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Renovo Coupe: um Shelby Cobra Daytona de 500 cv e 138 mkgf é nosso tipo de carro elétrico

Ouvimos com certa frequência a afirmação de que os carros elétricos são o futuro, e a cada dia mais evidências surgem de que isto pode mesmo ser verdade. Agora, se for para viver em um mundo sem motores a combustão, que ele seja cheio de carros como o Renovo Coupe.

Renovo” não é um nome exatamente apelativo — ficaria mais apropriado a uma fabricante de computadores ou a uma grife de decoração, e só sabemos que se trata de um carro por causa do “Coupe”. Nomes à parte, antes de mais nada você precisa dar uma boa olhada no Renovo Coupe (o carro da foto acima, caso você não tenha se ligado).

Se estas formas estampadas de azul e branco lhe parecem familiares, é porque elas são exatamente iguais às do Shelby Cobra Daytona Coupe. Se você não sabe de que carro estamos falando, é bom dar uma pesquisada. Brincadeira! O FlatOut nunca te deixou na mão e não vai ser hoje que vamos começar, não é?

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Este é o Shelby Cobra Coupe original, desenvolvido na década de 60 para vencer a Ferrari em Le Mans (leia a história completa neste post nosso). Pense nele como um “projeto paralelo” de Carroll Shelby, que estava envolvido no programa do GT40, mas conhecia o potencial do Shelby Cobra em corridas de endurance e pensou em, quem sabe, derrotar os italianos usando sua própria criação.

O problema é que o Cobra era um roadster muito bom de curvas, mas sua aerodinâmica não era muito favorável em retas. Isso era um problema por causa da longa reta Mulsanne do circuito de La Sarthe. Nela, as Ferrari chegavam a beliscar os 300 km/h, enquanto os Cobra apenas passavam dos 250 km/h — mesmo que o Cobra fosse melhor em curvas, a menor velocidade nas retas gerava uma desvantagem de 10 segundos que era impossível de superar.

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Shelby, então, encomendou ao designer Pete Brock uma nova carroceria. Brock desenhou um cupê de linhas fluidas, que se afunilavam em direção a traseira até chegar a um corte abrupto — a chamada traseira Kamm, cujo formato reduziu drasticamente o arrasto aerodinâmico do carro. Resultado: o Daytona Coupe, testado em vias públicas britânicas, chegou aos 297 km/h. Era o bastante para desafiar a Ferrari com reais chances de vencer.

Acontece que o Ford GT40, no qual Shelby também tinha participação (em determinado momento o GT40 usou o mesmo V8 de 4,7 litros do Cobra), foi o foco de Henry Ford, que bancou o projeto e abocanhou todo o pessoal da empresa texana para trabalhar nele. Sendo assim, o Cobra Daytona Coupe tornou-se um plano B e, depois de 1965, saiu de cena.

Mesmo não vencendo, o carro se tornou um ícone de Le Mans, e é por isso que estamos tão impressionados com o visual do Renovo Coupe.

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A carroceria é fornecida pela própria Shelby — a chamada CSX9000, lançada em 2009 como réplica oficial do Shelby Cobra Daytona Coupe. Pode ser feita de fibra de vidro ou alumínio, e traz o visual clássico do carro de corrida com ligeiras modificações aerodinâmicas, arcos de roda maiores e padrões modernos de acabamento e resistência. Perfeita para a proposta da Renovo, segundo o CEO Christopher Reiser. “Queríamos criar um veículo aspiracional que demonstrasse o desempenho, controle e empolgação que são possíveis com um veículo elétrico.” Em outras palavras, a ideia era provar que nem todo carro elétrico é chato.

Os dois motores de fluxo axial — que usam campos magnéticos mara girar rotores, que por sua vez giram os eixos — montados em posição central-traseira são capazes de dar ao Renovo Coupe uma potência equivalente a mais de 500 cv quando acelerados ao limite. Impressionante. Mas ainda mais incrível é o torque de 138 mkgf que surge quase instantaneamente, em apenas 37 milissegundos. Para se ter uma ideia, o Corvette Z06 — um dos carros americanos com mais torque — tem 87,8 mkgf. A transmissão é direta (como no Tesla Model S), e uma vez que você acelera, o Renovo Coupe vai de 0 a 100 km/h em apenas 3,4 segundos.

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A alimentação é feita por conta de baterias modulares de íon de lítio, com uma tecnologia não patenteada desenvolvida pela própria Renovo (cujo quadro de funcionários traz vários ex-funcionários da Tesla): várias baterias espalhadas por todo o carro ajudam a manter a distribuição de peso equilibrada. A empresa também garante que o trem-de-força corresponde a menos de 40% do peso total de 1.434 kg do Coupe. As baterias podem ser recarregadas em até 30 minutos em uma estação de recarga rápida.

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Para garantir que a performance do carro fosse a melhor possível, o desenvolvimento foi supervisionado pela Shelby e pelo próprio Pete Brock. E o lendário designer parece bastante confiante na Renovo.

Estas formas eram perfeitas há 50 anos, e a física não muda muito com o tempo. Mas o carro tem carroceria, chassis, suspensão e cabine atualizados. Quando a Renovo me abordou com a idela de incorporar meu trabalho nos projetos dele, fiquei muito animado. O produto finalizado definitivamente carrega o espírito do carro original em direção ao futuro“.

Bem, foi o próprio criador do carro quem disse. O interior ganhou um painel que mistura mostradores digitais e analógicos com visual clássico e traz um seletor para o KERS, que ativa ou desativa a recarga das baterias usando a energia das frenagens.

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O carro está em seus estágios finais de desenvolvimento e será produzido em uma série limitadíssima, com entregas previstas para 2015. O preço é salgado — US$ 529 mil, ou quase R$ 1,2 milhão. No entanto, seus números de desempenho fazem do Coupe um legítimo supercarro elétrico — do tipo que não ficaríamos nem um pouco envergonhados de ter em nossa garagem. O que você acha dele?

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