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Project Cars #477: a história o início da restauração da minha Saveiro LS 1983

Fala, galera do FlatOut! Meu nome é Jeydson, tenho 35 anos e sempre fui um apaixonado por carros desde de berço. As primeiras fotos de infância, foram numa C10, e um Fusca 68, todos do meu pai, mas o sangue gearhead veio por causa do meu irmão, que desde novo sempre incentivou a curtir e adorar carros. Durante muito tempo trabalhei com um restaurador de Sampa, mesmo morando em Brasília, dr.Roberto (falecido em dezembro passado), que sempre me ajudou e esclareceu dúvidas, e me fez um apaixonado por todos os carros, confesso que antes era fã exclusivo de muscle cars, hoje vejo a beleza e a peculiaridades em todosos carros. Mas, enfim, vamos lá.

Minha história com essa Saveiro LS, famosa BX, começa em novembro de 2016. Sempre ouvia falar que as Saveiro BX eram o Santo Graal das Saveiros, e confesso que tinha visto apenas uma antes da minha e havia gostado muito. Então vi um anúncio na internet e quase que imediatamente fui olhar. Moro no Riacho Fundo, cidade satélite de Brasília, e o carro estava em Planaltina, uns 60 km distante daqui.

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O rapaz que estava vendendo já tinha outro projeto de um Fusca, e precisava da grana pra terminar a pintura e o interior. Após uma negociação ferrenha, consegui comprar a máquina que, apesar de bem detonada, curiosamente tinha a caçamba em boas condições. O dono cujo nome estava no documento, sr. Carlos, era um chaveiro e era apenas o segundo dono do carro. Nos últimos 12 anos ele havia deixado o carro parado com um baú em cima para servir de base pra guardar chaves e ferramentas. Mesmo com o motor retificado em 2004, ele não utilizou mais o carro e, por isso, não foi necessário fazer o motor (mas isso eu conto em um outro post). Arrematei.

Depois de trazer o carro até a oficina, veio o primeiro desafio: encontrar um funileiro bom, capaz de revitalizar a Saveiro — e por um preço justo. Quem já teve ou tem carro antigo sabe do desafio que é encontrar bons profissionais. A maioria corre desse tipo de carro, por causa da ferrugem e dificuldades das peças. No meu caso tive que apelar pra um velho amigo que não morava mais no DF, e sim em Anapolis(GO) a cerca de 150km daqui. Ele topou o desafio na hora, e logo de cara percebeu que seria complicado e caro.  Mas o Edvaldo, é um baita profissional e, mesmo com quatro meses seguidos de funilaria, só parou quando a pintura estava pronta.

O primeiro desafio foi o curvão, parte da longarina e túnel que, além de podres, estavam rachados, algo relativamente comum nos VW. Até aí tudo normal, afinal peças de Volkswagen quadrado você acha até em padaria.

Só que não foi bem assim, nos modelos dos primeiros anos da família BX, a parte do curvão, longarinas e caixas de rodas, são diferentes, vistos que suportes do motor a ar são diferentes. Penei bastante, mas não encontrei. Solução? Reproduzir na lata, na base do martelo e chapa, com o talento do funileiro, afinal estamos no Brasil, não temos as facilidades da gringa (pensem bem e ponderem tudo antes da restauração, mesmo carros mais populares). Aparte traseira estava ótima , comos as fotos provam. Havia apenas poucos amassados e pequenos podres, nada muito complicado.

Depois de muitas indas e vindas a Anapólis, e também aos ferros-velhos daqui, fui matando, pouco a pouco, as peças que faltavam. Mas uma dica é essencial: prefira sempre peças de lataria em bom estado do ferro-velho às reproduções vendidas em lojas de acessórios.

Outra grande dificuldade que tive foi a falta de informação sobre o modelo. Mais por ser a versão LS, a topo de linha na época. Os retrovisores mesmo foram algo controverso, visto que na linha Gol só existia do lado esquerdo, mas como a Saveiro era um utilitário, a legislação exigia nos dois lados. Apenas anos depois, enquanto o Edvaldo, metia bronca na carroceria, eu comprava as lanternas, grades, e demais peças de acabamento externo. Como queria algo fiel a época (Zé-frisinho? Eu?), optei pelas lanternas originais. Um detalhe é que a parte branca da luz de ré também ocupa a lateral da lanterna, mas e aí? A diferença que o modelo mais novo custa 10 vezes menos do que a original. As rodas também foram um desafio, já que são as mesmas do Passat TS e da Variant II. Consegui graças a um amigo que tem um ferro-velho aqui, o Paulinho, que tanto me ajudou na consultoria como no fornecimentos das peças certas. Um grande parceiro.

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No dia 04 de agosto de 2017, ela entrou na estufa para ser pintada com o famoso Branco Geada. Foram dois dias para o emborrachamento na parte inferior, e mais uma semana da pintura na parte superior. Enfim o processo de pintura e funilaria, estava concluído. O próximo passo seria partir pra montagem e mecânica.

Mas isso é história para o próximo post. Até lá!

Por Jeydson Couto, Project Cars #477

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