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Pergunta do dia Zero a 300

Qual é o patrocinador brasileiro mais marcante do automobilismo?

O automobilismo é um espetáculo para os sentidos. Os pilotos podem ficar com toda a diversão e emoção de acelerar, mas nós, espectadores, podemos apreciar o ronco dos motores e o visual dos carros. E, quando nos referimos ao visual, não estamos falando apenas do design dos carros, mas também das suas cores.

É claro que algumas equipes têm cores tradicionais, como o vermelho da Ferrari, mas como se tornou comum a partir do final dos anos 1960, é o patrocinador principal de uma equipe de corrida que define as cores que serão utilizadas nos carros e nos macacões. Lá fora vimos o preto e dourado dos cigarros John Player Special, a pintura “maço de cigarros” da Marlboro ao longo dos anos 1970, 1980 e 1990, e, mais recentemente o azul com bico amarelo, letras vermelhas e a faixa tricolor da Red Bull.

No Brasil também tivemos patrocinadores marcantes no automobilismo, e a maior parte deles era 100% nacional. Por isso queremos saber: qual foi/é o patrocinador brasileiro mais marcante do automobilismo? 

Para nós, a primeira opção é uma só: a equipe Hollywood, que fez história na década de 1970.

A Equipe Hollywood l

Há uma nostalgia muito grande da época na qual fabricantes de cigarros patrocinavam grandes equipes do automobilismo: John Player Special e Gold Leaf, que patrocinaram a Lotus; Marlboro e West, que foram patrocinadores da McLaren; Rothmans, que estampou sua marca nos Porsche de rali e de endurance, Camel e Canon nos Williams dos anos 1980-1990 e por aí vai.

No Brasil, a Equipe Hollywood ficou famosa por causa do lendário Maverick Berta Hollywood, carro de turismo preparado pelo mago Oreste Berta que arrepiou nos circuitos brasileiros disputando a Divisão 3, categoria que permitia modificações bastante extensas nos carros e motores, que podiam ter mais de três litros. Deslocamento máximo? Até onde o bom senso e as possibilidades permitissem.

maverick-berta-hollywood-04

No caso do Maverick Berta Hollywood, como o Juliano Barata comentou neste post, era um motor V8 302 com elementos similares aos encontrados no Ford GT40:

Os cabeçotes eram os mesmos do GT40 (vídeo acima), os épicos Gurney-Weslake, de alumínio e alimentados diretamente por quatro carburadores Weber 48 IDA. Bielas e pistões forjados, virabrequim extensamente trabalhado por Berta, sistema de cárter seco com bomba externa Aviaid, sistema de ignição Sulbeco e, claro, os monstruosos coletores de escape diretos, também fabricados pela Oreste Berta S.A. Bueno havia me contado que sua potência era estimada em mais de 400 cv a cerca de 6.500 rpm, mas o potencial real era bem maior do que isso – usá-lo apenas não era necessário, tamanha a vantagem do conjunto.

O motor ficava bastante recuado em relação ao que era originalmente no cupê fastback, a fim de melhorar a distribuição de peso. Fora isto, o Maverick Berta Hollywood tinha freios a disco nas quatro rodas e suspensão por braços triangulares sobrepostos, emprestados dos protótipos Beta-Tornado; dutos NACA atrás das portas para arrefecer os freios traseiros; e um body kit extremamente agressivo, com um grande spoiler dianteiro, uma asa traseira maior ainda e alargadores nos para-lamas para acomodar os pneus slick iguais aos da Fórmula 1, de 15×11” na dianteira e 13×14” na traseira, onde os borrachudos mediam 380 mm de largura. Obsceno.

maverick-berta-hollywood-abre

Mas a Equipe Hollywood não tinha apenas o Maverick Berta: monopostos das Fórmulas Vê e Super Vê, protótipos que competiam na Divisão 5 e na Divisão 6 – como o Lola de Tite Catapani e o Porsche 908 que competiu nos 1.000 Km da Áustria em 1972 –, além de toda a estrutura , recentemente, foi conduzido com toda a elegância por Nelson Piquet em Interlagos, como você deve lembrar:

A Hollywood foi uma das mais bem estruturadas equipes de toda a história do automobilismo nacional. Os caras investiam pesado mesmo, e em pouco tempo o sucesso da equipe – especialmente com o Maverick, que competiu entre 1973 e 1976 e venceu, entre outras provas, os 500 Km de Interlagos em 1974 – começou a servir de tema para campanhas publicitárias bem legais, como estas abaixo, que listava todas as conquistas da Equipe Hollywod em 1975. “Ao sucesso”, de fato.

anuncio cigarros Hollywood - 1975

A Hollywood deixou de patrocinar o automobilismo brasileiro em 1976, coincidindo o início do declínio das corridas de turismo do Brasil que se seguiu na década seguinte.

São bons motivos para citarmos a Hollywood como uma das mais marcantes patrocinadoras do automobilismo nacional. Mas você certamente conhece outras. Qual é  sua favorita?

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