Project Cars #420: a história do meu Peugeot 306 Rallye

Felipe Albuquerque de Almeida 8 janeiro, 2017 0
Project Cars #420: a história do meu Peugeot 306 Rallye

Olá, galera! Meu nome é Felipe Albuquerque de Almeida sou Analista de Ti, moro em Lajeado RS e dono do Project Cars #420 o Peugeot 306 Rallye 1999, apelidado carinhosamente de Uataréu. Antes que eu faça uma introdução da história gostaria de explicar esse apelido, durante a minha convivência com esta maconha a frase que eu mais devo ter repetido foi “mas que inferno!” e daí que surgiu a versão abrasileirada da expressão what the hell.

Buenas, depois de ter vendido meu Astra Comfort 2005 lá por volta de 2011 para subsidiar meu casamento, adquiri um Fusca 1300L 77 pra ser o meu daily driver, depois de um ano com ele e sentindo muita saudade de um ar-condicionado e um motor forte eu a minha esposa decidimos agradar nosso pé direito e comprar algum carro na faixa dos 10.000 que se encaixasse nos seguintes pré-requisitos: ter motor 1.6 ou maior, ter ar-condicionado e ser uma boa base para personalização e preparação.

Lembro que na época eu estava procurando por Escort XR3, alguns vw quadrados, Uno 1.6r etc… Nem passava pela cabeça ter um 306, mesmo que na época meu cunhado já tinha um 306 Passion 4 portas, era um carro que não despertava minha atenção. Até que um dia visitei uma revenda para que tinha um Escort a venda e minha esposa viu o nosso 306 Rallye, sim… ela que escolheu o carro que mudou minha vida nestes últimos quatro anos. Eventualmente, ela pegava o carro do meu cunhado e gostava muito do jeito que ele andava, eu nunca havia dirigido o carro dele.

Eu não queria o 306, estava de olho em um XR3 1995 verde, de único dono e com menos de 90.000 km, tinha tudo que eu queria: opcionais, pegada esportiva, mecânica barata, muitas opções de preparação e era nacional. Mas, como não mando em nada fomos no importado, com uma manuteção cara e kilometragem alta.

 

Primeiras impressões

No test drive, levei minha esposa e cunhado, fiz algumas voltas pela cidade e depois peguei a BR-386. Durante o test drive eu não encontrei nenhum problema grave, apenas a embreagem estava patinando, porém, posteriormente a revenda se prontificou a substituí-la.

Agora… se os pontos negativos ou problemas não haviam dado as caras durante o test drive, os positivos pularam na minha gritando ” Olha aqui seu felad#$%, pára de olhar essas nabas e me leva logo”.

O carro freiava, “curvava” e acelerava demais, muito mesmo, o freios deram show  por conta dos disco nas quatro rodas. Tinha uma leve trepidação no pedal do freio, até achei que ele tinha ABS (único opcional desse modelo) mas depois de algumas botinadas ele parou de trepidar.

O motor 1.8 XU7JP4, que também habita o cofre de vários outros carros da Citröen e Peugeot e originalmente rende 112cv, estava redondinho. Dei umas puxadas pra valer, deixei cortar giro etc.. ele parecia que andava muito mais do que as lembranças que eu tinha do meu Astra. Existe uma lenda sobre os motores “bem nascidos”, alguns motores XU7JP4 que claramente entregam muito mais potência do que outros, sinceramente, eu não sei se isso é verdade mas com o tempo eu fui “verificando” que, o meu andava muito mais que alguns carros mais forte e que outros 306.

Quanto à suspensão, parecia estar tudo em ordem, até o momento eu achava que fazia curvas rápidas então quando fiz o test drive não cheguei nem perto da capacidade do carro, muito menos de acionar o o eixo traseiro autodirecional, o famigerado CATT.

No exterior haviam vários detalhes que entregaram que o carro havia sofrido um acidente. Frisos, mini-frente, para-choques e faróis estavam um pouca desalinhados, o capo tinha outra cor perto dos pontos onde ele é fixado nas dobradiças, pelo lado de dentro do parachoque havia uma terceira cor e em um dos paralamas outra… parabrisa não era original e a pintura parecia ser nova. Mas como era um carro velho e bem rodado, não estava esperando que ele fosse virgem.

O interior estava perfeito, bancos em couro com apoios laterais bem grandes e ajuste lombar. O volante não era original, era de 4 raios do modelo Passion, mas como já sabia que o carro havia sofrido uma colisão frontal, o 306 Rallye vem equipado com airbags, eu entendi o motivo da troca. A posição de dirigir do carro era muito boa, até hoje eu tenho uma sensação de que ele foi feito sob medida quando sento ao volante. Pra ele ser perfeito só faltava o teto que só saiu nas versões GTI-6 do 306.

Fizemos um financiamento, encaixamos no orçamento apertado que estava sofrendo com os gastos do casamento e da construção da nossa casa e saímos da revenda com o 306.

 

O silêncio que precede o esporro

Compramos o carro no dia 20/12/2012 e exatamente um mês depois, em uma bela manhã de sol (leia como Joseph Climber), um acidente ceifa o Peugeot das estradas.

Estava voltando de Porto Alegre pela BR-386 quando um motoqueiro que vinha em uma via de acesso tenta cruzar as duas pistas para entrar em uma rotatória, acertei ele com o canto do carro. Felizmente não aconteceu nada com ele, acho que o cara era segurança patrimonial, e usava aquelas roupas como se trabalhasse na SWAT, com cotoveleiras, caneleiras, colete etc…

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Os danos foram muito maiores do que aparentam

O carro foi para o pátio e o cara para o hospital, ganhei uma carona de Megane da Federal. Até rimou. Mesmo não tendo culpa de nada pelo discurso que o motoqueiro dava enquanto estava deitado no chão aguardando a ambulância, sabia que ia me incomodar. Dito e feito. Alguns dias depois fui intimado a me defender, uma novela, mas, felizmente, o juíz já estava vacinado contra esse tipo de gente e o cara perdeu a causa, eu nunca consegui cobrar nada dele porque ele não tinha grana.

Depois de uns dias fui buscar o carro que ficou retido, trouxe ele direto para a casa da minha vó, enquanto isso tentava decidir o que fazer com o ele.

 

Saudades do Escort

Quando comecei a fazer orçamento parecia um filme do Pânico, só facada. A maioria dos orçamentos ficava entre 6 e 8 mil entre peças e repintura da frente, deu saudades daquele Escort.

Capo, mini-frente, bigodes (aqueles frisos que ficam abaixo dos faróis), emblema, parachoque, grade do parachoque, dois milhas (quebraram os três suportes), dois faróis (quebraram os três suportes), radiador, condensador do ar-condicionado, compressor do ar-condicionado, dois eletroventiladores e por aí vai… Todas as peças seriam usadas, segundo os orçamentistas. O conserto com peças originais seria inviável, parte pelo valor e outra pela dificuldade em adquiri-las.

Após pagar a primeira parcela do carro, não tinha 1 real na carteira e o crédito todo comprometido no casamento e na casa, então deixei o veículo na garagem da minha avó por 16 meses e continuei usando o Fuca como daily.

 

Let’s Rock

Fui guardando dinheiro com o passar dos meses, esqueci que tinha esse carro por várias vezes, em um ou outro almoço de família a gente se encontrava novamente.

Quando consegui juntar metade do valor dos orçamentos, comecei a correr atrás das chapeações novamente. Refiz os orçamentos: peças usadas, repintura parcial, e valores exorbitantes.

Na mesma época, meu cunhado me deu um folheto de uma empresa que locava a infraestrutura das chapeações pra dar cursos de repintura automotiva, o valor do curso era por volta de R$ 1.000,00 e as ementas eram bem interessantes, a chapeação onde o curso seria minsitrado tinha uma infraestrutura muito boa. Então eu pensei “cara… tu vai entregar 8 mil na mão das tapiação pra eles fazerem um serviço pela metade. Compra as peças, compra as ferramentas e faz tu mesmo!” acho que nesse dia atingi meu ápice de ingenuidade e apertei o “botão do foda-se”, parti para o do it yourself.

Matrícula feita, começamos o curso, ele era bem prático sem muita enrolação. Durante as atividades práticas as dúvidas mais técnicas eram esclarecidas, o ambiente de uma chapeação de grande porte (para o padrão da minha cidade) e o ferramental profissional ajudaram bastante no aprendizado. Com o passar das aulas, algumas noções chave para uma boa repintura eram repassadas, limpeza e capricho na preparação da pintura são mais importantes que a pintura propriamente dita. Foi uma experiência muito interessante e para quem está querendo começar na área, com certeza deve procurar algum curso deste tipo

Pistola Iwata Anest WS 400, desenhada pelo estúdio Pininfarina na época custava R$3.000

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Tudo pronto na teoria, agora era hora de botar a mão na massa! Mas isso é história para o próximo capítulo. Até lá!

Por Felipe Albuquerque de Almeida, Project Cars #420

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