Edição diária: 17/06/2019
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Project Cars Project Cars #49

Project Cars #49: preparando meu Honda Civic Si “Black Shadow” para fazer bonito nas pistas

Quando comprei Honda Civic Si surgiu um mundo totalmente novo e inexplorado à minha frente. Eu não comprendia nada desse mundo — mesmo sendo um gearhead não conhecia quase nada de mecânica. Hoje sei que um carro bom de pista precisa do equilíbrio perfeito em todos os seus aspectos. Caso uma parte tenha um rendimento menor, outra parte terá o seu redimento limitado.
É a busca pelo equilíbrio que move a engenharia automobilística e é isso que devemos procurar nos nossos Project Cars. Antes de começar o texto para valer resolvi criar vergonha e fazer um texto detalhado, compartilhando minha experiência adquirida na rua e na pista.

Honda civic Si Stage 5 parte 4

O Si possui uma suspensão muito boa de fábrica, elogiada pelas revistas automotivas na época do lançamento, em meados de 2007. Contudo o tempo passa e os referenciais mudam, então a ultima coisa que faltava para ser um ótimo carro de trackday era uma boa suspensão. Optei por uma no formato coilover, pois permite diversos ajustes como altura, dureza e até mesmo a velocidade em que o curso do amortecedor chega ao máximo.

 

Embreagem de cerâmica

Honda civic Si Stage 5 parte 4

A embreagem original com cerca de 60.000 km foi embora, e a troquei por uma nova e original. Mas a vida é uma caixinha de supresas, e depois de uns cinco punta-taccos errados durante os Hot Laps em Limeira ela ficou literalmente sem um pedaço do material de contato e assim encerrou suas atividades por volta de apenas 5.000 km rodados.

Honda civic Si Stage 5 parte 4

Com isso vi que um carro que pratica trackdays, precisa de uma embreagem mais forte, que aguente erros e uma pilotagem mais agressiva, com isso resolvi colocar a embreagem mais forte que encontrei no mercado, um modelo de cerâmica utilizada nos Si turbo. Essa embreagem aguenta preparações de até 600 cv, e eu tenho por volta de 250 cv. Acho que ela vai durar para sempre.

Volante de motor aliviado

A ideia de um volante de motor aliviado é reduzir o movimento de inercia do motor, que em teoria você conseguiria colocar mais potência no chão. Porém isso depende da aplicação, além do fato de quanto esse volante é aliviado. O carro fica mais gostoso e dá uma sensação maior de esportividade.

O volante de motor original do Si pesa 9 kg, então existe uma boa gordura para queimar em tudo isso. O meu novo volante pesa apenas 4 kg e é da marca Exedy. Preferi comprar um novo e com material de qualidade superior devido ao fato de aliviar o volante original ser perigoso se feito sem muito cuidado — ainda mais com a embreagem de cerâmica criando mais atrito que a original

 

Torque damper

Honda civic Si Stage 5 parte 4

O coletor de escape do Honda Civic Si original tem algumas molas para, quando o motor se mover, o coletor se adequar a esse movimento e assim se manter íntegro. Quando coloquei o novo coletor de inox sem molas ocorreu um problema após quatro meses: o flexível abriu fazendo um barulho bem alto (entretanto muito legal) e descobri que isso ocorreu devido ao movimento do motor.

Por isso também comprei um torque damper, que é um sistema de amortecimento que prende o motor por cima, mantendo ele mais travado. Dá para regular a dureza inclusive. A desvantagem é que agora com torque damper e a embreagem de cerâmica, o carro dá alguns trancos em baixo giro, mas em alto giro se torna magnífico de guiar.

TrackDay em Curitiba

Honda civic Si Stage 5 parte 4

No dia 21 de dezembro de 2014, às 6:00 saí de São Paulo rumo a Curitiba com o único objetivo de participar da edição de natal do TrackDay In. Foram 400 km de estrada pela famosa Régis Bittencourt. Mesmo o carro sendo preparado, consegui uma autonomia de 12 km/l. Nada mau!

No dia seguinte acordei, tomei o café da manha no hotel e parti para o trackday muito ansioso. Apesar de ter pagado apenas a parte da tarde cheguei de manhã para acompanhar o movimento, ver os carros e conversar com os outros gearheads. O que eu mais gostei do autódromo de Curitiba foi a mistura de curvas de alta velocidade com as de baixa:

Honda civic Si Stage 5 parte 4

Às 13:40 começou a se formar a fila dos participantes na saída dos boxes — todos esperando as 14:00 para poder entrar na pista e se divertir. Eu não era exceção e estava no meio dessa bagunça toda. Após poucas voltas, contudo, começou a chover e complicar muito a estabilidade do carro, então resolvi entrar um pouco e esperar.

Percebi que a chuva não ia parar tão cedo, e por isso voltei para a pista para tentar aproveitar o máximo que podia. Após dez voltas vi uma bandeira vermelha e voltei para os boxes junto com outros carros, quando veio a noticia que um trecho da pista estava cheia de óleo devido a um acidente e que não tinha como limpar. O evento provavelmente seria cancelado.

Fiquei arrasado. Viajar mais de 400 km para dar menos de 20 voltas? Complicad. Entretanto depois de muitas reclamações a pista foi liberada para apenas quatro carros darem umas voltas — e adivinha quem foi um dos quatro? Fui um dos que entraram na pista para averiguar se era possível andar e depois de cinco ou seis voltas sem perceber nenhuma diferença muito siginificativa todos os carros foram liberados para entrar na pista.

Honda civic Si Stage 5 parte 4

Agora era a hora de aproveitar para virar tempo. Já estava seco, já conhecia mais ou menos o autódromo. Bora acelerar! Dei cerca de 10 voltas nesse período sendo duas de resfriamento. Foram quatro voltas seguidas de uma de resfriamento, e depois mais quatro voltas e mais uma de resfriamento. Nas voltas rápidas com vidros fechados e com o sol já aparecendo a temperatura interna do carro marcava exatos 43 graus.

Poucas pessoas sabem a temperatura que é capaz de chegar dentro de um carro durante uma competição. Em outros trackdays que participei e levei amigos para dar voltas, todos reclamaram do calor exagerado —  um deles chegou a passar mal devido ao calor. Entretanto quando você esta concentrado e fazendo o que você ama, você nao sente calor, só a alegria de dirigir no limite.

No final do dia o meu objetivo foi alcançado e adorei guiar no Autódromo Internacional de Curitiba. Voltei para o hotel todo suado e acabado fisicamente, mas com a mente num estado de felicidade inexplicável. Por isso digo que dirigir num autódromo é uma das experiências mais fantásticas que uma pessoa pode fazer na vida. Abaixo um video do Si na pista:

Por hoje é isso. Até o próximo post!

Por Vitor Martins, Project Cars #49

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