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Project Cars #325

Project Trip #325: a Eurotrip chega à fábrica da Pagani e ao Passo dello Stelvio

Olá pessoal! Gostaria de agradecer a todos que leram e comentaram na primeira parte do nosso Project Trip! Espero que curtam a segunda parte da viagem!

 

Passo dello Stelvio

Depois de visitar o Museo Ferrari e Veneza, chegou o dia mais esperado por nós desde quando começamos a organizar a viagem: subir o Passo dello Stelvio!

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Às 5 da manhã levantamos (porque dormir foi difícil), tomamos um rápido café, carregamos o carro e partimos, deixando pra trás a família do Lucas, que embarcaria de volta ao Brasil em algumas horas. Abastecemos o francês em um posto de combustível self-service para pagar menos e pé no porão (mas só até o limite de velocidade, pois as estradas italianas são forradas de radares e as multas são bem salgadas)!

Cada quilômetro rodado era uma surpresa, a paisagem mudava a todo instante. Em um trecho da viagem fomos acompanhados por uma turma de motociclistas, todos de Lambretta!

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Depois de quatro horas de estradas com belíssimas paisagens e asfaltos impecáveis, vimos a primeira placa: estávamos chegando! Nesse instante começamos a refletir o que estávamos fazendo ali, como essa “história de eurotrip” começou, e chegamos à conclusão que os responsáveis por tudo isso acontecer foram os carros.  Foi por meio deles que a amizade começou! De sessões de fotos, uma simples ida ao posto a noite, passando por rolês memoráveis em Floripa, Joinville e Criciúma… e agora estávamos em outro continente, a alguns quilômetros de distância de uma das melhores estradas do mundo!

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Companheiras do frio. Luvas de kart da Alpinestars que me acompanharam durante toda viagem!

Diferente do Rodrigo Savazzi do PC#03 (grande inspiração pra nossa viagem! Valeu, Rodrigo!), que veio da Suíça, não entraríamos no país do chocolate: a ideia era subir o Passo dello Stelvio, descer para Bormio e voltar por dentro do Parco Nazionale dello Stelvio, passando por outros “Passos” menos conhecidos, mas igualmente belos.

Interior adentro, conforme andávamos, a estrada ficava cada vez mais estreita, as curvas mais fechadas e o trânsito diminuía. O Passo dello Stelvio é um pedacinho da SS38, uma estrada que costeia quase metade da divisa da Itália com a Suíça. Mas não é só este pedacinho que é sensacional: a estrada inteira é linda.

Iniciamos a subida do Passo dello Stelvio. Algumas motos big trail passavam descendo ou subindo, um Porsche 911 GT2, algumas BMWs e Mercedes conversíveis. Paramos no primeiro refúgio que vimos e o visual era impressionante! Andamos mais um pouco, nova pausa para fotos e vimos a neve pela primeira vez!

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A subida é incrível! Muitas curvas (48, bem fechadas, pra ser mais exato), pouco movimento e uma paisagem mudando rapidamente. O verde sumiu e o branco e cinza predominavam. O computador de bordo marcava 1ºC lá no topo da montanha, 2620m acima de onde começamos a viagem (dos quais 1560m subimos apenas no Stelvio).

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Conforme planejamos, almoçamos lá em cima. Comemos um ótimo sanduíche alemão de uma barraquinha. Também sentimos pela primeira vez o efeito da altitude ao subir as escadas de um mirante. Precisamos de alguns minutos para recuperar o fôlego!

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Também deixamos nossa passagem registrada por lá: Scuderia777, South Monkeys e NSR Garage!

Curtimos muito o visual lá de cima! Visitamos a estação de esqui, as lojinhas e andamos um pouco a pé para conhecer o local.

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Alguns dos carros que estavam estacionados lá em cima.

Então começamos a descer em direção à cidade de Bormio, continuando pela SS38 e retornar pelo Passo Gavia, passando pelas estações de esquis maiores e por dentro do parque nacional. Infelizmente, a estrada estava fechada por conta da neve. Mesmo assim, resolvemos dirigir até onde fosse possível e, podem ter certeza, valeu muito a pena! Por estar fechada, a estrada estava completamente vazia.

O aviso de estrada fechada ficava logo no início, porém a cancela que bloqueava a passagem ficava alguns quilômetros pra dentro. Passamos por no máximo dois carros e um trator Lamborghini. Ela era bem mais estreita que a subida do Stelvio, com menos proteções e igualmente (ou mais) divertida.

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Um dos carros que cruzamos durante a travessia do Passo Gavia.

Momento reflexão: um fato curioso, é que durante boa parte desse tempo entre Passo dello Stelvio e Passo Gavea, o que deu uns 30 minutos, o Lucas estava falando com sua namorada via chamada de vídeo no Skype perfeitamente, mostrando as paisagens a ela também e ainda roteando pro meu celular! A internet lá era muito boa, mesmo no meio do nada. Até parece a 3G do Brasil…

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Registros fotográficos feitos, mais uma placa adesivada, hora de voltar ao Passo dello Stelvio. No caminho encontramos duas big trail e fizemos uma brincadeira com eles. Depois, mais uma brincadeirinha com um VW Polo. DS4 acompanhou legal! E, definitivamente, vimos que aquele destino era cheio de gearheads!

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Subimos de volta e descemos novamente o Passo dello Stelvio: não sabíamos se estávamos felizes ou tristes, pois deixamos de conhecer uma estrada nova (o Passo Gavia e tudo que tinha dali pra frente), mas ganhamos a oportunidade de dirigir mais uma vez pelo Stelvio! Descer foi tão legal quanto subir, só que com a impressão de que você está saindo de um campo aberto (e branco) e mergulhando em uma floresta de árvores alpinas. Despedimos-nos da montanha tristes. A vontade era ficar lá muito mais tempo! Conforme a noite caía, seguimos rumo a Trento, para dormir e no outro dia fazer a visita na fábrica da Pagani, que estava agendada para as 11h da manhã.

Chegando em Trento fomos direto ao hostel. Descarregamos o carro e saímos para comer algo. Achamos uma pizzaria e vi escrito no cardápio na parede: “Pizze Calabrese – €3”. Pensei, como todo o vocabulário italiano que havíamos aprendido até então, “é questa mesmo!” e pedi uma. O Lucas foi na mesma idéia que eu e também pediu uma. Pegamos uma Coca lata cada um para acompanhar e esperamos. Imaginem nossa cara quando pegamos as pizzas: elas não eram de salame calabresa, como imaginávamos, mas sim de pimenta calabresa! Sim, uma pizza de pimenta! Tirei as pimentas de cima, passei um guardanapo por cima da pizza e tentei comer. Claro que pagar por outra pizza não estava entre as opções consideráveis, pois seria um gasto a mais no nosso curto orçamento. Mas tive que pegar mais uma Coca, pois a primeira saiu de mim toda em forma de suor enquanto comia. Voltamos pro hostel e passei mal uma boa parte da noite… Coisas de primeira viagem!

 

Pagani Automobili S.p.A.

Dormimos tarde e acordamos cedo (outra coisa que iria se repetir bastante ao longo da viagem). Destino do GPS registrado: Via dell’Artigianato, 5, San Cesario Sul Panaro, PaganiAutomobiliS.p.A.! Chegamos lá cedo, quase 1h antes do horário de início do factory tour, entramos no hall da fabrica e mandaram voltarmos mais perto do horário. Ficamos então andando pelas ruas do parque industrial onde fica instalada a fábrica, conhecendo o que havia ali por perto. Percebemos que os funcionários da fábrica realmente curtem carros: Honda S2000; Golf GTI; um Fiat Punto antigo com bancos concha, cintos 4 pontos e adesivo de Nurburgring. Estes eram alguns que estavam estacionados perto do portão da fábrica.

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Se fosse um Honda S2000 preto até poderia achar que era Johnny Tran dando um rolê!

Chegando mais perto do horário da visita, apareceu um Porsche 911 993 com placas da Suécia. Era pai e filho. Estacionaram perto da gente. Alguns minutos depois surge uma Ferrari 599 GTB com placas do Texas (!!!!!), um casal típico americano. Em seguida chegou um VW Scirocco azul e uma van Mercedes com uma família (guardem essa família, mais pra frente eles reaparecerão). Descobrimos que estas eram as pessoas que nos acompanhariam na visita.

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Entramos no hall da Pagani e começou a sessão de fotos! Um Zonda R no meio do salão, o primeiro fórmula de Horacio Pagani no canto (com uma plaquinha com o nome de Juan Manuel Fangio dentro), e uma mesa de fibra de carbono no outro com um aparelho de som do mesmo material ao lado.

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Hora de guardar as câmeras, entramos na área de produção. A guia começou a nos explicar como funcionava tudo, falou sobre a história da fábrica e mostrou os diferentes tipos de compósitos usados na construção do carro. Nessa primeira parte da visita conhecemos o prédio “velho”. Lá estava a parte de tapeçaria e moldagem da fibra de carbono.

A capacidade de produção da fábrica é de 40 carros por ano, mas atualmente fazem de 20 a 25. Leva sete meses para a fabricação de um carro, que é totalmente construído a mão. Do pedido do carro até a entrega, a espera é de cerca de dois anos.

Os moldes são utilizados no máximo 10 vezes e também são feitos de fibra de carbono. A célula de sobrevivência do carro utiliza titanium carbon fiber em sua construção. Toda parte de compósitos é feita pela Pagani, as peças mecânicas são feitas por parceiros exclusivamente para seus veículos. Eles não utilizam peças de outros carros. Motores são AMG, freios Brembo e suspensão Öhlins.Nesse prédio, trabalha-se em apenas um carro por vez – isso mesmo: nunca tem dois carros sendo feitos ao mesmo tempo por lá.

O carro inteiro pode ser customizado ao gosto do comprador. A guia nos contou uma história curiosa de uma cliente, que foi à fabrica escolher os detalhes do Zonda que o marido iria dar de presente à ela. Pro interior, ela pediu que fosse forrado com o mesmo couro de sua bolsa Hermés, pink fluorescente. Pedido atendido: a Pagani ficou com a bolsa, teve que fazer uma pesquisa intensiva pra descobrir o fornecedor do couro e poder fazer o pedido! Claro que tudo isso tem seu preço adicional… como se fosse pouco pagar o preço “inicial” dos Pagani. Para terem uma ideia, quando fizemos a visita, um Huayra estava saindo por no mínimo US$1,3 milhão, enquanto o Zonda inicia nos US$3 milhões (sim, ainda é possível fazer um pedido especial do Zonda). Sem impostos. Sem frete.

Primeira parte do tour encerrada. A guia então nos convidou a ir até o prédio novo, distante 2km do prédio antigo. Agoniados, fomos os primeiros a sair do prédio antigo e chegar ao novo (chupa 911, Ferrari e Scirocco!). Chegamos lá e vimos um Huayra chegando e estacionando. Desceu, então, um senhor de cabelos brancos e óculos e entrou no prédio em construção. Intrigados, procuramos rapidamente na internet e vimos que aquele senhor era mesmo parecido com o Sr. Horacio Pagani. Assim que a guia chegou, perguntamos a ela e sim, era Horacio Pagani!!! Ela contou que ele testa todos os carros pessoalmente antes de serem enviados aos seus donos.

Entramos no prédio novo que, apesar de estar em obras, já tinha uma parte funcionando: era o estoque de peças e montagem dos carros. Futuramente, este prédio vai abrigar toda a montagem dos carros e um museu da marca, deixando o prédio antigo somente como uma espécie de centro especializado em fibra de carbono. Logo na entrada do prédio, o estoque: jogos de rodas e pneus já montados, amortecedores, bancos e, claro, os lendários V12 AMG, os corações dos Paganis, cada um com a sua plaquetinha assinada pelo engenheiro responsável pela montagem do motor. Todos ali esperando para sair rasgando as ruas estreitas das vilas daquela região interiorana da Itália e dominarem o mundo com seu lindo ronco.

Chegamos à parte de montagem. Lá também é utilizado como pós-venda, onde fazem revisões e manutenções dos carros. Batemos o olho em um Zonda roxo, e foi unânime: aquele era o Zonda mais bonito que veríamos por lá. Me apaixonei naquele carro! Perguntamos o que ele estava fazendo ali e a guia respondeu: “Vamos pintar ele, pela terceira vez. O dono não gostou dessa cor. Vai ser pintado de amarelo com chamas”. Deu vontade de chorar…

Nessa parte da visita pudemos olhar cada detalhe dos carros. Alguns estavam quase prontos, outros em início de montagem. Os carros são incríveis! Verdadeiras obras de arte e engenharia!

A guia nos explicou que assim que a montagem de cada carro é terminada, eles são cobertos com uma película adesiva, são colocadas proteções na dianteira e montado um jogo de rodas provisórias. Então, eles são testados pelo funcionário mais feliz da fábrica e por Horacio Pagani. Se tudo estiver ok, o carro é limpo, colocado o jogo de rodas definitivo e então preparado para enviar até a casa do comprador.

Tour encerrado, fomos até a rua e o Huayra ainda estava estacionado lá ao lado de outro Honda S2000. Aproveitamos e batemos algumas fotos, para desespero da guia. Uma porta estava aberta e aproveitamos para dar uma bisbilhotada: vários Zonda, o Zonda R de corrida recordista de Nurburgring, vários Huayras e, em um canto, um Zonda amarelo com a frente batida.

Entramos no DS4 e ficamos decidindo para onde iríamos. Todos foram embora. De repente, de dentro da fabrica sai um homem pela mesma porta que Horacio entrou, embarca no Huayra e sai “sapecando”! Tentamos seguir, mas, obviamente, o 1.6 a diesel do nosso francês não deu conta e perdemos ele de vista em questão de segundos.

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Comparando as imagens que fizemos, acreditamos que este Huayra seja um dos que estavam no Sema Show de 2015. A combinação de cores é a mesma. Interior e pinças de freio vermelhos com carroceria em fibra de carbono aparente. Só um item era diferente: as rodas. Mas lembram que a guia falou que as rodas usadas nos testes não eram as definitivas, né? Sim, nós vimos o sr. Horácio Pagani voltando do teste do Huayra que a Pagani levaria ao Sema Show. Uma história pra contar pros netos!

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Saindo dali, o próximo destino era a cidade vizinha de Sant’AgataBolognese, onde visitaríamos o Museo Lamborghini e depois seguiríamos a viagem até Milão. Mas isso fica para o próximo post!

Por Felippe Almeida, Project Trip #325

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