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Pergunta do dia

Que carro atualmente barato deve se tornar um futuro clássico?

Foto: Rodrigo Tavares

Em tempos de crise e dólar em alta, quem já viveu tempos de inflação descontrolada se apavora com o que fazer com seu rico dinheirinho. Investe em renda fixa? Corre para ações, aproveitando a baixa? Gearheads têm uma opção a mais: carros que um dia se tornarão clássicos. Mas como rastrear o que vai ser valorizado no futuro? É o que vocês vão nos ajudar a responder.

Se um modelo é pioneiro, como o Uno Mille, o primeiro popular do Brasil, ele tem chances de valer uma fortuna? Se alguém dissesse quem um Gordini Teimoso viraria item de colecionador, em especial um totalmente original, sem luzes traseiras, isso provocaria risadas. Pioneirismo talvez seja uma boa pista, mas será suficiente?

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Esportividade também ajuda. O Gol GTI era esportivo E pioneiro. Mas essa confluência de fatores era tão especial que o carro já é clássico. Sorte de quem conseguiu comprar o seu quando seus preços caíram.

Além destes fatores, o que mais transforma um carro antigo em objeto de desejo? Raridade? Estilo? Economia? Luxo? Como vocês já viram, para essa pergunta, não basta escolher um carro com o qual você simpatize. É preciso dizer por que você acha que ele ser tornará um clássico, mesmo que hoje seja relativamente barato de comprar.

Como sempre, nós perguntamos e damos a primeira dica. Se tem um carro que, em nossa opinião, tem grandes chances de se tornar clássico, este carro é o Vectra GSi.

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Em abril do ano passado, já colocamos um deles como Achado Meio Perdido. Ele custava R$ 12.900, mas estava mais em conta porque o dono precisava fazer dinheiro. O preço original era de R$ 14.500. Hoje, uma busca rápida pelo carro na OLX mostra uma média de R$ 15.000. Um aumento relativamente pequeno para o potencial do carro.

E onde está esse potencial de clássico? Para começar, no fato de ele ser a versão esportiva do sedã médio mais moderno que o Brasil teve a chance de ver fabricado em anos. Lançado em 1993, ele tinha apenas 0,29 de coeficiente aerodinâmico quando só se falava de menor resistência ao ar na F1.

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Seu motor, importado da Alemanha, era o famoso C20XE. Ele era derivado do 20XE, criado em 1987 pelo engenheiro Fritz Indra, chefe de Desenvolvimento Avançado de Motor da Opel de 1985 a 1989.

Derivado da Família II, ele foi inicialmente concebido para ser usado em corridas, o que explica o envolvimento da Cosworth em sua criação. Era um motor quadrado, com 86 mm de diâmetro e de curso, com cabeçote de quatro válvulas por cilindros e duplo comando de válvulas no cabeçote, movido por correia e desenvolvido pela Coscast.

Instaladas em ângulo de 46º, com pistões de reentrâncias rasas, para elas, as válvulas permitiam que se conseguisse a melhor taxa de compressão de modo mais simples. Ela era de 10,5:1. As velas eram longas e concêntricas aos cilindros. O cabeçote era chamado de Projeto KB. A princípio, era fabricado pela própria Coscast, missão que coube posteriormente à Kolbenschmidt.

Chamado apenas de XE ou de tampa vermelha, na Europa, onde a cobertura dos cabos de vela era vermelha (no Brasil, era preta), ele era idolatrado em sua época. E é até hoje, como mostra o Chevette de Joemil Nene, o Project Car de número 111, que recebeu o transplante de um C20XE vindo de um finado Vectra GSI.

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Quando recebeu catalisador, sonda lambda e o sistema de injeção Bosch Motronic 2.5, em 1988, o motor passou a ser chamado de C20XE. Foi essa versão que veio parar aqui em 1993. Tinha 150 cv a 6.000 rpm e torque de 20 mkgf a 4.600 rpm. Sua eficiência energética era de 37%, comparável à de muitos motores diesel da época, e sua potência específica, de 75 cv/l, era uma das maiores disponíveis naqueles tempos.

Com 4,43 m de comprimento, 2,60 m de entre-eixos, 1,70 m de largura e 1,37 m de altura, ele tinha porta-malas de 388 litros e pesava apenas 1.235 kg. Tinha rodas de aro 15, com pneus 195/60 R15. Custava, segundo a revista Quatro Rodas de dezembro de 1993, US$ 34 mil. Em valores corrigidos, são US$ 64.400 de 2015 — ou R$ 226.000.

Pelo teste da revista, o Vectra GSI atingia a máxima de 207,7 km/h e ia de 0 a 100 km/h em 9,22 s. Na cidade, fazia 10,67 km/l e só usava gasolina. Um dia, um exemplar bem conservado deste carro vai valer uma grana preta, em nossa opinião. E na sua, qual é o carro relativamente barato disponível hoje que vai se tornar clássico em poucos anos? Lembrem-se: precisamos da aposta e da justificativa! A caixa de comentários é de vocês.

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