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Car Culture

Qual é o carro francês mais emblemático da história?

Quem conhece a história dos carros franceses sabe que eles não são muito afeitos a convenções. Para eles, uma suspensão não precisa usar molas, um volante não precisa ser circular, um velocímetro não precisa de ponteiros e por aí vai. Certa vez, numa tarde em que passei três horas e meia ao telefone com Anísio Campos, este famoso designer resumiu perfeitamente esta característica: “os franceses fazem o que querem com seus carros”.

É uma definição precisa. Enquanto os demais países transformam os carros em versões mecânicas da identidade nacional — pense nas banheiras americanas, na elegância dos italianos e na sobriedade reservada dos alemães — os franceses fazem o que bem entendem. Talvez tenha a ver com a filosofia avant-garde, que instiga a ruptura com os padrões estabelecidos, e isso quase sempre resulta em soluções exóticas (e às vezes revolucionárias) de engenharia e design.

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Esse é o caso dos Citroën 2CV e Traction Avant, por exemplo. Quando o mundo todo fabricava carros com carroceria separada do chassi e suspensão com eixos rígidos e molas semi-elípticas, a Citroën decidiu fazer carros com chassi e carroceria formando um único bloco (daí “mono bloco”) e suspensão independente em cada uma das quatro rodas. Nós já explicamos um pouco dessas suspensões neste post, onde esclarecemos o mito dos Citroën incapotáveis, mas em resumo, eles usavam braços arrastados/empurrados e molas longitudinais para manter as rodas em contato com o solo mesmo em mudanças de direção bruscas e em altas velocidades.

Por outro lado, esse desapego aos padrões também permitiu que eles fizessem carros dentro dos conceitos mais básicos de engenharia. Um bom exemplo é o Alpine A110, com seu baixo peso, motor traseiro refrigerado a água, suspensão com amortecedores e molas helicoidais, centro de gravidade baixo e bitolas largas. Exatamente o mesmo conceito do Porsche 356 ou do Abarth 850. Essa simplicidade continuou nos vários hot hatches produzidos naquele país dos anos 1970 até hoje em dia.

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E depois temos o design: com exceção de alguns modelos mais recentes inspirados pela sobriedade dos alemães, os franceses também adotaram soluções exóticas no design dos carros — desde a silhueta curva do Avions Voisin C25 Aerodyne, passando pelo teto rígido retrátil do Peugeot 401 Éclipse (o primeiro do tipo) e ao Peugeot 1008, aquele monovolume com duas portas corrediças que emprestou suas lanternas para a picape Hoggar.

É um 402 Éclipse, mas o mecanismo é o mesmo

Bem, acho que já mencionamos carros demais. Agora é com vocês. Considerando todas estas características, queremos saber: qual é o carro francês mais emblemático da história?

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