Project Cars #451: a saga da restauração do meu Audi 80 V6 continua

Vinicius de Boni 1 janeiro, 2018 0
Project Cars #451: a saga da restauração do meu Audi 80 V6 continua

Donos de lasanhas e adoradores de nabas automotivas, alegrai-vos.  Estou em dias conturbados, tanto pela proximidade pelo final do ano, quanto pela miss-chucrute que  permanece teimando em não querer funcionar.

Considero-me um abençoado, apesar de 1,5 tonelada de puro aço germânico consumindo reservas, limites e paciência que não me sobra muito, continuo obstinado a rodar diariamente com ela, obedecendo ao plano inicial. Louco? Só um pouco.

Fazendo um breve resumo aos que certamente não terão paciência para ler as primeiras partes do projeto, comprei um Audi 80, cujo antigo dono omitiu inúmeros detalhes graves de falta de cuidado, deixando o mutombo do whatsapp fazer a festa. Caixa, elétrica em geral e outras coisas tornaram a experiência de comprar um importado barato em algo traumático.

Vamos aos fatos.

Chegou então o dia 06/03. Quem lembra, sabe que esta é a data que meu amigo e master doutor em caixas automáticas, Elsio, marcou para começar os trabalhos na caixa automática do carro. Cheguei em terceira marcha na oficina, cedo pela manhã, para que no ultimo gás de esperança que tinha, realmente pudesse ser algo não grave, o que já era visível que não.

Lembro nitidamente da conversa, e graças a tecnologia, tenho ela salva, onde o antigo proprietário afirmava que na cidade dele não tinha gente capacitada pra mexer no carro, e que precisaria limpar o corpo de válvulas e reprogramar a caixa para fazer entrar o Drive. Pois então senhores, burro fui eu, que não liguei o semancol no dia sinalizando a desistência do negócio. Obviamente seria treta, obviamente o mineiro estava querendo se livrar da samambaia.

Conversei bastante com o dono da oficina e com o filho dele, o Douglas, gente finíssima também, outro apaixonado por carros antigos e diferenciados. Ficaram de dar um diagnóstico assim que possível, mas tudo levava a crer que seria a retífica completa da caixa. Sai dali a pé, puto da cara, e pedi uma gentileza para a sogra, para ceder um carro que eu pudesse me locomover e trabalhar. Vamos de GM Prisma, vulgo pé-de-pano. Por quê? Um Prisma básico, branco, onde a maior tecnologia é o rádio CD player Aiwa! Esse sim não iria me incomodar. Aqui, cabe fazer uma observação totalmente pertinente ao assunto.

Nosso daily emprestado. Salve a sogra.. (2) Nosso daily emprestado. Salve a sogra.. (3)

Se você, entusiasta, louco ou desmiolado como eu, e que está cogitando a idéia de comprar qualquer carro que demande tempo parado, aqui é o momento de recobrar a consciência. Pense racionalmente, antes de torrar todo seu dinheiro.

— Tenho condição de jogar o carro numa oficina ou na garagem de casa, sem pressa, sem previsão ou sem necessidade de rodar com ele, para ir fazendo aos poucos e principalmente, ir pagando aos poucos – lembrando daquele cálculo do 50/50 ( 50% do meu orçamento para aquisição, 50% do meu orçamento para manutenção)?

— Se dependo um pouco do carro, como farei para driblar o problema da parada dele, ou o pior cenário, dependo muito do carro para trabalhar e preciso de um substituto imediato?

— Se eu dependo do carro para trabalhar, e preciso de um substituto, qual o tamanho do custo que terei, quais os impedimentos e qual a verba que precisarei destinar a isso, seja assumindo a manutenção do período do uso de um carro emprestado, seja alugando um carro, ou quem sabe, mudando de emprego, se não conseguir nenhuma das alternativas?

Nessa hora aqui é mais que importante ter um plano de contingência. Eu, não tinha nada planejado, minha idéia era sentar a bunda no carro depois de uma revisão básica e botar pra rodar. Ao saber que meu carro não prestaria para rodar de imediato, tive uma semana de pavor e muito menos imaginava que pelos próximos nove meses, dependeria de um carro emprestado para isso, dependendo da boa vontade de terceiros.

Pensem no problema que arrumei: nove meses com o carro parado, um rombo financeiro sendo contabilizado todo mês, rapidinho tudo isso vira uma bola de neve. No meu caso, contei com a compreensão da família e da empresa. Mas isso é 1% num universo, a maioria das vezes você não terá isso, e é nesse momento que baterá o desespero, de desistir, vender do jeito que está ou simplesmente parar com tudo. A conta financeira não irá fechar, não adianta, sempre terá um passivo maior que o ativo na contabilidade. Então, como cabeça não foi feita só para usar boné, pense com calma, execute o projeto calmamente se for possível, pratique o despego da perfeição de imediato e siga o plano, para tornar menos traumática a experiência do (nem) tão desejado resto de rico.

Consegui um carro para andar, e toquei minha vida. A previsão que eu tinha, era até o final da semana um retorno. Sábado, 11/03 às nove da manhã, vou tomar um chimarrão com o seu Elsio, para ver como estavam os trabalhos. E aí que a constatação do pior veio. Depois de testes, desmonte, limpeza do corpo de válvulas, reprogramação do módulo, só restava abrir a caixa, já que ela não tinha pressão no sistema para acoplar o D, demonstrando problema nos pistões e anéis de vedação.  Na próxima semana iria começar o desmonte da caixa. Eu, nessa hora pensei em desmanchar o carro, vender em peças.

O valor que eu paguei no carro, era quase o valor do conserto. Paguei caro por ser um carro bichado, do A ao Z, a conta dali em diante nunca mais fecharia. Agradeci a notícia, pedi para fazer um inventário do que seria preciso, e ter uma noção de orçamento. Em 15 ou 20 dias ele estaria fechando um pedido de peças, e poderia incluir as minhas no mesmo pedido, já que seriam em média 30 ou 40 dias para a chegada das peças, no máximo. Façam as contas, do dia 06/03 mais 60 dias para chegada de peças, e mais uns 10 dias entre montagem e testes. 70 dias, pra botar a lasanha a rodar, ou seja, ali por junho, teria novamente meu carro. Não achei absurdo, já que eu estava liso feito um coco, e precisaria me capitalizar para pagar. Poderia ser mais rápido, sim, poderia, mas eu estaria mais quebrado que arroz de cachorro e devendo até minha espinha.

Ao final daquela semana, recebi o orçamento e a certeza daquilo que eu não queria ter. Minha caixa havia sido aberta anteriormente, quem abriu viu que estava condenada, e fechou de volta, para nitidamente estourar na mão do próximo.  E não se aproveitava nada mais dela, discos, cintas, anéis, nada. Um dos pistões estava quebrado, e a folga interna dela não era folga,eram férias. Conversor de torque ia pra retífica, bomba de óleo nova, kit máster completo alemão, e assim a conta do custo de arrumar a Audi, fechava bem perto do valor que paguei no carro, R$ 9.800, entre consertos de elétrica e ar-condicionado e agora a caixa automática. O que fazer? Simples, ou desmancha, pra ganhar uns R$ 4.000 ou R$ 5.000, arruma de qualquer jeito   passa pra frente (o que não era opção, já que eu tinha sido logrado por alguém que pensou dessa mesma forma) ou assumo a paternidade e encaro um restauro forçado. Pois então, estamos lendo esse PC#451 por que mesmo? Sim, eu encarei o restauro, num desatino que até hoje quase ninguém compreende.

Enquanto os meses passavam, ia procurando peças para o carro, gastando o que eu não tinha, e sendo motivo de piada da turma de amigos. Sim, até o Google me pegou andando a pé, e virou motivo de piada. Estava eu voltando a pé num sábado da oficina, onde tinha ido ver como andavam os trabalhos, e aquela porcaria do carrinho do Google Maps tirou uma foto minha caminhando. Pra virar meme de dono de Audi, foi rapidinho. Outra piadinha foi no dia dos namorados, onde quem aparece naqueles “ memes” da internet? Sim, o Audi 80.

E assim seguimos até o final de julho, lentamente, pagando conforme eu podia a oficina, e contornado as dificuldades. Neste período, encomendei uma infinidade de peças da Europa, que fui informado que precisaria substituir, de suspensão e motor. Mandei vir um kit de correia Continental, por ¼ do preço que se paga aqui no BR. Mesma coisa as peças da suspensão, aqui se paga por peças de baixa qualidade o valor de peças de primeira linha na Europa.

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Mandei vir as buchas do agregado, bieletas, buchas da estabilizadora (usa-se duas, comprei quatro) calços da caixa, (que estavam adaptados da pior forma possível, usando calços de Passat alemão que são mais baixos e precisam de serviço de torno pra encaixar, ficando uma M$%^@) pivôs de suspensão, velas, cabos, sensores, tudo novo, zero, por nem metade do que custaria aqui. Calculei que as mesmas peças aqui no Brasil, e de marcas paralelas, sairiam em torno de R$ 3.500, gastei R$ 1.080 em tudo, direto da Europa pelo meu amigo Felipe Barbosa Soares.

Aqui cabe um conselho: ao adotar qualquer carro importado, pense bem antes de escolher. Se fores adotar algum modelo europeu, pesquise bastante para saber se o modelo foi vendido em mercados de grande giro, seja Europa ou USA. O Audi 80 tem um problema sério de peças nos USA, perguntei para alguns amigos que moram lá, e são raras lasanhas, cujo codinome é Audi 90, mas na Europa esses carros viraram uma infestação nos anos 80/90. Lembre disso. Não adianta adotar aquele modelo bacana, diferentão, se não puder encontrar peças para ela em lugar algum. Audi / MB/ BMW década de 90, possuem uma relativa facilidade de compra de peças na Europa, principalmente modelos de entrada como Audi 80/100, MB série 190 ou classe C, e BMW série 3. Inegável a facilidade e a diferença de custo ao optar por trazer do velho continente as peças. Se já deu o passo de encarar um europeu não-antigo-não-semi-novo-limbo-anos-90, encare o desafio de deixar o ML de lado e trazer as peças de fora. Vai por mim, é menos traumático e abrevia teu sofrimento em 40%. O que é um peidinho para quem já encheu as fraldas, né?

Montando o agregado com peças OEM. Nao tem preço..hehe

Em julho, finalmente, a caixa dela estava pronta. Sucesso? Não. Tínhamos um belo problema. Os calços do motor estavam adaptados de outro carro, e já tinham arrebentado, onde o ex-dono ou o orelha-seca do mecânico dele, simplesmente furaram o calço adaptado, colaram  um prisioneiro com cola de pára-brisa e montaram, de qualquer jeito, como as fotos que mandei no anexo mostram. E os calços da caixa estavam destruídos, o que eu já havia sido informado quando baixaram a danada.

Testou-se a primeira partida do carro com o cambio novo, e o motor simplesmente cabeceava o capô do carro, as mangueiras e a caixa seguravam o conjunto. Missão-tarefa gincana: Encontre calços originais Audi 80. Não vale ligar na concessionária, já que cada um custa R$ 5.700 e leva 45 dias para chegar mediante pagamento antecipado. Ah, eles fazem em até 3x no cartão. Gentil né? Fui atrás de soluções. Use furo passante, monte calço de Audi A4, arranca fora e monta de Chevette, enfim, cada um tinha uma teoria. Num momento, comprei os calços do Audi A6 até 1994. Para minha surpresa, são aparentemente parecidos, porém, totalmente diferentes na montagem.

Devolvi-os no ferrinho que sou cliente e parti para a luta. O que fazer? Garimpei de norte a sul, e algumas dúzias de dias depois da missão dada, acabei encontrando  um par de calços, originais VAG, porém remanufaturados, pela indicação da indicação do conhecido de um amigo do clube de Alfa Romeo em SP. Pra quem ta no deserto, qualquer oásis é miragem, entrei em contato com o Sr. Adelples, proprietário da Só Suspensão, especialista em remanufatura e montagem de peças especiais,  gente fina, que me sugeriu fechar a compra pelo ML, já que eu precisava pagar no cartão.

Negócio fechado, aproveitei para mandar os coxins antigos, que estavam arrebentados, para ele recondicionar, assim que recebesse os novos. Teria um par de coxins sobressalentes.  Pedido despachado, via PAC, mas eu não contava com a ineficiência dos correios. Ah, neste meio tempo, Audi parada na oficina. Não custa lembrar né, 15 dias a procura de calços. Ok, sou chato com algumas coisas, poderia ter resolvido de qualquer jeito, mas meu mecânico também ia pirar comigo, já que ele também é bem parecido, ia se negar a montar de qualquer jeito, o que é o correto mesmo.

No dia marcado para chegada das peças, um sábado, recebo a notícia que os Correios não iriam entregar, pois classificaram a mercadoria como “danificada/avariada”. Alguém me explique como um par de calços do tamanho de uma marreta iria avariar? Pensei que tivessem extraviado, mas também me perguntei como perder um par de peças daquele tamanho. Bom, sábado eu não conseguiria mais resolver, ficaria para segunda-feira. Informei o Adelples, que prontamente me informou que bem provável que tivessem extraviado, e pediu que informasse ao ML.

Fiz o trâmite, e fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Como resolver? Pra começo de conversa, meus calços estavam no lugar, precisaria capar fora eles, mandar para SP, aguardar conserto, aguardar retorno, pra depois montar. Pois bem, calculei seus 20 dias nessa etapa. Passei  mais um final de semana bêbado, puto da cara com uma jaca que conseguia empatar meu jogo em um mísero jogo de calços de motor. Segunda-feira tive a iluminada idéia de ir aos correios entender por que diabos recusaram a minha entrega. Qual a minha surpresa ao chegar lá, e informarem que não entregaram por que haviam manchas de óleo na embalagem externa,  imaginaram que por este motivo, o material estivesse avariado. Vou lá explicar que são peças automotivas, que podem ter vazado óleo ou desmoldante, e que estava tudo OK, podem me entregar do jeito que está.

Assinei uma meia dúzia de papéis declarando que eu me responsabilizava, e finalmente, consegui levar pra oficina o tal par – de – coxim – novela – mexicana.  Vamos montar, e botar pra funcionar então. Não tão fácil assim, não tão prático assim. A donzela simplesmente deixou de funcionar. Do nada. Simples assim.  E assim ficamos por mais duas semanas, chegando na metade do mês de outubro, para ser mais preciso. Entre tentativas na oficina do Elsio, que já estava sendo demasiado paciente com a situação, se oferecendo a testar e ajudar a resolver uma pane até então inexistente, onde trocamos todos os sensores, sim, todos, exatamente aqueles que eu havia encomendado um par de cada, diretamente da Europa, e ela permanecia teimando em ligar.

Optamos por mandar o carro para a Flesch Car novamente, já que viramos o Audi do avesso, e não encontrávamos a origem do problema, e mais uma vez os únicos que toparam encarar a bronca, foram eles. Até neste ponto, eu contabilizava assustadores R$ 10.000 de custo em um carro de R$ 9.800. E ainda não tinha andado.

Neste momento, se arrependimento matasse, eu estaria podre, enterrado debaixo de sete palmos de terra. Não me refiro somente ao custo, mas novamente ao psicológico. Nada dá tanto ódio ao saber que compraste um carro maquiado, pronto para estourar tudo aquilo que é caro e demorado de arrumar. O ruim, mesmo, é a infinidade de explicação que terás dado até esse momento, quase oito meses de “preciso de peças”, “não funcionou ainda”, “ta na oficina, tive que fazer a caixa mas encontrei outros problemas”, “pensei em desmanchar, mas sei lá, não vale a pena”, “encomendei mais um lote de peças pra montar no carro”, “não! Ainda não tá pronto, não consegui andar” e por aí vão outras situações cansativas que irá passar.

Eu volto a frisar, não que eu queira que minha experiência seja um desestimulante, mas sim um alerta, uma demonstração de como um pequeno desejo pode se tornar um pesadelo digno do filme IT. Não que o carro seja ruim, que a oficina seja complicada ou que a manutenção seja cara. Nada disso, o carro é de cinema, ele cativa e apaixona, a manutenção é de certa forma, fácil, com conhecimento e paciência, tudo tem solução, e ele será caro somente se optar por uma bomba relógio como esta que fui agraciado. E o mais importante, ter a compreensão de amigos, família (em especial, agradeço por ter uma sogra que é quase uma mãe, largando a chave do carro dela para que eu mantivesse meu roteiro de visitas, trabalho e dia-a-dia em ordem e sem prejuízo financeiro, agradeço também pela esposa compreensiva, que ouviu meus lamentos, não deixando que eu desistisse e pelos chefes que também deram a força necessária para que eu não engrossasse a fila do FGTS). Acredito que o mais importante, mesmo, é ter os caminhos e apoio, já que a estrada é longa.

E então, pela primeira vez em terras gaúchas, o Audi andou. De guincho. A oficina só podia pegar o carro na segunda quinzena de outubro. No dia 24/10, embarquei-a para mais uma estadia em oficina, e mais uma vez ouço a frase:

— Sim, quando estiver pronto entraremos em contato. Não tem previsão exata, tem que primeiro ter o diagnóstico, para depois poder lhe avisar quanto tempo para arrumar. Avisei que devido ao fato da caixa estar recém montada, precisaria de teste, e como não havia funcionado mais, precisaria da partida para poder se completar óleo e verificar por falhas. Logo, não poderia sair dali rodando também. Passamos assim, mais alguns dias sem saber qual o problema da minha samambaia. Ali pelo dia 06/11, fui agraciado, ou não, com a ligação da oficina, informando que a conta estava fechada e que o carro estava quase pronto. Enfim, funcionando. Qual o problema? Uma linha do módulo queimada por alguma sobrecarga de tensão e outra trilha queimada devido a um “jump” na central que foi feito para mascarar o problema da caixa e outros erros de funcionamentos do motor. Defeito resolvido, só com dois poréns: perdi o controlador de velocidade nessa obra, o que, não me faz falta alguma, e um dos bicos injetores entrou em curto e queimou, deixando um V6 virar um V5, capengo e trepidante.

Ok, de todos os males, estes são os menores, menor só não foi a conta do eletricista.  Vamos novamente para a Sinos Caixas, atormentar o seu Elsio mais uma vez, para talvez chegar aos finalmentes. Naquela semana, me liberaram temporariamente a donzela, exatamente no dia 20/11, para ir corrigir a falha do injetor, já que não tinha como calibrar a caixa com um cilindro a menos. Foi liberada com ressalvas, deveria retornar o quanto antes, para ativar o kickdown e dar os ajustes finais, além de conferir nível de óleo após rodar uns kms. Na mesma hora, saí a garimpar um injetor, nos ferrinhos da vida. Encontrei dois, um com numeração próxima do meu, com final A, mas de Audi quatro cilindros, e um aparentemente igual, com numeração compatível ao motor 2.8 V6 (ué, não é tudo quase igual? Não, meu caro Watson), mas ao montar na flauta, era um pentelhésimo menor.

Saindo da oficina, em 2711 (3)

Verificamos a vazão do bico do modelo quatro-cilindros, que era pouca coisa maior que os bicos que estão montados no meu, e larguei um “azar”, montamos do mesmo jeito, aproveitei e coloquei 2 STP Injector Cleaner no tanque pra ajudar. Para minha surpresa, a lenta emparelhou, o motor ficou sereno novamente e a lenta estabilizou nos 900 rpm, me surpreendendo positivamente pela primeira vez, depois de oito meses e alguns dias.

Voltamos então, a Sinos Caixas naquela mesma semana, para os ajustes finais. Pela primeira vez, vi uma luz no final do túnel, e não era o caminhão descendo a lomba sem freio, pelo menos. E aí, dia 27/11, consegui, finalmente, levar ela embora para casa. Posso dizer que a primeira esticada que dei na faixa, ao som de She Sells Sanctuary, com aquele V6 afinando de uma forma inenarrável, deixou bem claro que o esforço em conjunto de todos envolvidos, valeu à pena. Naquelas semanas seguintes curti bastante o carro, até lembrar que precisava retornar mais uma vez a oficina, para ajustes que ficaram combinados de serem feitos aos primeiros kms rodados, resolver uns trancos na troca de marcha, que foi uma nova novela, dar entrada ao processo de transferência dela que será mais um belo capítulo dispendioso, já que também o antigo proprietário se fez de desentendido e deixou uma pilha de débitos a pagar.

Posso antecipar que os próximos capítulos não são tão sofrenildos, mas vai custar tempo e per$everança, já que ainda não está emplacada, a estética dela está sofrível, pintura áspera e com pára-choques mal presos, faróis presos com parafusos soberbos e os grampos quebrados nas bases, rolamentos roncando, suspensão 50% pronta, tenho detalhes de tapeçaria a resolver, e uma teimosia dela em superaquecer, que devo resolver primeiro do que essas outras coisas. Aos amigos e leitores (as) deixo uma palhinha de como ela está hoje, em 24/12, devidamente calçada nas Cup, e com o Badge do FlatOut ostentando os vidros do vigia traseiros.

Atual (1) Atual (2)

Neste ano novo que não nos falte alegria, paz, sucesso e dinheiro neste próximo ano que se aproxima. Um sincero agradecimento a todos da equipe Flatout, e aos amigos e parceiros de jornada das oficinas citadas nesta empreitada de um restauro forçado. Valeu a todos!

Por Vinicius de Boni, Project Cars #451

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