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Project Cars Project Cars #471

Project Cars #471: a história do meu BMW 325i Cabriolet E36

Olá, flatouters! É uma honra estar aqui com vocês, dividindo a história do Project Cars #471. Há algumas semanas o FlatOut perguntou a todos nós qual carro foi responsável por iniciar nossa paixão automotiva. Fiquei pensando a respeito e cheguei à conclusão de que nenhum carro específico foi responsável por isso. Desde que me conheço como gente, sou doente por automóveis. Acompanho todos os dias essa Meca gearhead brasileira em que lhes escrevo.

Praticamente todos os homens da minha família são apaixonados por automóveis; comigo não poderia ser diferente, não é mesmo?

Minha infância foi regada a modelos bem interessantes, como os Puma GTB do meu avô materno, o Gol GTS turbo do meu tio e alguns carros do meu pai, como um XR3 amarelo conversível, um XR3 93 vermelho e o mais marcante de todos eles, um Mustang GT 1995 preto. Senhores, eu já amava carros, mas aquele foi uma flechada no peito! Às vezes eu e meu pai descíamos na garagem para dar uma olhadinha e bater na partida. Me dava as chaves e mandava eu acordar o V8 de 5 litros. Lembro do aviso dos cintos desafivelados ao colocar a chave no contato, o barulho da bomba de combustível atuando e em seguida aquela mistura de barulhos que todos nós amamos (exceto Elon Musk), acompanhado de tremedeira e emoção de um piá de 7 anos de idade.

Acho que aquele Mustang me fez ter a convicção de que carros têm alma; tem algo mais ali do que aço, borracha, plástico e afins.

Minha vida habilitada iniciou com um Alfa 156 passado de pai para filho, há quase 10 anos na família. Amei e odiei aquele carro.

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Ao passo que me fazia abrir sorrisos em conduções animadas, me fez passar muita raiva com quebras atrás de quebras. Motor fora do cofre três vezes em dois anos, usando tudo do bom e do melhor. Tudo aconteceu dos 98 mil km até os 120 mil, quando me livrei dele. Acho que um episódio, que definiu a inteligente engenharia do carro, foi uma quebra de trambulador. Uma perninha que fixa a base do trambulador quebrou após uma saída normal de sinaleiro. O detalhe é que ele é fixo por três parafusos, todos com uma porca por trás deles. Para remover essa porca, é necessário erguer o carro, remover o escapamento, desmontar o console central todo, remover tudo entre o escape e a alavanca de câmbio, para soltar a porca. Acredita?

Enfim, contei isso pois, após ele, coloquei na cabeça que buscaria algo condizente com o vício automotivo e que ao mesmo tempo fosse racional. Passei meses pesquisando, entrando em grupos, buscando preço de peças preventivas e corretivas, aquele TCC que muitos gearheads fazem antes de adquirir o novo companheiro automotivo. Coloquei na cabeça que seria um BMW véio. Racional, né?

Lembro de que, de férias no começo dos anos 2000, quando fui para Ilha Bela, no litoral de São Paulo, vi um E46 pela primeira vez. Me apaixonei imediatamente. Por que não casar aquela paixão de verão como a necessidade de trocar de carro década depois? Fui atrás do meu E46 e comprei um 323i 1999 azul marinho (orient blau) com o interior cinza claro. Recebi aquele empurrãozinho paterno básico, pois estava me recuperando das facadas da lasanha anterior, e realizei ali um pequeno sonho (obrigado, pai!).

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Peguei ela em outubro de 2016 e vim até fevereiro de 2018 com ela, levantando aos poucos, fazendo os detalhes visuais (peças de acabamento, por exemplo) em casa, sempre que possível. Importei absolutamente todas as peças; não comprei um parafuso dela por aqui. Quando comprei ela, paguei um valor muito abaixo da média; porém, era um carro íntegro, de segundo dono, placa A (um milhão de reais a mais de valor por isso; quem é de Curitiba vai entender), mas estava com a suspensão destruída e pintava com óleo a calçada da casa dos avós, da namorada, da mãe, da tia…

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Mancha de óleo que me acompanhavam a todos os lugares

Enfim, arrumei absolutamente tudo no período em que fiquei com o Fritz, apelido escolhido pela namorada haha. Em dois anos, andei de guincho uma vez (vem de série em qualquer carro de quase 20 anos). O reservatório do líquido de arrefecimento fez uma pequena trinca enquanto estava na estrada. Temperatura lá no vermelhinho em segundos.

Desliga urgente, toma susto, ouve esporro da mulher, liga pro guincho, manda pra oficina. E que oficina, senhores! No próximo post entrarei em detalhes; adianto que conheci um lugar espetacular para as Bimmers, fiz um amigo que respeito muito e vi que, sem ele, ter esses carros seria exponencialmente mais difícil. Aconteceu domingo à noite, e segunda à tarde já estava com ela novamente. Pra quem já viu canaleta de pistão de Alfa arrebentar, virando uma aeronave da esquadrilha da fumaça, tá bom, não tá?

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Carros têm alma e esse nos fez muito feliz. Obrigado Fritz!

Missão cumprida, comprei um carro que me divertiu (muito, joga de lado!) e praticamente não me deixou na mão. Durante janeiro de 2018, meu grande amigo meio xará, Carlos Eduardo, me mostrou uma bimmer e36, 325i cabriolet, anunciada no OLX de São Paulo. Valor relativamente baixo para o modelo, que se encontra na casa dos 50k, fotos horríveis e a 400 km de onde olhávamos a tela do PC.

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Meu amigo começou a mandar mensagens para o cara, falar que tinha um e46 para troca… Não sei dizer muito bem como, estávamos dando uma limpada na e46 às 11 horas da noite, já preparados para sair rumo a Ubatuba-SP às 3 da matina. Talvez culpa daquele XR3 amarelo em que andei de cadeirinha quando era pequeno. Parece que todo o juízo que havia tomado do Alfa para o Fritz tinha vazado, igual àquela trinca no reservatório.

Eu tinha um câmbio Getrag de cinco marchas que pretendia colocar no Fritz; já encaixei a viagem de Ubatuba para deixar o câmbio na capital. A ideia era formar mais reserva para o novo velho chucrute. Por isso, apesar do projeto ser recente, anda a passos largos. Com reservas e planejamento, fica mais tranquilo alcançar os objetivos. Ou não. Enfim, a ida para Ubatuba foi muito tranquila; confiava 100% nele e sabia que não me deixaria na mão. Confesso que, enquanto dirigia, estava com dó de entregá-lo.

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Meu sócio e amigo Carlos Lorenzon dirigindo pela última vez o Fritz

Cheguei às 9 da manhã e fui ver o Klaus (namorada novamente, sabe como é). Primeira foto dele, um carro original e com ótima pintura, em termos de lata.

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Pinheirinho de alegria. Diversos alertas.

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Bancos ressecados e encardidos. Couro do console completamente desfigurado.

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Frisos cromados de gosto duvidoso e forro furado para fixar um terceiro tweeter.

O proprietário começou a me mostrar o carro. Encardido por dentro, forros de porta parafusados, frisos cromados ridículos colados, tentando enganar algumas marcas de cola do serviço mal feito. Era de chorar. Fui andar no carro. Pior: amortecedores não existiam mais, era um colchão d’água andando. Por onde passava, as pessoas olhavam e eu não sabia dizer se isso era bom ou ruim. Fumaça azul saindo pela borda direita do capô, avisos de lâmpadas queimadas na traseira. O cara foi andar no meu carro e ficou impressionado. Nada batia, a suspensão era firme, o câmbio trocava marchas como manteiga, tudo na casa dos 143 mil km. O dele, todo judiado e marcando baixos 95 mil km em seus 25 anos de idade, comprovado com largo histórico de concessionária nos livretos que acompanham o carro. Negócio fechado, né! Muito racional.

Final da tarde, já estava com a documentação reconhecida no cartório e calçando os sapatos Style 68 do 330i Motorsport, roda que busquei por muito tempo para o Fritz, fora de cogitação entregar com o carro. Vi ele indo embora com uma enorme dor no coração e tentando entender o que diabos eu havia feito.

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Style 68, já deu uma melhorada.

Bom, hora de sair da borracharia rumo a São Paulo capital. O dia estava ensolarado; abaixei a capota, era finalzinho de tarde, e aquilo me acalmou muito. Pé na estrada, era o sorriso no rosto e a dúvida de como raios eu andaria mais de 500 km com aquela suspensão.

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Estrada rumo São Paulo capital, com o meu novo filho.

A estrada é maravilhosa, subindo por túneis e vendo o mar enquanto o ponteiro do combustível estava… no zero. Não tinha retorno, não tinha posto. Nada. Abre o celular, procura posto, bateria acabou no meu e a do meu amigo acabando! Nenhum posto nos próximos 60 km, segundo o GPS. Sobe, sobe, sobe com aquele motor super econômico. Finalmente encontramos um posto e paramos o Klaus felizes da vida! Só era necessário atravessar 8 pistas com limite de velocidade de 100 km/h para chegar ao outro lado, onde ficava o Petrobras.

Banho de repelente, afinal, era uma região endêmica da febre amarela. Atravessamos por baixo de uma ponte para chegar ao outro lado. Comprei dois galões padronizados pelo Inmetro; coloquei um deles no tanque e o outro está jogado lá em casa, cheio de gasosa até hoje. Da viagem toda, esse foi o maior susto. Seguimos tranquilos até a República de Curitiba em modo lowrider até as 5 da manhã, sendo atropelado por todos os caminhões durante a madrugada.

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Depois de mais de 30 horas sem dormir, posso dizer que sono ao volante é como álcool. Acordei às 10 da manhã e fui direto para a garagem. Cadê o Fritz? Meu pai saiu para o trabalho cedo e viu a cabrio. Perguntei o que ele achou e a resposta foi enfática: “É um diamante bruto”.

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Klaus em sua nova casa (celular reserva, desculpem a qualidade).

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Quilometragem atual, após viagem.

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Após desmontar os bancos mais uma surpresa. Gambiarras na parte elétrica e infiltrações.

No próximo post entrarei em detalhes sobre tudo o que foi feito, como a resolução de todos os acabamentos que estavam detonados, da parte mecânica completa e do sistema da capota.

Até a próxima!

 

Por Eduardo Topolski, Project Cars #471

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