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Project Cars Project Cars #410

Project Cars #410: começando a construir e montar meu Volksrod

Vamos à execução desse projeto!  Acredito que o Project Cars vem da vontade que temos de construir os nossos próprios carros ou modificar algo ali ou aqui que os deixe melhor (ou pior), ficando do nosso “gosto.” E quando alguém elogia o que fizemos nos sentimos verdadeiros artistas ou construtores, mas vamos a execução, e preparem-se para um longo texto com fotos.

Bom, sou advogado, mas filho de engenheiro e trabalhei com meu pai certo tempo, contudo o pouquíssimo que entendo de mecânica de automóveis aprendi levando paulada.

Também não tenho formação em administração, então não programei as etapas do projeto, elas foram acontecendo e se me perguntarem um dia se devemos iniciar pela lataria e depois mecânica e depois parte elétrica e estofaria não saberei responder. Até hoje procuro um cronograma para isso pois se soubesse como organizar melhor eu certamente economizaria tempo e dinheiro. Não sei com vocês, mas tenho surtos de ansiedade quando estou em um projeto.

Há dias que dá tudo certo, dias que dá tudo errado, dias que quero concluir o projeto, dias que quero vender como está, e dias em que acontecem todas essas sensações no mesmo dia. Com tudo no lugar e o veículo nos fundos de um galpão começamos a definir o quão será rebaixado o teto.

 

Rebaixado ao extremo, ficaria ruim de visibilidade, pouco rebaixado então deixava como estava, esse momento teria que ser bem estudado porque não vou mudar depois. Até que depois de sentar dentro (não havia definido os bancos), em um análise definimos a altura do teto como nas fotos, baixo mas não ao extremo, e o suficiente para ter uma visão acima do volante.

Definida a carrozzeria, vamos ao chassi ou plataforma il telaio, desmontamos a carroceria do vermelho para usar as chapas e bora pra revisão básica.

Nesse momento a mistura de “Ross Brawn” e “John Barnard” do mestre torneiro, soldador e alquimista, mudou para um galpão imenso, na cidade de Nova Trento (olha a Itália ai novamente), e me perguntou, já definiu a mecânica afinal devemos definir onde ficará o tanque de combustível e os radiadores enfim tudo mais.

Nos meus planos iniciais, a mecânica a ser instalada seria um motor Ford V8 302, com os radiadores no local do motor do Fusca, e tanque onde ficaria o “chiqueirinho”.

Olhando o chassi, notei que instalar um diferencial ali atrás e alterar a suspensão traseira não seria tarefa fácil, tudo isso sem alterar a numeração do chassi que deve ficar visível para a documentação. Aí meu amigo torneiro Sidnei vulgo “Sidão”, me pergunta: “Tem certeza disso?”

Bom, fui atrás para a compra do motor mas os valores dessa mecânica, ainda que sem o diferencial é altíssimo, e nesses momentos palpites e sugestões surgem de todos os lugares.  E na busca da mecânica Ford V8 302 small block, ouvi de tudo:

— Coloca um de Landau 272, ou 292 que é mais barato!
— Um amigo vende um V8 de Cherokee, baratinho!

Bom, não sou engenheiro mas pela experiência “Maverickistíca”, esses motores para caberem em um Maverick tem que alterar as torres de suspensão, afinal o ângulo em V e diferente, imagina no cofre (porta-malas) de um Fusca. No único projeto que tive conhecimento de um Fusca V8 era de um 302.

Aí chego na oficina de um amigo que estava revisando meu Maverick e, eis um motor Subaru também boxer erguido em uma girafa.

Pensei: “Poxa é esse! Por que não pensei nisso antes?”. Vai pra internet consulta valores, acha um em Curitiba por um valor três vezes menor que um Ford V8-302, olha projetos na internet, teria que comprar uma flange e um kit com cárter com a altura diminuída e o pescador de óleo menor. Era tudo que queria, passei um mês com essa ideia fixa.

Sidão já vendo o tamanho dos radiadores para fazer o suporte dianteiro e já esticando o entre-eixos e colocando a carroceria no chassi que seria utilizado.

Colocaríamos os radiadores na frente, no então “porta-malas”, tudo dando certo, pensando em mangueiras e tudo mais, indo para internet comprar o kit de adaptação, teria também de comprar um módulo para injeção eletrônica.

Mas… meu subconsciente em um noite de insônia me diz: “Tá mas aí não seria um motor central-traseiro e sim um motor traseiro como no Fusca, e aquela ideia de melhor distribuição de peso?” ou “Você vai gastar muito com essa injeção, vai ficar um Fusca com motor japonês que para regular vai precisar de um computador. E a essência oldschool?” ou ainda “E as peças para esse motor no caso de um problema técnico?”

Bom, uns acreditam que isso é o subconsciente, outros que é o anjo da guarda, alguns entendem ser um guia espiritual. Enfim independente de crença, mudança de planos, pensei, poxa poderia ter uma solução para esse problema…

Chego a oficina mecânica onde estava o referido motor de Subaru e vejo, uma gaiola de trilha com um motor AP central-traseiro, sendo que o trem de força e toda sua suspensão eram a parte dianteira de um Gol, colocada na traseira da gaiola que usava plataforma de um Fusca, contudo encurtada. Me arrependo de não ter fotografado.

Sim a suspensão McPherson ali em uma traseira que coisa diferente de se ver. Novas ideias, motor AP, carburador, peças até no mercadinho baratinho, projeto todo VolksWagen, menos dinheiro investido, motor central, a solução para tudo que tinha colocado como problemas.

Fui atrás da mecânica, comprei o motor AP 1.8,  que na minha ideia ficaria instalado atrás do banco dianteiro, comprei a flange, e estava indo atrás de todo o resto, mas por falta de tempo meu torneiro disse:

— Cara, vamos fazer primeiro com o motor AP com flange na caixa do Fusca para colocarmos os radiadores lá na frente e ver como vai ficar, depois mudamos.

Nisso pegamos o Fusca com o túnel já aumentado, já que tinha túnel sobrando das gaiolas que são encurtadas, e definimos o deslocamento da suspensão dianteira, que tinha freios a disco originais.

Já comprei os bancos originais do Fusca 68, e os reformei, e comecei a pensar na instrumentação do danado e um nome legal também.

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Tudo definido fomos a montagem, já era 2014.

As portas tiveram suas colunas cortadas para acompanhar o rebaixado do teto e então resolvi deixá-las ao estilo opala coupê. Tendo a moldura superior dos vidros soldadas junto ao teto, o que deu um belo visual, contudo isso me custou os vidros laterais, não consegui ajeitar isso. Por isso o Volksrod não possui vidros laterais.

Feito isso e definida a janela traseira, fomo colocar a mecânica e….

Com o motor AP no lugar a tampa desenvolvida não fechava, (eu queria fazer um motor traseiro-central, não me ouviram), junta-se isso com a vontade de andar com o carro que apesar de feio com todas as soldas aparecendo, empoeirado, eu queria andar com ele (o ansiedade).

Conversando com o pessoal do meu grupo que adora o visual ratlook veio as seguintes opiniões:

— Não pinta deixa enferrujar e com as soldas aparecendo.

— Faz um volante de corrente.

— Nada de motor ap, fusca tem que ter motor aircooled, senão fica um traveco.

— Nossa nas fotos ele fica feio, pessoalmente ele é mais bonito.

A ansiedade para andar naquilo me deixava maluco, pressa vontade de acabar logo, fui a um encontro de fanáticos por Fuscas na cidade de Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil, e 80% das pessoas que conversei me disseram:

— Não coloque motor AP ou qualquer outro tipo de motor em um Fusca, o VW boxer tem todo o seu charme e você já tem um Maverick para sentir a força, e um motor boxer pode ser preparado mais tarde.

— Motor boxer, você não vai se arrepender!

— Fora as histórias de ter seus ancestrais em um Porsche!

Ok, va bene, a mecânica será original aircooled, pronto, depois mudo ou preparo esse motor, mas pelo menos vou poder andar, com esse carro, que como um pai coruja achava ele lindo. Mecânica definida, vamos concluir outras coisas, poxa fabricar um carro não é fácil.

Tenho certeza que a indústria automobilística é o ramo que mais emprega no mundo, desde o funcionário da linha de montagem, até o lavador de carros, estofador, auto elétrico, borracheiro e ai vai um mundo de setores que prestam serviços para mantermos nossos veículos rodando.

Temos de definir o seguinte, e rápido para poder andar, iluminação, paralamas terá ou não, dianteira como será, parachoques, painel, vai ter pintura, e mais detalhes.

Se faz necessário o uso de paralamas dianteiros pois sem os vidros laterais tudo poderá ser arremessado contra mim, mas no entanto ao entre-eixos aumentou o que faz com que inviabilize o uso dos paralamas originais (nem eu queria mesmo), vamos fazer como os de moto, o negócio é ser funcional. Paralamas traseiros, vamos colocar afinal não queremos problema com a polícia e temos de legalizar o carro. Parachoques eu vi uns da Empi, acho que chamam roll bars, vamos fazer uns com bengalas de moto.

Iluminação, achei na internet faróis de milha com as lentes amarelas vai pra dianteira, piscas das CG anos 80 traseiro, vai pra dianteira. Lanterna traseira de Kombi antiga, ficaria bom nos paralamas traseiros, e um nariz alemão para luz de placa, no capô traseiro, como demora pra chegar tudo isso, depois que a gente compra né. Imagina o quando gastei com solda, e mão de obra, não ia dar o luxo de pedir via Sedex, vai pelo PAC mesmo.

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Feito isso faltou definir o painel, e a barra de direção, e o volante, e os retrovisores, os instrumentos do painel, e o que fazer com o espaço entre a parede corta fogo e o começo da janela traseira (originalmente fica o chiqueirinho e o banco traseiro naquele local).

Não acaba mais a lista de coisas para definir, meu mestre Sidão me diz que gostaria de terminar logo o projeto pois tem algumas gaiolas na fila para construir, e o carro estava ocupando espaço.

La fomos nós, Sidão bolou uma barra de direção com uma cruzeta e pronto conseguimos aumentar o necessário.

No espaço entre a parede corta fogo o começo da janela traseira (originalmente fica o chiqueirinho e o banco traseiro naquele local), colocamos o tanque de gasolina, agora se abastece atrás, era pra ser ali mesmo afinal o motor iria na frente.

E a pintura como ficará?

Bom já alterei tanta coisa, olhei no documento a cor tá lá com o nome de “Grená”. Sabe o time italiano do Torino? Não. Sabe a Juventus da Mooca, então a cor da camisa da Juventus da Mooca, (só pra lembrar sou Palmeirense como um bom ítalo-paulistano).

Que comecem a pintura do Volksrod no tom Grená. Preto fosco seria muito óbvio.

Muitos funileiros/lanterneiros ou latoeiros (depende da região do país), olhava e desistiam do serviço, ou pediam valores altíssimos para não pegar. Como a cidade de Nova Trento é terra de Santa Paulina (primeira santa brasileira, mas que nasceu na Itália), milagres acontecem e um pintor cobrou o preço justo e pediu os materiais para iniciar a obra de arte.

O pintor se empolgou com o projeto, achou maravilhoso já jogou fora o capô dianteiro e pediu para comprar paralamas traseiros que tinha visto jogado em um lugar afinal aqueles possuíam muita massa plástica. E vendo ele preparando e pintando o Volksrod, com o cuidado de um Michelangelo, poxa como é bom achar alguém que gosta do que faz.

Faltou o nome para o carro, Volksrod é o tipo, meu Maverick preto era o gladiador (tinha marcas de luta pela lataria), meu Maverick branco é o Barry White (tem a voz bem grossa), meu Lada Laika verde fosco é o Soviético, todos os meu carros tinham nome.

Bom após muito analisar pensei em Quimera, mas em italiano “Chimera”, o monstro mitológico que tem em seu corpo várias partes de outros animais, achei que combinava.

Aí vem meu amigo do grupo que participo (Facefuky), olha e fala:

— Tá linda a sua aberração.

Não teve jeito: ficou Aberração, pegou igual apelido.

Feita a pintura, os instrumentos de painel defini da seguinte forma:

Velocímentro original agora na posição central com bolha de acrílico (tipo um Mini Cooper), contagiros com a mesma grafia no lugar original do velocímetro; comprei da linha Volks Cronomac, afinal carro antigo de competição não tinha velocímentro o negócio era conta-giros, e os Porsches valorizam isso. Por falar em Porsche, primo do Fusca…

Volante tipo motolita com emblema da porsche no meio que veio de um adesivo de roda.

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Falando em roda, achei um jogo de rodas na internet novos, totalmente fechadas com tala 5,5 e com a furação quatro-furos, com calotas cromadas Porsche, pra combinar com o volante, e os bancos caramelos já que foram reformados.

Pneus coloquei os dianteiros de uma saveiro e os traseiros peguei novos porque gostei das medidas.

Ufa quanta correria, quanta coisa pra escolher.

Tudo montado, e vem mais algo para definir….

Já que mudamos o tanque de lugar como vamos fazer com o mostrador de combustível? Colocamos um elétrico ou da Kombi no painel, mas de que jeito?  Eu quero andar com o carro, porca miseria!

Fizemos na parede que divide o tanque da “cockpit” de forma old school, com um retrovisor no teto para verificar o nível de combustível.  Problema solucionado (nem Da Vinci teria uma ideia melhor)

Maçanetas tipo Empi colocadas internamente que combinam com o volante (por fora não tem pois o modelo vinha com umas maçanetas horríveis que retiramos), forro de porta de couro que é utilizado para fazer sola de sapato. Revisão mecânica realizada para que nada dê errado.  Motor o confiável 1.300 instalado (pra teste tá ótimo), e vamos testar.

Ajusta dali, daqui, de lá, troca caixa de direção (veio uma nova), e como dizem os italianos ecco!

Pronto, até que enfim andei com ele, só que tem de usar óculos, pois estava sem os vidros traseiro e dianteiro, sabe aquela sensação de vento na cara, ou de ser um piloto de caça na primeira guerra mundial, então.

Tira a medida, coloca a borracha original, corta a borracha, vai ao vidraceiro e pronto, temos vidro dianteiro.

Vidro traseiro, abaloado como fazer? Acrílico que sobrou de um amigo, pronto feito.

Tem momentos em que você vê que já gastou tanto que gasta mais um pouco pra terminar logo a coisa toda.

Mas olhando pra essa traseira e essa frente, poxa parece um inseto, vamos ter que mudar alguma coisa aí, mas deixaremos para o próximo post, porque diferentemente do primeiro esse foi gigantesco e as coisas não acabam por aqui.

Traseira, frente mudança de iluminação, iluminação, a glória o reconhecimento, colocação de um novo motor aircooled, passeios.

to be continued

Por Italo D’Anniballe, Project Cars #410

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