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Car Culture

Rixas automotivas: as maiores rivalidades entre modelos no universo gearhead

Rivalidades são legais quando são saudáveis, e um pouco de provocação estimula a competitividade — algo essencial no meio automotivo, tanto para manter os fabricantes vivos e funcionando quanto para deixar as coisas mais divertidas para os entusiastas que somos nós. Sendo assim, separamos algumas rivalidades entre modelos de automóveis que vão fazer vários leitores tomarem partido. E, esperamos, fornecer combustível para um debate saudável na área de comentários!

 

Ford Mustang vs Chevrolet Camaro

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Há 50 anos a Ford apresentou ao mundo um muscle car mais compacto e barato (ou pony car, se preferir): o  Mustang. Ele vendeu tão bem logo de cara que as outras fabricantes se apressaram em responder à altura. E o Camaro, a resposta da Chevrolet, foi quem mais incomodou: a rivalidade entre os dois carros é tamanha que sobrevive até hoje, 47 anos depois.

O Camaro foi lançado em 1967 e, desde então, ele e o Mustang tiveram o mesmo número de gerações e um ciclo de vida bem semelhante: um nascimento badalado, um declínio no meio da vida e um retorno ao topo. A diferença é que a segunda geração do Mustang é considerada pelos entusiastas uma mancha negra em seu passado, enquanto a segunda geração do Camaro é uma das favoritas de seus fãs.

Se, nos anos 90, os dois tinham a cara da época, em 2005 o Mustang promoveu um retorno as raízes ao adotar um visual inspirado na primeira geração — seguido pelo Camaro quatro anos depois. Este ano a sexta geração do Mustang foi apresentada — novamente com visual moderno, e agora com suspensão traseira independente (que o Camaro ganhou em 2009) e a volta do motor de quatro cilindros turbo, começando a ser entregue a partir do ano que vem. O que acontecerá a partir daí vai ser algo que vamos acompanhar de perto.

 

Mitsubishi Lancer Evolution vs. Subaru WRX STI

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Do outro lado do mundo, uma rivalidade tão ferrenha quanto a do Mustang e do Camaro surgiu na década de 90. Seus protagonistas: Mitsubishi Lancer Evoution e Subaru WRX STI,versões de rua dos modelos de rali que competiam no WRC. Ambos os carros representaram o auge de suas companhias nos ralis, alternando vitórias durante toda a década de 90. Inevitavelmente a rivalidade das competições inevitavelmente foi parar nas ruas.

Ambos têm pelo menos um modelo ainda mais icônico — o Impreza WRX STI 22B, com motor de 2,2 litros e amortecedores Bilstein, e o Lancer Evo VI Tommi Mäkinen, com visual inspirado no carro de competição do piloto de rali finlandês. Ambos têm tração integral, motores turbinados (boxer no Subaru), grandes bases de fãs e um aftermarket gigantesco.

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Atualmente, o WRX STI acaba de ganhar uma nova geração, com um visual totalmente novo e motor boxer turbo de 2,5 litrose e 310 cv. O Evo, por outro lado, não tem um futuro muito promissor pela frente: aparentemente o Evo X, lançado em 2007 e dono de um 2.0 turbo de 300 cv, será o último da linhagem.

 

Volkswagen Golf GTI vs. Ford Focus ST

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O Golf GTI inventou o hot hatch moderno na década de 70 e, certamente, é um dos melhores do ramo. Estabelecendo uma fórmula de sucesso — compacto, leve, potente e bom de curva —, o Golf GTI não demorou a ganhar concorrência à medida que as outras fabricantes lançavam suas próprias versões da receita. Peugeot 205 GTI, Uno Turbo i.E. e Renault 5 foram algumas delas nos primeiros anos, e muitos outros vieram depois.

Contudo, a rivalidade mais representativa do Golf GTI é com o Ford Focus ST, lançado em 2001 — ainda na primeira geração, com motor 2.0 de 170 cv. O ST concorreu com o Golf GTI MkIV, com seu 1.8 turbo de 150  e depois 180 cv. Hoje o Golf está em sua sétima geração e o Focus está na terceira. O GTI de sétima geração tornou-se rapidamente referência no segmento com seu 2.0 TSI e comportamento dinâmico impecável, enquanto o Focus ST o segue de muito, muito perto com o Focus ST 2015 — reestilizado recentemente e dotado de um motor 2.0 turbo capaz de entregar 250 cv.

 

Chevrolet Corvette vs. Dodge Viper

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O Chevrolet Corvette é um veterano que nasceu na década de 50 e, desde os primeiros anos, cativou por suas linhas elegantes e esportivas — especialmente com a segunda geração, a mais clássica. Suas armas? A leveza da carroceria plástica reforçada por fibra de vidro e seus motores V8 confiáveis e potentes.

Durante quase 30 anos o Corvette reinou sozinho no mercado de esportivos americanos. Até que um dia Bob Lutz (presidente da Chrysler no fim dos anos 1980) decidiu lançar um “Shelby Cobra moderno”. O resultado: um cupê com um enorme motor V10 montado em posição central-dianteira que parecia querer te matar o tempo todo.

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Ao longo dos anos, ambos os carros adquiriram a mesma reputação: de esportivos americanos competentes e relativamente baratos, capazes de enfrentar concorrentes europeus muito mais sofisticados. Atualmente, o Corvette tem um V8 de 6,2 litros e 460 cv na versão básica Stingray e, no Z06, ganha um compressor mecânico para entregar 658 cv. Já o Viper voltou a ser Dodge (foi vendido como SRT Viper entre 2012 e 2014) e, com seu V10 de 8,4 litros e 640 cv, é o maior símbolo da cultura de motorzões americanos. Briga dura.

 

LaFerrari vs. McLaren P1

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A rivalidade entre Ferrari e McLaren data dos anos 80 — mais precisamente de 1984, quando a McLaren começou sua sequência de títulos no mundial de construtores da Fórmula 1 com o MP4/2C. Esta rivalidade começou a ensaiar a tomada das ruas quando a McLaren lançou o F1 em 1992  — a Ferrari havia acabado descontinuar a F40 e, com isso, perdeu o trono de melhor supercarro do mundo. Não foi uma disputa propriamente dita, mas a superioridade de um deles (F40 ou F1) ainda é tema de acalorados debates entre entusiastas até hoje.

A rivalidade começou mesmo quando a McLaren lançou seu segundo modelo de rua (ou terceiro, dependendo do ponto de vista): o MP4-12C, que chegou como o grande rival da Ferrari 458 Italia.

Agora, com a LaFerrari e o McLaren P1, italianos e ingleses têm uma chance de, finalmente, acertar as contas de uma vez por todas. Ambos os modelos fazem parte da atual geração de hipercarros híbridos, com sistemas híbridos que garantem potência astronômica (963 cv na LaFerrari, 917 cv no McLaren) e economia de combustível, além de aerodinâmica e materiais de ponta.

O mundo ainda está descobrindo as capacidades destas máquinas, e ambas já estão ganhando versões de competição ainda mais insanas — portanto, a resposta à pergunta “qual dos dois é melhor?” pode demorar ainda um tempinho para ser revelada. Ou nunca.

 

BMW M135i vs. Mercedes-Benz A45 AMG

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Há muito, muito tempo, Mercedes e BMW disputam a preferência dos fãs de driver’s cars alemães com sedãs, peruas e cupês rápidos, elegantes e de dinâmica impecável. E não foi só nas ruas — nas pistas, BMW M3 E30 e Mercedes-Benz 190E Cosworth protagonizaram altos duelos na DTM, por exemplo.

Mas se for para citar uma briga interessante entre modelos das duas marcas, a nossa escolha seria um tanto mais atual e imprevisível: a briga entre BMW M135i e Mercedes-Benz A45 AMG. Ambos são as versões mais potentes dos modelos de entrada da BMW (Série 1) e da Mercedes (Classe A, o baby Benz).

O BMW aposta na tradição, combinando tração traseira e um seis-em-linha de três litros (ainda que turbinado) de 320 cv, enquanto a Mercedes tentou ser mais abrangente e deu ao A 45 AMG tração integral e um 2.0 turbo de espantosos 360 cv.

 

Porsche 911 Turbo vs. Nissan GT-R

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O que eles têm em comum: tração integral e motores de seis cilindros e 3,8 litros biturbo. O que eles têm de diferente: todo o resto. Incluindo seus respectivos fãs e defensores, que parecem viver em polos opostos: enquanto os admiradores do 911 Turbo admiram a capacidade que a Porsche tem de manter um carro com motor traseiro entre os melhores do mundo depois de tanto tempo, os fãs do Godzilla admiram tudo o que a Nissan fez para que o GT-R seja um carro monstruosamente rápido, mesmo pesando mais de 1.700 kg.

Ambos se valem, claro, de motores potentes — o boxer de seis cilindros e 520 cv do 911 Turbo e o V6 de 545 cv do GT-R, mas também de engenharia avançadíssima e uma boa porção de ajustes eletrônicos que permitem que (quase) qualquer pessoa extraia seu potencial.

 

Chevrolet Opala vs. Ford Maverick

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Não poderíamos, de forma alguma, deixar a maior rixa nacional de fora — Opala vs. Maverick, claro! De um lado, um projeto europeu estilizado para ficar com cara de americano e motor de seis cilindros em linha nas versões mais desejadas. Do outro, um americano que só ganhou status de ícone quando chegou ao Brasil — em boa parte, graças a seu V8 de cinco litros.

Fãs do Opala gostam de qualquer Opala e o mesmo pode ser dito dos admiradores do Maveco, mas os dois possuem suas respectivas versões mais icônicas: o Opala tinha o SS, que inaugurou o seis-em-linha de 4,1 litros (no lançamento era um 3.8) e 140 cv brutos, capaz de chegar aos 100 km/h em 12 segundos com máxima de 170 km/h. Já o Maverick veio em 1973, e o mais potente da linha era o GT, equipado com um motor V8 de 302 pol³ (cinco litros) de 197 cv brutos e capaz de acelerar até os 100 km/h em 11 segundos, com máxima de 180 km/h.

Mas a paixão por Opala ou Maverick não pode ser definida por números ou fichas técnicas sendo comparadas. Quem gosta de um ou do outro gosta do estilo, da personalidade, da história, do ronco dos motores e de tudo o que envolve estes dois carros que estão entre os mais adorados da indústria automotiva brasileira. Queira você ou não, eles são nossos próprios Camaro e Mustang — com rixa e tudo.

[ Foto: Juliano Barata (Maverick) ]

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