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Project Cars Project Cars #517

Project Cars #517: a história do meu Mercedes-Benz 300CE

Por Waldemar Rubim, Project Cars #517

Minha história com a Mercedes começou com a procura por um modelo muito desejado na época em que eu me decidi por esse tipo de clássico. Era uma W190 que, depois de muitas andanças e conversas, a maioria dos proprietários que tinham esse modelo não queriam se desfazer dos mesmos, e os que se dispunham a vendê-los pediam um preço muito alto. Como esse modelo já estava muito valorizado, desisti da ideia e parti para outro.

 

A pesquisa

Comecei a pesquisar novos modelos, e via muitos carros W124 sedã (a Classe E dos anos 1980) até que um dia me deparei com uma W124 Coupé (C124) e foi amor à primeira vista, pois trata-se de um carro extremamente elegante com linhas harmoniosas.

Comecei a busca por uma que estivesse dentro do que eu imaginava, mas sabem como é comprar carro por fotografia não? Para minha sorte, tinha um conhecido em São Paulo que era chefe de oficina de uma concessionária Mercedes. Então todo carro que me interessava, eu mandava para esse amigo verificar. Em São Paulo mesmo não encontrei nenhum carro que estivesse em perfeito estado.

 

Encontrei

Depois de muita procura, finalmente encontrei uma em Santa Catarina. Era uma cupê grafite, uma W124 300 CE 24, ano 1991. Nas fotos era linda e pedi para um irmão que mora na região para ver o carro, ele andou com o proprietário, mandou mais fotos e disse que o carro era bom. Acontece que sou muito detalhista e não deixaria passar alguns sinais que para ele eram imperceptíveis. Mas com base na avaliação do meu irmão, iniciei as negociações por celular que se estenderam até 1:00 da manhã. Finalmente fechamos negócio.

 

A descoberta

Negócio fechado, carro despachado, mantive contato com o vendedor para saber quando o carro chegava, pois a logística para mandar um carro de Florianópolis/SC para Natal/RN é complicada. Preciso aguardar uma cegonha que venha de Porto Alegre/RS para São Paulo/SP, onde o carro será transferido para outra cegonha com destino a Natal/RN. Numa dessas conversas com o vendedor, ele me fala que o carro está com injeção Injepro, e que a original viria na mala do carro caso eu quisesse recuperá-la. Foi um detalhe que nunca tinha sido dito em nossas conversas anteriores.

 

A chegada

Recebi uma ligação da transportadora dizendo que o carro tinha chegado. Ate aí tudo alegria, pois não sabia o estado real do carro. Primeira providência era lavar o carro que, diga-se de passagem, ficou lindo. Pintura muito boa, carroceria perfeita, rodas Monoblock. Foi a novidade na cidade entre os proprietários de carros antigos. Todos os amigos comemorando comigo, todos querendo ver a Mercedes. Até aí tudo era festa.

 

A realidade

Quando abri o cofre do motor, encontrei um motor com aquela crosta de sujeira típica de carros que ficaram abandonador muito tempo ao relento. Era tipo um barro seco, sem contar o vazamento de óleo na parte frontal do motor. Além de a injeção não estar funcionando perfeitamente, o carro estava superalimentado e não tinha quem resolvesse a situação.

Para terem uma ideia quando ligava o carro, o chão ficava preto onde saia o escapamento. Aí começou a minha peregrinação em oficinas e com as respectivas trocas de peças velas, bicos injetores, capa e rotor de distribuidor e muito tempo gasto sem solução.

 

Via crucis

Passei por duas oficinas todos os proprietários excelentes teóricos ate que um dia um amigo meu dono de oficina me falou para levar o carro que ele “queria se incomodar”, palavras desse amigo e que iria estudar o manual da Injepro. Eu sabia que era muito ocupado e que eu teria que ter paciência mas como já estava estressado e sem lugar para guardar o carro para la levei ,  meu amigo não teve tempo de estudar o manual, resumindo o carro ficou um ano parado.

 

A transformação

Como vi que aqui em Natal ninguém resolveria o problema de injeção do carro, resolvi pesquisar na internet alguma solução para o caso, e na minha cabeça eu tinha que simplificar o problema já que não via nenhuma solução à vista, foi quando encontrei um vídeo de um cidadão de Santa Catarina que tinha colocado carburador em duas Mercedes e vi que estavam funcionando.

Como eu tinha um carburador bijet Motorcraft de um cobra V8 que estava guardado resolvi recupera-lo e aqui vai uma receita caseira, desmontei o carburador e coloquei as peças separadas (só metal) em um recipiente com vinagre por duas horas depois lavei bem e coloquei Carb 80 nas galerias do carburador e outro banho de água e soprei bem para limpar tudo, comprei o reparo completo para o bijet, e estava feita a recuperação, adaptei uma base para o carburador no coletor de admissão original da Mercedes.

Feita a adaptação vamos para a parte de alimentação, é necessário trocar a bomba de combustível e o dosador, pois o original da Mercedes é para injeção e tem muita pressão o que faz com que o motor trabalhe encharcado (com excesso de combustível).

Coloquei uma bomba elétrica com baixa vazão para motores carburados (Galaxie, Dodge etc.) há quem diga que com essa bomba vai dar falta de combustível, mas esse e um problema fácil de resolver, como e um motor de seis cilindros e essa bomba e para motores de oito cilindros creio que que vai funcionar a contento.

 

Nada é tão ruim que não possa piorar

Fizemos umas três saídas para teste e tudo funcionou “ dentro dos conformes” só faltando o ajuste fino, nas duas últimas saídas colocava agua no radiador e quando ia sair no dia seguinte tinha que colocar agua novamente, fui procurar por vazamentos e para minha preocupação sem nenhum vazamento, vcs já devem estar imaginando o que aconteceu, quando tirei a tampa do óleo estava com a cor cinza, é isso mesmo a junta do cabeçote queimada. Resultado e que já abri o motor (MB 104980), e neste momento estou garimpando as peças .

Vocês devem estar pensando, que cara azarado, não é? Mas isto está me servindo de aprendizado, apesar dos meus 74 anos. É uma prova de nunca sabemos tudo e precisamos estar abertos a novas lições de vida, mostrando que não controlamos nada, e que as coisas acontecem quando tem que acontecer, e a lei do universo.

Bom, chega de filosofar e vamos em frente, amigos. Aguardem os novos capítulos desta novela mexicana. É assim mesmo. Aqui no nordeste temos um ditado que diz “Se eu contar minha história para um carroceiro, até o burro chora”. Até a próxima!

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