Project Cars #433: começa a restauração do meu Chevette País Tropical

Gutto Morais 14 maio, 2017 0
Project Cars #433: começa a restauração do meu Chevette País Tropical

Continuando com a segunda parte deste PC. Os trabalhos começaram já nos dias posteriores da chegada do País Tropical 1976 bege copacabana a Serra Gaúcha. Só pra relembrar, eu rodei com ele por 400 km em uma tarde quente de novembro sem nenhum problema a não ser o ponteiro da temperatura marcando superaquecimento (era só problema no marcador) e mesmo estando com pneus diagonais velhos e recapados deu tudo certo. Enfim, a primeira coisa a se fazer foi levar até o meu mecânico de confiança no dia seguinte para fazer o básico do básico.

Troca de óleo e filtros, limpeza e revisão no carburador, verificação dos níveis. Depois de lá foi direto pra auto-eletrica pra dar uma revisada geral na fiação, colocar a antena que não tinha e um rádio provisório. Ja na saída de lá fiquei “empenhado”. Queimou o condensador do platinado e o carro começou a falhar e dar estouros. Toquei o condensador e o platinado e bola pra frente. Entre mecânica e elétrica nesta primeira fase foram R$ 480.

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Depois disso era hora de fazer martelinho de ouro. O Chevette tinha pego uma chuva de pedra e também tinha uns amassadinhos nas laterais. Depois de alguns orçamentos foi fechado em 1 mil, isso mesmo (hum mil reais) pra tirar todos ovinhos e amassados. O Chevette ficou lá parado 1 mês até que terminassem o serviço que era feito aos poucos pois não coloquei pressa. Terminado este trabalho, era hora de mandar restaurar as rodas e trocar os pneus.

As rodas foram jateadas até ficar só no ferro e depois as bordas foram esmirilhadas e endireitadas, em seguida aplicado o fundo e pintura envernizada na cor original “GM – Laranja bronze 76”, mesma cor das faixas duplas que circulam o carro. O serviço foi de primeira e custou 650 reais para as cinco rodas incluindo o material. Somados a isso quatro pneus novos no valor de R$ 1.120 nas medidas 175/70. A cereja do bolo foram os copinhos centrais originais e novinhos que custaram 120 reais no Mercado Livre. Acredite, começou ali a primeira mudança radical no visual do Tropical 76. Total em rodas e pneus: R$ 1.890,00.

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A esta altura já começava a adquirir sua forma original mas ainda faltava muita, mas muita coisa mesmo. Incluindo principalmente o interior. Boa parte dele ainda era original de fábrica, incluindo o carpete, a forração do teto, a forração posterior dos bancos e os cintos de segurança. O que não estava mais originais eram as capas dos bancos. O tecido e as costuras não estavam no padrão original e ainda por cima estavam encardidos. O interior foi desmontado, lavado pra tirar aquela sujeira toda acumalada em anos de uso debaixo do carpete.

Além do mais eu raspei alguns pontos de ferrugem superficiais, isolei com TF-7 (anti ferrugem) e pintei. Eliminando assim praticamente toda a corrosão superficial do assoalho interno. O carpete original estava gasto mas o meu estofador sugeriu mantê-lo para não perder a originalidade. Assim apenas foi lavado. Este serviço todo deu vida nova a uma parte do interior melhorando significamente seu visual e elminando a sugeira acumulada em anos. Este serviço custou R$ 800.

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Por falar em sujeira, quando ficou pronto na estofaria, levei direto para uma lavagem ou “lavação” como os catarinas chamam especializada em remover as sujeiras mais difíceis. Jato de água quente em altíssima pressão e produtos químicos bem fortes pra desmanchar resíduos de graxa, restos de tinta e emborrachamento velhos do assoalho e do motor.

Era hora de por fim a toda aquela “crosta” acumulada de décadas. Enfim o carro estaria limpo por dentro e por fora. O jato vai a fundo removendo terra e areia de orifícios e frestas, e saiu bastante. Ele estava ficando até mais leve! Aliás, mais leve ele também ficaria na próxima etapa, o polimento. No próximo parágrafo eu explico o motivo.

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Este Chevette como vocês puderam ver na foto de 2009, tinha alguns podrinhos na parte inferior e caixas de roda. E também na parte traseira. Isso signica que ele foi reparado e as laterais foram repintadas. A pintura do teto e do capô dianteiro é original de fábrica, só foi feito um retoque no bico do capô dianteiro. Já a pintura das laterais e traseiras foram refeitas(e mal feitas). A tinta estava grossa e “arrepiada”, pra quem não entendeu, sabe quando te dá aquele arrepio de frio e você fica com a pele dos braços embolotada? É mais ou menos isso, estava áspera.

A pintura das faixas ainda é a original de fábrica, os caras isolaram as faixas com fita e pintaram. A parte bege ficou em alto relevo em relação as faixas marrons quando deveria ser o contrário e tambem fez com que as faixas ficassem com lugares mais apagados dando aspecto de “tortas”. Mas enfim, mandei no melhor polidor da cidade, que ja faz serviço pra mim a 12 anos.

Ele reclamou comigo que quase se arrebentou pra lixar as laterais do Chevette, removeu muita tinta. O chão da oficina ficou bege de tanto resíduo de tinta que saiu. Depois disso, polimento e espelhamento. Quando fui buscar o Chevette, meus olhos brilharam, literalmente. Era outro carro, não parecia mais o mesmo. Neste serviço foram 500 paus, mas valeu a pena, o resultado foi até melhor do que eu esperava.

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Neste ponto eu ja havia gasto mais de R$ 4.000 entre mão-de-obra, peças e material. Fora o desgaste, o combustível, o tempo de espera sem o carro. Mas o trabalho ainda estava longe de terminar. Comecei a rodar com ele no dia-a-dia e os problemas mais sérios começaram a aparecer. O motor começou a fumar, os retentores de válvula de tão velhos, foram pro espaço, quando ligava fazia uma fumaceira.

A suspensão começou a bater, minha cidade ainda tem muitas ruas com calçamento de pedras irregulares(paralelepípedos) e pivôs e buxas se entregaram de vez, afinal estava tudo velho, ressecado. Lembrando que agora o Chevette estava rodando com um jovem de apenas 35 anos e com fome de acelerar. Era hora drástica. O desmonte geral da mecânica.

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O Chevette voltou pra oficina, desta vez pra ir a fundo na mecânica. Freios dianteiros e traseiros foram desmontados, diferencial e caixa de câmbio foram abertos, suspensão desmontada e infelizmente o resultado deste “raio-x” não foi dos melhores. Os discos estavam corroídos, não pegava mais passe, as pinças de freio condenadas pois os reparos estavam velhos e tinha um pistão trancado. Como dá muito trabalho reformar as pinças, eu precisei comprar peças novas, ou melhor, recondicionadas.

A embreagem também estava gasta, precisava trocar todo o conjunto. Suspensão então nem se fala, pivôs, bieletas e terminais ja eram, a unica coisa que se salvava eram os amortecedores que são originais de fábrica. Acreditam? Nem eu acreditei mas sim, meu mecânico disse que fazia décadas que não via um Chevette Tubarão com amortecedores de fábrica. Estavam meio duros mas sem vazamentos, mantive. A título de curiosidade. Os dianteiros são azuis e os traseiros são vermelhos. Diferencial e caixa de câmbio ok. Só trocar os reparos e juntas e óleo novo. Neste trabalho de suspensão, freios e embreagem foram R$ 1.700.

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Agora vamos ao motor. Ele foi retirado do cofre e o cabeçote mandado pra retífica refazer sedes e guias, foi colocado válvulas novas, troca dos retentores de válvula, limpeza do motor, troca da bomba d’água, troca das juntas e selos do bloco e pintura (GM azul imperial 73). Neste trabalho foram R$ 1.500. Na hora de pagar a conta, aquele susto.

Somando tudo, R$ 3.200. Pra quem é rico e acostumado a carros importados, isso é o preço de uma revisão básica, mas pra um pobre como eu, isso é uma facada no estômago. Quase saí da oficina de maca. Vocês também ja passaram pela situação de suar frio e ter ataques de ansiedade e ansia de vômito quando chega o dia de ir na oficina buscar o carro depois de ter sido feito um monte de coisas sem orçamento prévio? Mas o Chevette… ah o Chevette já não era mais o mesmo.

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Saiu rodando macio e silencioso, mecânica toda revisada, elétrica revisada, interior recuperado (em partes), pneus novos, lataria brilhante. Foi só levar pra fazer alinhamento e geometria e finalmente partir pra próxima etapa. Pegar a estrada, encontros de carros antigos, encontrar alguns acessórios que faltavam e a almejada placa preta. Mas isto eu mostro na próxima postagem.

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Por Gutto Morais, Project Cars #433

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