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Rally Dakar 2015: o guia completo para acompanhar a maior corrida off-road do mundo

Como sempre, o ano novo chegou de pé embaixo: ontem (4) começou a 37ª edição de uma das corridas mais desafiadoras que existem: o Rali Dakar, que neste ano começou e vai terminar em Buenos Aires, na Argentina. Não quer perder nenhum minuto da competição? Então confira este guia completo que o FlatOut preparou para você acompanhar o Rally Dakar 2015!

Um pouco de história

Você deve lembrar do tempo em que o Rally Dakar era chamado de Paris-Dakar. Na verdade, até hoje há quem se refira à prova por seu antigo nome, visto que na maioria das edições, o traçado começava em Paris, na França, e terminava em Dakar, no Senegal.

A origem da prova é curiosa: em 1977, o piloto de rali francês Thierry Sabine se perdeu no deserto de Ténéré, bem no coração da África, durante uma corrida. Não foi fácil, mas em sua experiência ele percebeu uma coisa: o local seria perfeito para um rali — uma prova desafiadora, longa e que serviria para pilotos de motos e carros do mundo todo testarem suas habilidades.

A corrida de 10.000 km começou em Paris, na França, no dia 26 de dezembro de 1978 e terminou no dia 14 de janeiro em Dakar, a capital do Senegal. Foram 182 participantes (80 carros, 90 motos e 12 caminhões), e o vencedor foi o francês Cyril Neveu comandando uma Yamaha XT 500.

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Jacky Ickx Porsche 959 que competiram no Rally Dakar de 1986

Thierry Sabine dedicou o resto de sua vida a organizar o Rally — até morrer em 1986, aos 37 anos, em um acidente de helicóptero. A partir dali seu pai, Gilbert Sabine assumiu a responsabilidade pelo evento. Em 1993 a Amaury Sport Organisation, que também organiza corridas de bicicleta como a Tour de France, entrou em cena e cuida do Rally Dakar até hoje.

Ao longo dos anos, boa parte das edições consistiu em um trajeto (que variava ano a ano) entre Paris e Dakar, às vezes incorporando outras locações como Lisboa, em Portugal; Cairo, a capital do Egito; e a Cidade do Cabo, na África do Sul, que foi o destino da corrida na edição de 1992. E seria assim ainda hoje se, em 2008, a prova não tivesse sido cancelada um dia antes de começar devido a ameaças de atentados terroristas por militantes da Al-Qaeda, que prometeram atacar os competidores em sua passagem pela Mauritânia, na África.

Sendo assim, no ano seguinte, a organização do Rally decidiu transferir a corrida para a América do Sul, em uma rota que saía de Buenos Aires, passava por diversas cidades na Argentina e no Chile, e voltava para Buenos Aires. Desde então, todas as provas aconteceram em uma variação deste trajeto, para a alegria de fãs de rali da América do Sul — especialmente na Argentina, onde pilotos de rali são considerados heróis e centenas de milhares de pessoas vão às ruas para assistir às etapas de perto.

 

O Dakar 2015

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Novamente o Rali Dakar começou e vai terminar em Buenos Aires, mas desta vez o trajeto inclui a Cordilheira dos Andes, no Chile, e a cidade de Uyuna, na Bolívia. Serão, no total, 406 veículos percorrendo 9.295 km e passando por dunas, planícies desérticas e montanhas.

Uma parte interessante do Rali Dakar é a categoria Maratona — uma competição separada na qual alguns dos participantes participam de um acampamento e correm sem a ajuda de suas equipes de assistência. Em 2015, serão dois dias de maratonas para carros e caminhões e quatro dias para motocicletas e quadriciclos.

Fique de olho

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Como toda competição automobilística, o Dakar 2015 tem seus favoritos em todas as categorias. E, como a prova começou ontem, muita coisa já aconteceu. Em quem você deve prestar atenção?

Entre os carros, o qatari Nasser Al-Attiyah é um dos favoritos — o príncipe do Oriente Médio, ao volante de um Mini Countryman da Red Bull Racing, foi o vencedor do primeiro dia entre os carros, mas uma punição por excesso de velocidade adicionou dois minutos a seu tempo e o colocou atrás do então segundo colocado, o argentino Olando Terranova.

Já o espanhol Nani Roma, vencedor do Rally Dakar no ano passado, acabou tendo que abandonar a corrida no início do segundo dia (hoje, 5 de janeiro) — depois de percorrer apenas três km do segundo estágio especial cronometrado, seu carro começou a apresentar problemas no nível do óleo e cruzou a linha de chegada rebocado por um caminhão de apoio. Carlos Sainz é outro favorito, ao volante de um dos Peugeot 2008 Dakar, bem como Stéphane Peterhansel, o piloto mais bem-sucedido do Dakar — o francês venceu 65 estágios com motos e carros desde 1988 e vai tentar a sorte com outro Peugeot 2008 DKR.

Nas motos, o favorito é o espanhol Joan Barreda, vencedor do segundo dia (um estágio especial de 518 km), que pilota uma Honda CRF 450, seguido de perto pelo britânico Sam Sunderland e sua KTM 450 Rally. Destaque extra para a espanhola Laia Sanz, companheira de equipe de Barreda e a primeira mulher a integrar uma equipe de fábrica no Dakar.

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Já entre os caminhões a disputa é entre russos e holandeses — e, ao final da primeira etapa de caminhões, que aconteceu hoje, o holandês Hans Stacey chegou com seu Iveco à frente dos russos da Kamaz e dos tchecos da Tatra.

Por fim, os quadriciclos trazem como favorito o chileno Ignácio Casale, vencedor da categoria no ano passado. Pela primeira vez desde 2010, neste ano os irmãos argentinos Alejandro e Marcos Patronelli não correrão no Dakar — o favoritismo, caso contrário, seria deles.

Os brasileiros

Quem quer torcer pelo Brasil terá cinco nomes para acompanhar: Jean Azevedo nas motos, com uma Honda CRF 450 (ele é o brasileiro mais experiente no Dakar, com 17 participações) e o estreante André Suguita, pilotando um quadriciclo  Can-Am Renegade, além de Eduardo Sachs, Guiga Spinelli e Youssef Haddad com os carros. Sachs é o navegador do piloto português Ricardo Leal a bordo de uma Nissan Frontier, enquanto Spinelli e Haddad são piloto e navegador do ASX Rally nº 307 da equipe de fábrica da Mitsubishi.

Aliás, a dupla estava indo muito bem na prova durante o primeiro dia — por boa parte do estágio especial Spinelli esteve na décima posição. Contudo, depois de alcançar um piloto mais lento (o francês Cyril Despres, da Peugeot) que se recusou a dar passagem, a dupla se viu obrigada a seguir muito mais devagar e, com isso, os brasileiros caíram do 10º para o 29º lugar.

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O prejuízo foi parcialmente recuperado hoje (5): Guiga e Youssef completaram os 518 km do estágio especial sem descer do carro e subiram 13 posições terminando o dia na 15ª colocação. Seus colegas de equipe, os portugueses Carlos Sousa e Paulo Fuiza, foram ainda melhores e chegaram à 9ª posição na classificação geral.

O Rally Dakar continua amanhã! Mas…

Como acompanhar?

Pela TV, a maneira mais fácil de acompanhar são os boletins diários de meia hora, cobrindo cada um dos dias do rali, que serão transmitidos pela Fox Sports 2. Pela internet, nossos parceiros do Grande Prêmio estão fazendo a cobertura, que é complementada pelos comentários dos blogueiros Flavio Gomes e Rodrigo Mattar.

A agência Vipcomm está realizando a cobertura fotográfica do evento (atualizada periodicamente), e se você quiser acompanhar a prova em tempo real, pode (e deve) visitar o site oficial e os feeds no Facebook, no Twitter e no Instagram. A página no Facebook da equipe da Mitsubishi também está soltando relatos espalhados ao longo do dia.

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