FlatOut!
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Car Culture Top Zero a 300

Quais são as formas mais baratas (ou menos caras) de se chegar aos 400 km/h – sem precisar de um supercarro?

Em 2014, nos primórdios do FlatOut, fiz um post a respeito de formas alternativas e mais acessíveis de chegar aos 300 km/h sem precisar de um supercarro. Mas já se passaram quase cinco anos, e chegou a hora de retrabalhar a questão. Porque muita coisa mode mudar em cinco anos.

Quer um exemplo? Em 2010, quando comecei a trilhar o caminho do jornalismo automotivo, o Lamborghini Aventador sequer havia sido lançado e, quando foi – em fevereiro de 2011 – era um dos poucos carros produzidos em série a atingir os 700 cv. Hoje em dia você pode comprar um Chevrolet Corvette ZR1 com um V8 supercharged de 755 cv ou um Dodge Challenger Hellcat com 808 cv, carros consideravelmente mais acessíveis e mundanos, por uma fração do preço de um Aventador. Um degrau acima, você encontra o Porsche 911 GT2 RS, que também tem 700 cv. Nos últimos quatro ou cinco anos, surgiram vários outros superesportivos com 700 cv ou mais, como o McLaren 720S; e muito próximos disto, como a Ferrari 488 GTB e seus 670 cv. O Porsche Panamera Turbo S – que tecnicamente é um super sedã esportivo de luxo – tem 680 cv em seu V8 biturbo de quatro litros. Poderíamos continuar por mais algumas linhas, mas você já deve ter captado a mensagem.

O meu ponto é que, da mesma forma que os 700 cv são como os 600, ou mesmo 500 cv de alguns anos atrás, os 400 km/h são os novos 300 km/h. Todos os esportivos citados no parágrafo anterior são capazes de velocidades entre 300 km/h e 350 km/h. Se quiser passar dos 400 km/h sobre quatro rodas, você ainda vai precisar de um hipercarro.

Se em 2014, quando fizemos o post em questão, hipercarro era o Bugatti Veyron, hoje estamos falando de seu sucessor, o Chiron. Ele conserva o motor W16 quadriturbo de oito litros, o câmbio de dupla embreagem e sete marchas e a tração AWD. No entanto, agora com 1.500 cv e aperfeiçoamentos no câmbio, nos sistemas eletrônicos e na aerodinâmica, o Chiron tem a velocidade máxima limitada em 420 km/h.

Mais do que isto: estima-se que, com o limitador removido, a velocidade máxima possa chegar aos 450 km/h – um teste que Bugatti nunca prometeu que irá realizar, mas também nunca disse que não fará um dia.

A questão é que o Bugatti Chiron zero-quilômetro custa US$ 3 milhões, pelo menos. Um exemplar de segunda mão (o que não significa necessariamente que ele seja usado) pode valer o dobro, por conta da especulação a que estes carros são submetidos. É inviável para a esmagadora maioria das pessoas.

Então, separamos aqui uma lista de formas alternativas de chegar aos 400 km/h gastando menos, bem menos, do que o preço de um Bugatti Chiron. Começando pela primeira alternativa que vem à mente: uma moto. Mas não qualquer moto.

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No fim de setembro a japonesa Kawasaki anunciou que está aceitando encomendas para sua moto mais potente e veloz: a Ninja H2R, modelo 2020. Apesar de não poder rodar nas ruas, ela é a única moto produzida em série atualmente capaz de atingir os 400 km/h registrados no velocímetro. O feito foi verificado em vídeo na Turquia, com o piloto turco Kenan Sofuoğlu (que hoje é um político eleito no parlamento da província de Sakarya, no norte da Turquia, e aposentou-se das pistas aos 34 anos) atingindo os 400 km/h em apenas 26 segundos. O feito foi registrado no dia 30 de junho de 2016.

Para isto foi preciso levar a Ninja H2R até a Ponte Osman Gazi, na época recém-inaugurada, que se estende por 2.620 metros e atravessa o Golfo de Ízmit, no Mar de Mármara, em seu ponto mais estreito. A velocidade não foi confirmada por GPS, mas a própria Kawasaki já havia declarado que a velocidade máxima da H2R era de 380 km/h.

Foi o anúncio da Ninja H2R no Brasil que nos motivou a fazer este post. Ela é movida por um quatro-cilindros de 998 cm³ com comando duplo no cabeçote, supercharger e 326 cv a 14.000 rpm, com 16,8 mkgf de torque a 12.500 rpm. Com 238 kg na balança, estamos falando uma relação peso/potência de 0,73 kg/cv. Fazendo uma comparação crua, é como se o Bugatti Chiron pesasse apenas 1.095 kg, ou o mesmo que um carro popular.

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O preço colocado pela Kawasaki na H2R não é exatamente acessível: são R$ 357 mil. Por outro lado, o Bugatti Chiron custa R$ 11.738.000 em conversão direta. Com esta grana é possível comprar 33 exemplares da superesportiva de pista da Kawasaki. Ou vários carros bem interessantes, como um Mustang GT novinho (e ainda sobram quase R$ 60 mil). Mas nenhum deles capaz de chegar a 400 km/h.

Se você estiver desconfortável com a ideia de chegar aos 400 km/h sobre duas rodas, pode pegar um avião! Mas não estamos falando da velocidade atingida pelo avião (que, em um voo comercial, é de em média 890 km/h), mas sim de um salto de para-quedas, pulando de um avião. A velocidade terminal — o ponto onde a aceleração na queda é zero — de um paraquedista é de cerca de 190 km/h, caso ele fique com a barriga para baixo. Se ele mergulhar no ar, reduzindo consideravelmente o arrasto aerodinâmico, a velocidade terminal pode chegar aos 320 km/h em um salto comum.

Ainda não são 400 km/h. Para isto é preciso um pouco mais de tempo: você precisa se tornar um paraquedista habilitado e especializar-se em uma modalidade chamada speed skydiving, ou “para-quedismo de velocidade”. Um curso terórico de para-quedismo AFF (Accelerated Free-Fall, ou “queda livre acelerada”) na cidade de Boituva/SP, um dos pólos nacionais do para-quedismo, custa em média R$ 450. Então é preciso passar por sete níveis de aulas práticas, que custam entre R$ 450 e R$ 600 por salto. É um investimento de, no mínimo, R$ 3.000.

O equipamento adiciona mais alguns cifrões. Um para-quedas básico, para iniciantes, custa a partir de R$ 3.000. Equipamentos importados, apropriados para o speed skydiving, custam entre US$ 5.000 e US$ 10.000 – entre R$ 20.000 e R$ 40.000, aproximadamente.

Só assim, contudo, para passar dos 400 km/h de para-quedas. O que é bem possível: o recorde atual de velocidade em speed skydiving pertence ao sueco Henrik Raimer, que em 13 de setembro de 2016 chegou chegou aos 601,26 km/h. Ele foi o primeiro paraquedista a passar dos 600 km/h de acordo com as regras da International Speed Skydiving Association.

É uma jornada trabalhosa, e é preciso anos de treino e especialização para se tornar um speed skydiver como Henrik Reimer. Uma viagem de trem, por outro lado,  é algo mais imediato e, para quem faz questão, seguro.

Os trens-bala surgiram dos Shinkansen japoneses — trens elétricos ultrarrápidos que correm sobre trilhos e começaram a operar em 1964. O primeiro trem a ultrapassar a barreira dos 300 km/h foi o Shinkansen Class 961, que atingiu 319 km/h em dezembro de 1979, na pista de testes da cidade de Oyama. Ele não era um trem comercial, e sim uma plataforma de testes com seis vagões que, além de servir como mula para novas tecnologias, também abrigou vários tipos de instalações ao longo dos anos, como restaurantes, bagageiros e dormitórios. Atualmente existem dezenas de Shinkansen circulando pelo Japão, com velocidade máxima limitada a 320 km/h. Ou seja: eles não servem para o propósito deste post.

Na França, por sua vez, circulam os  TGV (Turbotrain Grande Vitesse), que são trens com motor turbojato. O primeiro TGV começou a operar em 1981, em Paris. O recorde de velocidade para os TGV foi estabelecido em 2007: 574.8 km/h. No entanto, esta velocidade só costuma ser atingida em testes específicos, sem passageiros. A velocidade operacional fica entre 320 km/h e 360 km/h.

Existe, contudo, um tipo de trem que atinge regularmente os 400 km/h: os chamados maglevs. O nome vem de magnetic levitation, e quer dizer exatamente isto: eles levitam sobre os trilhos por meio de um campo magnético sustentado por uma sequência de eletroimãs. Sua propulsão também é magnética e, tirando proveito da falta de fricção, as velocidades atingidas podem passar dos 600 km/h.

O Maglev em operação mais rápido atualmente é o Shanghai Maglev, que fica em Xangai, na China, e funciona desde abril de 2004. A velocidade máxima operacional é de 430 km/h.

Suponhamos que você queira apenas ir até a China, pegar um Maglev em Xangai e voltar para o Brasil. Quanto custa? Bem, uma passagem de ida e volta sairá por pelo menos R$ 3.200. Uma vez em Xangai, você deverá procurar uma estação de Maglev e pagar algo entre 50 e 150 Renminbi chineses (algo entre R$ 28 e R$ 85) por uma passagem, levando sua despesa cerca de R$ 3.300.

Agora, talvez você faça questão de chegar aos 400 km/h em um carro. Nesse caso, a melhor opção é um ride along em um dragster Top Fuel – a categoria máxima da arrancada da NHRA, na qual os carros, equipados com motores V8 supercharged de mais de oito litros e potência superior a 10.000 cv, são capazes de ir de zero a 160 km/h em menos de dois segundos e, em menos de dez segundos, atingir os 402 km/h.

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Uma das empresas que oferecem o serviço é a Pure Speed Racing, que fica em Las Vegas, em Nevada. Lá, o piloto Doug Foley vai te levar para um passeio em um dragster NitroX2, que tem dois lugares e foi desenvolvido especialmente para este tipo de entretenimento.

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Uma puxada no banco do carona custa US$ 200, ou R$ 780. Novamente, supondo que você vá fazer um bate-e-volta, um voo de ida e volta até Las Vegas custa em média R$ 2.700, o custo mínimo ficaria em cerca de R$ 3.500 – com sorte, porém, é possível encontrar um voo com preço promocional, bem mais em conta.

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