Edição diária: 16/06/2019
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RE Amemiya: a preparadora por trás dos Mazda RX-7 mais famosos do mundo

A ideia de um novo Wankel produzido em série pode estar cada vez mais distante da realidade. Mas os modelos da Mazda que foram movidos pelo motor sem pistões já entraram para a história. O mais icônico deles, claro, é o RX-7 – ao longo de 24 anos e três gerações, o esportivo conquistou seu lugar entre as lendas do JDM com um propulsor de concepção totalmente diferente daquela que ainda é norma na indústria.

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Sem pistões, bielas, virabrequim ou comandos de válvulas – e, em vez disso, com rotores e janelas – o motor Wankel conseguia um funcionamento mais suave, pois eliminava o movimento reciprocante; e também uma potência específica muito maior. Com apenas 1,3 litro e dois turbos, o motor 13B do RX-7 era capaz de entregar pelo menos 280 cv, algo que rivais como o Nissan Skyline GT-R e o Toyota Supra faziam com o dobro do deslocamento.

A RE Amemiya foi fundada em 1974 por Isami Amemiya na cidade de Tomisato, Japão. “RE”, como você deve ter deduzido, vem de Rotary Engine (“motor rotativo”) – e, obviamente, a ideia de Amemiya era ser uma dos primeiros a especializar-se na preparação do motor Wankel da Mazda. Na época o RX-7 ainda não existia, mas a RE Amemiya preparava exemplares do RX-3 e do RX-4, que usavam o motor 12A, com dois rotores e 1,2 litro de deslocamento.

O RX-7 de primeira geração, código SA/FB, foi lançado quatro anos depois, em 1978, e imediatamente a RE Amemiya foi para cima dele. Foram desenvolvidos novos coletores, sistemas de injeção mais eficientes e modificações de fluxo para o motor, e também componentes aerodinâmicos e de suspensão mais eficazes. O mesmo aconteceu com a geração seguinte, a FC, lançada em 1985.

Mas foi na década de 1990, com a chegada do RX-7 FD, que a RE Amemiya conseguiu ser reconhecida de verdade – mais precisamente, em 1995, quando a equipe da companhia inscreveu-se no JGTC, o Campeonato Japonês de Turismo, com um carro que veio a se tornar um ícone. Talvez você até tenha passado boas horas “ao volante” do mesmo em Gran Turismo 2.

O Mazda RX-7 da RE Amemiya era o único carro movido por um motor rotativo em seu ano de estreia no JGTC. O carro usava um motor 20B, Wankel de três rotores e dois litros que, com a ajuda de um turbocompressor, entregava cerca de 300 cv. Com os pilotos Hironori Takeuchi e Haruhiko Matsumoto ao volante, o carro foi o vencedor de duas etapas na categoria GT2 (mais tarde, rebatizada como GT300), para carros de tração traseira, ficando em segundo lugar na competição, atrás apenas do Nissan Skyline da Team Gaikokuya.

Mesmo que não tenha vencido o campeonato, o RX-7 da RE Amemiya se tornou um dos favoritos dos espectadores – tanto pelo visual do carro, quanto pelo ronco do motor Wankel em altas rotações. E, realmente, vendo este vídeo de uma hot lap em Suzuka, fica fácil entender o motivo.

O piloto, no caso, é Tesuya Yamano, que substituiu Hironori Takeuchi na segunda metade dos anos 1990.

Com o passar dos anos, o motor 20B passou por melhorias e, no início dos anos 2000, já entregava quase 380 cv. Mas foi só em 2006 com um trio de pilotos que incluía, além de Yamano, os pilotos Hiroyuki Iiri e Shinichi Yamaji, que a RE Amemiya conquistou o título da categoria GT300 no campeonato japonês de turismo, que àquela altura já se chamava Super GT.

O Mazda RX-7 da RE Amemiya competiu até 2007. No ano seguinte, ele foi substituído por um RX-8 – o último esportivo da Mazda com motor Wankel, produzido entre 2003 e 2012.

A melhor parte desta história, porém, é que o carro ainda existe e está na ativa até hoje. Atualmente o RX-7 da RE Amemiya pertence a um rapaz chamado Aidan Barrett, que compete com ele em provas de subida de montanha na Nova Zelândia.

O carro ainda conserva o motor usado no JGTC/Super GT, que já teve várias peças substituídas mas conserva o último acerto de ECU realizado pelo próprio Isami Amemiya, há cerca de 17 anos. A única modificação nas especificações da época foi a remoção do restritor no coletor de admissão, que na época era obrigatório na super GT. Como resultado, atualmente o 20B turbinado entrega 401 cv a 8.200 rpm.

Com o sucesso do RX-7 nas pistas, a RE Amemiya investiu pesado em componentes de preparação para carros de rua. A companhia fornece peças de alta performance como intercoolers, turbocompressores, pastilhas de freio e amortecedores ajustáveis para o modelo, e também para o RX-8.

No entanto, foi o visual widebody de seu carro de corrida, com novos para-choques e faróis fixos, que se tornou a marca registrada da RE Amemiya para o mundo – e, naturalmente, eles também começaram a oferecer bodykits para conferir aos carros dos entusiastas o mesmo aspecto agressivo.

E mais: com elementos aerodinâmicos mais ousados, que não eram permitidos na época pelo regulamento da Super GT – como os canards no para-choque dianteiro.

O look é muito popular entre donos de RX-7 FD dentro e fora do Japão – e até apareceu na série de anime e mangá Initial D. A partir do episódio 18 da quarta temporada do anime, o carro de Keisuke Takahashi aparece com o kit da RE Amemiya. Nas temporadas anteriores, o carro usava um bodykit da Mazdaspeed.

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