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Project Cars Project Cars #464

Projeto Fuskombi: como decidi construir uma perua do Fusca cortando uma Kombi ao meio

Prezados, sejam bem-vindos para acompanhar esta ideia, apelidada de Fuskombi, obviamente, por utilizar metade de um Fusca e metade de uma Kombi.

Para que vocês se ambientem mais com minha pessoa, trago um breve histórico dos carros que já tive, assim facilita a entender como se chega no nível de cortar um Fusca ao meio.

Em 2011 financiei um VW Fox 1.0, 2006/2006, modelo City, equipado de fábrica com direção hidráulica e vidros elétricos. O Fox tem um ótimo espaço interno, fácil de dirigir, era relativamente econômico, mas o motor deixava a desejar. Fui o terceiro dono, o carro estava bem cuidado, com 50.000 km rodados e Usava (com U maiúsculo) todo santo dia.

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Mas ter carro original é um tanto quanto sem graça. Então, sem entender nada direito da vida automobilistica, o FOXXX teve algumas crises de identidade:

 

E terminou assim, com faróis pintados de colorgin, suspensão a ar, volante de madeira da Nardi (sim), teto com tecido xadrez, rodas de ferro alargadas, pneu esticado e o mesmo motor 1.0, com seus 91mil km. Usava o carro até pra ir pra roça e deixei o cuidado com a pintura com o Ralf, da Carvalho Detail:

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Cansado de tentar subir as inúmeras ladeiras de Belo Horizonte/MG, comecei a namorar outros carros com motores maiores, mais opcionais e aproveitando uma grana extra que recebi, juntei o FOXXX de entrada, ainda financiado, para financiar essa maravilha, chamada carinhosamente de Berenice (em memória):

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Foto tirada ainda na agência Diamond Motors, que prestou um atendimento excepcional

A Berenice era uma BMW 323Ti, 1998/1999, na cor AvusBlau, motor 6 cilindros em linha (M52B25), câmbio manual e 250.000mil km rodados. Quando vi o anuncio, foi paixão à primeira vista. Flertamos durante muito tempo, pois ela ficava no meu caminho para o trabalho, até que finalmente pudemos nos encontrar. O carro é apaixonante e deixo pra comentar sobre ele depois, senão eu faria uns três posts só pra ela.

Esteticamente, não foram muitas alterações. A “loucura” nesse Carro (com C maiúsculo) foi em virtude de seu ano, quilometragem, etc (aquele discurso de quem tem juízo). Mecanicamente, foi feita a troca do coletor de admissão pra um com maior diâmetro nos dutos (do motor M50), além do remapeamento da injeção, realizado pelo Pixel, da P9 Power Factory e retirada dos abafadores intermediários. Berenice era um tesão de dirigir.

Ao mesmo tempo de Berenice, adquiri em conjunto ao meu primo (Arthur Basques) e um amigo (Vinicius Ballestrini), uma BMW 320i 1979, apelidada de Brahma:

Lógico que vizinhos e genitores endoidaram quando visualizaram tamanha obra de arte no estacionamento do prédio. Brahma não ficou muito tempo em nossas mãos e fora vendida para São Paulo capital.

Após a venda da Brahma, a faculdade apertou, minha remuneração diminuiu, outros fatores se juntaram a isso tudo e tive que me desfazer da Berenice, que ainda tinha boa parte de sua propriedade vinculada ao banco.

Em conversas nos grupos de amigos, me aparece uma troca em um Citroen Xsara VTS 97 (que já havia passado pelas mãos do Pixel algumas vezes), que me livraria das dívidas e daria a mesma ou maior emoção e prazer em dirigir que a Berenice, sem contar que ela iria parar nas mãos de um amigo especializado na marca (Haroldo).

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Troca realizada e eis que logo depois chega a noticia triste: Berenice fora atingida por um irresponsável alcoolizado e teve sua alegre vida encerrada por volta dos 280.000km rodados. Saudades Berenice.

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Como a vida é uma doideira, recebo outra grana inesperada e começa aquela doença em busca de mais potência, deixando o VTS como na foto abaixo:

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O VTS teve o deslocamento aumentado para 2,1 litros, cabeçote com fluxo trabalhado, corpo de borboleta de admissão individual, injeção programável FT300, rodando no álcool, pistões forjados, escape refeito, entre outras coisas, muito inspirado no Peugeot 306 do Marley, Project Cars #71 e que muito me ajudou nessa saga, assim como o Pixel, o próprio Haroldo e toda a galera do Marijuana Performance com dicas e duvidas, 9k Race, HMracing e da Old&Custom’s cuidando da parte mecânica  e do Felipe Arcanjo que cuidou da parte elétrica.

Eis que me formo e após muito aproveitar do VTS, a vida se encaminha para aquela palavra temida por muitos, Casamento (com pessoas, não com carro). Não bastasse, a grana da venda do VTS seria utilizada para quitar minha pós-graduação e para outros investimentos. Acabei pegando um carro na troca do VTS, o vendi, paguei tudo e fiquei dois meses sem carro.

Neste tempo, só conseguia olhar um único tipo de anúncio: Fusca.

A ideia era só rebaixar e andar, sem mexer em muita coisa, só curtição. Juro.

 

O Fusca

Olhando os anúncios de Fuscas eu procurava um com o interior mais original possível e que coubesse no meu bolso. Hoje em dia é raro encontrar um Fusca bom de motor, com estrutura boa, itens originais, etc, etc, pagando o preço de fusca, então eu não estava preocupado demais com o exterior, pintura e essas coisas que quem curte originalidades procura.

Abria os sites de veículos usados todos os dias (sim, todos os dias, uma três vezes por dia) e cheguei a olhar pessoalmente alguns, sempre levando o Negão (mecânico da oficina Old & Custom’s), até que visualizei um anuncio no OLX na cidade de Cataguases/MG, localizada na zona da mata mineira e distante uns bons quilômetros de BH. O anuncio era bem simples, com as fotos mostrando todos os detalhes do Fusca e continha apenas um telefone fixo para contato. Liguei algumas vezes para aquele numero e não tive sucesso. Mandei mensagem no próprio chat do site e 3 dias depois tive uma resposta: o Fusca ainda estava a venda.

Mas Eduardo, o carro está a 700km de distância, você vai comprar sem ver? Vou. E fui. Mas de guincho. Conversei com o Sr. Hugo, dono do Fusca por um bom tempo antes de pegar a estrada e fazer os depósitos dos valores. Ele fora muito honesto, desde as fotos no anuncio até as características do que havia feito no carro nesses mais de 40 anos em que fora seu proprietário. Nessas horas, você sente que o negócio é certo e confia na intuição.

Fotos do anúncio:

Saí de BH por volta das quatro da madrugada de um sábado, dentro do guincho do Max e descemos pra Cataguases. Chegando no endereço informado, a casa estava fechada. Evidente que trancou tudo que vocês puderem imaginar no corpo deste ser ao ver esta cena, pois havia depositado o valor quase integral do carro, além de ter pago o guincho. Ligo para o telefone do anuncio e ninguém atende. Para o celular que negociei o tempo todo e ninguém atende. Até que aparece uma senhora abrindo o portão da casa ao lado. Abordo ela e procuro pelo Sr. Hugo, pois havia comprado o Fusca dele. Ela, sem entender muito o que eu estava dizendo, pede para que eu aguarde e entra na sua casa, pega um molho de chaves e me entrega dizendo: ‘pode ir olhar que eu vou ligar pra ele’. A senhora era irmã do Hugo. Abro o portão da garagem, desço a rampa e encontro a joia:

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Olho para o chão onde estava estacionado, sem manchas de óleo. Sem folga na polia, bato na chave e a partida é fácil, leve, com o barulho denunciando uma pequena aceleração por regulagem do carburador. Após finalizar as tratativas, o Sr. Hugo fez questão de colocar o fusca em cima do guincho e sigo de volta para casa.

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Chegando, tiro mais fotos de alguns detalhes e começo a listar as prioridades:

Muita terra, lente quebrada, pneus em péssimo estado, bem como o para-lama dianteiro direito, sendo o primeiro item a ser comprado, dando outra cara para o Fusca, que começou a ser chamado de Barroso:

Depois foi pra Old & Custom’s começar a revisão e limpeza, em velocidade máxima, com seu motor 1300 e carburador H30 PIC-S (um dos menores pra Fusca):

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Na oficina, foi trocada a linha de combustível por uma mangueira mais moderna e trançada, correia do gerador, cabos de vela, tampa do distribuidor, platinado, junta da tampa de válvulas.

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Depois, comecei a preparar o psicológico para a limpeza do Barroso, comprando uns litros de desengraxante pra limpeza.

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Desmontagem e dia de iniciar a desinfecção:

Em casa e ‘limpo’:

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Depois de “limpo” e de jogar desengraxante nele todo, a tinta começou a estourar nos lugares que fora mal aplicada e preparada. O Barroso havia tomado um banho de tinta no início dos anos 2000, mas o serviço não fora muito bem realizado e isso me incomodava, assim como o para-lama laranja destoando do resto. Então comprei uma lata de removedor e comecei a mexer de verdade: algumas camadas de tinta e massa sendo estouradas pelo removedor pastoso.

Raspar tinta de carro é uma terapia, recomendo.

Como os pneus estavam bem ruins e duas rodas com muitos podres, comecei a pesquisar quais medidas colocar, tanto das rodas quanto das borrachas. Um amigo de nome Doda acabou achando umas rodas de 5 furos em bom estado, comprei elas e mandei pra reforma, pintando de prata e alargando a tala para 8”. Tanto no FOXXX quanto no Barroso, a empresa que fez o serviço nas rodas de ferro foi a Roberto Talas e em ambos os casos, ficou ótimo, sem vazamentos e sem fragilidades.

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As rodas dianteiras não sofreram alteração de tamanho e foram calçadas com pneus Yokohama 155/60/15:

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Depois trocamos as lanternas e calçamos os pneus nas rodas traseiras, cuja medida não me recordo:

E chegou a hora de rebaixar o Barroso. A ideia era pregar mesmo, muito baixo sem perder o ‘conforto’ de um fusca. Utilizei mangas de eixo invertidas da Empi, embuchamento todo novo Nakata, Drop Extensior na traseira, quadro encurtado e retrabalhado pela própria Old & Custom’s e catraca dupla.

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Tudo montado e:

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O fusca pegava no chão e nem mexia. Levanta, ajusta, mexe aqui, mexe ali e ficou assim:

Rodei um tempo assim, até aparecer mais um par de para-lamas com preço chamativo e em melhor estado que os dois que estavam no Barroso.

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Até que um dia a catraca acabou cedendo, a frente abaixou mais do que devia e na hora de entrar em casa, o parachoque acabou batendo no chão da garagem e amassou a saia dianteira e o para-lama dianteiro direito:

Tirei os para-choques, voltei com o para-lama laranja, regulei novamente a catraca para a uma altura maior e assim ficou:

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Até então a ideia era continuar juntando grana para fazer uma funilaria básica, trocando as saias dianteiras e traseiras, reformando os quatro para-lamas, trocando os pés de coluna, cangalha, assoalho, caixa de ar, colocando os estribos, arrumando os para-choques e catando mais alguns podres. Depois resolveria sobre a pintura, pois do jeito que estava não me agradava muito.

As peças para comprar estavam todas salvas, a planilha pra pesquisa de preços bem preenchida e eis que abro o instagram tarde da noite e deparo com essa foto:

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Converso com um amigo, Ree, de como deve ter sido feita esta adaptação, o interior, aproveitamento de motor, etc, e vou dormir, sem maiores pretensões. Acordo e vou para a maratona de garimpo diária no OLX, abro o site e o primeiro anuncio que me aparece é uma fucking Kombi por R$ 500,00 (QUINHENTÃO), sem motor, sem caixa, com lataria aparentemente boa.

Se não é destino, não sei mais o que é. Ligo pro telefone do anuncio e falo que é minha. Duas horas depois, estava com ela em cima do guincho.

E assim começa a saga do Fuskombi, que começarei a contar no próximo post. Até lá!

Por Eduardo Basques, Project Cars #464

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