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Project Cars Project Cars #519

Project Cars #519: a história do MAV8, meu Maverick Super V8 1977

Por Roger Bueno, Project Cars #519

É com muita alegria que escrevo aqui a história do meu Project Car. Para dar início a essa história, eu preciso voltar aos anos 1970. Foi quando nasci e quando tive a oportunidade de passear em grandes carros dessa época, como Fusca (aliás fui trazido da maternidade por um deles), vários Passat, muitos Opala, alguns Chevette (aprendi a dirigir no carro da minha mãe, um SL ano 1976), poquíssimos Dodge (um Dart e um Charger) e apenas um Maverick. Houve outros interessantes, tais como Alfa Romeo 2300B, um SP2, Corcel GT e outros menos importantes.

Mas por que digo tudo isso? Porque sou apaixonado por carros — ainda mais se eles forem dessa época. Confesso que dois modelos sempre me chamaram a atenção: os Dodge e os Maverick, ambos V8.

Meu pai era um apaixonado por carros, e curtia ter e cuidar deles aos finais de semana. Eu, apenas uma criança no meio dos anos 1970, via aquilo e admirava demais aqueles carrões. Vale dizer que quanto maior eram os carros, mais feliz eu ficava, pois eu me divertia nas viagens de família que fazíamos.

O tempo passou e minha paixão por carros só aumentou. Então, aí veio a década de 1980 e com carros sensacionais, tais como os: XR3 (tive um CHT), Gol GTS e GTI, Kadett GSi e outros carros fantásticos. Mas sempre tinha um olhar apreciativo para carros mais antigos, mais precisamente das décadas de: 1950, 1960 e 1970. E sempre pensei, um dia vou comprar um carro antigo, pois um sonho não pode deixar de ser vivido. 

Nos anos 1990, iniciei minha carreira profissional, mas dinheiro que era bom nunca sobrava. E fui tendo carros apenas para o dia-a-dia. O tempo passou, eu consegui crescer profissionalmente e já conseguiria começar uma empreitada de um projeto, mas por questões familiares (ex-esposa), eu sempre era impedido de fazer isso.

Até que em 2010, eu me separei e decidi realizar meu sonho. E qual foi a minha escolha? Sim! O carro escolhido era aquele que tinha as linhas mais bonitas que eu já vi: o poderoso Maverick! Fui até o Rio Grande do Sul, depois para o Paraná e, no fim, encontrei meu carro em São Paulo e finalmente eu comprei o BRUTO. Esse carro estava pronto e era só curtir, mas sempre tive o sonho de construir o meu carro.

Esse Maverick era um SL 1974 V8 azul metálico, carro que me deu muita alegria, durante um ano e três meses, mas ele teve que ir embora após a compra de um imóvel em novembro de 2011. No dia da venda desse carro me bateu muita tristeza, mas eu jurei que iria comprar outro Maverick. Em 2013 e vendi esse mesmo apartamento, para a compra de outro, mas havia um detalhe importante nessa nova aquisição, o novo apartamento, na planta, que teria uma vaga exclusiva para um carro antigo. Só havia um detalhe, esse carro eu não tinha ainda. Fazia contas para ter novamente um novo Maverick, mas sempre a grana estava curta, isto por conta dos objetivos pessoais.

Finalmente chegou o ano de 2016, mas aqui cabe uma pausa para explicar como comprei o meu projeto. Durante alguns anos, eu colecionei uma marca famosa de garrafas de vodka, onde a empresa detentora da marca lança várias versões pelo mundo afora. E colecionador que se presa, sempre dará um jeito de conseguir juntar o maior número de relíquias. Em oito anos de coleção eu juntei aproximadamente 120 garrafas diferentes, e havia algumas muito raras e com valores bem elevados.

Colecionava vodkas, mas eu nunca deixei minha paixão pelo modelo Maverick. Um belo dia, um ano antes de me mudar para o novo apartamento, que estava ficando pronto, pensei: “Acho que vou colocar minha coleção de vodkas a venda e, se tudo der certo, eu consigo comprar o meu carro (projeto)”. Coloquei valor em cada garrafa e vendi tudo em aproximadamente um mês, o valor apurando na época foi cerca de R$16.500.

Foi então que eu comecei minha procura por um projeto, e depois de muito procurar vários carros, dessa vez apenas na cidade de São Paulo, eu me decidi por um carro que tinha documentação ok, mas tinha muito trabalho pela frente. OK! Agora eu já tinha o carro e o que faria com uma “carcaça”? Isso mesmo, afinal o carro não tinha motor, tinha muito trabalho na funilaria e no restante do carro, mas tinha um câmbio de três marchas fora do carro, que valia muito pouco, ou seja, quase nada para um projeto.

Após a compra do carro começou minha peregrinação para encontrar onde eu deixaria meu sonho para ser construído. Após rodar muito, eu fui até a Garagem Spadari, que por coincidência, era o lugar onde um vizinho havia feito seu carro e também, me recomendou anos antes. Pronto! O local fora escolhido e definido o orçamento inicial, então já era a hora de fazer contas para ver como essa restauração iria seguir. Ela iria seguir um fluxo normal ou iria se arrastar? Já havia ouvido várias histórias ruins a esse respeito.

 

Agora eu tinha o carro, mas não tinha grana para restaurá-lo como eu imaginava e desejava, o que eu deveria fazer? Foi então que iniciei uma engenharia financeira contando com: 13º salário, férias, pagamentos mensais, empréstimos consignados e todas as fontes de entrada de dinheiro que eu tinha. Pronto! Estava feita a engenharia e agora era a hora de encostar o carro para para iniciar toda a restauração.

Foi então, que no dia 26/12/2016 que o MAV8 (esse é o nome do meu Maverick Super 1977 – V8 de plaqueta) encostou na Garagem Spadari para iniciar a transformação desse clássico.

O prazo estipulado para que o carro ficasse pronto também ficou acertado: setembro de 2017 porque queria comemorar meus 45 anos com esse carro e também os 40 anos desse Maverick.

Logo nessa mesma semana, antes que o ano terminasse, a desmontagem total do carro iniciou e aí nós começamos a ver o quanto tempo verdadeiramente seria investido nessa restauração/customização. Após a desmontagem de todas as peças do carro, iniciou-se o processo de retirada da tinta, pois precisávamos ver o que havia de fato embaixo daquela carroceria judiada, com cores desbotadas e com vários pontos de ferrugem. 

Confesso que estava mais animado, mas o tempo foi passando e mais surpresas foram aparecendo nesse processo de funilaria. O assoalho estava com fibra de vidros, os frisos muito judiados, os para-choques muito enferrujados, o porta malas com grandes podres em seu todo, painel dash pad (painel interno do carro) todo ruim e a parte mecânica toda ela muito complicada. Aí, você deve estar se perguntando: por que fazer seguir adiante? Um sonho não tem preço!

Ao mesmo tempo que as complicações iam aparecendo, o sentimento de felicidade e certeza de caminho correto iam alimentando a satisfação de ter entrado naquela empreitada a medida que o carro começava apresentar evoluções. E que empreitada desafiadora foi essa de restaurar um carro do zero.

Agora, o restante dessa história sobre restauração desse clássico eu contarei na próxima parte. Continuem acompanhando essa aventura. Até a próxima!

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