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Pergunta do dia

Qual é o carro americano mais icônico de todos os tempos?

Futebol e automobilismo não são incompatíveis — um cara pode acompanhar todos os jogos dos campeonatos europeus e brasileiros e, ainda sim, ser entusiasta de mão cheia. Bem… traçar paralelos entre carros e futebol pode ser algo meio manjado e, por isso, seremos breves nesta parte: tal como há quem se identifique com as seleções de outros países nos campos, temos certeza de que todo entusiasta possui uma nação favorita na hora de responder à pergunta: quem faz os melhores carros?

Isto acontece no mundo todo, mas é especialmente verdade no Brasil, onde a indústria automotiva jamais se consolidou de forma completamente nacional. Claro, temos verdadeiras joias entre nossos fora-de-série, além de algumas fabricantes que até conseguiram sucesso, como a Puma e a Gurgel, mas nada que se compare a gigantes como as que existem nos EUA, na Europa e no Japão, por exemplo.

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Assim, decidimos aproveitar para sanar uma pergunta que fazemos há algum tempo: quais são os carros mais incríveis de cada país? Certamente temos leitores que são fãs dos muscle cars americanos, dos elegantes esportivos italianos, das complexas máquinas alemãs ou dos lendários esportivos japoneses. Assim, não vai ficar difícil.

Se é para escolher um lugar para começar, que seja os Estados Unidos da América — os americanos são patriotas e gostam de, ocasionalmente, referir-se a seu país pelo nome todo. E eles sabem muito bem do que gostam, têm uma cultura automotiva bastante característica — tanto que a primeira paixão automotiva de boa parte dos entusiastas, pelo mundo todo, foram os muscle cars. E não dá par ficar mais americano do que isto. Ou será que dá?

Quer algo mais americano que uma disputa de roncos de motor dominada pelo gargarejo embaralhado dos V8 preparados?

Veja bem: é natural pensar nos muscle cars como a síntese da cultura automotiva americana: eles são grandes, potentes e agressivos. Ao mesmo tempo, têm formas sedutoras, são confortáveis e aconchegantes. Para ter uma noção de seu desempenho, você só precisa saber quanto tempo ele leva para chegar aos 60 mph (96 km/h), qual é a velocidade máxima e, o mais importante de tudo, em quantos segundos ele cumpre o quarto-de-milha, ou 402 metros  — e a que velocidade.

A questão é que os muscle cars americanos são o que melhor define o American way of life em termos automotivos. A expressão, usada desde a década de 1930, define o americano médio como um cara que gosta de usufruir do conforto que conseguir com seu trabalho duro, sempre com otimismo em relação ao futuro e a busca por conforto, poder e felicidade. No caso dos muscle cars, a felicidade de poder acelerar um V8 beberrão sem medo da bomba de combustível, curtir as típicas estradas longas e retas do país sem precisar trocar marchas, sentado em um confortável banco que mais parece uma poltrona. Tudo isto em uma embalagem esportiva e jovial.

Ou “harder, better, faster, stronger”

Claro, existiram (e existem) os muscle cars de corrida, como os Mustang, Camaro e Challenger que competiram na Trans-Am dos anos 1970, mas eles são a exceção que confirma a regra: só o fato de serem muscle cars que fazem curvas já os torna automaticamente sensacionais.

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Agora, é ingenuidade achar que a cara dos carros americanos são os muscle cars e vice-versa. Antes, na década de 1950, o negócio eram as barcas de luxo com rabos de peixe, cromados por todos os cantos e dimensões totalmente exageradas. E ainda mais antigamente, o negócio era acelerar com calhambeques envenenados nos desertos de sal de Utah, costume que acabou gerando a subcultura dos hot rods e as corridas de arrancada, além da própria Nascar.

Pouco depois, veio a corrida espacial e os carros passaram a ser influenciados por tudo o que lembrava a NASA e o programa Apollo: conceitos movidos a turbina, como o Chrysler Turbine Car, de 1962; astronautas participando da divulgação do Chevrolet Corvette e uma contraditória previsão da Motor Trend, dizendo que os motores a jato substituiriam os de combustão interna em alguns são só alguns exemplos.

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Claro, os americanos preferem não lembrar muito do que veio depois da era de ouro dos muscle cars e barcas de luxo — crise do petróleo, motores que só eram grandes por fora, sendo severamente estrangulados para não assustar na hora de abastecer e, finalmente, a rendição aos quatro-cilindros (e até aos turbos, como o Shelby GLHS não nos deixa esquecer). Tudo isto até 2005, quando o Ford Mustang (que outro poderia ser?) assumiu o visual inspirado pelo clássico de 1964 e levou os principais rivais a fazer a mesma coisa com o Chevrolet Camaro e o Dodge Challenger.

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Foto: Crank and Piston

Aliás, isto nos lembra uma coisa: há outro extremo no espectro — em vez de luxo, força bruta. Em vez de câmbio automático para curtir a estrada, uma boa Tremec de seis marchas para ficar no controle a cada minuto. Dodge Challenger e Viper, Chevrolet Corvette e o já clássico Ford GT renascido de 2005 são bons representantes do lado selvagem dos carros americanos, do qual eles se orgulham muito.

Isto sem falar no fato de que, embora não tenham inventado o automóvel moderno (feito atribuído aos alemães), os americanos revolucionaram o modo como eles são produzidos, lá no início do século XX. E dizemos mais: não fosse a linha de produção em série, otimizada por Henry Ford para tornar a produção do lendário Modelo T mais eficiente e barata, talvez nem teríamos carros hoje em dia.

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É realmente difícil decidir qual é o carro americano mais americano de todos e, por isto, vamos pedir mais uma vez sua ajuda para montar uma bela lista. Procure não se ater apenas aos muscle cars, embora isto seja bem tentador — e tenha em mente que esta é só a primeira parte de uma série. Então, vamos lá: qual é o carro mais emblemático da história automotiva americana?

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