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A receita do Lotus Omega: quais as diferenças entre ele e o Omega comum?

Lançado no Brasil em 1992 com a missão de substituir o Opala como modelo de luxo da Chevrolet, o Omega também trouxe um nível de desempenho jamais visto em um sedã nacional até então com seu motor 3.0 seis-em-linha de 165 cv. Talvez por isso, a GM sequer cogitou a possibilidade de oferecer por aqui as versões esportivas oferecidas na Europa — que iam desde a 3000, com 184 cv até o DTM Evo 500, de 250 cv. Lotus Omega? Nem sonhando. Mas isso não significa que você não possa ter um destes.

Existe ao menos um exemplar do Lotus Omega no Brasil, e você pode tentar encontrá-lo e negociá-lo. Como o carro ainda não completou 30 anos, você não poderá importá-lo, então a outra opção é construir uma réplica por conta própria. Basta reproduzir a receita original da Lotus — que por acaso é o que iremos explicar em detalhes agora.

 

A base

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O primeiro passo é conseguir um Omega, obviamente. De preferência com o motor 3.0, pois ele foi a base para o motor 3.6 biturbo do Lotus Omega. No Brasil só tivemos o C30NE, com cabeçote de 12 válvulas, mas na Europa foi usada a versão C30SE, com cabeçote de 24 válvulas. Você precisará importar este cabeçote.

 

Motor e câmbio

Quando a Lotus recebia os Omega da Alemanha, a primeira coisa feita era desmontar o motor, o câmbio e o interior, e em seguida adicionavam reforços no bloco do seis-em-linha e nos suportes do motor no cofre.

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O câmbio original de cinco marchas da Getrag era descartado e em seu lugar eles instalavam o novo ZF6-40 de seis marchas que a Chevrolet tinha nas prateleiras do estoque americano para o Corvette ZR 1 da época. Sim aquele ZR1. As relações eram praticamente as mesmas, somente a terceira marcha era sutilmente alongada — 1ª 2,68:1; 2ª 1,80:1; 3ª 1,29:1, 4ª 1,00:1, 5ª 0,75:1, 6ª 0,50:1 e Ré 2,50:1. A embreagem é a mesma do Corvette ZR1, fornecida pela Sachs, com pré-tensionadores de mola. Já o diferencial vinha do outro lado do planeta: era o mesmo usado no Holden Commodore com motor V8, com relação 3,45:1.

 

Mas não pense que você vai ligar para seu importador, pedir o câmbio do Vette e instalar no Omega do jeito que está. A Lotus precisou alargar o túnel e modificar a parte dianteira do assoalho para encaixar o novo câmbio. Feito isso, era hora de modificar o motor.

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Eles eram feitos à moda “one man – one engine”, ou seja: cada motor era feito por um único engenheiro do início ao fim. A receita, além dos reforços externos do bloco, inclui a modificação  do cabeçote para aumentar o volume das câmaras de combustão e uma nova passagem de óleo próximo ao duto de admissão do cilindro #6. Os parafusos do cabeçote têm a mesma medida M12, mas têm grau de resistência 10,6 em vez de 8,8.

Os pistões originais são substituídos por pistões revestidos de grafite da Mahle com os mesmos 95 mm de diâmetro, porém com a cabeça modificada para reduzir a taxa de compressão de 10:1 para 8,6:1. As bielas também são trocadas, bem como o virabrequim  — ambos forjados —, uma vez que o curso aumenta para 85 mm. Os comandos de válvulas também são modificados por versões reforçadas dos originais e o sistema de lubrificação ganha jatos de óleo sob o pistão para ajudar a controlar a temperatura. O cárter é idêntico ao original. Está anotando tudo aí?

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A ECU do motor é a mesma do Lotus Esprit da época: Delco GMP4, que controla três bobinas de ignição também da Delco (D555) — cada uma responsável por um par de velas (NGK BK6E) — e as seis válvulas injetoras da Rochester, de 4,75 g/s (código 9260 17101598). Os turbos são Garret T25 (TB2544 – código 452038-0001) operando a 0,7 bar. Até aí você encontra em lojas de peças na Europa. O mais difícil de encontrar será o intercooler e os coletores de admissão e escape, que foram produzidos pela própria Lotus exclusivamente para o Omega/Carlton. Desejamos boa sorte na busca, uma vez que só fizeram 950 desses carros.

 

Suspensão

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A suspensão ganha mais carga nos amortecedores e novas molas. Os amortecedores são originais da Opel (90393102) com sistema autonivelante nas quatro rodas (você precisará da bomba original 22153582 da AC Delco). Infelizmente não encontramos detalhes sobre a carga das molas, mas você certamente encontrará um kit adequado da Eibach e marcas afins. O que sabemos é que o vão livre do solo foi reduzido de 145 mm para 120 mm pelo deslocamento dos pratos.

 

 

Pneus, rodas e freios

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Essa é a parte do projeto onde você pode ser menos apegado às características originais. Não será fácil encontrar o jogo de rodas que a Lotus projetou para o carro, embora elas tenham sido replicadas no Brasil nos anos 1990 (desculpem, não lembro a marca). Originalmente elas medem 17×8,5 polegadas com offset de 28 mm na dianteira, e 17×9,5 polegadas com offset de 7 mm na traseira. Os pneus originais eram da Goodyear; 235/45 na dianteira e 265/40 na traseira.

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Os discos de freio são ventilados nas quatro rodas, e medem 330 mm na dianteira e 300 mm na traseira. As pinças também foram modificadas, com especificação para pista e com dois pistões nas quatro rodas.

 

Estética, aerodinâmica e conforto

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Este quesito também será relativamente difícil de reproduzir no seu Omega, ao menos em partes. Os para-lamas traseiros retos ganharam arcos e foram alargados como os dianteiros. No Brasil tivemos isso nos Omega da Stock Car. Um bom funileiro consegue fazer uma boa adaptação. Já os para-choques a asa traseira e o spoiler dianteiro são mais difíceis de se reproduzir, e você precisará garimpar no eBay e desmanches europeus ou importar réplicas produzidas atualmente na Europa. O capô ainda recebe dois respiros na porção posterior.

Por dentro, o Lotus Omega originalmente usaria bancos Recaro Model C, como mostram as fotos do protótipo. No fim, ele usou uma versão modificada dos bancos do GSi, com mais suporte lateral para o tronco e pernas, e revestimento de couro Conolly — que se repetia no volante e nos bancos traseiros.

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O volante, aliás, é o mesmo oferecido aqui no Vectra A e no Calibra, porém com a almofada da buzina modificada para receber o logotipo da Lotus. As portas são revestidas de camurça com detalhes em madeira e os tapetes são do tipo Wilton.

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