Project Cars #499: a história do meu Maverick 363 stroker com um toque do Chip Foose – e 600 cv!

Marcelo Pfister 23 maio, 2018 0
Project Cars #499: a história do meu Maverick 363 stroker com um toque do Chip Foose – e 600 cv!

Como todo carro antigo tem uma boa história, o meu não poderia ser diferente. Tudo começou quanto ainda garoto em minha cidade natal, Teresópolis. Todos os meses meu grupo de amigos se reunia em umas das ruas da cidade, sempre no ultimo domingo de cada mês pela manhã. Ali víamos vários carros, clássicos originais impecáveis, carros que eu só via na televisão ou em reportagens de revistas, só que um desses carros me fazia brilhar os olhos de um jeito diferente. Meu coração batia mais forte quando ouvia o som do motor: um Maverick branco. O proprietário sempre ficava bem afastado do pessoal, e eu ficava rodeando o carro, olhando atento cada detalhe, e ficava ali até ele ligar o carro. Depois da partida ele dava aquelas aceleradas e eu ficava doido.

A vida foi passando. Comecei a trabalhar, e mantive sempre aquele sonho até que alguns anos atrás, quando as coisas melhoraram e eu fui tentar realizar meu sonho de garoto.

 

A busca pelo carro

Comecei a ir aos encontros de carros antigos nas cidades vizinhas para procurar mais informações. Nisso acabei conhecendo o Clube Maverick RJ, onde encontrei inspiração para realizar meu sonho e iniciar o meu projeto. Defini que iria começar um carro do zero, fazer tudo, cada detalhe do meu jeito! Aí foi uma grande e longa história.

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Acabei comprando um Maverick 1977 branco, praticamente sem nada, pois o dono anterior só o comprou para servir como doador para um outro Maverick que ele estava montando. Para começar a realizar o projeto, procurei uma oficina que conhecia do assunto, indicada pelo amigos que fiz no Maverick Clube RJ, a Mega Marcas!

 

O projeto interrompido

Marquei uma consulta com o preparador Rui, tentei expor a ele o que eu pensava e como seria meu Maverick dos sonhos. A única coisa que não podia faltar nesse projeto era um ronco bastante alto e um motor muito forte. Resultado: saí da Mega Marcas com uma lista de peças de duas folhas!

Percebendo que seria impossível comprar tudo como o dinheiro que tinha, decidi então vender uma moto para começar o projeto. Acabei interrompendo o projeto.

O negócio é que, quando anunciei a moto, encontrei um comprador para ela e quando fui entregá-la, o cara tinha outro Maverick. Troquei. Minha esposa quase me matou quando me viu chegando em casa com outro Maverick. Aí comecei a restauração do carro para vendê-lo e fazer dinheiro para o Maverick branco.

Levei na oficina de um amigo e pedi para ele fazer um trabalho básico porque eu queria vendê-lo mais tarde. Uma semana depois o cara da oficina me chamou e me fez uma proposta: “Olha não posso fazer o me pediu. Esse carro está muito bom de lata para, então vou fazer um trabalho excelente. Se você gostar do resultado combinamos um outro valor.”

Aceitei a proposta na hora. O resultado foi esse aí embaixo:

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Bonito, não? Todo o projeto que eu havia planejado para o Maverick branco acabou executado nesse carro aí. Um espetáculo: 500 cv, freios Wilwood, rodas, suspensão feita, interior customizado. Maravilhoso.

 

O recomeço… e mais uma interrupção

Depois de toda a saga do Maverick vermelho, que acabou apelidado de Relâmpago McQueen, voltei à Mega Marcas já como amigo do Rui e de seu filho Ruizinho e expus que, como tudo o que havia sido planejado para o branco foi para o McQueen, seria preciso fazer algo diferente para o branco. Resultado: mais duas folhas de orçamento.

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Comecei a garimpar as peças, o que não é fácil nesta terra brasilis. Enquanto isso o carro era pintado e estava ficando pronto para receber o motor, quando recebi um convite para participar de um evento com a presença do Chip Foose. Exclusivo! Lógico que aceitei.

Foi um momento muito especial. O Foose é um cara sensacional, humilde e muito atencioso. Mostrei a ele o novo projeto, que seria o Maverick Branco, e ele perguntou se poderia desenhar o carro em uma camiseta. É claro que sim!

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Foi um dia memorável Fiquei igual uma criança e saí com o desenho que ele fez — e uma dúvida ecoando na cabeça: recomeço tudo de novo? Já seria a terceira vez… com o carro quase pronto ter que recomeçar tudo de novo? Que loucura!

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E foi assim que interrompi o projeto e mudei os planos mais uma vez. Já tinha definido o motor, freios, suspensão, rodas e interior. Mas com o projeto do Chip Foose, a principal mudança seria o motor. Ele também sugeriu as faixa do Mustang Boss 1970, mas não tive coragem porque achei que fugiria muito do Maverick dos meus sonhos. Além disso, como eu encontraria um motor Boss?

 

O segundo recomeço

Bem… em um passeio aos USA conheci uma empresa autorizada da Ford Racing, e conheci o famoso o Bloco especial usado pela Ford em corridas, capaz de suportar uma preparação stroker 363 de 6 litros em um small-block. Era a potência de um big-block em um bloco pequeno. Arrematei.

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Junto com este motor precisei de um batalhão de coisas para suportá-lo. Começando pela reestruturação do carro, mudanças nas caixas de roda, novo sistema de arrefecimento, novos freios, novas rodas, gaiola de proteção, interior redesenhado, suspensão, escape. Foi um projeto novo. O terceiro recomeço.

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O motor chegou dos EUA parcialmente montado, completei com cabeçotes AFR, coletor de admissão Victor Jr., carburador Holley HP850CFM, filtros K&N, bomba d’água elétrica Meziere, nitro NX, radiadores Michimoto e ignição MSD. O câmbio escolhido foi o Tremec TKO 600, de cinco marchas, combinado com um trambulador Steeda Tri-Ax e uma alavanca Hurst longa.

Para frear o carro comprei um kit completo da Baer com pinças de quatro pistões na traseira e seis pistões na dianteira, pedaleira e hidráulica Wilwood, enquanto a direção ganhou um sistema eletro-hidráulico da Borgeson. As rodas são da Vertini Racing de 19 polegadas com tala 9,5 na dianteira e 10,5 na traseira, calçadas em pneus Michelin Pilot Super Sport 265/35 na dianteira e 305/30 na traseira. Para controlar melhor a traseira, troquei o feixe de molas por um sistema four-link com regulagem. Na dianteira instalei amortecedores QA1 e todas as molas foram dimensionadas pela Mega Marcas. Completei a mecânica com escape de inox da Magnaflow e coletor Hedman Ceramic e um tanque de combustível de inox.

No interior instalei uma gaiola completa, bancos concha RD, instrumentos Ford Racing e wideband AEM. Volante e cinto de três pontos são da Sabelt, com sistema de saque rápido NRG. O rádio ficou o original.

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E foi assim, indo e voltando que consegui realizar o sonho de construir meu Maverick branco, hoje batizado como Gasparzinho. O carro está com 600 cv e logo em seu primeiro track day consegui virar 1:54. Foi um sonho realizado que ficou espetacular. E o melhor é que posso usá-lo na pista e levar meus filhos para a escola.

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Um abraço a todos e obrigado pela leitura!

Por Marcelo Pfister, Project Cars #499

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Uma mensagem do FlatOut!

Marcelo, é sempre muito legal ver sonhos de infância/adolescência sendo realizados aqui no Project Cars, especialmente quando você consegue realizar em dobro e desse jeito tão especial, com um toque de um mestre dos muscle cars como o Chip Foose. Parabéns pelo projeto!