project Cars #383

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