FlatOut!
Image default
Car Culture

Quer seu próprio Project Car? Então veja como não acabar numa roubada

Lá está você, navegando pelos sites de classificados atrás de um carro bacana que cabe no seu orçamento. Você já tem um monte de referências visuais, especialmente em sites gringos, então já tem um projeto esquematizado na cabeça. Aí você compra o carro e então a realidade faz um burnout na sua cara: você está com um elefante branco na garagem.

Para não cair nessa roubada, você precisa levar uma série de fatores em consideração, que vão desde a escolha do carro até seu perfil pessoal como entusiasta e, claro, seu talento na oficina e o tamanho de sua conta bancária.

Isso porque primeira coisa que você deve ter em mente é que um project car é como a construção de uma casa. Você certamente já ouviu falar que elas custam sempre o dobro do planejado. Seu project car vai ser assim também. Mesmo que você não coloque a mão na massa, você precisa administrar o negócio para não ficar desperdiçar tempo e dinheiro. Por mais eficiente que seu projeto seja, tenha em mente que você vai torrar uma bela grana — e não tente se iludir pensando em algo simples para ficar barato. Peças, mão-de-obra e ferramentas custam caro.

 

Devo fazer um project car?

A segunda coisa que você deve considerar antes de iniciar um project car são suas habilidades, seu acesso a mão-de-obra e sua experiência/capacidade como administrador de um projeto e seu nível conhecimento técnico. Se você não consegue se programar para trocar o óleo do carro no prazo certo, se seus pneus sempre são comprados emergencialmente quando aqueles do carro já estão carecas e se seu carro passa meses sem um banho rápido, talvez seja melhor você não embarcar nessa.

image_gallery

Tudo fica mais fácil na TV

Depois você precisa desenhar seu objetivo com o carro: como ele será usado? Qual o seu objetivo com ele? Você quer algo para o dia-a-dia? Como segundo carro? Como seu único carro para os fins de semana? Um antigo restaurado por conta própria? Um velhinho para rodar diariamente? Isso irá definir o andamento e a extensão do seu projeto, se ele será uma restauração, um restomod, uma preparação, uma mera personalização.

A primeira é a mais difícil e já fizemos um post dedicado à dúvida que enlouquece todo antigomobilista de primeira viagem: comprar pronto ou restaurar? Uma restauração completa é coisa para gente experiente, com tempo, dinheiro e contatos de sobra. Afinal, você basicamente fará o que o supervisor de produção fazia na época em que seu carro foi fabricado, só que 1) você não tem uma fábrica cheia de funcionários e peças, 2) você não tem o orçamento de uma fábrica e 3) você não tem o planejamento da fábrica. Tudo será mais difícil e demorado, e é por isso que os carros restaurados são sempre caros. Se você quer fazer por conta própria, é bom ter muito conhecimento em todas as áreas, o que inclui mecânica, funilaria e elétrica. E mesmo que você economize com a mão-de-obra, as peças e componentes podem sair bem caros.

ParaRestaurar

Resista à tentação

Depois temos as preparações, que são o tipo de projeto mais comum, afinal, existem vários níveis de upgrades que você pode fazer no seu carro — desde um jogo de rodas maiores, pastilhas de freio mais eficientes e um escape redimensionado a um swap de motor e câmbio e até mesmo de conjunto de tração. Novamente é preciso levar em conta o seu perfil: você é administrador do projeto e vai delegar tudo a outras pessoas? Vai meter a mão na graxa para fazer o que sabe e pagar pelo que não sabe ou não consegue fazer por conta? Vai fazer tudo sozinho?

 

Escolhendo o carro

Com tudo isso em mente é hora de escolher o carro. Resista à tentação de comprar algo “diferentão”. Há uma boa razão pela qual há mais Volkswagens e Chevrolets preparados do que Citroëns e Mazdas: a disponibilidade de peças aftermarket e de mão-de-obra especializada. Esse é o primeiro fator que você deve considerar na hora de escolher o carro.

Para isso, você precisa devorar informações sobre o carro. Pesquise a oferta de peças de reposição e de preparação para o modelo escolhido — no Brasil e no exterior. E não dependa somente de uma empresa, você precisa ter alternativas. Quem começou um project car em 2012, comprou peças importadas pagando R$ 2,30 por US$ 1. Hoje esse mesmo dólar custa R$ 4. Depender unicamente de peças importadas não é um bom negócio.

Em suas pesquisas procure conhecer também a compatibilidade de peças entre as próprias versões dos modelos. Existem carros iguais que usam componentes completamente diferentes de acordo com o ano/modelo. O motor Ford Rocam 1.6, por exemplo, tem ao menos três ECU diferentes e a possibilidade de cada uma delas exigir sensores diferentes é alta. Da mesma forma você pode descobrir que o retrovisor do seu Mercedes é o mesmo da Chevrolet Blazer, ou que a embreagem do seu Seat Ibiza é a mesma do Escort XR3.

m5lp_0711_01_z+ford_mustang+engine_swap_guide

Outra coisa comum é planejar um projeto usando peças de prateleira, especialmente swaps de motor. Você imagina um Fox com o motor 2.0 do Golf, ou um Clio com o motor 2.0 do Megane. Teoricamente tudo deve combinar entre si, mas nem sempre é assim, por isso pesquise também sobre as receitas básicas de preparação para cada modelo — como aquelas que o Alexandre Garcia nos ensinou por aqui.

Tudo isso vai te ajudar a definir o projeto, a fazer uma previsão de custos e gastos e, claro, prazos.

Por outro lado, ao escolher o carro você não pode ser estritamente racional. Um project car é algo que raramente irá recuperar o investimento feito e por isso você precisa escolher algo que goste de verdade. Coloque todos esses fatores na balança considerando os modelos que você mais gosta.

tuning-ford-festiva-03

Por último, com o carro escolhido, procure um exemplar bem cuidado, especialmente em relação à pintura e carroceria. Um motor saudável é importante se você não for fazer um swap. O mesmo vale para a suspensão, se a troca de molas e amortecedores não estiver nos seus planos. No caso de clássicos, é melhor um carro com carroceria íntegra e motor ruim do que o contrário, pois a retífica ou troca do motor tende a ser mais barata que funilaria e pintura completa ou, pior, um alinhamento de monobloco.

Na hora da negociação, todo aquele conhecimento que você adquiriu servirá como base para argumentação na hora da negociação. Conhecendo o preço das peças, defeitos e reparos necessários você terá poder de barganha. Aí é só acertar o preço, levar o carro para casa e começar a aventura.

 

Matérias relacionadas

As melhores edições especiais inspiradas pela Fórmula 1 – parte 2

Dalmo Hernandes

Comece a semana com este Porsche 356 ultrapassando 27 carros em menos de cinco minutos

Dalmo Hernandes

The Homer: um carro totalmente projetado por Homer Simpson para o homem comum

Leonardo Contesini