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Quem transformaria um legítimo Porsche 356 Pre-A em uma limousine?

Primeiro esportivo da Porsche, o 356 é um colecionável extremamente valioso – a ponto de muitos o comprarem e preservarem menos pelo prazer ao volante que ele pode proporcionar, e mais pelo valor que ele pode alcançar no mercado de antigos. Mesmo quem é da opinião de que “carros foram feitos para rodar” é capaz de compreender esta situação.

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Dentre as variações que existem do Porsche 356, uma das mais cobiçadas é o Pre-A. Esta é a denominação que se dá aos primeiros carros que foram fabricados na Alemanha entre 1950 e 1955, depois dos cupês Gmünd (que eram feitos na Áustria) e antes do modelo A.

Como mencionamos neste post, os Porsche 356 Pre-A tinham algumas características distintas, como o para-brisa curvado, levemente em forma de “V”, para caber na mesma abertura do vidro bipartido usado pelos Gmünd e as lanternas traseiras em formato de colmeia. Um exemplar do cupê Pre-A em bom estado não custa menos de US$ 350.000 – mais de R$ 1,3 milhão em conversão direta.

Sendo assim, quem diabos pegaria um Porsche 356 Pre-A todo detonado e, em vez de restaurá-lo de forma fiel à original, o transformaria em uma limousine? Pois temos a resposta.

Deste ângulo quase não dá pra perceber o sacrilégio intencional

O curioso Porsche 356 esticado que viemos mostrar hoje pertenceu ao colecionador americano John Dixon, que morreu vitimado por um câncer em 2013, aos 60 anos de idade. Dixon era um dos mais conhecidos colecionadores de Porsche dos EUA. Seu acervo, apelidado “Taj Ma Garaj”, conta com alguns dos exemplares mais notáveis da fabricante alemã, e o 356 Limo é um deles.

Segundo o designer do projeto, o hot rodder Byron Kaufmann, contou em depoimento ao site Silodrome, Dixon encomendou a limousine há alguns anos para o casamento de sua filha – ele queria algo especial e, como tinha os meios, tratou de encontrar um 356 que não tivesse condições de ser restaurado sem um trabalho extenso de fabricação. O fato de ser um Pre-A fabricado em 1953 foi puro acaso, mas Dixon também não se opôs. Sabe por quê? Por que ele queria provocar seus amigos puristas.

Então ele não pegou um 356 antigo por acaso e o modificou sem saber direito o que estava fazendo: ele deliberadamente transformou um raro cupê alemão esportivo em uma limousine só para irritar as pessoas. Concordando ou discordando, temos de admitir que ele teve colhões.

 

O projeto foi executado em uma oficina chamada The Egyptian, no estado de Ohio, com a maior parte do trabalho realizada pelo customizador Don Boeke. O briefing de Dixon dizia que o carro deveria parecer algo feito pela própria Porsche na época, enfatizando elementos period correct. Com isto, por exemplo, foram adaptadas duas portas originais para dar à limousine um par de portas traserias suicidas, e Boeke teve o cuidado de fabricar letreiros “Limousine” na tipografia original da Porsche para os para-lamas dianteiros.

Fora as óbvias e radicais modificações, o carro foi restaurado com componentes originais do Pre-A, incluindo o para-brisa, faróis e lanternas e para-choques. Mesma coisa do lado de dentro: a cabine dianteira traz o painel de instrumentos, o volante e os revestimentos de porta corretos.

Na parte de trás, porém, as coisas ficam mais liberais. O compartimento dos passageiros recebeu uma espécie de prateleira de madeira, com porta-taças e um sistema que bombeia licor para os ocupantes – a bebida fica em um reservatório dedicado. Também há um toca-fitas Blaupunkt, relógio, cinzeiro e um marcador de temperatura interna e externa. Atrás, no “chiqueirinho”, fica uma caixa acústica, e os passageiros ainda podiam aproveitar um pouco de ar fresco através do teto solar de tecido.

O motor original do 356 Pre-A, de 1,5 litro e 60 cv, deu lugar a um motor vindo do Porsche 912, com dupla carburação, 1,6 litro e 90 cv – potência mais do que suficiente para o propósito original do 356, com seus 900 kg e só 2,1 metros de entre-eixos (na verdade, o Porsche 356 era até arisco, com a traseira meio instável por causa da suspensão com braços oscilantes). Para este exemplar em especial, feito para transportar um casal recém-casado até sua lua de mel… devia ser suficiente.

Infelizmente, não são conhecidos os detalhes técnicos da conversão, como o tipo de reforço estrutural empregado, ou mesmo as dimensões e o peso. Isto, contudo, pode mudar em breve: o carro, junto com outros integrantes da Taj Ma Garaj, será leiloado pela RM Sotheby’s no próximo mês de setembro, e a companhia geralmente fornece mais informações quando a data do evento se aproxima.

Alguns dos outros carros de John Dixon que fazem parte do lote são tão inusitados quanto o 356 Limousine. Veja, por exemplo, este outro 356 encomendado por Dixon – da mesma forma, para deixar furiosos os seus amigos mais tradicionalistas.

Fabricado em 1958, este Série A estava prestes a ser depenado em um ferro-velho quando o colecionador o comprou e mandou fazer uma espécie de furgão shooting brake.

Embora não seja um Porsche, este Fusca 1970 batizado “Casa Linda Lace” também mostra o gosto peculiar de John Dixon.

Ele foi feito pelos escultores Rafael Esparza-Prieto e Jose Barajas usando os mesmos arabescos de metal que costumamos ver em portões e jardins na frente das casas. De acordo com a RM Sotheby’s, o carro está devidamente documentado e pode ser conduzido normalmente.

Em contraste, a Taj Ma Garaj também possui um Volkswagen Sedan Ultima Edición – série de despedida do “Vocho” mexicano, que deixou de ser fabricado em junho de 2003…

… e um Porsche 911 Turbo 993 fabricado em 1997, último ano do flat-six arrefecido a ar. No fim das contas, Dixon também era meio purista.

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