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Project Cars Project Cars #391

Project Cars #391: a história (e o renascimento) da minha Chevrolet Montana

Olá, galera que vai ler o meu post! Meu nome é Heitor Arantes, tenho 22 anos e sou de Uberlândia/MG, sou Atendente de Telemarketing e estudo Direito na Faculdade Politécnica de Uberlândia. A história do meu PC é como recuperar um carro que quase teve perda total com menos de dois salários mínimos.

Sempre fui um amante de carros, desde pequeno não gostava de saber de bola e sim de carros, tinha uma coleção imensa de carrinhos e sempre ficava brincando com eles, quando criança recortava as propagandas de carros nas revistas e colava elas na cabeceira da minha cama. Sempre fui aquele garoto que não jogava bola que não jogava bete mas ficava empinando a bike e construindo carrinhos de rolimã.

Minha primeira recordação com carro foi quando meu pai comprou uma Parati 1994 azul escuro. Cheguei da escola e fiquei me perguntando de quem seria aquele carro, já que nós não tínhamos sequer um veículo na família, olhei ao redor da Parati e fiquei admirado pela sua beleza era um carro tão novo azul escuro vidros pretos era tão grande então logo fui correndo para perguntar meu pai de quem era aquele carro em nossa garagem e ele logo me disse: – Filho esse é o carro que seu pai comprou.

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Foram várias histórias com ela viajava no porta – malas eu e meu irmão enquanto a bagagem ia em cima no rack de teto (sim naquela época não tinha tanta fiscalização e mesmo que tivesse não teria problemas).

Até que depois de anos meu pai trocou a Parati em um Apollo 1991 de cor vinho, não gostei nada do que eu vi, ele pegou o carro de um primo de minha mãe de São Paulo no qual gostávamos muito dele, porém parece que ele não gostava muito do Apollo (muito menos eu) ele tinha as lanternas traseiras quebradas, o painel só de encostar já quebrava, o carro era apertado e muito quente por dentro a pintura toda feia e a placa era de Recife.

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Bom como nem tudo são flores ficamos com esse Apollo que nos rendeu muitas histórias também, como uma viagem de Uberlândia à Cuiabá que dá mais de 1000 km que ficou gravado na memória e as incansáveis buscas de painel de Apollo nos ferro velhos de Uberlândia sem sucesso até que um dia meu pai teve a brilhante ideia de trocar o painel por um de Escort já que são praticamente o mesmo carro.

Este Apollo foi o primeiro carro no qual eu tive a minha primeira lição de direção ministrada pelo meu pai, foi o seguinte, ele me disse entra no carro solta a embreagem devagar acelera devagar que o carro anda, vai até aquela porteira e volta, foram 30 minutos até que eu voltasse e ele de fora rindo de chegar a perder o folego.

Depois meu pai trocou esse Apollo numa Parati 1996 Verde 1.8 AP, e foi nela que eu realmente aprendi a dirigir, foi nela as minhas primeiras barbeiragens os primeiros ralados nas rodas. Essa Parati vai ficar para sempre guardada nas minhas memórias.

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Após fazer uma troca de uma casa que tínhamos aqui no bairro em uma chácara meu pai nessa transação ainda como volta pegou um astra (sim com orbital e calha de chuva #CHORABOY) e o trocou por um corsa classic 2005 Spirit apesar de o adesivo nas portas indicarem o modelo Life. Sempre achei esse Corsa estranho; ele tinha algo de diferente eu olhava ele sabia que tinha uma coisa errada mas não encontrava o que era. Depois desse Classic meu pai teve uma S-10 Advantage Flex, mas como ela bebia muito meu pai resolveu voltar ao mundo dos Corsas e pegou um Classic 2012, enfim agora vamos ao que interessa, a Montana.

 

Bom esse carro se trata de um exemplar do ano de 2007 com modelo 2008 equipado com direção hidráulica, travas elétricas e alarme que foi adquirido pelo meu pai em 2011 em um belo domingo de sol num feirão da concessionária da Chevrolet aqui de Uberlândia.

Lembro como se fosse ontem, ele me levantou cedo e disse para mim “Filho vou na feirinha de carros dar uma olhada quer ir comigo?” e eu como um gearhead desde pequeno claro que aceitei na hora.

Chegamos na feirinha e olhamos vários carros e nada de encontrar aquele carro que desse aquele “Tchan” quando veio uma vendedora da concessionária e disse: “Temos algumas pickups ali no canto. Querem dar uma olhada?”

Aquela moça com nome de Vera, me lembro até hoje pois é o mesmo nome que minha mãe, nos conduziu a um lugar onde tinha duas montanas e uma Saveiro, lembro até hoje uma montana verde meio cor de burro fugido completa 1.8 mas o preço estava fora do orçamento, fomos olhar a Saveiro, uma G3 Super Surf prata completa com rodas de liga leve mas estava rebaixada e meu pai não curte muito isso, então fomos para a última e a mais importante opção a montana preta, lembro dos dizeres dela assim: “Temos essa montana que era usada pela concessionaria inicialmente para test-drive e depois ela ficou para entrega de peças, está meio suja e por isso conseguimos fazer um preço especial nela, ta toda revisada e ainda vai com garantia de um ano”.

Quando meu pai ouviu a palavra preço especial ele já pegou o telefone e ligou para minha mãe, foram alguns minutos de ligação enquanto eu inspecionava o carro inteiro abrindo e fechando as portas, capo e tampa traseira procurando alguns pontos de amassados arranhados ou defeitos, liguei o carro acelerei liguei todas as luzes olhei os pneus balancei para testar a suspensão fiz o teste do ima na lata para ver se existia algum ponto onde não grudava mas ele grudou em tudo, ou seja o carro nunca foi batido e estava apto a receber uma vaga de nossa garagem, papo concluído papelada assinada vendedora ganhando a comissão e nós contentes de ter adquirido um carro novo.

Pegamos o carro e já dei aquela primeira lavada até por que esse carro chegou no showroom de última hora e estava todo sujo.

Como ainda não tinha carteira eu lavava o carro para dar um rolê no bairro que era sutilmente disfarçado como “to com preguiça de enxugar o carro vou dar uma volta para secar com o vento”.

E assim fui me apaixonando mais pelo carro, limpava ele como se fosse meu até que eu completei a Maioridade e tirei a minha CNH, então fiz uma proposta à meu pai “Pai é o seguinte eu posso continuar pagando as prestações da Montana e ficar com ela?” e a resposta dele foi Breve, clara e objetiva: “Sim mas se atrasar uma prestação sequer ou tomar multas sair e chegar tarde se eu te ver correndo com esse carro se você não fizer a manutenção dele (mais 24 horas de blá blá blá) eu te tomo o carro de volta e você vai perder o que pagou nele você me entendeu?” e eu disse “Feito”.

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Aquele era o melhor momento da minha vida… eu pensava Eu sou o proprietário (leia “próprio otário”) de um carro e ainda o carro que era de meu pai e eu cuido para mim, aquilo era a melhor coisa do mundo nada se comparava a isso, logo comecei a fazer alguns upgrades.

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Primeiro vieram as rodas 14 do Vectra B. Não gostei do setup mas, cara, foram as primeiras rodas de liga leve que eu havia comprado da vida. Se estava feliz por ter estragado o visual do carro? Estava, mas aquilo para mim já era uma alegria, acabei trocando essas rodas 14 em um jogo de rodas 16 OEM do Vectra de última geração e colocando insulfilm G5 nas laterais e G35 no vidro da frente e no traseiro assim o carro ficou mais com a minha cara, não ao estilo tiozão.

Ficava pensando comigo agora é so rebaixar, depois colocar um sonzinho legal  vai ficar show, os projetos começaram a surgir na minha cabeça e sempre vinha aquela velha vontade de ter um kit Turbo mas acabei instalando um kit xênon e dando o trato na pintura.

Na pintura dela foi feito o polimento tira riscos, pois como era um carro de firma os funcionários não tinham dó dela então ela tinha alguns arranhõezinhos que saíram com o polimento. Depois de polida mandei fazer a vitrificação da pintura, e foi aí que o carro ficou um espelho.

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Lembro de uma história engraçada que presenciei com minha namorada da época: estávamos eu e ela no centro da cidade para que ela comprasse algumas coisas, parei o carro em frente uma loja de cosméticos para que ela fizesse a tão desejada compra enquanto ela pegava o dinheiro dentro da bolsa dela já com o vidro do passageiro fechado uma garota olhou o carro achou que não tinha ninguém e aproveitou da pintura que estava realmente um espelho para ajeitar o short então ela virou de costas para o carro puxou o short para cima e ficou olhando o reflexo dela na pintura do carro.  Enfim… a namorada não aprovou nada disso e ainda abriu a porta para a moça ficar com vergonha, e eu morrendo de rir (por dentro por que mulheres baixinhas tem tendência a se estressarem mais facilmente e não era um bom dia para morrer).

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Eu estava bem feliz até que ocorreu o que ninguém imaginava.

Eu tinha começado o curso de direito e acabei começando a namorar uma garota da minha sala que mora em uma cidade próxima chamada Abadia dos Dourados. Num belo final de semana, exatamente numa sexta-feira dia 25/06/2014, havíamos programado uma viagem para a cidade dela, onde teria um casamento de uma prima e eu iria aproveitar a oportunidade para conhecer a família toda da moça.

Alguns chamam de destino, outros de Deus e também de sorte. Na sexta-feira eu iria buscá-la na casa dela e iríamos partir em viagem, mas por ser madrinha do casamento, ela acabou indo mais cedo para se preparar, já que o casamento seria no sábado e ela tinha que experimentar vestido e arrumar todas essas coisas de mulheres. Eu como trabalhava até as 16 h não poderia sair mais cedo, então ela pegou um ônibus e seguiu viagem enquanto eu trabalhava. Depois do expediente peguei a estrada sozinho no carro.

Muitos quilômetros depois, por volta das 17:30 ocorre o inesperado:

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Mas isso é história para o próximo post. Até mais, meus amigos!

Por Heitor Arantes, Project Cars #391

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