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Pergunta do dia

Qual é o motor de quatro cilindros mais emblemático da história?

Por mais que o conceito de downsizing esteja praticamente aceito pelos entusiastas, nossa tendência ainda é achar que quanto mais cilindros, melhor. E, por mais que isto seja verdade em uma infinidade de casos, existem muitos motores de quatro-cilindros incríveis, marcantes e emblemáticos no mundo automotivo, seja nas ruas ou nas pistas. Por isso, queremos saber: qual é o motor de quatro cilindros mais icônico de todos?

E é das pistas que vem a sugestão da casa: o BMW M12-M13, usado pela Brabham e por algumas outras equipes na Fórmula 1. Por quê? Bem, porque estamos falando de um quatro-cilindros de 1,5 litro com turbo e capacidade para suportar mais de 1.400 cv!

Falamos deste motor há bastante tempo, em janeiro de 2014 – lá no comecinho do FlatOut. Por isso, não custa relembrar.

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O M12/13 já começa impressionante porque, embora tenha competido na Fórmula 1 no meio da década de 1980, ele foi baseado em um projeto de 1961. Sua origem está no quatro-cilindros M10, famoso por ter sido usado nos BMW 1500, 1600 e 2002, além dos Série 3 e 5 de 1961 a 1985. Era um motor de concepção simples e eficiente: boco de ferro fundido, comando simples no cabeçote de alumínio e, em sua versão mais pacata, um carburador Solex para produzir 76 cv.

Havia, porém, um “truque”: o M10 era um projeto superdimensionado, concebido pelo engenheiro Alex Von Falkenhausen para suportar diferentes diâmetros de cilindro e níveis de potência – cresceu de 1,5 litro em 1961 para dois litros no fim da década em meados da década de 1970, quando, empregado no BMW 2002 Turbo, chegou aos 170 cv.

Seu uso nas pistas foi natural: ainda na década de 1970, o M10 turbinado chegava perto dos 600 cv, ocupando o cofre dos BMW 2002 usados no Deutsche Rennsport Meisterschaft (DRM) – campeonato que é considerado o precursor do DTM original (Deutsche Tourenwagen Meisterschaft), ainda que o DTM tenha começado em 1986 e a DRM, acabado em 1984.

Enfim: aquilo era uma demonstração do potencial do motor M10, e por isto não surpreende que a BMW tenha o escolhido como base para seu motor de F1 no auge da era turbo – especialmente depois de uma clara evolução em termos de confiabilidade no BMW Série 3 E30 que competiu na IMSA. Claro, o projeto passava por diversas modificações, como a adoção de cabeçote de alumínio com comando duplo, quatro válvulas por cilindro, componentes internos mais leves e a instalação de um turbocompressor Garrett IDM 5322, feito de aço inox HK30 (uma liga que conta com a adição de nióbio para aumentar sua resistência a altas temperaturas). O motor era alimentado por um sistema de injeção Kugelfischer da Bosch.

Como dissemos em 2014, diversos mitos cercam a história do M12 na Fórmula 1 – dizia-se que a BMW só usava blocos devidamente amaciados, com mais de 100.000 km, como base para os motores dos monopostos; e que alguns deles eram até “batizados” com urina antes de serem retrabalhados. Bullshit: os blocos eram novinhos em folha, mas de fato eram climatizados ao ar livre a fim de garantir a estabilização de suas dimensões, pois os métodos de fundição e as técnicas de fabricação da época não eram tão precisos como hoje em dia.

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Foi com um Brabham equipado com o BMW M12, o BT52, que Nelson Piquet venceu o campeonato de Fórmula 1 de 1983 – ano em que a equipe alemã ATS também utilizou o mesmo motor. Nos anos seguintes, Ligier (1987) e Arrows (1987 e 1988) também utilizaram o BMW M12. Não era para menos: os números de potência eram mesmo impressionantes. Confira abaixo, lembrando sempre que 1 hp corresponde a 1,0138 cv – conversão que muita gente ignora, mas que faz muita diferença acima dos 500 cv.

1983: corridas 740 hp @ 3 bar / treinos 800 hp @ 3,2 bar

1984: corridas 880 hp @ 3,8 bar / treinos 1.150 hp @ 4,5 bar

1985: corridas 850 hp @ 3,6 bar / treinos 1.200 hp @ 5,4 bar

1986: corridas 850 hp @ 3,6 bar / treinos 1300 hp @ 4,9 bar

Tudo isto com quatro cilindros, meus amigos. Baseado em um projeto que tinha mais de vinte anos e ainda se mostrava absurdamente competente.

Em 1989, a potência cada vez mais absurda e os custos altíssimos dos motores turbo levaram a FIA a proibir a sobrealimentação na Fórmula 1, o que colocou um fim na carreira do M12 na categoria. Contudo, o mesmo ainda se mostrou competitivo nas corridas de longa duração, vencendo as 24 Horas de Spa em 1987, 1988, 1990 e 1992 – nos dois primeiros anos, com o BMW 63 CSi e, nos dois últimos, com o BMW M3.

Estes argumentos são suficientes para você? Que bom, pois esta é nossa sugestão. O que a gente quer, agora, são sugestões de vocês: qual é o quatro-cilindros mais legal, bacana, incrível, emblemático, icônico e cremoso já feito? Valem motores de corrida e de rua, claro.

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