Quer um Toyota Bandeirante zero-quilômetro? Estes caras podem te vender algo ainda melhor!

Dalmo Hernandes 9 outubro, 2018 0
Quer um Toyota Bandeirante zero-quilômetro? Estes caras podem te vender algo ainda melhor!

Com os automóveis no meio de um processo de transição, os híbridos e elétricos invadindo as ruas, e os veículos autônomos prestes a tomar o mesmo rumo, os jipes têm tudo para ser o último refúgio de quem gosta mesmo é de graxa. E o Toyota Land Cruiser, conhecido no Brasil como Bandeirante, é um belo exemplo. O “Jeep japonês” começou a ser fabricado em 1953 e permaneceu em linha lá fora até 1984. No Brasil ele foi vendido entre 1958 e 2001, sem nunca passar por uma reformulação extensa. E precisava?

É por isso que muita gente os cobiça e está disposta a pagar caro por um Bandeirante/Land Cruiser bem conservado. Eles são inquebráveis. Mas… e se você puder comprar um Toyota Bandeirante clássico, porém novo? Pois uma preparadora norte-americana chamada FJ Company oferece exatamente isto.

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O Land Cruiser foi criado pela Toyota em 1950, depois de um pedido que parecia improvável: o governo do Estado Unidos, que estava em guerra com a Coreia do Norte, precisava de 1.000 exemplares de um veículo off-road ao estilo do Jeep Willys MB: resistente, durável e barato, e fez uma encomenda à fabricante japonesa.

Por sorte a Toyota já tinha um projeto “engatilhado”, por assim dizer. Em 1941, durante a ocupação das Filipinas, o Exército Imperial Japonês encontrou um exemplar do Bantam MkII – que, como contamos neste post, pode ser considerado um dos veículos que deram origem ao Jeep – e o enviou na mesma hora para o Japão. Com base neste protótipo, os engenheiros da Toyota criaram um protótipo chamado Model AK, que ficou pronto em 1942 e, segundo relatos, era parecidíssimo com o Jeep. Ele usava um motor quatro-cilindros de 2,3 litros e 50 cv, câmbio manual de três marchas e tração 4×4 permanente com reduzida.

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A encomenda do Estados Unidos em 1950, então, foi concebida usando a experiência adquirida na criação do protótipo AK. No entanto, a Toyota tomou extremo cuidado para não ferir os direitos de propriedade intelectual que a Willys-Overland tinha sobre o Jeep. Assim, embora fosse semelhante ao Willys MB em concepção e estilo, o chamado Toyota BJ era um veículo maior, com entre-eixos mais longo e maior capacidade de carga. O motor era um seis-cilindros de 3,4 litros com comando no bloco e 86 cv (que, verdade seja dita, era uma cópia muito fiel de um seis-cilindros vendido pela Chevrolet na época), e o sistema de tração 4×4 era acionado manualmente. Além disso, diferentemente do Jeep, o Toyota BJ não tinha reduzida. Apesar das diferenças, as tropas norte-americanas logo começaram a chamar o veículo de “Toyota Jeep”.

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A Toyota percebeu o apelo do BJ entre aqueles que precisavam de um utilitário robusto e de manutenção simples, o que levou ao desenvolvimento de uma versão para uso civil começou a ser fabricada em 1953. No ano seguinte o diretor técnico da fabricante, Hanji Umehara, cunhou o nome “Land Cruiser”, assumidamente inspirado pela britânica Land Rover.

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Àquela altura começaram as exportações: primeiro ao Paquistão, à Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio; depois para a Europa; e em 1957 para os Estados Unidos. Em 1958, o Land Cruiser chegou ao Brasil.

 

O Bandeirante brasileiro

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O Land Cruiser começou a ser montado no Brasil em janeiro de 1958, na sede da recém-inaugurada Toyota do Brasil Indústria e Comércio, em São Paulo/SP, no bairro do Ipiranga. De início a montagem era em regime CKD, usando componentes importados, mas em 1962 as vendas já eram suficientes para justificar a nacionalização completa.

Foi opção da Toyota brasileira rebatizar o utilitário como “Bandeirante”, como uma referência aos exploradores do período colonial do Brasil, especialmente no século 17, que desbravavam o território nacional em busca de riquezas e acabaram contribuindo para a expansão territorial do país na época. O Toyota Bandeirante, de certo modo, também era um desbravador, e mais do que apto enfrentar trilhas e estradas inóspitas. O motor Mercedes-Benz OM-324, a diesel, de 78 cv, era extremamente robusto e confiável, e o Toyota Bandeirante foi tão popular que sua fabricação continuou até 2001.

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No restante do mundo, porém, o Land Cruiser de primeira geração, cujo código era FJ40, foi fabricado “apenas” até 1984. Suas boas qualidades, porém, fizeram dele um verdadeiro ícone entre os adeptos do off-road, e um veículo muito procurado por entusiastas. O que abriu caminho para aquele que é o verdadeiro tema do nosso post: o Land Cruiser da FJ Company.

 

O Land Cruiser renascido

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Analisando o significado dos dois nomes, “Bandeirante” e Land Cruiser (“aquele que cruza as terras”, em tradução livre) significam quase a mesma coisa. Mas, nomenclaturas à parte, não há como não admirar o trabalho da FJ Company, empresa que parte de carrocerias e chassis originais do Toyota Land Cruiser clássico e reconstrói absolutamente tudo, melhorando o que for possível sem alterar sua essência original.

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A FJ Company foi fundada em 2010 pelos norte-americans Nelson e Juan Calle. De acordo com a história oficial da companhia o avô dos dois, que também se chamava Nelson, teve dois carros durante toda a sua vida: um FJ40 1968 e um FJ40 1982. Os garotos cresceram dentro do Land Cruiser e, depois que seu avô morreu, já homens feitos, decidiram restaurar seu exemplar de 1982. Eles gostaram tanto do resultado que decidiram abrir uma companhia especializada no serviço de restauração do FJ40.

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Com o passar do tempo, e com a popularização dos restomods de alto nível, a FJ Company decidiu expandir o negócio oferecendo não apenas restaurações fiéis ao original, mas também modelos melhorados, com motores mais modernos, freios melhores e acabamento mais refinado.

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Atualmente são três as versões oferecidas: o FJ Classic, que usa um motor seis-cilindros Toyota 2F, de 4,2 litros, carburado e com 135 cv; o FJ Sport, com motor 1FZ, também de seis-cilindros em linha, porém com injeção eletrônica de combustível e 210 cv; e o FJ Signature, que tem um V6 de quatro litros e 240 cv que é exatamente o mesmo motor usado atualmente por modelos como a Toyota Hilux e o atual Land Cruiser. Mas as diferenças não acabam aí.

O Land Cruiser Classic é a experiência mais próxima de um exemplar antigo, porém com a usabilidade e confiabilidade de um zero-quilômetro. Embora o motor seja carburado, há diversos elementos modernizados: freios a disco na dianteira, suspensão Old Man Emu com feixes de mola e amortecedores novos, direção hidráulica, ar-condicionado e sistema de som moderno (tem até conexão Bluetooth) com visual retrô.

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Dito isto, grandes esforços são feitos para manter o visual, a usabilidade e a “aura” do original: as rodas, apesar de novas, têm visual clássico, os faróis são tradicionais e os bancos e revestimentos de porta são refeitos nos padrões da década de 1970.

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O modelo Land Cruiser Sport faz algumas concessões à modernidade, adicionando faróis de LED, rodas de visual mais moderno, painel digital com conta-giros e bancos esportivos Corbeau.

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Por fim, o Land Cruiser Signature é considerado pela FJ Company “a última palavra em Land Cruisers clássicos”.

Para tal, além dos elementos do Sport, ele adota bancos Recaro do tipo concha, console central com um iPad Mini embutido, sistema de som Premium, retrovisores esportivos e suspensão retrabalhada, com amortecedores Fox, componentes reforçados e maior altura em relação ao solo.

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Os freios são a disco nas quatro rodas, vindos da Toyota 4-Runner. Além disso, o Signature oferece mais opções de customização em termos de cores e revestimentos.

Em todos os casos estamos falando de uma reconstrução completa do Land Cruiser: a carroceria é separada do chassi, restaurada e repintada. O chassi recebe componentes novos originais Toyota, tratamento anti-corrosão e pintura do tipo powder coating.

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É importante reforçar que os carros são entregues “como novos” e, de fato, todos os componentes mecânicos (incluindo suspensão e freios) são zero-quilômetro. Dito isto, é preciso fornecer um exemplar do Land Cruiser fabricado entre 1970 e 1983 – ou pagar à parte pelo garimpo e compra de um. Oficialmente o veículo será registrado como um antigo, e não como um Land Cruiser novo.

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É claro que, com todo o trabalho realizado, um Land Cruiser da FJ Company não é barato. Um Classic custa a partir de US$ 120.000 (R$ 447.000 em conversão direta); um Sport parte de US$ 150.000 (R$ 560.000) e um Signature não sai por menos de US$ 200.000 (R$ 745.000).  Se vale a pena? Bem, não somos nós que podemos responder a esta pergunta.