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R$ 430 mil: é quanto custa esta VW Kombi Samba Bus 1966 restomod. Mas por quê?

A Volkswagen Transporter T1, conhecida pelos brasileiros como Kombi, é certamente um dos automóveis mais carismáticos que existem. Criada originalmente para trabalho, ela era barata, robusta e, claro, simpática o bastante para se transformar em um dos veículos de lazer mais populares de todos os tempos. A maioria das Kombi está na ativa há décadas. Algumas, aos trancos e barrancos, esforçando-se quase todos os dias para continuar sendo o ganha-pão de alguém. Outras, porém, acabaram encontrando seu caminho como veículo de passeio.

A Volkswagen não demorou para descobrir que havia quem quisesse uma Kombi para passear, e não para trabalhar. Sendo assim, um veículo que nasceu minimalista por natureza, já ganhou uma versão “de luxo” em 1951, o ano seguinte ao lançamento. Era a chamada VW Transporter Samba Bus, ou simplesmente VW Samba.

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A Samba deixava de lado o aspecto industrial da Kombi básica e era muito fácil identificá-a: a carroceria normalmente trazia pintura em dois tons (com teto e colunas pintados de branco e uma faixa decorativa separando as duas imagens), o teto ligeiramente mais longo que o resto do carro para proteger os olhos do motorista do sol, pneus com faixa branca, calotas cromadas e acabamento, no geral, mais caprichado.

A Kombi Samba tinha 23 janelas até 1964, e depois disso passou a ter 21 janelas. Oito destas janelas são panorâmicas, no teto e, junto com o teto solar de tecido (que vinha de série, e levou a VW Samba a ser chamada de Sunroof Deluxe nos EUA), tornavam o interior mais amplo, iluminado e arejado.

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O interior, aliás, também trazia capricho extra nos materiais e no acabamento: mais elementos cromados, veludo nos bancos, carpete no assoalho (opcional), cinzeiros para os passageiros, porta-copos na dianteira e para-brisa basculante. O acesso ao interior era feito por duas portas que se abriam para fora, em vez de uma porta deslizante. A Samba também serviu como base para a Westfalia Camper, versão motorhome toda preparada para longas viagens e acampamentos. A convers–ão era feita pela Westfalia sob encomenda da Volkswagen, e cerca de 1.000 unidades foram fabricadas até 1967.

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A Samba só foi produzida até 1967, quando a Kombi de segunda geração começou a ser produzida na Alemanha. Por causa disso, a Kombi de luxo está entre as mais valiosas variantes da Velha Senhora – até porque toda Kombi de primeira geração, a famosa “Corujinha” por causa do desenho da dianteira, é potencialmente um carro muito valioso para os colecionadores e entusiastas dos Volkswagen arrefecidos a ar no mundo todo. Quem tem um exemplar original e funcionando, não vende. Quem não tem, não se incomoda em ter que comprar um carro em condição ruim e restaurá-lo.

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Há muitas companhias especializadas nisto, que cobram caro por um bom serviço, e também são, de certo modo, responsáveis pela escassez de exemplares originais. E é por isto que há brasileiros enviando Kombis “Corujinha” para o exterior – por aqui, elas foram fabricadas até 1975. Má notícia para quem estava juntando grana para comprar uma Kombosa das antigas.

Pois bem: a Samba vale muito lá fora. E mesmo uma Corujinha comum restaurada customizada para se parecer com uma Samba custa uma pequena fortuna – no Velho Mundo, elas chegam a ser anunciadas por € 50.000. Isto dá quase R$ 170.000, cara. Agora, normalmente quem está atrás de uma Samba original não curte muito a ideia de um restomod. A gente curte, e temos certeza de que muitos de vocês também.

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A Kombi que ilustra este post é uma VW Samba Bus 1966, de 21 janelas, completamente restaurada e modificada pela Rocket Supreme, oficina espanhola originalmente dedicada às motocicletas (você precisa ver as cafe racers dos caras), mas que ocasionalmente trabalha com automóveis clássicos. Eles deram à Samba alguns elementos que a tornaram mais moderna e confortável mas, ao mesmo tempo, fizeram de tudo para que ela não perdesse seu caráter.

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As modificações estéticas foram poucas: a suspensão foi retrabalhada, dando à Kombi uma postura mais próxima do chão (e, presumivelmente, melhorando um pouco a dirigibilidade); alguns cromados foram removidos e os para-choques perderam as barras de metal e foram pintados no mesmo tom de marrom Nutria da parte inferior da carroceria. As rodas são originais VW, de 15×6 polegadas.

A Kombi também recebeu um motor boxer arrefecido a ar preparado, com deslocamento ampliado para 1,9 litro e capacidade de entregar 112 cv – claro que não são rios de potência, mas aumentar o deslocamento de um VW boxer a ar para 1,9 litro, 2,1 litros ou 2,3 litros é uma receita comum que, se acompanhada de um comando de válvulas mais agressivo e modificações no sistema de alimentação (que pode ser carburado ou com injeção eletrônica, os resultados são notáveis).

A Samba está anunciada no site Classic Driver pela própria Rocket Supreme, que quer € 128 mil por ela. É um valor bem alto – nada menos que R$ 430 mil em conversão direta –, especialmente se considerarmos que, por exemplo, as laterais estão perceptivelmente onduladas mesmo depois da restauração. E há outras VW Kombi desta época chegando perto deste valor.

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