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Pergunta do dia Zero a 300

Quais as marcas de cigarro mais emblemáticas do automobilismo?

Até quinze ou vinte anos atrás, o automobilismo e indústria tabagista eram profunda e visivelmente ligadas. Muitos dos carros de corrida mais emblemáticos da história são justamente lembrados por suas cores – muitas vezes ligadas às marcas de cigarro.

Em 2001, porém, a FIA baniu todas as propagandas de cigarro, que já vinham aparecendo cada vez menos em uma sociedade cada vez mais antitabagista – com toda razão, é claro. No entanto, você não precisa ser um fumante para sentir falta das marcas de cigarro como patrocinadoras de equipes de corrida. Especialmente considerando o a importância da indústria do tabaco para o sustento do automobilismo ao longo de mais de 30 anos.

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A primeira grande patrocinadora comercial da Fórmula 1 foi a Gold Leaf, marca de cigarros do grupo britânico Imperial Tobacco, fundado em 1901. Foi em 1968 que o Lotus 49B estreou a pintura vermelha, branca e dourada que abriu caminho para que dezenas de outras marcas se tornassem title sponsors de equipes na Fórmula 1 e em outras categorias. O resultado foi uma porção de pinturas icônicas vistas ao longo dos anos — e, claro, orçamentos polpudos para as equipes.

Mas não é so pela beleza dos que sentimos falta. Apesar dos malefícios associados ao tabagismo, ele fazia muito bem ao automobilismo. Claro, ele se aproveitava da imagem badass dos pilotos para associá-la ao ato de fumar, e nenhum piloto personificou esta imagem como James Hunt, campeão mundial de 1976 playboy e galã que dormiu com 33 comissárias de bordo em duas semanas, durante uma viagem para o Grande Prêmio do Japão naquele ano. Seus pais acreditavam que Hunt começou a fumar aos dez anos de idade, e ele nunca mais parou.

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James Hunt em 1977

Mas voltando à grana, não demorou para que outras fabricantes de cigarros seguissem o exemplo da Gold Leaf e a injetar quantias obscenas de dinheiro no esporte a motor. Ao estampar suas cores e seus nomes no carro e no macacão de um piloto vencedor, as empresas conseguiam uma exposição valiosa, e estavam dispostas a pagar o quanto fosse preciso.

A McLaren era patrocinada pela Marlboro, marca da Philip Morris, em 1974 e, como outras empresas do ramo, foi uma das grandes responsáveis por manter o automobilismo girando. James Hunt, fumante inverterado, não apenas usou as cores da Marlboro no seu carro, o McLaren M23 com motor Cosworth: em muitas de suas fotos ele está com um Marlboro de filtro vermelho entre os dedos. E certamente não pagava um centavo por cada maço. E fumava cerca de três por dia.

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Esta aura de bad boy é algo de que a Fórmula 1 carece hoje em dia, na visão de muitos fãs. Tanto é que os pilotos mais admirados de hoje em dia são os que “quebram o script” e falam mais do que os assessores de imprensa gostariam.

Vale lembrar, é claro, que James Hunt morreu de ataque cardíaco aos 45 anos de idade – bem antes da hora.

De qualquer forma, sem dúvida a Marlboro é uma das marcas de cigarro que participaram de forma mais marcante do automobilismo. A Marlboro estreou na Fórmula 1 em 1972, com a BRM, começando em 1972 – e sua estreia no alto do pódio veio no GP de Mônaco daquele ano, com uma vitória do piloto francês Jean-Pierre Beltoise. Em 1973 e 1974, foi a Frank Williams Racing Cars, que registrou seus carros como ISO-Marlboro.

Aos 0:38: “Pode me dar um cigarro?”

A parceria com a McLaren, iniciada em 1974, foi uma das mais bem sucedidas da história da Fórmula 1. Primeiro foi Emerson Fittipaldi quem venceu corridas e o campeonato com as cores da Marlboro. Dois anos depois foi James Hunt. Nos anos 1980 Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna mantiveram a marca da Marlboro super-exposta na era de ouro da McLaren. O acordo entre as duas partes rendeu até a saída de Senna da McLaren, em 1993: depois disto, a equipe não venceu nenhuma corrida pelas três temporadas seguintes.  Com isto, em 1996 o contrato foi encerrado, e a icônica pintura vermelha e branca deu lugar à escala de cinza da West — outra marca de cigarros. Curiosamente, dos cinco campeões com os McLaren Marlboro, somente James Hunt era fumante.

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Dito isto, desde 1973 a Marlboro também patrocinava pilotos da Ferrari, que levavam o emblema dos cigarros em seus macacões e bonés. Os carros da Scuderia começaram a trazer a marca estampada em sua carroceria apenas em 1984, ainda de forma discreta: até então, Enzo Ferrari só permitia que fornecedores de componentes aparecessem nos monopostos.

Com o fim da parceria com a McLaren, Marlboro e Ferrari ampliaram a abrangência do acordo: a equipe foi batizada como Scuderia Ferrari Marlboro, e a marca de cigarros aparecia em destaque nos carros, macacões dos pilotos e uniformes dos mecânicos. Foi graças ao patrocínio da Marlboro que a Ferrari conseguiu contratar Michael Schumacher em 1996. O alemão conquistou cinco títulos pela equipe e se tornou um dos maiores ídolos dos italianos na história da Fórmula 1.

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No entanto, além da proibição das marcas de cigarro no automobilismo, a sociedade de forma geral começou a fechar cada vez mais o cerco sobre a indústria tabagista e também sobre o hábito de fumar. Com isto, aos poucos o cigarro foi desaparecendo da Fórmula 1 e das outras categorias. A Marlboro é uma das únicas que segue com seu envolvimento nas corridas. Apesar de não exibir sua marca nos carros e macacões, a marca ainda é uma title sponsor da Ferrari (que se chama Scuderia Ferrari Marlboro) e seu atual chefe de equipe da Ferrari, Maurizio Arrivabene, veio da Philip Morris diretamente para a F1.

Após a proibição a Marlboro ainda buscou maneiras de associar sua imagem à Fórmula 1. Primeiro ela adotou um “código de barras” nas Ferrari. A marca jamais admitiu, mas era inegável a semelhança do padrão com o logo da Marlboro, especialmente quando os carros estavam em alta velocidade.

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Depois, a Ferrari adotou um logotipo que tem cor, forma e cheiro de uma mensagem “subliminar” da Marlboro:

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Se foi proposital, não saberemos tão cedo. O que sabemos é que com o fim do “tabagismo comercial” na Fórmula 1 os orçamentos despencaram e o glamour se foi em nome de uma categoria mais realista. Quem sabe seja um prenúncio de que o próximo cigarro será o carro.

Pois bem: a Marlboro é só uma das marcas de cigarro marcantes do automobilismo. Mesmo que você não fume (ótimo!), certamente pode nos sugerir outros exemplos. Vamos lá, a caixa de comentários é sua!

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