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Project Cars Project Cars #521

Project Cars #521: a conclusão do meu BMW 323Ci manual

Por Flávio “Zaca” Diniz, Project Cars #521

Fala, galera! Bem, no capítulo anterior, eu disse que a vontade de procurar outro projeto pra começar do zero estava voltando. Só que ainda não tinha batido com força, porque eu ainda estava curtindo a Bimmer. Isso me faz explicar que a primeira (sim, houve outras, continuem lendo) troca da 323Ci foi mais por oportunidade e impulso do que por desejo. Fui visitar o Sousinha, um amigo dono de uma oficina aqui em Brasília e vi esse Honda Del Sol VTi aí dando sopa (me recuso a chamar de CRX e em outro PC eu explico o motivo – me julguem).

Eis que as imagens e sensações nostálgicas de um Hondinha girando 8k+ RPM somadas ao fato de eu nunca ter tido um conversível (é targa, eu sei, mas permitam a licença poética) me fizeram agir sem pensar. Em menos de uma hora chegamos a um acordo, fomos ao cartório ao lado da oficina e estava feita a troca.

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Admito que quando cheguei em casa, não tinha certeza de se tinha feito a coisa certa. Mas de qualquer forma, manter uma BMW nem de longe é tão barato quanto manter um Honda e, querendo ou não, com o B16 eu estava “andando em um campo” que eu conhecia melhor.E ainda assim, como a Bimmer estava na mão de um amigo, eu continuava acompanhando o dia a dia do carro.

O Sousinha continuou cuidando da manutenção do carro, pintou alguns detalhes que já estavam ficando meio gastos, viajou bastante e cuidou dela com bastante carinho. E eu continuei a minha loucura de projeto após projeto. D

epois do CRX veio um Prelude Si 1995. Depois do Lude, um VTi 1993 que foi o projeto mais complexo que já fiz (inclusive a história já foi contada aqui, o PC #363) e depois dele veio esse Si aí de baixo. Desde o primeiro New Civic Si que eu tive, sempre tive vontade de voltar a ter um K20, porque VTEC de K você sente, VTEC de B você ouve e VTEC de D você lê.

Eu estava em um momento complicado e corrido da minha vida, sem tempo pra projetos, e o Si estava basicamente sendo usado de Daily (ou diarista, como o Bruno Angrisano gosta de chamar – por causa dele eu agora chamo a moça que faz a faxina aqui em casa de Dona Daily). Numa correria dessas, acabei passando na frente da oficina do Sousinha e a 323Ci estava lá na porta estacionada.

Parei pra trocar uma ideia e da mesma forma que o sentimento pelo VTEC veio da outra vez, o sentimento pelo ronco do 6 cilindros e as saidinhas de lado em retornos voltou… Ele também adorou o Si, o que acabou unindo o útil ao agradável. Mais uma vez, em menos de uma hora chegamos a um acordo, fomos ao cartório ao lado da oficina e estava feita a troca.

Meu amigo Sousa não tem o melhor gosto do mundo para rodas e perfil de pneu, eu admito. Mas ao menos o padrão de cuidado do carro se manteve. A velha senhora alemã continuava impecável. Só que nem de longe a Bimmer era tão prática para o dia a dia para mim. Além da já mencionada manutenção mais cara, mesmo sendo um carro com mais de 15 anos de uso (na época) e mais barato que um popular pelado 0 km, todo mundo acha que você é um milionário quando olha o emblema do capô.

Daí você não consegue estacionar em lugar nenhum em paz, não consegue fazer seguro, e fica morrendo de medo de qualquer encostadinha no trânsito te deixar sem carro por vários meses pela dificuldade de encontrar peças. Resolvi então procurar um carro mais normal para o dia a dia e acabei negociando com o meu amigo Téo lá do interior do interior de SP a troca dela por (de novo) um Civic VTi EK4 1998 (eu sei, o último parágrafo foi só desculpa pra tentar disfarçar que na verdade isso tudo era só obra da maldita “Síndrome de Falta de Sarna pra se Coçar”).

Jogo rápido também, em uma semana estávamos em Itumbiara (meio do caminho) fazendo a troca. O Téo também cuidou muito bem da BMW. Fez o tão sonhado remap que eu nunca tinha conseguido fazer (números do mecânico dele: 191 HP e 18,1 NM – um ganho considerável levando-se em conta os 170 HP originais em um carro aspirado) diretamente na central, via OBD mesmo.

O carro rendia melhor na Pódium, mas podia andar com gasolina comum em emergências. Pintou alguns detalhes, arrumou rodas e parachoque de M3, molas Eibach, fez várias manutenções preventivas (já faziam mais ou menos 3 anos desde a minha primeira compra do carro, afinal de contas).

Mas o Téo sofre da mesma síndrome que eu. A esta altura eu já tinha trocado o VTi EK4 em (mais um) New Civic Si vermelho. Lá estou eu fora do país em uma viagem para comemorar os 30 anos da minha esposa quando toca o Whatsapp com proposta indecorosa. “Que tal este Si vir aqui para o interior do interior de SP e a E46 voltar aí para Brasília, meu amigo Zaca”? A proposta era tão vantajosa que eu fiquei o resto da viagem sem dormir direito. E não teve jeito. A 323Ci voltou para mim pela terceira vez. Isso mesmo. Terceira.

Mas desta vez havia uns 10 centavos a mais de bom senso na minha cabeça. Eu já sabia que não ia ficar com o carro. Peguei porque a proposta era extremamente vantajosa. Mas isso não me impediu de cuidar dela como eu acho que se deve cuidar de um carro. Alinhei corretamente o parachoque dianteiro que tinha sido instalado por um funileiro zarolho, pintei as rodas da cor certa, fiz uma boa manutenção preventiva e gastei uma pequena fortuna na FCPEuro com peças originais para consertar detalhes do interior que não estavam funcionando como deviam (sensor do airbag do banco do motorista, trava da porta do lado esquerdo, algumas borrachas gastas e comidas e por aí vai), tudo isso com a ajuda do Rafha e do Thiago mais uma vez. Óbvio, curti mais um bocadinho o “Zaca-o-Ring” do post anterior, participei de alguns eventos, mas em pouco tempo ela já estava a venda novamente.

Não demorou muito e ela seguiu rumo a Ribeirão Preto onde permaneceu alguns anos. Hoje ela pertence ao Beloto, do canal BelotoPlays do YouTube. Ele tem vários projetos pra ela, mas com certeza um deles não é voltar para mim. Esse carro já me divertiu bastante, e hoje está em boas mãos para que o projeto tenha sequência. O show tem que continuar!

E quanto a mim, óbvio que a “Síndrome de Falta de Sarna pra se Coçar” não ia me deixar em paz, não é mesmo? Conto mais sobre isso em um próximo Project Cars! Valeu, galera!

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