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Project Cars Project Cars #507

Project Cars #507: a história do meu Subaru Impreza WRX SW

Por Lucas Duarte, Project Cars #507

Olá, me chamo Lucas mas todos me chamam de Duarte desde sempre. Eu, como a maioria das pessoas que vão ler esse texto, desde pequeno, sempre fui apaixonado por carros, não sei dizer exatamente de onde veio essa paixão.

Tenho um tio com quem sempre tive muita afinidade e ele sempre curtiu qualquer coisa que tivesse motor, principalmente motos e aviões (até hoje é assim). Apesar de eu não entender nada de motos e aviões, gostava muito de carros e aproveitava a veia gearhead que ele tinha. Então. em meados de 1998/1999, esse mesmo tio me deu de presente uma fita VHS que mudaria a minha vida, essa fita era “O SHOW DA SUBARU – As cenas mais emocionantes do mundial de 96 e a 1ª Prova do Mundial de 97: Monte Carlo”.


Esse VHS era assistido diariamente por mim e me marcou com toda certeza, tanto que tenho ele até hoje, como viu na foto acima. Nessa época eu já jogava Gran Turismo e houve o “boom” do primeiro velozes e furiosos em 2001, isso só fez com que minha paixão por carros crescesse ainda mais. Quando fiz 18 anos, no dia seguinte já estava na porta da auto escola para que pudesse dirigir o quanto antes. Os anos passaram, nesse meio tempo tive um Palio 97, 1.0 de impressionantes 61 hps e que fazia 6 kms por litro (sim) e um corsa 1.0 2008.

Subaru pra mim ainda era um sonho distante, só ficava babando em um Impreza 98 branco de um vizinho da minha vó, carro que anos depois veio a ser o carro de um amigo (coincidências da vida). Até que um dia, recebo a mensagem de um grande amigo dizendo o seguinte: “Mano, meu pai comprou um Subaru”. Fiquei maluco no mesmo instante e já combinei naquele momento dele ir me mostrar o carro. O carro era um Impreza 2008, 2.0 automático.

Encontrei ele e fiquei babando, ficamos acelerando o carro parado, o ronco era lindo, motor boxer, 160hps, AWD, tudo aquilo pra mim era espetacular. Ele deixou eu dar uma volta no estacionamento que estávamos e foi o suficiente pra descer do carro e falar: “É isso que eu quero pra mim”. Daquele dia em diante, se tornou meu objetivo de vida ter o mesmo carro, porém com câmbio manual.

Mais uns anos se passaram e chegou o momento, comecei a caça, não tinha muita grana e precisava dar um carro na troca. Achei um que estava lindo e que me apaixonei na hora, tinha rodas 17, kit de saias do WRX 2008 (ou do 2.0 2011, que esteticamente são o mesmo carro com exceção do capô), escapamento e tudo mais. Infelizmente esse não deu certo, o valor era acima da tabela e ele vendeu o carro antes de eu conseguir a grana.

Mesmo não dando certo o negócio, virei amigo desse cara, o Bruno, eu não entendia nada de Subaru e ele virou meio que meu “guru”, todas as dúvidas possíveis sobre a marca, eu tirava com ele. Com a venda desse carro, ele comprou um WRX SW 2002 (sim, o mesmo que é meu hoje, mas vamos chegar lá). Tempos depois achei meu Impreza 2008, do jeito que eu queria, 2.0, manual e 100% original com seus 120 mil km e em dia.

O carro era zerado de tudo e me fez muito, mas muito feliz, me diverti muito com ele. Coloquei as rodas do WRX 2008 na cor preta e fiz o escapamento, coletor Unequal (famoso no mundo Subaru por ser o responsável pelo ronco característico da marca), abafador intermediário original e abafador final em 4,5”. Era o suficiente para aquele carro. Já tinha o comportamento dinâmico espetacular e ainda tinha marcha reduzida (sim, igual essas de caminhonetes/caminhões), tudo isso num carro de passeio!! Nessa época, criei um canal do youtube pra documentar tudo que fizesse no carro. Canal que dura até hoje, fica o convite pra conhecer e acompanhar.

Fiz meu primeiro track day com ele e fiquei quase dois anos com o Shark (apelido dado a essa geração do Impreza). Junto com ele, conheci uma galera do Clube Subaru e fiz várias amizades. Com isso, comecei a andar de carona e até dirigir (por conta do canal) em uns carros bem maldosos (no melhor sentido possível) e chegou o dia que dirigi um turbo pela primeira vez na vida, e adivinha só qual carro era? Sim, meu atual Impreza WRX SW 2002, na época, do Bruno, com motor forjado. Foi o suficiente pra traçar a próxima meta da minha vida gearhead, um WRX. E felizmente, tenho registro dessa primeira volta.

Tempos depois, esse carro quebrou o motor, já estava ruim quando o Bruno pegou. E então, bruno ficou ferrado de grana porque não é barato refazer um motor desses. Então refez e estava querendo vender. Então pedi pra ele pra eu dar mais uma volta no carro, só pra ver qual era. No fim desta volta, fiz uma proposta indecente pra ele. No dia seguinte ele me manda mensagem falando que topava, então trocamos o meu shark, pela bug dele, o Impreza WRX SW 2002 que se trata esse project car.

O carro é um Subaru Impreza WRX Station Wagon 2002, geração conhecida como bugeye. Originalmente vem com o motor EJ205, 2.0 turbo 16v, DOHC, open deck e que gera 218hp e 28 kgfm de torque no motor.

Sempre gostei de SW e em especial as WRX, com o detalhe que elas também são mais baratas em relação aos sedans que tem a mesma mecânica. O que mais me agrada é a possibilidade de ser um carro “faz tudo”. Vai no mercado, corre no track day e me leva pro trabalho. Essa é a proposta do carro até hoje, pra mim.

O carro tinha coisas a fazer quando peguei, afinal é um carro turbo de 2002, que sofreu a vida toda. Ninguém compra um WRX pra andar a 50 por hora. A configuração do carro na época era praticamente original, turbina original, bicos originais, mapa original, filtro inbox k&n e um escape direto de 2,5” com abafador final em 4”. 

Antes de rodar, já troquei o kit de correia completo com bomba d’água e todos os fluídos, só pra garantir. Paguei um preço muito abaixo do que é praticado nessa geração do Impreza e como dizem, nada mais caro que um Subaru (ou qualquer importado) barato.

Rodei umas três semanas sem nenhum problema, até que um dia estava voltando do trabalho e o carro começou a falhar um cilindro e ali o sonho começava a se transformar em pesadelo.

 

Do céu ao inferno com a perua WRX

O carro começou a falhar um dia voltando do trabalho e então, levei a oficina para investigar. Nesse momento, eu já tinha arrumado alguns detalhes que estavam ruins quando peguei o carro como, trambulador, discos e pastilhas de freio e etc.

Bom, o carro ficou lá uns três dias e veio a mensagem do mecânico me avisando que a situação tava feia. Uma lista imensa de coisas que precisavam ser resolvidas e então, lá se vai um tempo de oficina, um bom dinheiro e muita paciência. Carro velho e usado é aquela coisa, tem que ter paciência.

Dentre os problemas tínhamos, polia do comando trincada, duas mangueiras de arrefecimento praticamente rasgadas (milagre não terem estourado), coifas de homocinética partidas ao meio, vazamento em juntas de tampa de válvula, vazamento na bomba de direção hidráulica vários plugs do chicote quebrados (inclusive um plug de bobina, que era o que estava fazendo o carro falhar), gambiarra no alternador, foi colocado um alternador de Impreza 97 aspirado com plug adaptado de três pinos pra dois, uppipe e downpipe sucateados, chega a ser mancada chamar aquilo de uppipe, vazamentos em juntas de escape, sonda lambda pós catalisador quebrada (e desativada na ECU pra não acender a luz de injeção).

O painel do carro, originalmente tem iluminação verde, o dono anterior mudou pra laranja e tentou pintar os ponteiros que são amarelos originalmente, de vermelho. Na segunda semana, a iluminação começou a falhar, hora acendia, hora não e o velocímetro foi danificado nesse processo. Acabei trocando o painel original que o contagiros é menor e do lado direito, pelo do WRX 2005 que o contagiros é no meio do painel. Bem mais bonito na minha opinião.

Colocando o alternador certo e original com plug original retirado de um chicote de STI:

Algumas imagens dos problemas que citei acima

 

Isso foi um baita dum balde d’água na cabeça do subarista recém dono de um WRX e empolgado com o carro. Mas fazer o que né? Cagada já estava feita, então o jeito foi olhar pra frente e lidar com isso. Nesse momento preciso agradecer muito os meus patrocinadores do canal. PS Motorsport e Pedro Sassi, oficina que cuidou da parte mecânica e diagnóstico de problemas em conjunto com o Marcio da MRace e o Edu da Nuke fab, MRace por conta do diagnóstico da parte eletrônica, injeção e remap do carro (mas isso vamos falar mais pra frente) e a nuke fab na pressurização e acessórios de performance como up e downpipe, separador ar/óleo, partida frio, performance nacional com nível superior ao gringo.

Sem a ajuda deles, meu carro não seria metade do que é, foram muito importantes nessa parte do projeto onde todos os problemas apareceram e me ajudaram a trazer o carro de volta à vida, e seguimos juntos no desenvolvimento do carro até hoje. 

Aos poucos, fomos zerando os problemas. E mais problemas apareciam, menores, mas apareciam. Alguns sensores precisaram ser trocados também, o sensor de fase, porém o que mais assustou foi o de detonação.

Depois desse período pra resolver a maior parte dos problemas, rodei com o carro de forma civil por uns 2 meses, luz de injeção acesa, porque tínhamos deletado o TGV e não o desativamos na ECU (componente pra controle de emissões e o plug do chicote estava quebrado, então optei por deletar). Então chegou o dia da bug voltar pra lá pra resolver mais uns pequenos problemas e pra checarmos com o computador plugado no carro pra ver o que a ECU nos contava.

Apagamos os erros e saímos pra andar, primeira puxada, ao passar dos 4 mil rpms, acendeu a luz da injeção. A ECU tinha acusado detonação. Nesse momento, eu fiquei bem nervoso e chateado, primeiro porque o motor tinha sido feito há menos de 10.000 km antes deu pegar o carro e existiam apenas duas opções naquele momento, ou o motor estava ruim nas partes internas ou o sensor estava com problema.

Pra minha felicidade, era o sensor, a outra oficina tinha colocado ele com torque demais e isso compromete a leitura do sensor, então troquei e o problema foi resolvido.


Fica a reflexão pra quem comprou uma bomba, tem muitas partes ruins de se comprar um carro ruim, desgaste financeiro, emocional, paciência, tudo isso é muito ruim, mas tem a parte boa, você começa a aprender tudo sobre o carro, nesse tempo, aprendi demais e hoje sei cada parafuso que tem no carro. Nesse meio tempo, o Marcio me recomendou passar o carro pro alcool, me explicou os motivos e quase todos eram benéficos. Acabei optando pela conversão do carro para o etanol.

Sempre priorizei confiabilidade ao invés de performance, o etanol trazia ambos, então o rumo da preparação do carro seguiria por esse caminho. Com isso, a fase dos problemas estava passando e começando a dos upgrades, essa que vou contar no próximo capítulo da série. Até a próxima.

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