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Car Culture

Project Cars #80: o vencedor da rifa e os ajustes para o Subaru Impreza voltar a rodar diariamente

Esse carro eu já conheço! É aquele da rifa não é? Mas cadê o Tiago, quem é esse Marcio?” Bom galera vou voltar no tempo e contar um pouco sobre minha história e como me tornei o feliz proprietário do PC 80.

Meu nome é Marcio Rocha, 31 anos e moro em Bom Jesus dos Perdões/SP. Atualmente sou publicitário formado, trabalho no setor público, mas sempre fui apaixonado por carro e aos meus 18 anos me tornei mecânico. Em sete anos na área passei por oficinas pequenas, concessionárias (Honda, Chevrolet, FIAT) oficinas de preparação, segmento no qual me especializei. Inclusive eu fui o responsável pela montagem do PC 37, o Uno Turbo.

Sempre admirei os carros nipônicos, principalmente os Subaru. Tentei várias vezes adquirir um, porém as condições ($) nunca ajudavam, e até já tinha me conformado que não era pra mim.

Mas certo dia estava eu visitando o FlatOut, lendo o post do Project Cars #80 quando deparei com a informação de que o carro estava sendo rifado. A princípio, hesitei, mas pensei (ou melhor, não pensei) e num impulso comprei. Comprei mas não botei muita fé, inclusive me esqueci completamente da rifa e do sorteio.

Até que no dia 26/04, estava eu vendo os emails, e na caixa de entrada estava um email do remetente Tiago Máximo:

Fala Marcio blz?!
Agora vc deve estar lembrando das tantas vezes que apostou em alguma coisa e nunca ganhou nada acertei?!
Então, dessa vez vc ganhou, e foi um carro!!!
Parabêns!!!
O número sorteado foi o 283.
Tentei te ligar no número (11) XXXX-XXXX mas ninguém atendeu.
Me adiciona no face, whats ou skype pra gente conversar!

Quase infartando, sai correndo do banheiro gritando pra minha esposa:

– GANHEI UM SUBARU…

Imaginem a cara dela. Sem entender nada. Expliquei que era uma rifa de um subaru que estava rolando na net e ela ficou tão feliz quanto eu, ainda falou: – Ta vendo realizou seu sonho. Aqui deixo meu enorme agradecimento por ter esta mulher ao meu lado, sempre me incentivando e me aguentando.

Sim agora sou o feliz proprietário de um Subaru Impreza Gl 1997, 4×4, 2.0, ou quase.

Entrei em contato com o Tiago, conversa vai conversa vem e ele me diz:

Você vai querer pagar a diferença para levar o carro com todos acessórios de performance?
Quanto é a diferença? — perguntei.
R$ 5.000, ele diz.
(momento de silêncio) digo a ele que a principio não. Estava em um momento complicado financeiramente.
Ele diz que de qualquer forma só voltará ao Brasil no fim de maio (ele estava no Canadá) e que o carro está guardado com o irmão dele em Belo Horizonte.

Assim, falei pra ele que tentarei levantar o dinheiro até lá pra ficar com o carro completo, se não ele tira tudo e entrega original. Fiz umas contas: R$ 5.000 da diferença, mais documentação, mais viagem para buscar o carro. Precisaria vender o Kadett.

 

A venda do Kadettão

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O Kadett era meu carro na época, mas precisaria vender ele para pegar o Subaru “completo” — e com um certo pesar, pois fiz muita, muita coisa no Kadett. Mas não tive como manter os dois carros. Vejam só a lista de equipamentos e mods que eu havia feito no Kadett:

Motor 1.8 aspirado
Cabeçote com dutos polidos, taxado
Comando de válvulas do Kadett GS
Coletor de escape polido internamente 4x2x1. Silencioso final do Kadett GSi
Coletor admissão equalizado
Parte debaixo tudo refeito, bomba de agua, de óleo, bronzinas, tudo novo.
Motor de arranque do Astra, mais leve e eficiente
Radiador novo, termostática nova
Suspensão com amortecedores blackz e molas tag e barra anti torção dianteira inferior
Freios novos, pinças, discos, pastilhas, cilindros de roda, fluido dot4
Rodas aro 15 do Astra Sport com pneus novos
Interior original, com volante do Calibra, hallmeter e bancos Recaro
Ok, Márcio. Mas o que o Subaru ganharia por R$ 5.000 a mais?

Rodas XXR 17×8.25″
Coilovers Goodspeed com regulagem de pressão dos amortecedores e cambagem
Pivôs Whiteline
Buchas em PU
Barra anti-torção dianteira e traseira originais STI
Volante Momo com cubo de engate rápido NRG
Manômetros Autometer – Pressão de óleo e Boost
Radiador de alumínio com ventuinhas slim novas
Bobina MSD e cabos de vela NGK
Coletor de escape Unequal em inox
Embreagem Exedy
Linhas de freio Stoptech

Eu ainda tinha algumas semanas pra dizer que realmente o Subaru era meu e buscá-lo em BH. Vocês devem imaginar a alegria da criança aqui, e a ansiedade de buscar logo o carro.

Enquanto esperava, consegui vender meu Kadett no dia 3 de junho. Em seguida programei a viagem para Belo Horizonte e a volta com o Subaru. Saí de casa às 19:00 de 10 de junho. Na mochila levei algumas ferramentas por precaução.

1ª Etapa: De Bom Jesus dos Perdões/SP para Atibaia/SP

2ª Etapa: De Atibaia/SP para São Paulo/SP

3ª Etapa: Às 21h cheguei ao terminal do Tietê com a passagem comprada para BH. Horário de saída: 23:15. Peguei o busão em direção a BH, de noite, cansado e ansioso.

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Primeira parada do busão no caminho: continuando a viagem, peguei no sono, e só acordei quase chegando lá

Já em BH muito trânsito, ansiedade, sentimento de criança na noite de natal. Como combinado o Tiago me buscou na rodoviária, e logo fomos ao encontro do Scooby.

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Chegamos na frente da casa, neste momento não tive outra reação se não sacar o celular e tirar uma foto. São segundos em que passa um filme na minha cabeça, a ansiedade toma conta e logo começamos a mexer no carro.

Fizemos algumas coisinhas que estavam pendentes: troca de óleo, troca de sensores de posição e de detonação, instalação da bateria, sangria do freio e verificação de fluidos.

Damos a partida e logo o boxer mostrou sua saúde, sem dificuldade. Tudo nos conformes — deixo aqui o registro da honestidade do Tiago. Tudo que foi descrito no carro, o procedimento do sorteio, a entrega, as coisas que foram feitas e o que tinha a fazer, nada foi omitido, muito claro e transparente.

Havia um barulhinho no cabeçote, o qual o Tiago me avisou que eram as válvulas desreguladas, e outro barulho que parecia uma rajadinha. Tocamos para o posto de gasolina para completar o tanque e voltar para Atibaia.

Tanque cheio, 11 da manhã e lá fomos nós.

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Primeiros metros e trânsito na cidade. Ao pegar a estrada, alguns km e começo a me adequar dentro do carro

 

Primeiras Impressões

Suspensão bem firme, os coilovers não ajudam no conforto, mas existem muito piores. Câmbio com short é coisa de outro mundo, muito curto e preciso. A direção é arisca e precisa, sem folgas nem barulho.

Tudo funcionando, vidros, trava, alarme, ar condicionado, som , enfim tudo certinho. Um olho na estrada e outro no manômetro de óleo, temperatura e pau na máquina. Depois de três horas de viagem parei em um posto para comer algo e dar comida pro meu novo parceiro: 1/2 tanque e 289 km rodados. Nada mal.

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Ambos de “barriga cheia” voltamos para a estrada e depois de mais 2h45min chegamos em Atibaia. Uma média de 100km/h dando umas esticadas nas saídas de pedágio (não resistia).

Resumo: o carro está bom em termos de freios, suspensão, arrefecimento, escape, inteior e lataria (tirando a pintura queimada em uma porta e nos parachoques). Quanto ao motor, preferi não abusar antes de ter certeza do que estava acontecendo.

A primeira coisa que fiz no fim de semana foi cortar os arcos de para-lamas para abrir as portas traseiras e poder levar minha filha.

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Fender cortados, falta um acabamento com lixa

Nestas fotos vai dar pra reparar que levantei um pouco o carro, mas já o suficiente pra não pegar nas lombadas do meu condomínio. Não tirei foto do processo pois esqueci o celular dentro de casa e queria ver logo o resultado.

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Depois disso foi a hora do banho, a primeira foto dele limpo (comigo)

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Repousando na garagem de casa

 

Mas a vida… a vida é uma caixinha de surpresas.

Um dia ao chegar em casa na hora do almoço, olhei para o chão e vi uma poça de óleo considerável se formando. No caminho já tinha sentido cheiro de óleo queimado, mas como ele tem uns vazamentinhos, achei que podia ser isso pingando no escape. Olhei por baixo e o vazamento era grande.

Levantei a frente e vi que o vazamento vinha do filtro de óleo. Por sorte o Tiago tinha um novo reserva e me mandou junto. Tirei o filtro e quando vi o anel de vedação tinha rachado, acredito que aconteceu isso pelo tempo que o carro ficou parado (cerca de três meses) e não trocamos no dia da entrega por que minha chave de filtro não serviu. Susto resolvido.

Mais a tarde resolvi “brincar” com os amortecedores e diminuir a rigidez deles. Deixei quase no meio termo, digamos que 60% de dureza na frente e 70% atrás. Já ficou outra coisa, gostei mais ainda do carro.

Mais alguns dias e outro detalhe com o carro….

Estava andando normal, mas senti que o carro estava perdendo força. Parei e fui olhar, ao checar a pressão de combustível (o manômetro fica no cofre do motor) estava a zero. Primeira coisa: pensei no filtro. Desmontei-o chequei e não estava nem de longe entupido. Remontei dei a partida e a pressão subiu a 30 psi novamente.
Carro andando normalmente quando, de repente, fica fraco de novo. Vou lá olhar o “reloginho” e marcava 10psi.

Tentei regular de novo, mas percebi que a rosca da regulagem estava quase no final e a bomba começou a “gritar”. Tirei a pressão e fui pra casa pra poder averiguar melhor. Tirei o dosador, desmontei ele e parece que a membrana cedeu, ou seja, esticou. Coloquei o dosador original (que veio em uma caixa junto com outras peças antigas) na posição original e usei o regulável somente para manômetro ligado na linha sem regulagem.

Dei a partida e já de cara a bomba parou de fazer barulho, pressão normalizada, fui andar e problema resolvido.

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Como disse mais acima, havia dois barulhos que incomodavam/assustavam no motor.

O primeiro a suspeita eram as válvulas, então busquei manuais e informações e lá fui regulá-las.

O que dizer? A regulagem certa é de.20mm na admissão, e estava com. 60mm. No escape é de ,25mm estava em torno de .40mm O barulho mudou, a pegada mudou, o carro ficou ótimo. Na lenta mal se escuta o motor funcionando.

Segue o vídeo onde dá pra ouvir o clic clic das válvulas

O segundo barulho era o “rajadinho”, mas pela minha experiência de mecânico, algo me dizia que não era de “dentro” do motor. Foi então que pesquisando encontrei alguns casos gringos, onde havia um barulho semelhante ao meu e que vinham do tensor hidráulico da correia dentada, principalmente quando frio. Desmontei as capas, pus o motor pra funcionar e comprovei que o tensor está fazendo barulho.

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Agora estou procurando ( a um preço que caiba no meu bolso) o tensor para efetuar a troca.

Para um motor com 260.000 km ele está muito saudável, e como pode ser visto na foto onde está sem a tampa de válvulas, não apresenta borra.

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Outra peça que troquei (veio junto com o carro) foi o suporte/coxim do câmbio, que ainda era o original e já estava com a borracha estourada.

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Ainda preciso trocar o separador de óleo. É uma tampa que fica logo atrás do volante do motor, onde nos modelos mais antigos ela é de plástico, com o tempo resseca e trinca, causando vazamento. Já tenho todas as peças (mais uma vez obrigado, Tiago), mas está me faltando tempo.

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No mais estou utilizando o carro no dia-a-dia. Alguns podem me criticar, mas é meu meio de condução, nos fins de semana até consigo deixar ele descansando e usar o da esposa.

Captura de Tela 2015-08-08 às 00.55.12 Captura de Tela 2015-08-08 às 00.55.28

Ter um Subaru modificado como daily car é uma experiência que vale a pena. Vários param no semáforo e perguntam o ano, que carro é, os mais novos torcem o pescoço para ver passando.

A suspensão coilover não é a melhor escolha para um carro de uso diário. Pelo menos no meu caso eu ando com cuidado redobrado para não forçar tanto o restante da suspensão/chassi.

O consumo está me surpreendendo, média de 8km/l entre cidade e estrada com ar ligado na cidade andando “de boa”.

Buscar peças é uma tarefa peculiar. As ligações para lojas de peças resultam em um sonoro “não”, ou em um preço altíssimo. É preciso ter paciência e contatos, mas nada que seja inviável ou não valha a pena.

Bom, acredito que é isso. Ainda preciso trocar um rolamento da roda traseira esquerda, pintar os para choques e a porta. Depois é só curtir. E para dizer aa verdade estou curtindo muito ter o carro que eu sempre quis. Ouvir seu ronco, é inexplicável.

Queria agradecer aqui o FlatOut, o Tiago, o Clube Subaru e todos que estão me ajudando com informações, indicando locais para compra de peças e afins. Assim despeço-me encerrando este PC, mas apenas começando minha história com este scooby.

Por Márcio Rocha, Project Cars #80

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Uma mensagem do FlatOut!

Márcio, em primeiro lugar, parabéns pelo prêmio. É muito legal que o carro tenha ido para alguém que o abraçou e irá se dedicar a mantê-lo com cuidado e atenção como você demonstrou neste relato. Esperamos vê-lo no futuro, quem sabe, de volta em uma futura chamada do Project Cars. Parabéns mais uma vez!

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