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Project Cars Project Cars #03

Project Cars Trip #03: um estrangeiro dirigindo pela Europa. O que levar? Como se comportar?

Olá novamente amigos FlatOuters! Meu nome é Rodrigo Savazzi e este é a segunda parte do  ProjectTrip, a incrível história de um Subaru Impreza que virou um rolê pela Europa. Antes de tudo, quero começar agradecendo os inúmeros comentários e as sugestões no primeiro post. Foi muito legal acompanhar o retorno de vocês e, atendendo a vários pedidos, darei um pouco mais de ênfase ao planejamento e algumas dicas baseadas na minha experiência para outros motoristas de primeira viagem no velho continente.

 

Alugando um carro

Neste quesito (e em muitos outros) a internet é sua melhor amiga. Pesquise bastante e você encontrará diferenças enormes de preços entre locadoras. Às vezes até mesmo entre sites da mesma locadora… Eu costumo alugar pela Hertz que, sozinha, tem três sites diferentes(!), o nacional (hertz.com.br), o internacional (hertz.com) e o nacional para locações internacionais (hertz-int.com.br). Quase sempre o valor entre eles é diferente, bem como as coberturas e seguros inclusos em cada locação. Vale a pena verificar em todos e, às vezes até mesmo cotar também por telefone.

Outra dica: algumas locadoras permitem que você reserve e já faça o pagamento no Brasil. Você economiza o IOF (6,18%) e ainda não toma sustos com a cotação do euro/dolar no dia do fechamento da fatura do cartão.

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Retirando o carro em Frankfurt

Na hora de montar o roteiro, dê preferência a itinerários circulares, começando e terminando no mesmo local. Desta forma você economiza a taxa de retorno do veículo. Essa taxa, cobrada quando a retirada e entrega se dão em localidades diferentes, costuma ser bastante elevada, não raro chegando perto do valor da própria locação.

Na hora de reservar o carro, informe-se com a locadora quanto à restrições de circulação da frota. Eu, inicialmente, estava cogitando alugar um Audi A6 Avant, mas como iria transitar também pelo leste europeu (República Checa), não poderia alugar nenhum modelo da BMW, Audi ou Mercedes-Benz.

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Levando uma mensagem de sabedoria para os europeus…

 

PID – Permissão Internacional para Dirigir

Recebi muitas perguntas sobre a PID, conhecida popularmente como carteira internacional. Ela nada mais é do que um espelho da sua CNH, traduzida para vários idiomas diferentes e reconhecida internacionalmente.

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Esta é cara da PID

Apesar dela não ter me sido solicitada nenhuma vez durante a viagem, nem mesmo quando fui parado pela polícia em Praga (entrarei em detalhes mais à frente…), é recomendado o porte.

Ela deve ser solicitada junto ao DETRAN do estado e, em São Paulo, pode ser obtida pela internet e entregue em casa. Custa pouco mais de R$ 230,00 com a taxa de entrega e fica pronta em sete dias.

 

Dirigindo na Europa

Ok, você está com sua PID na mão, já passou no balcão da locadora, pegou a chave do carro e está doido para pegar estrada, certo? Você sabe para onde ir, mas você sabe como chegar lá?

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Muitos carros tem sistema de navegação integrado, mas não conte com isso. Todas as locadoras tem GPS para alugar, mas nunca vale a pena, já que um bom smartfone já cumpre o papel. Só tenha certeza de ter os mapas necessários disponíveis para navegação off line.

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Não se esqueça de levar um carregador veicular e um suporte de boa qualidade (ou um rolo de fita…)

No ProjectTrip, chegamos na Europa por Frankfurt à tarde e a primeira pernoite estava programada para Berlin, distante mais de 500km, o que significaria que logo de cara já iríamos riscar o primeiro item da lista do post anterior: dirigir a mais de 200 km/h nas Autobanen.

O que parece emocionante a princípio, cruzar as rodovias em velocidades que seriam consideradas criminosas no Brasil, na prática se mostra um pouco diferente. Depois de uma ou duas horas para se acostumar com o carro e com o ritmo, manter médias acima dos 190 km/h torna-se tão normal quanto andar a 120 km/h na Rodovia dos Bandeirantes; principalmente porque o ritmo de todos os outros veículos, até mesmo dos caminhões, é bem mais rápido do que encontramos no Brasil (nada de caminhões com excesso de carga trafegando a 40 km/h por aqui…) e a velocidade relativa entre os carros acaba sendo menor.

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Velocidade normal de cruzeiro…

Se o tempo permitir, tente, sempre que possível, sair das rodovias principais e pegue as estradas secundárias. A velocidade é menor, mas as paisagens são fantásticas e quase sempre você vai encontrar a pista mais vazia e curvas para se divertir.

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Saia um pouco das auto-estradas…

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…vai por mim…

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 …vale a pena!

Vai cruzar os alpes? Preste atenção nos pneus do seu carro… Do final do outono até o começo da primavera torna-se obrigatório o uso de pneus para neve (verifique a disponibilidade deles com a locadora). O período exato varia de trecho para trecho, então é melhor pesquisar primeiro.

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Ainda sobre os Alpes, se for viajar no período mais frio do ano, as estradas podem ser fechadas sem aviso prévio por causa de alguma nevasca repentina e ficar assim por semanas. Esteja preparado para ter que alterar o caminho e ser obrigado a rodar algumas centenas de quilômetros a mais.

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Placa indicando que as estradas estavam livres para o tráfego… ufa!

 

Pedágios

Neste quesito, cada país segue um modelo diferente de cobrança. Na Alemanha, por exemplo, não há cobrança e em outros existe a cobrança tradicional, por cabines na rodovia.

Em alguns lugares, como na Itália e na França, ao se entrar na rodovia retira-se um ticket, que deverá ser colocado numa máquina similar na saída e paga-se a tarifa uma vez só, proporcionalmente à distância percorrida. Achei muito melhor do que ter que parar em uma cabine a cada 20 ou 30 km.

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Ticket de pedágio de uma estrada italiana

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Devolvendo o ticket e pagando a tarifa

Finalmente, em países como a Suíça, Áustria e República Tcheca, para transitar nas auto-estradas é necessário comprar um adesivo, que é válido por um período determinado, e colá-lo no pará-brisa. No final da viagem eu já tinha acumulado uma pequena coleção deles…

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Coleção completa!

 

Abastecendo o carro

Se já reclamamos do preço da gasolina no Brasil, na Europa os valores são ainda maiores. Na época em que estive por lá (final de 2011) paguei entre 2,45 e 2,85 euros por cada litro de óleo diesel que entrou no tanque da Maria, nosso Passat Variant.

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Abastecendo nos arredores de Füssen, na Alemanha

E aqui o frentista é você. Na maioria dos postos, você libera a bomba colocando o cartão de crédito, seleciona o combustível e abastece o carro. É bastante simples, na verdade. Eu passei por alguns postos de combustível em que o número total de funcionários era igual a zero

 

Dirigindo nas cidades

Em algumas cidades, foi surpreendentemente fácil transitar de carro e até mesmo estacionar próximo de onde eu queria ir, como Berlim e Praga. Já em outras, como Paris e Bruxelas, o melhor mesmo é deixar o carro no hotel (ou próximo, já que nem todos tem estacionamento) e utilizar o transporte público.

Já em Roma, nem tente. Sério. Aquilo lá é coisa de louco. Faz dirigir por São Paulo no horário do rush parecer um passeio de domingo.

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Nem tente…

A boa notícia é que as cidades costumam ser bem-servidas de transporte público e relativamente pequenas. Amsterdam, por exemplo, pode ser quase toda explorada a pé mesmo.

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Ou de bicicleta, como os locais fazem. Este é só um dos estacionamentos de bicicletas da cidade

 

Comunicação

Saber inglês quase sempre ajuda, mas em alguns locais da Europa é tão útil quanto falar klingon. Essa situação aconteceu mais vezes do que eu esperava, principalmente longe dos grandes centros urbanos e na Bélgica e na República Tcheca.

Decidi abordar um pouco este assunto após a manifestação de alguns leitores nos comentários do último post. Apesar de parecer um grande problema, na prática a barreira da língua não é tão grande quanto pode parecer. A dica é sempre tem em mãos uma cola com algumas palavras básicas no idioma local, como “por favor”, “quanto custa”, “obrigado” e “banheiro”. Quase todas as pessoas se mostrarão muito mais solícitas a ajudar um turista perdido se você manifestar algum esforço em, pelo menos, cumprimentá-la na própria língua. Daí em diante a boa e velha mímica dá conta do recado.

 

Problemas com a Lei

Nem tudo foram flores na Europa… Tivemos dois problemas com a polícia de Praga da peste. E no mesmo dia! Na primeira ocasião, deixamos o carro estacionado na rua durante algumas horas e, ao voltarmos, nos deparamos com a seguinte cena: uma trava na roda e um aviso colado na janela do carro. Era uma sexta-feira, final de tarde, e ja estava imaginando que só conseguiria liberar o carro na segunda-feira, arruinando todo o cronograma da viagem. (Foi tão desesperador, que nem lembrei de tirar uma foto da trava.) Havíamos parado, sem saber, em uma zona de estacionamento restrito aos moradores locais.

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Trava de roda. Imagem ilustrativa…

Passado o susto, até que foi tranqüilo. Encontramos um policial que foi muito prestativo, e removeu a trava, mediante a uma multa de 1.000,00 Kc, na época equivalente a cerca de R$ 120,00. Uma cuirosidade: na República Tcheca essas multas são pagas na hora mesmo, para o policial, que te emite um recibo e te libera.

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Pagando a multa…

Mais tarde, seguindo cegamente o GPS e ignorando totalmente a confusa sinalização do centro de Praga, acabamos entrando numa zona apenas para pedestres (e bondes). Uma viatura que estava próxima ao local nos interceptou e sinalizou para que parássemos. A princípio não percebemos que era com a gente, afinal não estávamos (do nosso ponto de vista, claro…) fazendo nada de errado. Os policiais acabram atravessando a viatura na nossa frente e desceram do carro putos da vida muito bravos, gritando e sinalizando com as mãos. Todo mundo no calçadão parou para olhar os “meliantes”… Depois de muita conversa e uma bronca fenomenal, o mal-entendido foi desfeito e levamos mais uma multa, dessa vez de 500 Kc, novamente paga na hora…

E por hoje é só. Obrigado por lerem até aqui. Prometo que os próximos posts terão um enfoque muito mais gearhead, com mais carros e menos conversa fiada. Até lá!

Por Rodrigo Savazzi, Project Cars #03

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