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Achados meio perdidos

Quer um fora-de-série diferente? Este raríssimo Formigão está à venda

Frutos de um mercado fechado pra carros importados, os fora-de-série brasileiros das décadas de 1970 e 1980 eram ótimos exemplos da criatividade nata do nosso povo diante das adversidades: sem acesso aos lançamentos estrangeiros, nossa indústria atendeu a demanda de quem procurava algo diferente daquilo que as grandes fabricantes ofereciam. Assim, o segmento dos fora-de-série – carros fabricados em pequena escala, artesanalmente, usando projetos já consagrados como ponto de partida – floresceu naquela época.

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A mecânica dos Volkswagen a ar – Fusca, Brasilia, Kombi – era uma das favoritas por conta do baixo custo, da manutenção descomplicada e do projeto simples, facilmente adaptável a diferentes tipos de carroceria. O Puma VW, inspirado nos esportivos europeus da década de 1960, certamente é o mais conhecido e bem sucedido deles, mas está longe de ser o único. Você já ouviu falar no Formigão? Pois esta curiosa picape de fibra de vidro que teve três fabricantes diferentes é nosso Achado meio Perdido de hoje – como de costume, anunciado no GT40.

Mas antes de falar sobre o exemplar à venda, vamos conhecer melhor a história do Formigão.

Como conta esta matéria do mestre Jason Vogel, Formigão foi concebido em 1978 pelo projetista carioca Paulo Renha. Pouco antes, em 1975, Renha foi contratado por uma empresa chamada Norma Escapamentos para desenhar um triciclo com carenagem de fibra de vidro e mecânica de Brasilia, para fins promocionais. Como o veículo, que ficou conhecido como “Cavalo de Ferro”, foi muito bem recebido pelo público, Renha decidiu abrir sua própria empresa, a Renha Indústria e Comércio de Veículos Ltda., para fabricá-lo em série.

 

A ideia para a picape de fibra de vidro veio pouco depois, quando Renha percebeu a demanda por um utilitário leve e barato para uso urbano e rural. O Formigão usava a plataforma da família VW 1600 – composta pelo cupê TL, a perua Variant e o sedã “Zé-do-Caixão” – sem qualquer alteração mecânica. O motor era um boxer 1600 com dupla carburação e 65 cv.

A carroceria de fibra de vidro tinha linhas predominantemente retas e, ao mesmo tempo em que era totalmente utilitária, tinha seu charme com o capô curto, em forma de cunha, as portas pequenas e a longa caçamba. O conjunto dianteiro era formado por uma peça que servia como grade (falsa, já que o motor ficava lá atrás) e para-choque, abrigando os faróis do Fiat 147. A traseira era simples, com lanternas de Variant, emolduradas pelo para-choque, e o nome “Formigão” em alto relevo na porta da caçamba.

Foto: Agência O Globo

A cabine era arejada e espaçosa, acomodando três pessoas, e o Formigão tinha capacidade para carregar 650 kg de carga – exatamente o mesmo peso do veículo – na caçamba de 724 litros. Prático e econômico, o Formigão era 11 cm mais curto que a Brasília, com 3,91 metros, e era capaz de rodar até 11 km com um litro de gasolina, boa marca para a época.

O Formigão teve três fases distintas. A primeira foi fabricada pela Renha até por volta de 1982. Depois disto, os moldes foram adquiridos pela fabricante de buggies Coyote, também do Rio de Janeiro, que manteve as formas originais concebidas por Paulo Renha e vendia a carroceria como kit, para que o dono de um Fusca ou Brasilia realizasse a conversão por conta própria.

Mais tarde, perto do fim da década de 1980, o projeto foi adquirido por outra empresa, a CBP. A empresa paulista relançou a picape como EJ1, incorporando diversas mudanças ao design inicial, transformando o Formigão em uma espécie de perua de duas portas. Pouquíssimos exemplares foram fabricados.

Mas qual é a história deste Formigão, em especial? O exemplar anunciado no GT40 pertence ao jornalista Josias Silveira, que muitos leitores devem conhecer do site Autoentusiastas. Profundo conhecedor e admirador dos fora-de-série com mecânica Volks, Josias já foi dono de diversos modelos, incluindo os mais obscuros. Ele adquiriu a picape há cerca de 12 anos, depois de procurar exaustivamente um exemplar.

 

O Formigão estava em uma oficina na cidade de Diadema, precisando de cuidados. Josias conta que o proprietário anterior havia começado a fazer algumas modificações na picape, deixando inacabado um engine swap para motor AP 1.8. Ele também havia levantado a carroceria alguns centímetros em relação ao chassi, para que o AP coubesse, e também para dar à caminhonete um ar mais off-road. Era um bom ponto de partida.

Este Formigão é um Coyote – deve ter sido fabricado entre 1982 e 1984. Nos documentos, o ano de fabricação consta como 1974, pois a picape herdou a papelada do carro doador do chassi e da mecânica. Segundo Josias, o processo de restauração levou cerca de dois anos. Neste período, a mecânica foi restaurada, bem como a carroceria, que apresentava algumas trincas na fibra e precisava de uma nova porta para a caçamba. O interior também foi refeito, recebendo novo revestimento.

De acordo com Josias, o motor AP 1.8 tem recebeu o famoso comando de válvulas 49G, de perfil mais agressivo, usado no Golf GTS, e tem cerca de 10.000 km rodados desde que foi refeito. A carcaça do câmbio é da Kombi Diesel, que, ao contrário do câmbio do motor aircooled, não exige adapção para uso no AP.

A relação final do diferencial é a mesma do VW Gol com motor a ar, que é mais longa, e permite melhor economia de combustível com velocidade final mais alta. A suspensão traseira também veio da Kombi – o sistema da Kombi possui homocinéticas que estabilizam a cambagem, incômodo característico do arranjo original, usado em Fusca e Brasilia.

Por fim, Josias observa que a pintura foi refeita há cerca de um ano, pois a anterior já estava desbotada. No mais, o Formigão está em excelente estado de conservação e equipado com alguns outros itens interessantes, como um raro volante Fittipaldi F1, bancos Procar e pinças de freio do Santana.

Se você procura um fora-de-série acessível, bem cuidado e incomum, e não se incomoda com olhares curiosos nos semáforos, este Formigão pode ser uma boa pedida. Josias diz que não aceita trocas, mas estuda propostas.

Ficou interessado? Então clique aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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